Autor: Rute Gabriel

Método de Transição para um Estilo de Vida mais Sustentável

Lembo-me quando vi “Uma Verdade Inconveniente” no cinema da minha vila: estava no 8º ano, e toda a escola foi convidada a ir à sala de cinema para ver o documentário sobre o aquecimento global derivado da ação humana no planeta.

E lembro-me, no final, de achar que o problema não tinha solução.

Que havia tanto para mudar que seria impossível fazer tudo.

Se me dissessem na altura que eu tinha que produzir os meus próprios alimentos, separar os meus resíduos em 20 categorias diferentes (como faz uma certa vila no Japão que produz 0 lixo), criar a minha própria carne, boicotar todos os plásticos e a indústria do petróleo, participar em todas as manifestações socio-ambientais…. a minha cabeça explodia.

E explodiu. Durante muito tempo não fiz nada em relação ao assunto porque me senti tão afogada no meu estilo de vida – havia tanto para mudar que nem sabia por onde começar. Não tinha um sistema para transitar para o estilo de vida “romântico” que eu imaginava e com que sonhava sem que parecesse uma tarefa utópica ou extremista – nem sabia que tal coisa podia existir.

Quando há tanto para fazer que ficamos paralizados pela tarefa herculeana que é levar um estilo de vida sustentável. Não tem que ser assim.

 

Mas a verdade é que todo o nosso dia a dia é uma amálgama de hábitos. E esse conjunto de hábitos não se criou num só dia – foram-se acumulando, devagarinho, sem darmos por ela.

E se conseguissemos fazer o mesmo com os hábitos de uma vida sustentável?

 

Eu e o Pipo estamos a trabalhar activamente na nossa transição à cerca de um ano e meio. Muito pouco tempo, somos praticamente novatos. Mas a verdade é que nesse pouco tempo já mudámos muita coisa, e se tivéssemos tentado fazer tudo de uma vez, provavelmente teríamos desistido. A pouco e pouco, mas de uma forma consistente, já temos uma horta de cerca de 200m quadrados, já temos galinhas que não só nos dão ovos como nos ajudam no controlo de ervas daninhas e na fertilização do solo, já temos um vermicompostor, pelo menos mais 20 árvores novas, banco de sementes, plantas medicinais. Já reduzimos o lixo que sai da casa: reaproveitamos todo o lixo orgânico, as borras de café, os guardanapos e papéis, e breve as latas e as garrafas de vidro e plástico serão aproveitadas também.

Como é que se consegue fazer tanto sem termos dado por isso? Com um sistema. Um método de transição simples que se pode ir seguindo, que podes aplicar ao teu estilo de vida para fazeres as mudanças que tu consideras necessárias.

Permacultura é a criação desses sistemas e métodos de transição para estilos de vida sustentáveis de habitação humana. É justamente para que tenhas um método baseado em princípios e éticas próprias que guiem as tuas ações e os teus hábitos na direção da sustentabilidade sem que te sintas como a Rute do 8º ano.

E foi justamente isso que falámos no Cidade+, no Porto, quando fomos convidados a aceitar um desafio: a transição para a sustentabilidade urbana.


Deixamos aqui o texto de apoio com os métodos de transição que ensinámos na formação.

Pega num bloco de notas e aponta tudo o que considerares útil para aplicares na tua casa e nos teus hábitos do dia-a-dia.

Queres acesso à gravação de video da formação e ao PDF com toda a informação abaixo pronta para guardares? Subscreve para a nossa newsletter e recebe o link para acederes à video-formação onde são explicados mais aprofundadamente os conceitos descritos abaixo, entre muitas outras coisas: são 1h30 de conversa sobre métodos para a transição para um estilo de vida sustentável! Inscreve-te na nossa newsletter e recebe a formação em video da nossa intervenção no Cidade+ e o PDF.

 

Permacultura Aplicada na Transição

1. Modelo de Mindset

Tudo começa na nossa mente. Se ela não estiver alinhada, nada do que queremos atingir se consegue manifestar. Por isso trabalhar o MINDSET é o primeiro ponto para a transição. Começa por estudar as éticas e os princípios de permacultura para que tenhas uma guideline básica que guiem o teu método de transição para o estilo de vida sustentável que pretendes atingir.

 

Processo Comum:  DESEJO —» MEIOS —» DECISÃO

Este método é o mais comum e o responsável por 99% dos fracassos, não só em transição para a sustentabilidade, mas em qualquer área da vida. É quando a nossa decisão está dependente dos MEIOS que temos ao nosso dispor naquele momento. Este foi o método da Rute do 8º ano que tinha um desejo, viu que não tinha os meios, e não tomou uma decisão por causa disso. Pior, decidiu Não fazer nada.

 

Processo da Tribo:  DESEJO —» DECISÃO —» MEIOS

Este é o método que aprendemos na Tribo (plataforma e comunidade de e-learning de empreendedorismo social e digital), e que aplicamos no Liberta-te.com. Esta simples mudança obriga-nos a sair da nossa zona de conforto para CRIAR os meios/circunstâncias necessárias para satisfazer os nossos desejos.

Isto significa que, ao desejares levar uma vida mais sustentável, tomas essa decisão de ir por esse caminho e, por isso, vais procurar e adquirir os meios necessários para o fazer acontecer.

Não é afinal assim que vieste aqui parar, e estás a ler isto agora mesmo? 😉

Agora vamos te dar alguns meios para que possas avançar com a tua decisão de transitar para um estilo de vida mais sustentável.

 

2. Mudança de Hábitos e Comportamentos na nossa Economia

Muitíssimo simples. Nem sempre fácil, mas extremamente simples:

  1. Deixar de Investir contra as nossas éticas
  2. Investir no Socialmente Responsável

Fazer estas 2 pequenas coisas levará automáticamente numa mudança de hábitos e comportamentos. Não é algo que se faça de um dia para o outro, mas um processo que se faz um pouco todos os dias.

Por exemplo, recentemente encontrámos um moleiro (relativamente) perto de nossa casa. Se não tivéssemos estado à procura dos meios para satisfazer o nosso desejo de uma vida mais sustentável, nunca o teriamos achado. Agora, em vez de comprar farinha no supermercado, super embalada (= mais lixo), lixiviada e vinda sabe-se lá de onde, posso investir no socialmente responsável, patrocinando a economia local, e em troca recebo farinhas de todo o tipo, misturas personalizadas e farinha de alta qualidade moída na hora.

 

3. Metodologia Sistémica

Depois da tua tomada de decisão, precisas de encontrar os meios, os aliados, os recursos, e interligar todos os componentes num sistema em que nada é desperdiçado e tudo é aproveitado ao máximo. Isso é crucial para um estilo de vida sustentável.

 

Mas como?

  1. Determinar os Objetivos do Sistema
  2. Análise das estruturas Existentes
  3. Análise da organização/padrões existentes
  4. Análise dos processos envolvidos e estabelecer interações
1. Objetivos do Sistema

Neste caso, o teu sistema é a forma como tu operas, o teu habitat – o teu espaço e a forma como interages com ele. Precisas de determinar os objetivos que queres que o teu estilo de vida (sistema) consiga cumprir. Este conjunto de questões vai ajudar-te a delimitar os objetivos do teu sistema:

  • Qual a visão para o teu espaço (qual o teu estilo de vida/espaço de sonho)?
  • O que consideras necessário?
  • O que gostarias de ter no teu espaço/estilo de vida?
  • Valores e princípios que guia/rão o teu sistema/estilo de vida
  • Factores limitantes (espaço, dinheiro, tempo, competências, etc, etc, etc)
  • Recursos disponíveis (tudo conta – desde os mesmos elementos que consideraste um factor limitante – ex: dinheiro ou competências – como até algo que nunca consideraste um recurso – como borras de café para criar cogumelos, por exemplo)
  • Tempo
  • Manutenção
2. Análise das estruturas Existentes

Em permacultura, existem as estruturas visíveis – casas, contruções, infra-estruturas, terreno, espaços, ferramentas, tecnologia etc – e as estruturas Invisíveis: religião, espiritualidade, éticas, finanças, educação, cultura, economia…

Analisa os elementos existentes no teu sistema para, nos passos seguintes, conseguires recontectá-los de forma a que tudo flua mais suavemente – como as peças de um puzzle. Cada elemento é uma peça, e é preciso observar a melhor forma de todas encaixarem para que tenhas um puzzle (sistema) completo e harmonioso.

Para uma boa análise do elemento (peça do puzzle) é necessário perceber 3 coisas: quais os inputs (necessidades), os outputs (o que dá ou gera), e as características desse elemento.

Ex: um espaço social

INPUT (Precisa): 

  • Movimento
  • Pessoas
  • Espaço fisico (público ou privado)
  • Música (facultativo)
  • entretenimento
  • Conforto
  • Equipamento/mobiliário/estruturas
  • Responsabilidade Social pela
    • Manutenção e evolução do espaço
  • Ambiente convidativo (integrar em vez de segregar)
  • Convide à Interactividade
  • Uma actividade pode dar inicio a um espaço social

Características:

  • É um centro de actividade humana
  • É um ativo informativo e regenerativo
  • onde a cultura de um grupo se desenvolve
  • é acolhedor e confortável
  • Pode ser localizado num espaço físico, mas quem cria uma espaço social são um conjunto de pessoas que se reúnem com intenções/objetivos específicos
  • é uma necessidade humana

OUTPUTS (Fornece):

  • Animação/Entretenimento/Informação
  • Reforço e apoio moral
  • comunicação
  • cultura
  • bem-estar físico, emocional, mental, espiritual, económico
  • conexão c/ a comunidade que partilha do espaço
  • restauro energético
  • beleza/ estética
  • núcleo de desenvolvimento da comunidade/tomada de decisões

Agora que já conheces bem a peça do puzzle, mais facilmente a podes encaixar com as outras para um sistema sustentável.

 

3. Análise da organização/padrões existentes e 4. Análise dos processos envolvidos e estabelecer interações

Como é que as tuas peças do puzzle estão encaixadas neste momento? Tens ciclos que fluem ou tens ciclos abertos de desperdício de recursos/energia?

A forma como interages com o teu espaço é regulado por padrões – os teus próprios hábitos são padrões: de comportamento. Também existem padrões de consumo.

Por exemplo:

  • Muitas pessoas gostam de ter fruta em cestos, à vista, para que, no fluir natural de se movimentarem pela casa, se lembrem de comer fruta. Se a colocarem no frigorífico, muitas vezes só se lembram de a comer depois de já se ter estragado no fundo da prateleira, e depois lá vamos nós comprar mais fruta ao supermercado que não vamos comer. Simplesmente tendo a fruta à vista e à mão de semear já altera o padrão de alimentação da pessoa.
  • Ter os baldes da reciclagem logo ao lado do saco do lixo em vez de noutra divisão da casa pode reduzir o lixo que vai parar ao aterro sanitário.
  • Ter plantas mais sensíveis à janela da cozinha ou da casa de banho torna mais fácil a sua manutenção e rega. Basta aproveitar que JÁ lá estamos a fazer outra coisa, como lavar as mãos – para nos lembrarmos de também regar a planta. É este tipo de análise simples de padrões e organização do teu sistema que podes torná-lo mais sustentável e eficiente. Também podes, assim, fazer com que os teus recursos cheguem mais longe, reutilizando-os várias vezes antes de “sairem” do teu sistema.
  • Usar a água do banho para puxar o autoclismo poupa-te cerca de 4-8L cada vez que usas a casa de banho.

Um exemplo que eu adoro dar (porque vivo-o diariamente) é com as nossas galinhas. Elas são uma boa peça do nosso puzzle. Mas precisam de palha. Nós não temos muita palha, então criámos um padrão novo para aproveitar esse recurso ao máximo enquanto continuamos a tirar o melhor proveito possivel tanto da palha como da utilização que as galinhas lhes dão.

  • Em vez de precisas de palha para a nossa horta + a palha necessária para as galinhas;
  • A mesma palha vai primeiro para as galinhas – que depois de ser usada por elas (ou seja, fertilizada com o seu estrume), segue então para a nossa horta. Não só estamos a usar menos palha para as duas necessidades, como a palha vai em melhores condições para a horta do que no caso anterior.

Analisa os padrões existentes e muda-os criando novas interações entre as diferentes peças do teu puzzle para que encaixem melhor, deixando menos desperdício, trabalho e mais abundância e fluidez.

 

4.Processo de Design

Com todas as dicas dadas acima, o que estás a fazer é o design do teu habitat sustentável, tendo em conta as tuas necessidades, os teus valores éticos, e o bem-estar de todos os elementos envolvidos. Estás a criar um sistema bem oleado em que nada é deixado ao acaso e ao desperdício, seja esse desperdício de tempo, trabalho, dinheiro, recursos naturais, etc…

O ciclo constante que farás daqui para a frente (nunca mais ser capaz de não ver isto no teu dia-a-dia) será mais ou menos assim:

Da mesma forma que a nossa vida não é um destino, mas uma viagem, a transição para um estilo de vida mais sustentável não é um destino a que se chega – é um processo. Faz-se todos os dias, um bocadinho de cada vez.

Por isso diverte-te a criar a tua realidade sustentável com estas ferramentas – usa os principios e éticas de permacultura como uma filosofia de vida, transversal a todas as áreas e não só à agricultura biológica como muitos pensam.

Consome éticamente e vive um estilo de vida hedonisticamente frugal, consumindo menos mas apreciando tudo muito mais.

[PARTE 2: FLUIDEZ] 9 Dicas de PERMACULTURA que Podes Aplicar JÁ e Sem Experiência Prévia

Nesta série de artigos vamos te mostrar práticas que utilizamos em permacultura que não só poupam tempo, esforço, recursos e dinheiro, mas que ao mesmo tempo são parte de uma prática regenerativa, ecológica e mais sustentável que se pode e DEVE fazer em casa.

Não requer conhecimento ou experiência prévia em agricultura biológica ou permacultura, apenas vontade de ter uma rotina mais harmoniosa com os processos naturais que já ocorrem à nossa volta, aproveitar processos e recursos que já acontecem nas nossas casas e optimizar o nosso tempo e os nossos recursos.

 

Nesta PARTE 2 vamos falar sobre dicas para melhorar os resultados do que já fazemos, e como utilizar de uma forma mais optimizada os recursos que já temos ao nosso dispor para ciclos mais fluídos e harmoniosos. 

Parte 1 ALQUIMIA: LIXO EM OURO

Parte 2 FLUIDEZ: A NATUREZA GOSTA DE BEBER COM AMIGOS

1. ALFOMBRA OU MULCH – TAPA O TEU SOLO!

2. OLLAS

3. CONSORCIAÇÃO DE PLANTAS

 

Permacultura oferece não só os princípios éticos para nos guiar para uma vida mais sustentável, mas também as técnicas práticas congruentes a elas, para que possas aplicar no terreno todas as coisas lindas que dizemos sobre a Natureza: que devemos protegê-la, que o nosso estilo de vida pode ser mais sustentável, que devemos reciclar mais, produzir menos lixo e poluição, produzir (pelo menos alguns) dos nossos alimentos e ser menos consumistas, satisfazendo algumas das nossas próprias necessidades, etc

Mas COMO é que protegemos a Natureza? Falar é fácil, mas quais as AÇÕES que podemos tomar no nosso dia-a-dia, que sejam simples, que nos ponham a proteger a Natureza? A ter um estilo de vida mais sustentável?

Nós acreditamos que não são as grandes mudanças que fazemos uma vez, mas as pequenas ações que tomamos todos os dias que realmente fazem a diferença. Significa, pelo menos para nós, que o primeiro sítio onde se podem tomar pequenas ações nesse sentido é em casa.

 


 

Um dos recursos que mais temos de valorizar optimizando ao máximo é aquele ouro líquido transparente chamado H2O: Água

Nós somos apenas um reflexo de como a Natureza opera. ÁGUA é um recurso obviamente essencial, tanto para nós como para as plantas das nossas hortas – mas sabias que as plantas também precisam de amigos por perto? É sempre melhor beber com amigos, e nesta parte 2 vais ver que se juntares essas duas coisas, como a Natureza faz, vais entrar em maior fluidez com as tuas práticas na horta.

O Verão de 2017 vai ser QUENTE e SECO. Já começam as preparações para tentar irrigar o país, e a nuvem negra de fumo dos Incêndios florestais (se é que se possa chamar de uma monocultura de eucaliptos uma floresta) aproxima-se.

Também vêm aí as férias. Como é que podemos manter os nossos espaços irrigados quando está tudo tão quente e seco, poupando água ao máximo, e podendo ir passar uns dias fora sem arriscar voltar para uma horta morta?

 

 

 

1. ALFOMBRA OU MULCH – TAPA O TEU SOLO!

Um dos métodos pelo qual me apaixonei quando descobri a permacultura é o conceito de alfombra – ou cobertura de solo. O termo “técnico” em inglês é mulch.

Pensa comigo:

Quando, na Natureza, é que vês enormes extensões de terra expostos e sem ervas daninhas? Em areais, praias e desertos.

No mundo natural, são raros os casos em que a Natureza não cubra cada milimetro de solo com vegetação, e não é por acaso.

Não é por acaso que a Natureza cobre o solo do planeta – ela é muito poupada nos seus recursos mais preciosos – e água e vida no solo são MUITÍSSIMO preciosos.

 

A crosta terrestre é como a pele do planeta, e se estiver sempre exposta aos raios solares, principalmente no verão, seca muito mais rapidamente e queima.

Tal como a nossa pele, queremos mantê-la hidratada, e protegida dos raios solares nocivos.

No Outono, a própria Natureza encarrega-se de tapar o solo com as folhas de caem das árvores para evitar que o solo seja levado pelas enchurradas de água da chuva, e age também como manta para proteger das temperaturas mais baixas da atmosfera.

Ao livrar-nos das ervas daninhas, ao sachar entre as culturas, ao ter a terra sempre exposta ao elementos, estamos a prejudicar-nos sem sabermos:

  • Perdemos terra à erosão porque não há raizes a segurá-la;
  • Perdemos a biodiversidade na terra que nos dá a terra fértil que precisamos para as culturas porque torram todas ao sol;
  • A terra seca muito mais depressa, perdemos água à evaporação, e temos que regar muito mais e mais vezes – e muita dessa água nem chegará às plantas – o sol vai fazê-la desaparecer antes disso.

 

Ao taparmos a terra estamos a imitar os processos naturais.

Quando tapamos cada centímetro do chão da nossa horta, isto é o que acontece:

  • Poupamos até 70% a água de rega, porque a cobertura de solo está a proteger a terra da evaporação – por baixo dessa cobertura estará sempre escuro e húmido, ambiente perfeito para as nossas plantinhas e para a biodiversidade do solo.
  • Estamos a poupar a terra dos elementos, como o vento e águas forte, e evitando perda de terra por erosão e lixiviação.
  • Estamos a contruir solo e fertilidade, pois essa cobertura de solo vai se decompondo e criar matéria orgânica fantástica, aumentando a camada fértil e fofa de solo à superficie, que nos poupará trabalho no futuro, pois, com terra assim, já não é necessário lavrar.
  • Podemos mesmo evitar o aparecimento de ervas daninhas com uma camada espessa de alfombra, desde que a alfombra em si não contenha sementes.

 

O material que se usa para mulch ou alfombra é do mais variado, desde palha, às ervas daninhas que tiras da horta, casca de pinheiro, caruma, folhagem das árvores, seixos e pedras, etc. Gosto de recolher o meu mulch localmente. No Verão, isso significa palhas e ervas daninhas, e no Outono, folhas mortas.

Diferentes tipos de alfombra podem ser utilizados na horta, como mostra esta ilustração, cortesia de Mother Earth News

Para evitar que as sementes da palha que corto vão parar e crescer na horta, não a coloco diretamente na horta assim que a corto – empacoto-a bem apertada (como seria num fardo de palha) numa rede, rego-a, e deixo todas as sementes germinar – depois viro a pilha ao contrário. Vou fazendo isto até ter palha semi-decomposta, os rebentos todos terem morrido, e assim sei que as sementes que iam germinar já não tomarão conta da minha horta quando colocar essa palha a tapar o solo – além disso, todas as sementes que germinaram e morreram impregnaram a palha com hormonas de crescimento que ajudarão a minha horta!

 

Existem, que eu saiba, 3 tipos de alfombra.

  • MULCH SOLTO – a cobertura de solo composta por matéria solta – a que mencionámos acima;

 

  • ADUBO VERDE – Cultura no local de cobertura de solo verde (ou seja, viva), que também serve a função de adubo. Um exemplo excelente de adubo verde ou cobertura de solo viva é a cultura de trevo – cobre o solo de forma rasteira, servindo todas as funções esperadas de uma alfombra, mas também contribui com uma excelente dose de azoto para o solo e as plantas quando é cortado. Podes ver aqui mais pormenores como o trevo pode ser utilizado como cobertura de solo numa policultura biológica – basta procurares no artigo a secção detalhada sobre esta planta espetacular.

 

  • SHEET MULCH – cobertura em folha, ou seja, cobertura normalmente feita de cartão que se coloca diretamente no chão, como base para atrofiar ervas daninhas e impedir que tomem conta da horta que será feita por cima. Serve como base para camas elevadas, por exemplo.

Sheet mulch é mais frequentemente conhecido como aquele plástico preto que tapa o solo todo na agricultura convencional – o problema que eu vejo com esses plásticos é que

  • tens que gastar dinheiro para o ir buscar enquanto o mulch orgânico é de graça (ou quase de graça se quiseres comprar fardos de palha sem semente);
  • sendo geralmente plástico preto, este aquece imenso o solo por baixo e, enquanto servem a sua função de evitar crescimento de ervas daninhas, também obriga a uma irrigação mais intensa,

 

O Mulch de folha de cartão também evita o aparecimento de ervas daninhas enquanto se estabelece a horta, mas

  • sendo biodegradável, não estará lá para sempre – vai-se decompor e fazer parte da terra da tua horta ou cama elevada – e será, por isso, substituida pelo mulch de palha ou folhas para continuar o trabalho de controlar as ervas daninhas.
  • Não aquece demasiado o solo – pelo contrário, mantendo o mulch de folha bem húmido, ele agirá como uma esponja e ajudar-te-à a manter níveis de humidade ideais dentro do solo.
  • É de borla – faz parte do nosso processo caseiro de reciclagem – qualquer cartão mais espesso servirá para mulch de folha – desde que não tenha muitas tintas impressas e retires quaisquer bocados de plásticos e fita-cola antes de utilizar.

Camada mais funda à mais superficial da esquerda para a direita: Alfombra de folha como base para supressão da vegetação existente, contrução da horta ou canteiro em cima do cartão, e alfombra solta para proteger o novo solo e futuras culturas.

O mesmo método de construção de uma horta que na imagem anterior, transformando um relvado em canteiros produtivos. A alfombra de folha – o cartão – também cobre o que serão os caminhos da horta.

 

 

 

5. OLLAS

Este processo intrigou-nos. Tanto, de facto, que entrámos em contacto com um casal local de oleiros para nos fazerem OLLAS (pronuncia-se oias).

É um método ancestral de irrigação que utiliza potes de barro arredondados para libertar água para a terra à medida que ela é necessária. Ainda hoje em sítios como México, Irão e Afganistão usam esta técnica – e se em sítios áridos como esse ainda usam este método, é porque funciona.

O conceito é simples:  barro cozido não é vitrificado, é deixado no seu estado natural, o que significa que é poroso – enterra-se na terra deixando apenas o gargalo à superfície. Enche-se o pote com água e coloca-se a tampa. Por ser poroso, o pote vai transpirar essa água – ela vai atravessar a parede de barro para a terra circundante.

As plantas irão colocar as suas raízes em redor das paredes de barro à busca de água, e elas mesmas irão causar um efeito de sucção que irá puxar a água de dentro do pote para a raiz no exterior à medida que precisam – o que significa que quase 100% da água é de facto utilizada pela planta, quando ela precisa dela, visto que é ela mesma que a vai buscar ao pote.

Dependendo do tamanho do pote, quantos litros pode levar e as necessidades hídricas das plantas em redor, podes encher os potes com água e será irrigação suficiente durante 2-10 dias (mais uma vez, depende de quantas ollas tens, que espaçamento há entre elas, as necessidades das plantas e quantos litros cada olla pode levar). Isto significa que podes passar um fim-de-semana fora descansado que a horta terá a sede saciada enquanto estás fora.

Iremos brevemente traduzir um artigo muito interessante sobre ollas, mas para já podes consultar o original em inglês aqui.

 

 

 

6. CONSORCIAÇÃO DE PLANTAS

Já falámos do beber da preciosa água e como usar este recurso ao máximo e com o mínimo de desperdício e trabalho desnecessário.

Agora aos amigos.

Sabes quando vamos a um casamento, e toda a gente já tem os seus lugares designados pelos noivos? Eles decidiram quem se ia sentar ao pé de quem, porque se o Tio Alberto estiver num raio de 20 metros do Tio Zé, os noivos já sabem que vai haver confusão. Também sabem que se juntarem os primos Silva na mesma mesa, que vai ser uma festa do caraças.

“Ok, Janet, tu não suportas a tua irmã, por isso sentas-te aqui. Jason, tu achas a Teresa uma idiota por isso vais te sentar à minha esquerda…”

 

Com as plantas passa-se o mesmo. Algumas competem umas com as outras, ou impedem o desenvolvimento uma da outra, e outras cooperam entre si, ajudando-se a crescer.

Uma consorciação de plantas bem feita pode ajudar imenso a dinâmica de todos os seres vivos da horta para que trabalhem em sintonia.

  • Podemos evitar o aparecimento e propagação de pragas: Nós colocamos as nossas cebolas em redor das couves para evitar pragas de lagartas, por exemplo, ou cravos-túnicos debaixo dos tomateiros para evitar o aparecimento de pragas no tomate.
  • Podemos aumentar a produção das culturas ao emparelhá-las adequadamente: a camomila, emparelhada com aromáticas que produzem óleo, como oregãos, rosmaninho ou salva, aumenta a produção desses óleos. Camomila é conhecida como “a médica das plantas”.
  • Podemos atrair insetos benéficos: a combinação de pastinaca e aspargo atrai joaninhas para o teu jardim;
  • Podemos gerir melhor o espaço da horta: ao combinar plantas que ocupam espaço de forma diferente faz com que mais plantas possam viver harmoniosamente em menos espaço – como ter bróculos intercalados com alfaces: crescem melhor juntas do que separadas, o bróculo cresce mais na vertical e a alface tapa o solo mais à superfície não competindo por espaço;
  • Podemos gerir melhor os nutrientes do solo: Ao juntar, por exemplo, leguminosas (que libertam o bem querido AZOTO depois da colheita) a cereais – que sugam muitos nutrientes, podemos manter um certo equilibrio nutricional no nosso solo. Ao colocar plantas que precisam das mesmas coisas ao mesmo tempo, elas irão competir umas com as outras para adquirir esses nutrientes e teremos excesso de outros que não estão a ser utilizados por essas espécies.
  • Podemos evitar assim a exaustão do solo e fazer uma agricultura intensiva sustentável com rotação de culturas apropriada.

Aqui estão alguns guias de consorciação de plantas em Inglês – vai espreitando o blog ou subscreve à nossa newsletter semanal para receberes uma lista de consorciação traduzida para português que estamos a compilar e iremos lançar assim que estiver pronta.

Listas de Consorciação de Plantas

 

To be Continued….

 [PARTE 3] – BREVEMENTE

[PARTE 1: ALQUIMIA] 9 Dicas de PERMACULTURA que Podes Aplicar JÁ e Sem Experiência Prévia

Nesta série de artigos vamos te mostrar práticas que utilizamos em permacultura que não só poupam tempo, esforço, recursos e dinheiro, mas que ao mesmo tempo são parte de uma prática regenerativa, ecológica e mais sustentável que se pode e DEVE fazer em casa.

Não requer conhecimento ou experiência prévia em agricultura biológica ou permacultura, apenas vontade de ter uma rotina mais harmoniosa com os processos naturais que já ocorrem à nossa volta, aproveitar processos e recursos que já acontecem nas nossas casas e optimizar o nosso tempo e os nossos recursos.

 

Permacultura oferece não só os princípios éticos para nos guiar para uma vida mais sustentável, mas também as técnicas práticas congruentes a elas, para que possas aplicar no terreno todas as coisas lindas que dizemos sobre a Natureza: que devemos protegê-la, que o nosso estilo de vida pode ser mais sustentável, que devemos reciclar mais, produzir menos lixo e poluição, produzir (pelo menos alguns) dos nossos alimentos e ser menos consumistas, satisfazendo algumas das nossas próprias necessidades, etc

Mas COMO é que protegemos a Natureza? Falar é fácil, mas quais as AÇÕES que podemos tomar no nosso dia-a-dia, que sejam simples, que nos ponham a proteger a Natureza? A ter um estilo de vida mais sustentável?

Nós acreditamos que não são as grandes mudanças que fazemos uma vez, mas as pequenas ações que tomamos todos os dias que realmente fazem a diferença. Significa, pelo menos para nós, que o primeiro sítio onde se podem tomar pequenas ações nesse sentido é em casa.

Nesta PARTE 1 vamos falar sobre como temos recursos em casa que não sendo utilizados – são lixo e poluição – mas bem aproveitados, tornamo-nos em alquimistas e transformamos esse lixo em bens preciosos e úteis.

 

Poluição são apenas recursos para os quais não temos uma utilidade.

Não podendo re-inseri-lo num sistema de reciclagem (voltar a entrar no ciclo de uso), acumula e estagna - poluindo. Qualquer recurso que tenhas em casa que não estejas a utilizar ao máximo pode ser considerado poluição, e por isso queremos dar-te umas dicas de permacultura que podes aplicar já para minimzar o afluente de poluição que sai da tua casa, mas sim criar mais abundância.

 

Parte 1 ALQUIMIA: LIXO EM OURO

1. O LIXO DE UM É O TESOURO DO OUTRO

2. COMPOSTAGEM E VERMICOMPOSTAGEM

3. BIO FERTILIZANTES


RE-CICLAGEM

Não passa por apenas pegar em tudo que seja plástico, vidro ou papel e mandar para os centros de reciclagem. Se considerares o combustível necessário para os camiões de reciclagem irem buscar o nosso lixo, as emissões que lançam para atmosfera a cada viagem, a energia gasta pelos centros de triagem e reciclagem e como essa energia foi produzida, a pegada ecológica pode ser até maior do que NÃO fazeres a reciclagem. PODE. Não quer dizer que assim seja. Mas é um equilíbrio muito ténue e é só para ilustrar que a pegada ecológica da reciclagem é maior do que pensamos.

  • Podemos re-aproveitar frascos de feijão ou de molho de tomate para a nossa própria produção alimentar, como doces, conservas, pickles, etc
  • Podemos re-aproveitar cartões e cartolinas para sheet mulch (explicamos o que isso é mais abaixo)
  • Podemos reduzir nas nossas idas ao supermercado o nosso consumo de produtos excessivamente embalados e focar mais em comprar a granel, para levarmos menos plástico para casa e reduzirmos a nossa pegada ecológica por simplesmente, por ex: comprar os cogumelos “ao saco” no supermercado em vez dos pré-embalados.
  • Podemos re-aproveitar papéis mais finos para fazer acendalhas caseiras  – o que poupa na reciclagem industrial e na compra de acendalhas comerciais feitas de plástico.

Acendalhas feitas de rolos de papel higiénico e a fibras que se retiram dos filtros das máquinas de secar roupa.

Trazemos MILHARES de coisas para casa, e muitas delas podem ter utilizações futuras ANTES de irem parar ao lixo – só isso fará uma diferença ENORME na tua busca por um estilo de vida mais sustentável.

 

1. O LIXO DE UM É O TESOURO DO OUTRO

O Filme “Grinch” tem uma versão mais engraçada desta expressão: “O Lixo de Um é o PotPourri de Outro”. Mas não te estou a dizer para andares por aí a mergulhar dentro de contentores do lixo à procura de tesouro.

A ideia é pensar bem nos recursos que estão a ser mandados fora e que ainda têm utilidade antes de ser hora de os descartar. Aqui vão apenas alguns exemplos:

  • COUVETES alimentares de esferovite servem de paletes para tintas quando quero pintar, para secar as minhas flores, sementes, plantas para chás e outros projetos manuais.

 

  • BORRAS de Café: tenho um pequeno contentor separado para guardar a minhas borras de café (e aqui em casa são quantidades INDUSTRIAIS :s). Temos tantas borras que tenho mais do que suficiente para a minha horta, para a compostagem, para o vermicompostor, e para juntar num canto da horta para eventualmente criar cogumelos. Também servem para afastar as formigas da horta.

 

  • CINZAS: Ainda não existe NADA no mercado tão bom para arear tachos e panelas como esfregar cinza. Também é muito útil para fazer a nossa própria lixívia natural para roupa.

 

  • CASCAS DE OVO: Rico em cálcio. Pode ser pulverizado e dado às galinhas para que ponham ovos fortes. Também podes fazer os teus próprios suplementos de cálcio fazendo um pó com a casca e tostando no forno a baixas temperaturas.

 

  • CASCAS DE LARANJA, LIMÃO E OUTROS CITRINOS: FANTÁSTICO para fazer produtos naturais de limpeza – nunca mais gastas fortunas com produtos de limpeza, e a e tua casa vai sempre ter um aroma fresco e agradável. Existem imensos métodos e receitas diferentes online para te inspirares.

 

  • GUARDANAPOS E ROLO DE COZINHA: Esses também não vão para o lixo. Se tiverem sujos de óleos, são mais dificeis de aproveitar, mas fora essa exceção, ou vai para o compostor ou para as minhocas. Também se pode fazer papel artesanal e pasta de papel para projetos manuais aproveitando papel que iria para a reciclagem industrial – até se pode fazer um chão de sacos de papel lindíssimo com este material reciclável.

Chão com acabamento de papel que parece madeira! Tudo com papel, stencil e corantes de madeira – como utilizar café para escurecer a madeira.

  • GARRAFAS DE VIDRO, PLÁSTICO E LATAS: Se já ouviste falar das Earthship, sabes do que vou falar a seguir. O arquiteto Michael Reynolds usa latas e garrafas de vidro para fazer tijolos para eco-casas à cerca de 40 anos. Estas casas são mais sustentáveis de manter do que uma casa convencional, porque é aclimatizada passivamente (não requer energia elétrica para se manter entre os 18-25C – mesmo em locais onde as temperaturas atingem -20C a 40C), produz alguns dos seus própios alimentos, captura a própria água, etc.

Muitas dessas capacidades são possíveis devido aos materiais escolhidos para a construir. Os tijolos feitos com garrafas de vidro permitem entrar luz natural e criar vitrais espantosos embutidos nas paredes, enquanto que paredes feitas com “tijolos de lata” são também à prova de som devido à forma da própria lata.

Parede da Acedemia Earthship Biotecture em Taos, Novo Néxico, EUA

Se não estás a pensar construir uma casa, as mesmas técnicas se podem aplicar para fazer muros ou camas elevadas, por exemplo – poupando-te muito dinheiro na compra de cimento e outros materiais se começares a recolher esse material tu próprio.

Também é possível derreter garrafas de vidro para fazer bases de apresentação de comida para a tua mesa.

Com garrafas de plástico podemos até construir uma horta vertical (que iremos explorar com mais pormenor noutra publicação), se este artigo te deu vontade de ter uma mas te faltar o espaço para isso.

 

 

Esquece as Plantas. O que queres alimentar é o SOLO.

SOLO Saudável = Plantas saudáveis = Pessoas Felizes

Por isso vamos te dar duas dicas de permacultura e sustentabilidade para isso mesmo: Compostagens e Biofertilizantes.

 

2. COMPOSTAGEM E VERMICOMPOSTAGEM

Diz adeus ao “sumo de lixo” que pinga do teu saco a caminho do contentor – para sempre! 😀

Já mencionámos acima que muito do que iria parar ao saco do lixo e ao aterro sanitário pode e deve ser re-utilizado em casa – para nosso bem e para o bem do planeta. Quando “lixos” orgânicos são mandados para os aterros via sacos do lixo, a decomposição que acontece no aterro pode até tornar-se perigosa.

Os gases produzidos dentro dos sacos resultantes dessa decomposição, e enterrados sob toneladas de outro lixo, agem como uma panela de pressão, e pode mesmo causar explosões nos aterros sanitários – além de incêncios devido à produção de gases altamente inflamáveis que não têm para onde ir…

É importante fazer a separação de todo o lixo orgânico do inorgânico. Vais ver que, entre fazer isso e a reciclagem dos vidros, papéis e plásticos, não terás lixo quase nenhum a ir para o aterro. A sensação é tão agradável – principalmente quando deixarmos de ter de fazer a caminhada malcheirosa de levar o saco do lixo ao contentor.

Dentro das tuas circunstâncias – se vives no campo ou na cidade – a forma como fazes este processo muda apenas um pouco.

As borras de café, os guardanapos, os restos da cozinha, tudo isso pode ser re-aproveitado para fazer MAIS COMIDA! Nhami. Para isso basta dares ao compostor, às minhocas, ou às galinhas e patos.

 

Dar o quê a quem?

  • Restos de cozinha crus: Galinhas e/ou patos, compostor, minhocas (salvo algumas exceções que iremos falar mais abaixo)
  • Restos cozinhados: Galinhas e/ou patos. (Comida cozinhada não deve ir para o compostor nem para o minhocário)
  • Borras de café e guardanapos: compostor, minhocas, e para criar cogumelos

 

COMPOSTOR

Para uma boa compostagem, é preciso duas coisas – verdes e castanhos. Ou seja, Azoto e Carbono.

Verdes sendo as coisas “frescas”, ainda vivas, que queres decompor, e os Castanhos, o material mais seco e inorgânico, mas biodegradável – como folhas secas, papel, etc.

  • Queres manter uma proporção de 60% castanhos para 40% verdes.
  • Fazes camadas de lasanha de cada uma, começando por uma base de castanhos  – aqui entram os cartões e cartolinas, por exemplo.
  • Daí para a frente vais construindo a camada verde, e depois outra camada castanha, e por aí fora.
  • Se cheirar muito mal, é possível que tenhas demasiados verdes, por isso compensa com “castanhos” e depois continua a rotina normal.

Depois de algum tempo, dependendo do tipo de compostor que tens e que tipo de compostagem que estás a fazer (tema para outro artigo) – terás terra fantástica para alimentar as tuas plantinhas, que te darão mais comida… e cujos restos irão de novo para o compostor.

Ah… The circle of life.

Se não tens horta para utilizar este composto fantástico, podes sempre doá-lo a uma horta comunitária – ou vendê-lo. Composto pode ser um recurso muito valioso se for de boa qualidade. Seja como for, ganhas – agora o teu “lixo” está a render.

 

VERMICOMPOSTOR ou MINHOCÁRIO

O Vermicompostor (de minhocas – existem vermicompostores com outros bichos, mas isso é para outro artigo) é, na minha opinião, uma solução interessante para quem tem espaço limitado e não pode fazer compostagem – como em áreas urbanas – mas ainda querem reciclar algum do seu lixo orgânico.

Como o compostor, que não gosta de cozinhados (é estritamente crudívero), as minhocas também têm as suas particularidades.

Uma regra útil e engraçada que me ensinaram quando tirei o meu Curso de Design em Permacultura: Qualquer coisa que arda no olho, não pode ser colocado no vermicompostor.

Ou seja, laranjas, por exemplo, está fora de questão. E óleos, por sufocarem a minhoca, também não são aceites. Cozinhados também não – vêm carregados de óleos e temperos irritantes – imagina pôr sal e pimenta no teu olho! É assim que a minhoca se sentiria se colocasses essas coisas na sua casinha e todos esses elementos entrassem em contacto com a sua pele sensível.

Para fazer um vermicompostor é  muito simples – e se estás preocupado com o odor – na minha experiência, ele não existe. É uma das razões porque acho que o vermicompostor é uma boa opção para habitações urbanas – o facto de um vermicompostor poder ser de qualquer tamanho e poder ser ajustado à escala que se consegue fazer também ajuda nesse aspeto – ao contrário do compostor, que precisa de um mínimo de 1m cúbico para uma compostagem de qualidade.

Aqui está uma foto do nosso vermicompostor e como ele funciona:

  • Recolhemos 3 Caixas de esferovite de um supermercado – as caixas de peixe são ideais.
  • Caixa de cima=1; Caixa do meio=2; Caixa de Baixo=3
  • As caixas 1 e 2 têm pequenos buracos no fundo.
  • Colocam-se em torre como se vê na imagem e coloca-se alguma terra, as minhocas e os restos a compostar na caixa do meio (2).
  • Vai-se alimentando as minhocas da caixa 2 até terem convertido todos os restos em composto de minhoca.
  • Os buracos da caixa 2 deixam escoar liquidos que acumulam na caixa 3.
  • Quando a caixa 2 estiver cheia de composto de minhoca, começa-se a colocar os restos na caixa 1.
  • Os buracos da caixa1 permitem que as minhocas se desloquem sozinhas da caixa 2 (que agora está cheia) até à caixa 1.
  • Depois das minhocas terem migrado todas para a caixa de cima onde está a comida nova, podes tirar a caixa 2 e despejar o composto de minhoca, e o liquido da caixa 3.
  • Depois a caixa 1 – onde estão agora as minhocas e onde se despejam os restos – troca de lugar com a caixa 2 (já esvaziada) que passa para o topo.

Ou seja, as caixas 1 e 2 estão sempre a trocar de lugar À medida que as minhocas enchem as caixas com  composto super rico criado dos restos da cozinha e a caixa 3 recolhe os líquidos produzidos pelas minhocas durante a compostagem.

  • Deves manter o minhocário escuro e húmido.

Além de te ajudar a minimizar o lixo que terias de levar para o contentor, produz composto de minhoca que, se fores comprar aqui em Portugal até está mais ou menos em conta, mas noutros países – como no Canadá, onde vivemos uns anos – podem custar uma fortuna, dependendo da qualidade.

Também produz minhocas, que podes usar ou vender como isco de pesca quando tiveres demasiadas, ou suplementar a alimentação das tuas galinhas com uma boa dose de proteína de minhoca – elas adoram e a sua saúde agradece. Além disso tudo, também produz o chamado “sumo de minhoca” um líquido altamente rico em nutrientes que pode ser usado como bio-fertilizante.

“LIXO”+VERMICOMPOSTOR= 3 produtos biológicos com pelo menos 4 funções diferentes!

 

NA HORTA

Agora, às dicas práticas de Permacultura para a horta. Se produzes, ou queres produzir, alguns dos teus alimentos em casa, estás de parabéns.

Se queres seguir a via biológica, estás de SUPER parabéns. Na minha opinião, se vais envenenar a terra da tua casa com pesticidas e herbicidas para ter tomates e pimentos gigantes, estás melhor a ir ao supermercado – ao menos assim não estás a destruir o teu próprio habitat.

Se vives na cidade, procura uma horta comunitária por perto, ou cria a tua própria horta vertical! Podes comprar um kit, mas se estás em modo eco, podes fazer um com materiais reciclados como mencionámos acima.

Online existem imensas ideias e até planos para te guiar na construção de uma horta vertical que traga o campo para o teu cantinho na cidade – se quiseres ver por ti mesmo como isso funciona, podes vir ao Hostel Atlas em Leiria 24 de Junho onde vamos montar uma no centro da cidade num pequeno workshop organizado pela malta do eco-festival Museum Festum 😉

O nosso protótipo de uma horta vertical feita com paletes recicladas e tratadas naturalmente

3. BIO FERTILIZANTES

Ao escolher a via biológica, vamos nos deparar com alguns desafios – as plantas podem (podem – não quer dizer que assim seja) demorar mais tempo a crescer, e podem não atingir aqueles tamanhos impressionantes que as pessoas tanto gostam de gabar (incluindo eu); irão aparecer pragas (não é um “se” – vai acontecer, por isso aceita) e vai cair o pânico quando vemos as nossas favas cobertas de afídios sugadores – falo por experiência própria.

Mas todos esses problemas desaparecem quando colhemos comida com um sabor incomparável ao tomate deslavado do supermercado, ao ver as joaninhas a aparecer para um belo jantar de afídios e a salvar as tuas favas de uma morte quase certa – mais uma vez, falo por experiência própria.

A nossa nova horta mandala biológica de 200m quadrados implementada esta Primavera

Por isso é que quero falar aqui dos bio fertilizantes que tenho usado para ajudar a resolver esses problemas: chorume de urtigas, enraizador de salgueiro, sopa de legumes, sumo de minhocas, urina (sim, leste bem!) e óleo de neem (este último foi o único que ainda não experimentei pessoalmente). Não vou falar em muito detalhe sobre cada um, mas deixo as referências para que possam explorar cada opção por ti mesmo.

 

SUMO DE MINHOCA

É o residuo líquido que acumulará no fundo do vermicompostor – eu gosto de lhe chamar ouro liquido – é extremamente rico em nutrientes e as plantas ADORAM. Diluo um pouco na minha água de rega quando o vejo que tenho bastante no fundo do vermicompostor.

 

ENRAIZADOR DE SALGUEIRO

Não é tanto um fertilizante, mas um fortalecedor do sistema imunitário da planta e, como o nome indica, um enraizador – é fantástico para transplantes, quando queremos que a planta se estabeleça e crie raízes e para a fortalecer quando está no seu estado mais vulnerável. Podes consultar o nosso artigo sobre o assunto.

 

CHORUME DE URTIGAS

É um autêntico produto 2 em 1 – tanto serve como um fertilizante espetacular como também pode ser pulverizado para dar cabo de pragas – como os afídios que atacaram as minhas favas esta Primavera.

Para servir de fertilizante:

Coloca urtigas em água e deixar fermentar – quanto mais malcheiroso, mais as plantas adoram – depois basta diluir 20 para 1 (ex: 1l de chorume para 20 de água) e regar.

Para servir para pulverizar as pragas:

Apenas muda a preparação: colocam-se as urtigas em água mas deixam-se no MÁXIMO 2 dias. Eu nunca deixo passar as 15 horas, como não sei o impacto que um chorume muito forte terá noutros insetos benéficos como as joaninhas, prefiro uma solução mais fraca e aplicar mais vezes do que arriscar maltratar o ecossistema de seres vivos na minha horta. O produto não se dilui – pulveriza-se puro para cima dos bichinhos indesejados.

Consulta este artigo espetacular sobre Chorume de Urtigas do blog “A Senhora do Monte” .

 

URINA

Nós TAMBÉM fazemos parte da Natureza – e como tal, TAMBÉM produzimos coisas que outros elementos da Natureza precisam. Uma dessas coisas é URINA.

Urina é altamente rica em AZOTO, um elemento muito necessário ao crescimento das plantas. Se já viste isto nas etiquetas de fertilizantes – NPK – e depois uns números – 6-12-6 – fica sabendo que esses números representam a quantidade de certos elementos nesse fertilizante, e que o N em NPK significa NITROGEN – ou seja, AZOTO.

Aquelas bolinhas azuis que vemos pessoas gastar dinheiro para largar na terra e que chamam fertilizante, é AZOTO. Apenas acho triste que as pessoas estejam a gastar dinheiro nesse nutriente quando têm bexigas com uma fonte inesgotável dele, de graça e de muito melhor qualidade.

Urina é um fertilizante poderosíssimo – tanto que, se abusares, queimas as plantas. Nunca uses mais concentrado do que 1-20: 1litro de urina por 20L de água.

Se tomas medicação, principalmente antibióticos, não uses a Urina – se tem ANTI-BIÓTICOS (=anti – bio=vida) não queres por isso na terra porque vai matar a biodiversidade na tua terra. Espera um ano até o teu ecossistema interno estar bem o suficiente para produzir urina de qualidade para as tuas plantas.

Também podes utilizar urina para aumentar a actividade bacteriana da compostagem, aumentando a temperatura dentro da pilha de composto e assim acelerando o processo. Vimos isso ser utilizado para aquecer uma pilha de composto que conseguia atingir oa 100ºC para aquecer água do duche.

Urina tem sido utilizado para IMENSAS coisas, desde fixar cores em tecidos, como para fazer detergente para a roupa – a minha irmã gosta de dizer “O ingrediente secreto para tudo é sempre urina ahaha.”

 

SOPA DE LEGUMES

Para aqueles que não têm acesso ou condições para utilizar urina, para aquelas alturas em que é dificil encontrar urtigas em quantidade para fazer chorume, ou ainda não tens sumo de minhoca (ou em quantidade suficiente) do teu vermicpompostor, a sopa de legumes é uma excelente forma de suplementar a dieta das tuas plantas. Também é útil se quiseres tirar proveito dos teus restos crus de cozinha mas não tiveres um compostor, vermicompostor ou galinhas.

Receita:

  • Triturar restos de cozinha crus, juntar água e deixar fermentar aberto. No Verão, mais ou menos 3 dias – ou quando começar a borbulhar.
  • Coar. As fibras podem ir diretas para a horta.
  • O preparado pode ser usado puro ou diluido.
  • Aplicar de 15 em 15 dias durante o crescimento, floração, frutificação.

 

ÓLEO DE NEEM

Ainda não tive a oportunidade de experimentar este produto, mas veio-me altamente recomendado por ser um óleo natural de vem de uma árvore (árvore de Neem) e poder ser usado livremente contra pragas sem contra-indicação alguma para as plantas. Como também não sei se a produção deste óleo é sustentável, e ainda não fiz bem a minha pesquisa, ainda não tenho opinião própria sobre ele – se experimentares, partilha a tua experiência 😉

 

To be Continued….

 [PARTE 2] – A NATUREZA GOSTA DE BEBER COM AMIGOS

O Fardo do Guerreiro: A Lei da Resistência e da Aceitação

Neste artigo vais reparar que as pessoas são mais resistentes do que pensam…

e vais perceber porque é que nós NÃO vemos isso como um elogio.

 

Lembras-te daquela sensação esquisita de “desconforto” quando alguém faz algo por ti “sem razão aparente”, ou te oferece algo de livre iniciativa e sem pedir nada em troca? – parece que até nos sentimos mal… que sentimos uma resistência emocional ao RECEBER.

Essa resistência é a mesma que faz as pessoas dizer, às vezes até com desdém, que não querem “caridade”, ou, como a minha vizinha do lado, que se recusa a aceitar um único cêntimo a mais pelos seus deliciosos queijos, e até já me perseguiu rua abaixo para me dar uns meros 0.50 cêntimos que tinham ficado do troco…

Essa resistência é a mesma que faz com que, quando és empurrado, resistes. E até empurras para trás. Ou quando empurras alguém (não apenas “empurrões” fisicos, se é que me entendes), essa pessoa vai resistir ao movimento que interferiu com ela.

 

RESISTÊNCIA

Aprendemos, erradamente, que resistir é uma coisa boa, quando, realmente, apenas torna tudo muito mais dificil. Como ter demasiada tensão nos músculos não te prepara melhor para saltar, até te faz dar um salto mais pequeno, e habilita-te a apanhares umas belas cãibras.

  • Aprendemos e aceitamos que a vida é dificil, que temos de lutar e persistir, sofrer e resistir, e apegamo-nos mais ao sentido de luta do que simplesmente evoluirmos para a vida que queremos ter.
  • Eventualmente, luta e sofrimento passam a fazer parte do nosso “normal e quotidiano”, tornando-se mais fácil esta vida de sacrificio e luta do que permitires-te a receber o que a vida tem para oferecer.

Resistimos. A vida traz uma oportunidade e nós dizemos não. A vida traz um desafio e nós dizemos “Não, não consigo”, “não estou preparado”, Não.

 

Quando aceitamos que a vida é feita de dificuldades e luta, tornas-te um lutador….

…e um lutador está condenado a passar a vida a LUTAR porque faz parte de quem ele é…

 Estás a absorver as tuas dificuldades como parte da tua identidade – como parte de quem tu és! Isto é bastante perigoso, porque, como todos nós, queres ter sucesso na tua vida. Mas como podes esperar atingir uma vida mais fácil e de sucesso se resistes a cada desafio, se deixaste essa parte negativa da tua vida contaminar quem tu és?

 

Então, porque resistimos?

  • Pela mesma razão que resistimos à força que nos empurra – temos medo de cair.
  • Resistimos porque não queremos aceitar certas possibilidades (normalmente as negativas) consequentes das nossas ações.

 

“Os principais riscos que estamos a correr, são riscos que resultam das nossas próprias actividades, e portanto, nos cabe a nós resolver.”
 
Prof.Gerald Diamond no seu livro “Colapso”

Humildemente, adiciono mais alguma coisa a esta frase. Que, estes “riscos que resultam das nossas actividades”, nos cabe a nós ACEITAR, e resolver.

 

A verdade é que uma forma mais paciva de resistência é evitação ou procrastinação. 

E muitas vezes preferimos evitar riscos, ou hipotéticos problemas germinados da tua actividade, do que tomar ação, ACEITAR os riscos, e resolvê-los.

Por medo de cair, resistimos a estes riscos. Mas ao fazer isso, também sacrificamos a outra face da moeda – o sucesso e os beneficios que teriamos se tivéssemos aceite os riscos, enfrentado os nossos desafios, e transformado em pessoas mais sábias, experientes, e portanto, mais avançados na nossa evolução.

É comparável a aceitares jogar um jogo de cartas, e negares-te de jogar e divertir por causa do risco da possibilidade de perder o jogo.

 

ACEITAÇÃO

Mas quando ACEITAS todas as possibilidades, estás preparado para tudo.

Quando ACEITAS os possíveis riscos e não resistes ao que a vida tem para oferecer e ensinar, independentemente das coisas correrem de acordo com o planeado, estás LIVRE para manobrar e manter o teu curso, e ganhar a cartada.

Não resistas. ACEITA.

Aceita todas as possibilidades – não as evites, olha para ela nos olhos e reconhece-as.

Porque quando passas a conhecer o desconhecido, já não o temes, e tens a clareza de espírito para perseguir a vida que queres.

Já dizia um velho ditado oriental:

“Perante o sopro constante do vento, é o bambu flexivel, não o carvalho forte, que se volta a erguer quando o vento cessa. O bambu dobra-se à vontade do vento para depois de erguer – o carvalho resiste à força do vento, até que,mais tarde ou mais cedo, é arrancado pelas raízes.”

A vida dá-nos sempre aquilo que precisamos, não necessariamente aquilo que queremos. Mas sempre aquilo que precisamos.

 

Não resistas às dificuldades. A vida dá-tas para te poderes tornar mais forte.

Aceita-as como as oportunidades que são para aprenderes e melhorares a tua vida.

Para te tornares mais sábio e experiente e te possas sentir verdadeiramente LIVRE para receber tudo o que a vida te der,

mesmo aquelas coisas que não queremos, mas talvez, precisemos.

 

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Este Homem Construiu uma Casa de Hobbit em Apenas 4 Meses, Mas Espera Até Veres O Interior

Um sonho, 4 meses e menos de 5000 euros. Com isso, Simon construiu uma casa de Hobbit para a sua familia. Quem é que não gostaria de viver numa casa saida de um livro de fantasia?

 

Um dos primeiros e mais importantes objetivos na vida de uma pessoa é ter um espaço que possa chamar seu. O Lar.

Eu e o Filipe sonhamos muito alto quando diz respeito à nossa futura casa.

Mas, para não falar da pegada ecológica enorme associada à nossa actividade doméstica e de habitação, a nossa casa acaba muitas vezes por nos trazer mais ralação do que prazer, mais responsabilidades e encargos do que um espaço para relaxar e recarregar baterias e que esteja alinhada com os nossos princípios éticos e personalidade.

Quantas vezes já estiveste stressado com questões de casa?

Ter contas para pagar para não perder a casa, obras carissimas para manter a casa, casas energeticamente ineficienes, sujeitarmo-nos a espaços  de habitação que não nos agradam porque não temos liberdade financeira para a nossa casa de sonho…

Queremos criar um lugar onde não só podemos recarregar as baterias, mas que seja um lugar para largar as preocupações, não para criar mais!

Agora imagina o nosso entusiasmo quando, nas nossas pesquisas por soluções para uma habitação ecológica, auto-sustentável e financeiramente viável, ouvimos falar deste senhor que construiu uma casa digna de um Hobbit em apenas 4 meses e menos de 5000 euros!


 

Simon e Jasmine e a sua casa de Hobbit são hoje uma fonte de inspiração internacional.

Podes ver o site deles aqui onde revelam a missão deles de habitações auto-suficientes ecológicas e financeiramente viáveis para todos.

 

Farto de pagamentos de hipoteca e outras despesas pesadas, Simon e Jasmine Dale decidiram seguir o seu sonho de uma vida mais simples e despreocupada, que lhes permitisse conectar mais profundamente com o seu meio ambiente.

Decidiram tomar o caso nas suas próprias mãos e o resultado é esta eco-habitação de madeira, constuida em 4 meses e custando apenas 4100 Euros.

Parece-se perfeitamente com as casas idilicas de um Hobbit – como que extraído diretamente da imaginação de J.R.R.Tolkien.

casa-hobbitcasa-hobbit-construcaocasa-Hobbit-florestacasa-hobbit-exterior5casa-hobbit-interior6casa-hobbit-resultado-final

Fonte de artigo original (em Inglês): http://www.truthinsideofyou.org

 

POLICULTURA POLINIZADORA PRIMAVERIL – Uma POLICULTURA de SUPORTE para POMARES, QUINTAS, QUINTAIS e JARDINS.

[fancy_box id=5]PRI_NEW_LOGOTemos o prazer e a honra de ter autorização do Permaculture Research Institute para traduzir para PORTUGUÊS o conteúdo fantástico que eles disponibilizam no blog deles. Achamos o conteúdo deles valiosíssimo e achamos que mesmo quem não sabe Inglês MERECE ter acesso a esta informação. Espero que gostes[/fancy_box]

Artigo original em inglês por Paul Alfrey

 

Paul Alfrey do Projeto de Ecologia Balcã apresenta uma policultura para fornecer apoio de polinização para quintas e jardins, que rende fruta e nozes nutritivas, espaços de nidificação para abelhas nativas em risco, e exibições espetaculares de flores para alegrar depois do Inverno.

Estamos a estender o nosso Projeto de Policultura para incluir policulturas perenes experimentais. O nosso golo é desenvolver modelos que sejam de baixo custo a estabelecer e manter, possam produzir comida saudável, nutritiva, e acessível, e que aumentará a biodiversidade.

Esta Primavera vamos incluir a Policultura Primaveril Polinizadora como apresentada aqui.

Como o nome sugere, o objetivo primário da Policultura Primaveril Polinizadora é fornecer, no inicio da estação, uma fonte de pólen/néctar para uma vasta variedade de insectos polinizadores. A maioria das plantas nesta policultura florescem quando ainda existem poucas outras fontes de nectar/pólen disponíveis.

Isto encoraja os insectos polinizadores para dentro e em redor das nossas hortas e jardins para cumprirem o seu papel vital quando o cultivo (em particular as árvores de fruto) começarem a dar flor no início da Primavera.

A policultura também fornece uma fonte de produção no seu próprio direito, e com a escolha correta de espécies e cuidados, deve render grandes quantidades de fruta e nozes, assim como habitat para uma vasta gama de vida selvagem e polinizadores.

[…]

PERIODO DE FLORAÇÃO

Todas as espécies incluidas na policultura, com exceção do Trifolium Repens – Trevo Branco, florescem durante os meses de Janeiro-Março e fornecem forragem valiosa de néctar e pólen para abelhas e outros agentes polinizadores durante esta época.

 

Espécies da Guilda Polinização em flor

Periodos de FloraDisponibilidade de PNectar

CONSIDERAÇÕES NO DESIGN

Objetivos do Design – Assim como apoio na polinização, habitat selvagem e produção alimentar, os objetivos de design incluí:

– Que a policultura seja funcional em lugares marginais, por ex: áreas sombrias, solos de baixa fertilidade, áreas expostas ao vento. A Policultura Primaveril Polinizadora é primáriamente uma policultura de suporte ao fornecer as culturas principais com apoio na polinização, por isso podemos não querer localizá-la na terra mais produtiva.

– Que a policultura necessite de investimentos financeiros e de tempo relativamente baixos. Uma vez estabelecida, a policultura deve exigir pouca ou nenhuma necessidade de fertilização exterior e aproximadamente 5-7 horas de manutenção por ano no final do Outono (não inclui colheita). Manutenção e gestão desta policultura é discutida mais abaixo.

– Que a policultura possa ser usada a uma escala pequena ou grande. O design apresentado acima represente uma unidade e pode funcionar bem sozinha em qualquer jardim. Múltiplas unidades desta policultura podem também ser usadas em pomares e quintas para fornecer uma melhor polinização das culturas. (ver opções de disposição abaixo)

 

Luz e Orientação – Todas as plantas incluidas toleram alguma sombra ou utilizam luz quando outras plantas não a necessitam tanto. A policultura pode, por isso, ser posicionada em áreas marginais com níveis de luminosidade mais baixa enquanto ainda servindo um propósito. No entanto, se quiseres obter atração de polinizadores máxima e uma produção mais elevada de fruta e nozes, escolhe um local com pelo menos 6-8 horas por dia e com uma orientação Este-Oeste.

Água – Irrigação ideal é chave para plantas produtivas e saudáveis. Esta policultura não é adequada a terras semi-pantanosas e áreas com um lençol freático alto (ou muito superficial) e não vai prosperar em áreas muito secas sem acesso a irrigação.

Em climas secos, irrigação será essencial, mas escolher o posicionamento da policultura para maximizar a absorção de água da chuva vai ajudar consideravelmente e pode ser conseguido plantando em curva de nível na topografia do terreno e aplicando terraplanagem simples para reter a água da chuva perto das raízes das plantas.

Todas as espécies são relativamente tolerantes a seca mas as árvores de fruto não terão uma produção alta sem irrigação apropriada.

Acesso – Acesso dentro da policultura é necessário para podar, mondar e a colheita. Dois caminhos de 50 cm de largura a atravessar a guilda e paralelos um ao outro pode dar acesso necessário. A periferia da policultura deve também ser acessível do exterior.

Habitat de Polinizadores– Abelhas nativas são extremamente importantes e são uma das espécies mais ameaçadas de extinção nos nossos ecossistemas. Incluir habitat para as abelhas viverem, assim como fornecer forragem de qualidade é essencial. Apropriadamente, esta policultura inclui habitat de nidificação para abelhas, mas ter outros habitats semelhantes em redor de um local é recomendado.

Seleção de Espécie – A noss seleção de variedades tem em consideração o seguinte:

– Compatibilidade climática com o local

– Tolerância a seca

– Tolerância a sombra

– Fonte temporã de nectar/pólen

– Outros benefícios à vida selvagem e produção para humanos

– Períodos de floração que não tenham uma sobreposição significante com as culturas no local.

– Espécies de arbustos que respondam bem a cortes e podas regulares.

Proximidade com culturas – Abelhas recolectam onde existir alimento de alta qualidade e viagens mais curtas são mais seguras e mais energéticamente eficientes para todas as abelhas. Estudos mostram que abelha meleira – Apis spp. fazem viagens de recoleção muitos quilómetros de distância das suas colmeias. Zangões – Bombus spp. e outras espécies de abelha mais solitária tipicamente ficarão a distâncias mais curtas, de acordo com alguns relatórios, entre os 100-800m.

Abelhas e Polinizadores (foto de Peter Alfrey)

Visto que há pouco consenso dentro dos estudos feitos ao comportamento recoletor dos polinizadores, é dificil dizer a que distância das culturas e com que densidade esta policultura deve ser colocada para atingir os melhores resultados de polinização. Como guia presumível, em áreas que carecem de habitat e alimento apropriado, estabelece um raio de 100-300m e em áreas onde já existem boas condições de alimento cedo na estação e habitação para polinizadores, estabelece um raio benéfico de 500-1000m. Nunca se pode ter demasiado alimento para polinizadores no início da Primavera, mas é possível ter alimento a menos. Prioridades como orçamento e tempo, e as variedades das culturas a ser semeadas são outros factores que irão guiar as tomadas de decisão relativamente a quantidade e a densidade.

É de salientar que plantas competem pela atenção dos polinizadores e por esta razão o período de floração das plantas na policultura não devem sobrepor-se significativamente com a floração das culturas.

 

LOCALIZAÇÃO/PLANO

A unidade de policultura apresentada acima funciona bem sozinha em qualquer jardim. Unidades múltiplas desta policultura podem ser usadas em pomares e quintas para providenciar melhor polinização para as culturas. Abaixo encontra-se 3 sugestões de planos de disposição para uma aplicação ampla desta policultura: em canteiros, ilhas ou corredores.

 

1. Disposição em Canteiros – A policultura pode ser plantada no interior de uma vedação ou ao longo de um caminho de forma a “abraçar” o pomar, quinta, etc, na sua totalidade, ou para delimitar subdivisões no terreno. Sendo composto por plantas tolerantes a sombra, a policultura irá, até certo ponto, funcionar independentemente da orientação. Cada unidade como ilustrada acima pode ser repetidada para criar uma borda ou fronteira.

2. Disposição em Ilha – A disposição em ilha espalham as unidades pelo terreno. Para terrenos já desenhados/estabelecidos as ilhas podem ser colocadas nos locais de acesso mais difícil como cantos, áreas de pouca luminosidade ou de valor marginal, ou na periferia de culturas que mais beneficiariam da melhoria da polinização.

3.  Disposição em Corredor – A disposição em corredor implica a plantação das policulturas em sistemas de pomar linear ou corredor em intervalos entre as principais plantações e culturas. Por exemplo, um pomar de macieiras ou pereiras pode ter, a cada 10 linhas, uma composta por estas unidades de polinização precoce.

Vamos dar uma olhadela mais próxima às espécies envolvidas, e à manutenção e gerência necessárias para esta policultura.

[fancy_box id=6]NOTA: Ao ler alguns aspetos deste artigo, há que ter em conta que não foi escrito para Portugal. A informação aqui retida é traduzida por nós para português de autores estrangeiros que, ao escrever e desenvolver estes modelos, tiveram em conta as espécies e clima da sua própria região, pelo que te pedimos que consultes esta informação útil mas que consideres que pode ser necessário ajustar alguns componentes desta policultura à tua região.

Para facilitar a transição de conteúdo de permacultura não só em português, mas ajustada às necessidades e possibilidades de Portugal, foi feita a tradução nos nomes das espécies para os nomes comuns em português – no entanto, é sempre importante confirmar a espécie utilizando o nome científico – que mantivemos para referência.[/fancy_box]

OS COMPONENTES DA POLICULTURA

Eu dividi a policultura em 5 componentes baseados no propósito que cada componente serve.

1. Árvores e Arbustos de Fruto
2. Cobertura de Solo
3. Flores de Bolbo de Primavera
4. Plantas de fertilidade
5. Habitat para Polinizadores

 

1. ÁRVORES E ARBUSTOS DE FRUTO – OS COMPONENTES DA POLICULTURA

Esta componente de árvores e arbustos de fruto incluem Cornus mas e Corylus Avellana para a copa superior, e Chaenomeles speciosa e Mahonia japonica na camada da copa inferior/arbustos e são as principais unidades de produção na guilda. Com uma boa seleção de cultivares estas plantas podem fornecer rendimentos de excelentes frutas e nozes.

Arvores e arbustos de fruto

CORNUS MAS – CORNISO

Sobre a Espécie – Cornus mas é uma das minhas plantas favoritas. O zumbir das abelhas sob os Cornisos num dia de sol no final do Inverno é apenas uma das razões porque adoro esta espécie. É uma árvore de médio porte, resistente ao frio e uma excelente melífera, produzindo uma magnanimidade de flores ricas em néctar de Fev-Março. A árvore auto-poliniza-se e as flores transformam-se em lindas frutas tipo uva no final do Verão, deliciosas quando bem maduras.

Cornus Mas durante as 4 estações no projeto de Paul

Usos: Fruta excelente quando madura e muito boa para fazer xaropes e cordiais. Análise nutricional indica que os sumos de corniso são ricos em vários em vários sais minerais e pode ser considerado um valioso suplemento mineral nas dietas das pessoas. Existem alguns cultivares disponíveis com fruta maior e mais doce.

As sementes podem ser tostadas, pulverizadas e usadas como um substituto de café e uma pequena quantidade de óleo comestível pode ser extraído da semente. Uma tinta é conseguida através da casca e as folhas são uma boa fonte de taninos. A madeira é muito dura, e é muito valorizada pelo seu uso no fabrico de ferramentas, peças de maquinaria, etc. Nós usamos os galhos para alimentar coelhos e cabras todo o ano.

Biodiversidade – Uma das árvores de floração mais precoce, atraíndo um vasto leque de invertebrados polinizadores de Fevereiro-Março. […]

Para mais info sobre esta planta [em inglês] Cornelian Cherry plant profile ou aqui em português.

 

CORYLUS AVELLANA – AVELEIRA

Sobre a Espécie– Um arbusto de folha caduco e crescimento rápido, com folhas arredondadas, produzem umas flores macho amarelas no início da Primavera, seguidos de nozes deliciosas no Outono. Tipicamente atingem 3-8 metros de altura mas podem atingir 15 metros de altura.

Aveleira – Corylus Avellana

Usos: Tem uma das melhores nozes de clima temperado, comidas cruas ou tostadas. A madeira da aveleira também é frequentemente utilizada. É uma madeira macia, fácil de trabalhar mas não muito duradoura, pelo que é utilizada maioritariamente na produção em pequenas partes de mobiliário, cestaria, vimes, etc. A árvore é muito adequada ao copeamento (inglês» coppicing). Os galhos mais verdejantes podem ser usados para alimentar coelhos e cabras todo o ano. As nozes também contém 65% de um óleo que não seca que pode ser usado em tintas, cosmética, etc. As sementes moídas em farinha são usadas como ingrediente em máscaras faciais de cosmética.

[fancy_box id=6] NOTA:Copeamento pode não ser o termo técnico correto para o termo inglês de coppicing. À medida que vamos encontrando termos técnicos de permacultura com traduções obscuras em português, deixamos disponível a melhor tradução possível presentemente, que verá melhorias à medida que encontramos os termos técnicos correctos.

O que é COPPICING ou POLLARDING? Consistem em técnicas de podar árvores que permite a colheita contínua de madeira das mesmas árvores enquanto a mantemos saudáveis, durante séculos ( no Reino Unido existem florestas de aveleiras centenárias graças à aplicação destas técnicas de poda já nos tempos medievais). Estas árvores produzem uma fonte de madeira durante muitas gerações enquanto melhora o estado do habitat da vida selvagem e das espécies de plantas nativas.

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Biodiversidade – As flores macho da aveleira carregadas de pólen podem aparecer para os polinizadores tão cedo como finais de Janeiro a meados de Março. As folhas da aveleira são fonte de alimento para lagartas de muitas espécies de borboletas e traças. As avelãs servem também de alimento para os roedores antes do período de hibernação, e na primavera as folhas alimentam as lagartas que por sua vez também são alimento para os roedores. As avelãs podem também servir de alimento para pica-paus, trepadeiras, chapins, pombos-torcaz, gaios, e uma variedade de pequenos mamíferos.

Para mais sobre esta planta (em inglês) vê este Perfil da Aveleira, ou aqui para referências em português.

 

CHAENOMELES SPECIOSA – CIDÓNIA OU MARMELO JAPONÊS

Sobre a Espécie – Um arbusto espinhoso, de folha caduca ou semi-caduca nativa da Ásia Oriental, atinge uma altura de cerca de 2 metros, e é variável na sua forma. As plantas estabelecem uma coroa muito densa de ramos embrulhados que são algo espinhosos. As flores aparecem antes da folhagem e são normalmente vermelhas, mas também existem em branco e cor de rosa. O fruto é fragrante e é parecido com uma pequena maçã, com algumas variedades contendo um fruto mais parecido com uma pêra. As folhas não mudam de cor no Outono.

Chaenomeles speciosa – Marmelo Japonês

Usos – Os frutos não são muito bons para comer, e como o marmelo, são muito rijos, mas após uma temporada de frio eu reparei que o marmelo japonês amolece o suficiente para espremer como um limão, e o seu sumo, sendo muito ácido, é um bom substituto ao sumo de limão na cozinha. Outro benefício deste fruto é que possuem um aroma delicioso e algo viciante que permanece durante dias, semelhante ao aroma a ananás, limão e baunilha. Deixamos os frutos no carro ou numa sala como um ambientador natural.

Biodiversidade – As flores são atractivas a uma variedade de invertebrados que buscam néctar e pólen entre Março e Abril, por vezes até em Fevereiro. Com podas regulares os arbustos tornam-se densos e providenciam um habitat de nidificação para aves como a carriça – Troglodytes troglodytes, a felosa-comum – Phylloscopus collybita e o pisco-de-peito-ruivo – Erithacus rubecula. As dietas destas aves incluem algumas pestes que atacam certas culturas vegetais e podem agir como um controlador de pragas.

Para mais informação sobre Chaeonomeles spp. vê este artigo (em inglês) aqui, ou aqui para referências em português.

MAHONIA AQUIFOLIUM – UVA-DE-OREGON OU MAÓNIA

Sobre a Espécie – Um pequeno arbusto fantástico, tolerante a sombra e de folha persistente que cresce a 1 metro de altura por 1.5m de largura. Lida com uma grande variedade de solos e prospera em áreas ensombradas onde outras plantas sucumbiriam. É resistente a secas de verão e tolera vento. A planta produz cachos de flores amarelas no início da Primavera, seguidas de bagas negro-azuladas. Uma vez que a planta está estabelecida é muito vigorosa e produz muitos rebentos laterais da sua base.

Mahonia aquifolium – Uva-de-Oregon

Usos – As pequenas bagas escuras podem ser utilizadas para doces, jeleias e sumos que podem ser fermentados para fazer vinho. A casca interna dos ramos e raízes maiores da Uva-de-Oregon produzem uma tinta amarela; as bagas produzem uma tinta roxa. As folhas persistentes semelhantes ao azevinho são por vezes usadas por floristas como uma linda adição aos bouquets. É um excelente arbusto de sob-copa para áreas de muita sombra.

Biodiversidade – Uma fonte precoce excelente de néctar para abelhas. O néctar e pólen podem ser aproveitados por  toutinegra ou papuxas, chapins e pardais. As bagas são comidas por melros e tordoveias. É um bom alimento para lagartas.

Para mais sobre esta planta (em inglês) vê o perfil da Mahonia ou clica aqui e aqui para referências em português.

ÁRVORES E ARBUSTOS DE FRUTO – MANUTENÇÃO DE UNIDADES

A tabela abaixo indica a quantidade de árvores e arbustos por unidade e alguma informação sobre como estabelecer e manter esta componente da policultura.

manutencao de unidades

Esquema de plantação para os componentes  Árvores e Arbustos de fruto

Esquema de plantação para os componentes Árvores e Arbustos de fruto

 

2. COBERTURA DE SOLO – OS COMPONENTES DA POLICULTURA

As plantas de cobertura de solo inlcuem Primula Vulgaris – prímulas ou primaveras e Bellis Perennis – margaridas, ambas herbáceas perenes com hábitos de crescimento e propagação baixos que, ao longo do tempo devem formar áreas de cobertura sob e em redor das árvores e arbustos. Uma boa cobertura de solo irá prevenir plantas indesejadas de invadirem o espaço e protege o solo da erosão.

cobertura de solo

 

PRIMULA VULGARIS – PRÍMULAS OU PRIMAVERAS

Sobre a Espécie – Uma herbácea perene, amante de clareiras e margens húmidas e frescas, e prospera no chão de bosques “copeados” onde podem formar um tapete incrivelmente atraente. Esta espécie prefere solos húmidos, com muita sombra no verão. Quanto mais quente e seco o clima, mais sombra será necessária. A seca de verão não é problemático desde que tenham acesso a bastante humidade no Outono e no ínicio do ano.

Primula vulgaris - Primrose ground cover under a Cornus mas in our garden
Primula vulgaris – Primaveras sob os cornisos no projeto de Ecologia Balkan

Usos: Tanto as flores como as folhas são comestíveis, com o sabor a abranger entre uma alface leve e verduras para salada mais amargas. As folhas também podem ser usadas para chá, e as flores jovens podem ser usadas para fazer vinho de primaveras.

Biodiversidade – Primaveras são uma das primeiras flores da estação primaveril. Podem ser encontradas a florescer em nichos mornos e abrigados tão cedo como meados de Janeiro, apesar da maioria florescer de Março a Maio. Por florescerem tão cedo na estação, sáo uma fonte vital de néctar numa altura quando existem poucas outras flores disponíveis para alimentar os polinizadores como a borboleta Gonepteryx rhamni que hibernam durante o Inverno e emergem nos dias invernais mais amenos.

Para mais sobre este planta (em inglês) vê o perfil da Primula Vulgaris ou clica aqui e aqui para referências em português.

BELLIS PERENNIS – MARGARIDAS

Sobre a Espécie – Uma pequena herbácea perene, abundante e rasteira com flores brancas e centros amarelos e tom rosáceo, que aparece durante a maior parte do ano, com exceção de climas de geadas e congelamento. A planta normalmente coloniza prados rasteiros, clareiras e relvados.

 

Bellis perennis - Daisy growing in our lawn
Bellis perennis – Margaridas a crescer no nosso relvado

Usos: Pode ser usada como uma erva culinária e as folhas jovens podem ser ingeridas cruas em saladas ou cozinhadas, tendo em consideração que as folhas são mais adstringentes quanto mais velhas forem. Os botões e pétalas podem ser comidas cruas em sandes, sopas e saladas. Também são usadas em chás e como um suplemento vitamínico. Medicinalmente, a planta é conhecida pelas suas propriedades curativas e pode ser usada em pequenas feridas, chagas e arranhões para acelerar o processo de cura. O hábito de propagação desta planta faz dela uma boa opção para cobertura de solo.

Biodiversidade – Uma adição valiosa a pastos geridos pela sua variedade de flores silvestres e vida selvagem, chamando a atenção dos polinizadores quando poucas outras fontes de pólen e néctar se enconrtam disponíveis.

Para mais sobre esta planta (em inglês) vê o Perfil da Bellis perennis ou clica aqui para referências em português.

COBERTURA DE SOLO – MANUTENÇÃO DE UNIDADES

A tabela abaixo indica a quantidade de cobertura de solo por unidade e alguma informação sobre como estabelecer e manter estes componentes da policultura.

cobertura de solo manutencao

policulture components groundcover

Esquema de plantação da cobertura de solo é intercalar as espécies entre as árvores e arbustos.

 

 

3. FLORES DE BOLBO (DE INÍCIO DE PRIMAVERA) – COMPONENTES DA POLICULTURA

Estas flores de bolbos precoces florescem em Janeiro – Fevereiro, tirando partido da luz que jorra através da copa nua das árvores e arbustos de folha caduca. Estas plantas oferecem recompensas de néctar e pólen aos polinizadores que se aventurem dos dias mais amenos do final do Inverno. Os bolbos também servem para reter nutrientes na rizosfera, os primeiros 10-20cm de solo de onde a maior parte das plantas se alimenta e onde existe a maior parte da actividade microbiológica do solo. Fazem-no absorvendo nutrientes que de outra forma teriam sido levados por lixiviação do solo pelas chuvas de Inverno e o derreter das neves, e fixando esses nutrientes nas suas folhas e flores. Quando a planta murcha e se decompõe na Primavera, mesmo quando as outras plantas estão a acordar da dormência do Inverno, o tecido é assimilado de volta para a rizosfera, para eventualmente se tornar de novo disponível para outras plantas.

Podes considerar estas plantas uma reserva de nutrientes, prevenindo minerais de serem removidos do solo e guardando-os para a posteridade, quando são necessários. Seleccionámos 3 plantas nativas regularmente encontradas nos bosques e orlas na nossa área.

[fancy_box id=5]Nota do tradutor: Apesar destas espécies serem nativas da Europa, não são necessariamente autóctones em Portugal. As flores de bolbo foram um desafio particular durante a tradução, porque, com exceção da Scila Alpina, não encontrei nomes comuns em português para as restantes espécies de bolbo, pelo que presumo que não sejam comuns em Portugal. Substituições destas espécies para flores de bolbos mais comuns ou até autóctones de Portugal como a Iris subbiflora, Iris xiphium xiphium (Maios) e Urginea marítima (Cebola-albarrã) pode ser a melhor alternativa para adaptar este modelo de policultura em Portugal. Em Portugal, os bolbos de Primavera mais populares são as Túlipas, os Narcisos, os Jacintos, os Crocus e os Alliums. Também os Amarílis e os Íris. Aqui tens o catálogo geral das Sementes de Portugal, onde encontras uma lista de espécies de bolbo autóctones disponíveis e fáceis de adquirir.[/fancy_box]

flores de bolbo

 

SCILLA BIFOLIA – CILA ALPINA

Sobre a Espécie – Uma herbácea perene que brota de um bolbo no subsolo. Nativa da Europa e Rússia Ocidental, e daí a sul desde a Turquia à Síria. A planta é encontrada em áreas sombrias, bosques de faia ou de árvores caducas, e pradarias de montanha.

Scilla bifolia - Alpine Squill growing through the mulch on the forest floor
Scilla bifolia – Scila Alpina a creser por entre a manta de folhas mortas de um bosque

Usos: Não consegui encontrar muita informação referente a esta minúscula beleza. Cresce por todas as áreas florestadas na nossa região e herdámos pequenos aglomerados no nosso jardim, talvez cultivados das variedades silvestres pelos donos anteriores. Encontrei um relatório dizendo que a ingestão pode causar severo desconfortol, portanto duvido que saibam tão bem como aparentam 🙂

Biodiversidade – Boa fonte de néctar para polinizadores quando poucas outras plantas estão em flor.

Para mais sobre esta planta (em inglês) vê o perfil da Scilla bifolia 

GALANTHUS GRACILIS

Sobre a Espécie – Bolbos que florescem no inicio da Primavera, por vezes até emergindo sobre o manto de nave no final no Inverno, fornece uma muito bem-vinda fonte de alimento para abelhas e outros polinizadores. É popular como uma flor ornamental, são frequentemente colocadas em jardins e parques, mas são também uma excelente escolha para o chão de um bosque.

Galanthus gracilis - Snowdrop from our garden
Galanthus gracilis

Usos: Esta planta tem propriedades inseticidas e podem ser usadas no controlo de pragas das ordens Coleoptera (besouros), Lepidoptera (borboletas e traças) and Hemiptera (que inlcui pulgões, afídios, percevejos e cigarras). Esta espécie contém um alcalóide, galantamina, (também presente em narcisos, como podes ver na pág.23 deste documento) substância aprovada para uso de gestão de Alzheimer em vários países. A planta e o bolbo são tóxicos para humanos e não devem ser consumidos.

Biodiversidade: Galanthus Gracilis são polinizadas por abelhas durante os meses de Fevereiro e Março. As minúsculas sementes brancas produzem substâncias que atraem formigas. Estes insectos coleccionam e transportam as sementes através dos seus túneis subterrâneos.

Para mais sobre esta planta (em inglês)  Perfil de Galanthus gracilis

 

CORYDALIS BULBOSA – (CORYDALIS CAVA)

Sobre a Espécie – Uma planta de bolbo perene subtil mas incrivelmente bela, que floresce a partir de Fevereiro. Uma planta efémera primaveril com folhagem que surge na Primavera e murcha até às suas raízes tuberosas no Verão. A planta espalha-se eforma um lindo tapete branco a roxo.

Corydalis bulbosa growing through the forest mulch
Corydalis bulbosa a crescer sob as manta morta do bosque

Usos: Uma boa escolha para margens, estratos mais baixos do jardim ou um jardim silvestre. É uma planta utilizada como analgésico na Medicina Chinesa à mais de 1000 anos. A raíz é utilizada internamente como um sedativo para insónia e como estimulante e analgésico, especialmente para dores menstruais fortes ou traumatismos. Deve ser exercido cuidado quando usada esta planta para fins medicinais, pois já foi reportada como tóxica.

Biodiversidade – Uma fonte segura e precoce de alimento para abelhas. Corydalis spp. são também fontes de alimento para algumas espécies de borboleta, especialmente a Parnassius mnemosyne

Para mais sobre esta planta (em inglês): Perfil da Corydalis bulbosa ou aqui para sinonímias em português desta espécie

FLORES DE BOLBO PRIMAVERIS – MANUTENÇÃO DE UNIDADES

A tabela abaixo indica a quantidade de bolbos primaveris por unidade e alguma informação sobre como estabelecer e manter este componente da policultura.

flores de bolbo manutenção

componentes policultura - flores de bolbo

Disposição dispersa de plantação das flores de bolbo primaveris

 

 

4. PLANTAS DE FERTILIDADE – COMPONENTES DA POLICULTURA

As plantas para fertilidade incluem duas espécies fixadoras de azoto muito diferentes. A primeira é Alnus Cornata (Amieiro de Nápoles), uma árvore que pode atingir os 25m de altura mas que deve ser mantida como um pequeno arbusto dentro desta policultura. Podada a cada Outono, a biomassa pode ser deixada na base de árvores de fruto vizinhas. A segunda planta, Trifolium Repens (Trevo Branco) é uma herbácea perene rastejante que pode ser semeada nos caminhos, cortada anualmente e aplicada como alfombra na base das árvores de fruto.

Para mais sobre plantas fixadoras de azoto e como funcionam (em inglês) consulta este artigo.

fixadoras de azoto

 

ALNUS CORDATA – AMIEIRO DE NÁPOLES

Sobre a Espécie – Uma árvore de médio porte que pode atingir alturas de 25 metros. É de folha caduca, mas com uma longa época de folhagem, de Abril a Dezembro. Como outros membros do

A medium-sized tree growing up to 25 m tall. The leaves are deciduous but with a very long season in leaf, from April to December. Como outros membros do género Alnus, consegue captar azoto do ar. Prospera em solos muito mais secos que a maioria dos outros amieiros, e cresce rapidamente mesmo sob circunstâncias desfavoráveis, o que torna o Amieiro de Nápoles extremamente valioso em paisagismo em solos pobres e severamente compactados.

The Early Polleniser Polyculture 28

Usos: A árvore é por vezes utilizada para propósitos ornamentais em grandes jardins e parques pela sua aparência majestosa e crescimento rápido, ou em alamedas, devido à sua capacidade de estabelecimento rápido em condições de exposição, o facto de ser razoavelmente compacta e tolerar condições secas, assim como atmosfera poerenta. Também é geralmente plantada para agir como barreira de vento.

A sua madeira pode ser usada para construção em condições húmidas, visto que a madeira de amieiro é virtualmente resistente a decomposição debaixo de água. Fundações feitas com amieiro têm sido usadas para as casas e pontes de Veneza. Também pode ser usada para lenha. A planta cria um bonsai de médio a grande porte, que cresce rapidamente e responde bem a podas, com uma boa ramificação e uma folha cujo tamanho reduz com bastante rapidez.

Biodiversidade – Alnus spp. largam pólen de amentilhos (flores macho parecidos com pêndulos ou cachos) no final do Inverno e princípio de Primavera, de onde abelhas e outros polinizadores se alimentam.

Potencial de Fixação de Azoto – Alnus cordata não está listada na base de dados da USDA (United Stated Department of Agriculture) mas outras espécies deste género estão classificadas pela USDA como sendo uma FORTE fixadora de azoto com rendimentos estimados de +72kg/4050m² ou 0.018g /m2.

Para mais sobre esta planta (em inglês): Perfil da Alnus cordata ou aqui e aqui para referências em português.

 

TRIFOLIUM REPENS – TREVO BRANCO

Sobre a Espécie – O Trevo Branco é uma perene anã, prostrada que cobre o chão como um tapete que se espalha através de guias que livremente se enraízam ao longo do chão a partir dos nódulos. Facilmente estabelecível em solos medianos e bem drenados, com sol direto a sombra parcial. Prefere solos húmidos numa leve sombra, mas tolera sol direto e solos moderadamente secos.

Trifolium repens ground cover
Trifolium repens cobrindo o solo

Usos: O Trevo Branco tem sido descrito como a mais importante leguminosa de forragem das zonas temperadas. Além de fazer excelente forragem para animais, trevos são uma valiosa comida de sobrevivência; são ricos em proteína e, apesar de não serem facilmente digeríveis por humanos quando ingeridos crus, isso é facilmente resolvido fervendo a planta colhida durante 5-10 minutos. As flores secas e sementes podem também ser moídas para fazer uma farinha nutritiva e misturada com outros alimentos, ou podem ser utilizadas para fazer um chá ou tisana. A capacidade desta planta de se espalhar agressivamente através das suas guias é bom para a cobertura do solo, e a sua tolerância a trânsito pedonal fazem desta espécie a minha favorita para utilizar em caminhos.

Biodiversidade – As plantas fornecem uma fonte de néctar e pólen a uma variedade de abelhas nativas, além da abelha melífera.

Potencial de Fixação de Azoto – A espécie está classificada pela USDA como sendo uma FORTE fixadora de azoto, com rendimentos estimados de +72kg/4050m² or 0.018g /m2.

Outras fontes declaram ser possível um rendimento de até 545 kg de azoto por hectar por ano.

Para mais sobre esta planta (em inglês): Perfil da Trifolium repens ou clica aqui e aqui para info sobre esta espécie em Portugal.

 

PLANTAS DE FERTILIDADE – MANUTENÇÃO DAS UNIDADES

A tabela abaixo indica a quantidade de plantas fixadoras de azoto por unidade e alguma informação sobre como estabelecer e manter este componente da policultura.

fixadoras de azoto - manutenção

Trifolium repens semeado nos caminhos e Alnus cordata podadas ao tamanho de arbustos

Trifolium repens semeado nos caminhos e Alnus cordata podadas ao tamanho de arbustos

 

5. HABITAT DE POLINIZADORES – COMPONENTES DA POLICULTURA

Polinizadores fornecem um elo importante nos nossos ecossistemas, movendo pólen entre as flores e assegurando o crescimento de sementes e fruto. Abelhas nativas formam o grupo mais importante de polinizadores e eu tenho a certeza que ouviste dizer que estão presentemente sob ameaça de extinção devido às mudanças nas nossas paisagens, especialmente devido a perda de habitat e locais de nidificação. O desejo geral por asseio resulta na remoção de solos nus, árvores moras, e recantos de ervas e relvas – todos esses espaços importantes para a nidificação das abelhas. O nosso design da policultura tem isto em consideração e inclui alguns habitats de nidificação importantes para as abelhas, nomeadamente troncos, espaços de solo nu e ranhuras entre rochas.

Água é também necessária aos polinizadores e incluir pequenas charcas pode ser muito benéfico, até essencial se o local não tiver uma fonte de água nas redondezas. Por esta razão incluimos uma pequena charca feita de pneu no centro da policultura.

Tyre pond and log from our Market Garden
habitatpolinizadores
Troncos (3), charca de pneu (2) com Orlas de pedras (2) e corredores de solo nu (1) fornecem locais de nidificação para abelhas e um habitat próspero.

Troncos (3), charca de pneu (2) com Orlas de pedras (2) e corredores de solo nu (1) fornecem locais de nidificação para abelhas e um habitat próspero.

 

 

 

 

 

All components of the Early Polleniser Polyculture
Todos os componentes da Policultura Primaveril Polinizadora

VARIAÇÕES NO DESIGN

As plantas e habitats desta Policultura Primaveril Polinizadora podem ser conjugadas de variadas formas. Podes considerar as plantas e habitats listadas acima como uma “palette” a partir de onde podes criar muitas formas.

Aqui estão algumas variações de design onde espaço é limitado.

O primeiro design é um círculo de 20m2 com todas as plantações cabendo sob a copa adulta do Corniso (Cornus Mas). É muito semelhante à primeira Policultura Primaveril Polinizadora que desenhei durante a implementação de um pomar em permacultura/policultura de 5ha onde estava a trabalhar à uns anos atrás. O plano era incluir algumas espécies de forragem perenes e habitats para abelhas e outros polinizadores para apoiar as árvores de fruto e arbustos, e eu estava a ponderar sobre como integrar estas plantas. À medida que o design evoluiu observou-se que existiam espaços indefiníveis onde os corredores das árvores convergiam com as estradas de acesso e promontórios. Os espaços não eram grandes o suficiente para árvores de fruto sem bloquear os acessos. Estavam dispersos de forma mais ou menos regular através da propriedade e eram ideiais para colocar a Policultura Primaveril Polinizadora.

Early Polleniser Design - 20 m2
Variação da Policultura Primaveril Polinizadora – 20 m2
Under plantings of the Early Polleniser Design - 20 m2
Camada Inferior da Variação da Policultura Primaveril Polinizadora – 20 m2

As plantas podem também ser plantadas mais densamente para plantações em cerca e para subdividir a área. A disposição de plantação seguinte pode funcionar bem para cercar, com uma linha de 20cm de flores de bolbo e cobertura de solo a correr paralelo à cerca. O Corniso e as Aveleiras podem ser deixadas para crescer “ao gosto do freguês”.

Early Polleniser Hedge - An 8 m stretch of single row hedging
Cerca de Policultura Primaveril Polinizadora – Uma linha de 8 m de cerca natural

Aqui tens uma lista de outras espécies que fornecem néctar/pólen no início da Primavera para abelhas e outros polinizadores. Pessoalmente não cultivei todas as plantas desta lista mas parecem ser adequadas.

especies alternativas

 

O PROJETO DE POLICULTURA

Vale a pena relembrar que este design não é de sucesso definitivo. Baseado na nossa experiência e prática estamos confiantes que a policultura irá ao encontro dos seus objetivos de design, mas apenas experimentando o sistema vivo revelará as verdadeiras forças e fraquezas e onde poderão ser feitas melhorias. Portanto, iremos plantar 3 unidades deste design de policultura no nosso estudo policultura perene em Shipka esta Primavera e anotar a performance ao longo dos próximos anos.

Mais tarde no ano iremos publicar a nossa experiência a estabelecer esta policultura com o objetivo de delimitar, passo-a-passo, como preparar o terreno, plantar, podar, irrigar e colher esta Policultura de Polinização Primaveril.

Illustration of our new Perennial Polyculture Trials Garden coming in 2017
Ilustração do novo of our Jardim Experimental Perene em Policultura  com inicio em 2017

Paul Alfrey do Projeto Ecológico Balkan, https://www.facebook.com/Balkan-Ecology-Project-246348042094658/, introduz a policultura para fornecer apoio à polinização para quintas e jardins, rende frutas e nozes nutritivas, valiosos pontos de nidificação para abelhas em risco, e visões florais estupendas para acabar com o Inverno – http://balkanecologyproject.blogspot.bg/2017/01/the-early-polleniser-polyculture.html

Publicação Original: http://balkanecologyproject.blogspot.com.au/2017/01/the-early-polleniser-polyculture.html

Lidar com o Fracasso

Quantas vezes já sentiste Fracasso? É Frustrante não é?

Talvez até te estejas a sentir fracassado num aspeto da tua vida ou noutro agora mesmo…
O nosso cérebro odeia a sensação de fracasso, e faz tudo – até sabotar-te – para evitar sentir isso de novo…
Aqui vamos te mostrar como podes lidar com o Fracasso de uma forma um pouco estranha…

…E se eu te dissesse que fracasso não existe?

 

A primeira vez que ouvi isso foi durante a minha formação em Programação Neuro-Linguística e foi uma das noções mais transformadoras da minha vida.
No processo deste nosso projeto de empreendedorismo sustentável e permacultura, fui relembrada de novo desta noção importantíssima.
Tinha estado a evitar fazer algumas coisas, publicar algumas ideias no meu blog e até impedida de progredir, porque me tinha esquecido disto e fracasso parecia ser sinónimo de “Estou a fazer mal, não sou capaz, não é possivel”.

Assim que percebi que fracasso não existe, mas antes Feedback, o medo de falhar que me sussurrava:

“É melhor não porque pode correr mal”,
ou “Se fores em frente arriscas-te.”
deixou de ser a âncora que me impedia de progredir, e vi-me com uma mentalidade preparada para encontrar o sucesso nos projetos que me apaixonam.
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Imagina 3 Portas. Por detrás de uma delas está o “prémio” que queres – o teu sonho, objetivo, resultado pretendido, etc.
Como podes saber qual a porta certa?
 
  • Tens 33.3% de probabilidade de escolher a porta certa à primeira.
  • Estás na dúvida se aquilo que queres está atrás da porta 1, 2 ou 3, e hesitas.
 

Se o teu medo de falhar te controlar, se te recusares a sair da tua zona de conforto numa tentativa de evitar o fracasso, não vais querer fazer uma escolha.

 

O resultado?

Não saberás o que está por detrás de nenhuma das portas, e nunca conseguirás ganhar o teu prémio.

 

Sabes qual é a melhor forma de saber qual a porta certa? Abrindo as Portas. 

 

E quanto mais vezes “falhares”, mais perto estarás.

 
  • Escolher uma porta que se revela ser a incorreta não é fracasso, é feedback. Ao saberes onde não está o prémio, aumentas a cada tentativa a probabilidade de o encontrar.
 
  • Permite-te deduzir que o teu prémio está numa das outras duas portas. Agora tens maior probabilidade de acertar na porta certa e até já sabes o que está para além de uma das portas.
 
  • Adquiriste conhecimento que te está a pôr no caminho certo. Agora, ao tentar de novo, o teu fracasso anterior preparou-te melhor para o sucesso na segunda ronda.

 

  • Tens agora 50% de probabilidade de acertar. E, mesmo que não seja a porta premiada, agora já nem precisas de abrir a terceira porta para saber que é lá onde está o que procuras.
 
Já sabes que o prémio está lá. Se não estava por detrás das outras duas portas, a terceira é de certeza a porta premiada.
 

Assim, Sucesso torna-se Inevitável.

“Eu não fracassei. Apenas descobri 10 000 formas de não fazer uma lâmpada”

– Thomas Edison

A verdade é que a única forma de eliminar o fracasso é negando a sua existência, e ver a experiência como sendo feedback.
São pistas que te indicam o caminho a seguir, aumentam a tua experiência e competências, e fazem-te crescer como individuo, afetando assim, de uma forma positiva, todas as áreas da tua vida.
Quando aceitares que os teus fracassos do passado apenas te preparam melhor para o sucesso, deixas de ter medo de falhar e até o aceitas de bom grado.

O único fracasso real é quanto ficas preso na tua zona de conforto, te deixas controlar pelo medo e desistes de experimentar, de tentar, de atingir o teu sonho, de ganhar o teu prémio.


Quando desisti da faculdade e não conseguia achar emprego, senti-me fracassada.
 
Quando achei que a minha única opção era emigrar, senti-me fracassada.
 
Para mim, eram fracassos.
 
Mas hoje, eu olho para trás, para esses momentos, e vejo que o valor real dessas minhas experiências de vida. 
Porque, se não tivessem sido esses momentos de feedback, eu não teria tomado as decisões que me levaram até onde estou hoje, a desenvolver o nosso próprio projeto de sustentabilidade e libertação pessoal e profissional, a escrever-te este artigo, a meio da manhã de um dia de semana, enquanto tomo o pequeno almoço, oiço boa música e leio um bom livro.
Estamos viver o nosso sonho porque prestamos atenção ao feedback (os nossos “fracassos”).
Já não tenho medo de tomar decisões, e ajusto as minhas decisões, ações e comportamentos em torno do meu objetivo.
O que nós consideramos fracasso é apenas feedback que nos permite corrigir a rota, nada mais.
E dúvida e medo são apenas sintomas do nosso cérebro que nos tenta sabotar.
Quem está a ganhar? A força de quereres ver o teu sonho uma realidade ou o medo do fracasso que te está a impedir de atingires a tua vida de sonho?
Cada dia que não tomas uma decisão de agir, de abrir aquela porta e espreitar, é mais uma ronda ganha pelo medo e é mais uma oportunidade que deixaste passar sem razão.

Que parte deste artigo mexeu mais contigo? Deixa o teu feedback nos comentários 🙂

Como Partilhar o Valor que Tens e que o Mundo Precisa (em 9 Dicas Simples)

Existem imensos projetos e comunidades de sustentabilidade, start-ups, e empreendedores sociais, ambientais, permacultores, artesãos e artistas com imenso conhecimento, competências e valor que merecem ser vistos e ouvidos. Não só merecem como precisam do máximo de exposição possível para a continuação sustentável de todas estas profissões e projetos apaixonantes e positivos.

A verdade é que cada pessoa, incluindo tu, independentemente da sua área, ou se tem uma plataforma online ou não, tem MUITO valor. Uma coleção de conhecimento, experiências, aspirações, sonhos, e perspectivas que podem enriquecer as vidas de outras pessoas, da comunidade, e da sociedade. Basta ter uma voz para nos fazermos ouvir. E na revolução da informação que este milénio trouxe, a nossa voz pode atingir a outra ponta do planeta com um simples clicar do computador ou telemóvel.

Quando começámos este blog, deparávamo-nos constantemente com estas duas questões:

  • Que conteúdo tenho eu que valha a pena publicar e partilhar?
  • Como passar esse conteúdo lá para fora?

Aqui vão 9 dicas simples para melhorar a qualidade das tuas publicações, para que saibas sempre o que publicar, E AINDA 3 dicas extra no final! Confere.

Estas dicas são uma pequena compilação baseado no que temos aprendido na nossa comunidade online Tribo, onde temos aprendido marketing de conteúdo aplicável a qualquer projeto, a espalhar a mensagem e os projetos de cada um, e a transformar a nossa paixão na nossa profissão de forma sustentável – aqui podes explorar a nossa Tribo e fazer parte deste movimento e comunidade de formação a apoio.

 

1 – ESTUDA O QUE TE APAIXONA. DEPOIS PARTILHA O QUE APRENDESTE

Aprende. Faz. Ensina. Repete.

Ao usares um pouco do teu tempo para leres o conteúdo de diversos blogs, videos e livros, deixa-te inspirar pela mensagem que passam e aprendes com o valor que te dão. Usa esse tempo para limpares a tua cabeça e para absorveres material de qualidade.

Nunca ouviste dizer que por norma quem lê livros escreve melhor do que quem não lê?

Não é porque são mais inteligentes que tu. É apenas porque a tua fluência de ideias fica mais organizada quando tens uma métrica mental estabelecida.

É divertido e útil. Assim, estás sempre a expandir na tua área e essa aprendizagem está também a expandir a tua voz, mensagem e audiência. Estás a disponibilizar informação que tu achaste útil para ti e que pode resolver problemas a outras pessoas. Só com este simples passo já estás a fazer uma grande diferença: estamos, afinal de contas, na era do “opensource” e da revolução da informação. E saber é poder. Por isso multiplica esse poder com cada nova publicação.

 

2 – FAZ PERGUNTAS!

Ao fazeres perguntas a outras pessoas, começas a criar uma comunidade de pessoas com uma amálgama de conhecimento, e a criar um ambiente de cooperação.

Ao fazeres perguntas à tua audiência – através das redes sociais, com questionários, ou no final de um artigo ou video, etc – vais criar uma onda dinâmica dentro do teu blog/plataforma online, e com isso, naturalmente vão começar a chover comentários, feedback e opiniões que te vão ajudar a entender qual é o conteúdo que os teus leitores gostam mais, e que problemas têm que tu podes resolver. Isso vai impulsionar o teu ranking e ao mesmo tempo vais ter ideias novas e claras na tua cabeça para mais publicações.

 

 

3 – ENTREVISTA ALGUÉM

O teu blog ou plataforma online tem um nicho. Atrais pessoas que gostam do que tu publicas, mas mais que tudo, da MANEIRA como tu escreves. A tua linguagem vai atrair pessoas que usam as mesmas expressões que tu e as mesmas palavras que tu.

Além do mais, pessoas em geral gostam de ser convidadas para dar entrevistas, principalmente se seguires uma ética de lhes dar crédito no teu blog. O Ser Humano é opinativo e adora sentir-se ouvido e compreendido.

Eu pessoalmente gosto de dar crédito ao autor da página/blog/etc, porque:

  • Primeiro que tudo, é ético (o Ser Humano também adora ser reconhecido e valorizado…e não há nada de errado nisso);

  • Segundo, e mais uma vez, aumenta o teu ranking na internet, o que torna o teu conteúdo mais fácil de encontrar na Net.

  • Terceiro, mostra aos teus leitores que não és egoísta e gostas de partilhar e ajudar outras pessoas, e que trabalhas num espírito de cooperação e comunidade.


4 – ESCREVE UM ARTIGO PARA OUTRA PESSOA

Ao conectares-te com outros sites e blogs na internet provavelmente vais ser convidado a escrever um artigo para outro blog, ou até seres entrevistado se o teu conteúdo for relevante para a pessoa em questão (contacta-me se estiveres interessado).

Ao seres convidado para colaborar em conteúdo, estás a ligar os teus seguidores ao blog em questão e o teu blog irá ser referênciado e bem falado por parte de outro blogger. Ambos trabalham em comunidade para o beneficio de todos os envolvidos – tu, o outro, e as audiências de ambos.

Não existe melhor exposição que o de “passa-a-palavra”.

Quando confias em alguém, confias no que ele te diz. Se ele te recomendar um artigo, provavelmente vais acabar por lê-lo, certo? Nem que seja apenas por curiosidade.

 

 

5 – PARTILHA AS TUAS VITÓRIAS E AS TUAS “DERROTAS”.

Durante o teu caminho, vais provavelmente ter momentos de fracasso, momentos de vitória e momentos de superação.

Não há nada mais atraente e assegurador que a experiência.

Não passes o artigo todo a falar de ti, nem te gabes constantemente. Ilustra passo-a-passo como fizeste algo que te deu muito bom resultado e partilha as lições que aprendeste durante este processo – especialmente o que NÃO fazer. Aprender com os nossos “fracassos”, e ter a humildade e a honestidade de partilhar esse “fracasso” para que outros possam fazer melhor, não só revela o teu compromisso de partilhar soluções e fazer a diferença, como revela a tua força de caráter e compromisso pelo que fazes.

Faz com que outros não cometam os mesmo erros que tu. Este tipo de informação é provavelmente uma das mais procuradas. Afinal de contas, ninguém quer falhar se o caminho já estiver aberto para evoluires.

 

 

6 – RECICLA ARTIGOS ANTIGOS

Todas as pessoas sentem nostalgia. Ao voltares a publicar um artigo de quando iniciaste o teu blog, projeto, comunidade, etc, vais mostrar às pessoas que toda a gente começa do zero e que toda a gente aprende e evolui. Podes simplesmente voltar a partilhar o artigo mais velho para mostrar a tua evolução “antes vs agora”, como podes reciclá-lo.

Talvez as tuas ideias já tenham mudado. Talvez seja um artigo que precise de ter a sua informação actualizada. Re-escrever, editar, reciclar conteúdo mais velho revela cuidado da tua parte em partilhar a melhor qualidade possível de informação às pessoas – e poupa-te trabalho quando não tens tanto tempo para escrever artigos de raíz mas queres ser consistente nas tuas publicações – ou quando fores passear para a floresta e não tens wifi 😉

 

 

7 – USA PERSONAGENS RECONHECÍVEIS E TÍTULOS INTRIGANTES

Ao juntares o teu tema do artigo a nomes e personagens reconhecíveis pela maioria, a resistência à tua mensagem será menor, a curiosidade aumenta, e as pessoas vão divertir-se mais a ler o teu artigo.

Estás a usar um tema e uma ideia que já está formada na cabeça das pessoas para explicares uma ideia completamente diferente.

  • Por exemplo: “Como uma Galinha me Ensinou a ser um Melhor Humano” ou “O que o Batman me mostrou como Blogar”

Vez, funciona certo?

 

 

8 – PROCURA TER EXPERIÊNCIAS NOVAS

Durante a tua vida pessoal tens de certeza momentos altos. Isso é óptimo, cria carácter e permite que a tua criatividade flua sem resistência.

Ao estares aberto a novas experiências vais ser inspirado a falar de coisas diferentes e interessantes, que podes partilhar com a tua audiência. Tambem ajuda imenso criar relações com futuros colaboradores, entrevistadores e entrevistados, partilha de informação, etc. 

 

 

9 – DÁ A TUA OPINIÃO – FAZ UM “REVIEW”

Escolhe uma companhia, projeto, produto, serviço ou website e faz uma revisão da tua experiência.

 

A minha métrica pessoal nestes casos passa por desenvolver:

  • O que estão a fazer bem?
  • O que podiam melhorar?
  • Pontos altos e coisas a ter em conta.
  • Que necessidades satisfez (ou não satisfez), e como a audiência pode contactar/adquirir o produto/serviço/projeto que estás a expôr.

Ao seguir esta métrica consigo passar conteúdo valioso para a minha audiência e se for uma boa revisão, as tuas publicações ganham boa reputação e assim mais pessoas irão confiar no que partilhas, porque estás a falar baseado na realidade da tua experiência pessoal. Nunca assumas a tua opinião como sendo verdade absoluta.

 

 

Como te prometi no ínicio deste artigo, vou dar-te 3 dicas extra porque acho que se leste este artigo até ao fim, mostra que estás 100% comprometido contigo mesmo e na tua expansão e eu quero ajudar-te ao máximo. Aqui vão as 3 últimas dicas extra.

 

1 – Ajuda o Teu Cérebro a Reiniciar.

Encontra a tua fonte de energia.

Para algumas pessoas é andar a pé, para outras é correr, ou ler, meditar, ir ao cinema.

Para mim o que resulta é pegar numa folha de papel em branco e numa caneta, e escrever todas as palavras que venham à cabeça…mesmo que não façam sentido, escrevo tudo até ter a cabeça limpa. Após esse exercício, vou dar uma volta a pé para absorver os ares da montanha aqui onde moro em Portugal.

Descobre qual é o teu gatilho pessoal. Acredita que faz uma diferença gigantesca e vais colher benefícios em vários outros aspectos da tua vida.

 

 

2 – Conta uma História Pessoal

Ao contares uma história pessoal, estás a partilhar a tua experiência com os teus leitores e essa é a melhor maneira de te conectares por escrita com alguém.

As pessoas ao ler as tuas histórias identificam-se com elas e aceitam melhor a informação que estão a ler. Torna-se numa maneira bastante pessoal de escrever para alguém e a audiência adora isso.

 

 

3 – Transforma a tua Paixão na tua Profissão

Hoje em dia, existem cada vez mais pessoas a gostarem da ideia de ter um blog para partilhar as suas opiniões, mas os blogs são usados para 1001 propósitos.

Para nós, foi graças a ele que pudémos começar uma actividade completamente nova – a área das sustentabilidades – sem ter de fazer investimentos insustentáveis apenas para começar.

Vemos muitas pessoas cujo trabalho que lhes dá dinheiro é a razão porque não fazem o que querem realmente fazer. Porque a sua paixão não lhes rende dinheiro, portanto sentem que precisam de sacrificar o seu sonho pela sua sobrevivência.

E vemos muitas pessoas na área das sustentabilidades que estão a dar tudo por tudo para fazer a diferença, mas que precisam de mais exposição e mais rendimento para melhorar ou até tornar os projetos sustentáveis e rentáveis para que possam expandir e tocar a vida de mais pessoas.

É muito gratificante ter uma profissão que gosto e de ter um modelo que me permite expandir, ter uma vida de abundância e ajudar pessoas a fazer o mesmo com a comunidade de formação e cooperação da Tribo – e acreditamos que toda a gente merece essa oportunidade de transformar a sua paixão na sua profissão.

 

Ter um blog, escrever artigos, fazer videos, publicar nas redes sociais conteúdo de valor é um passo simples mas, na minha experiência pessoal, muito importante para ir nessa direção.

 

Qual é a próxima coisa que vais partilhar com as pessoas?

Podes começar por partilhar o teu valor único nos comentários, e partilhar este artigo com quem possa achar interessante 😉

 

Como Lidar com a Frustração Tornando-a Numa Aliada

Lembras-te da última vez que sentiste Frustração?

Para que serve, e porque aparece quando tudo parece correr mal?

 

Hoje uma conversa entre amigos inspirou-me para escrever este artigo.

O Filipe (a.k.a Pipo) tinha passado as últimas 3 horas a escrever um artigo espetacular para o blog, e uma pequena falha técnica no computador  fez com que ele perdesse todo o conteúdo que tinha cuidadosamente criado para ti.

Vou apenas dizer que o Pipo queria partir o Computador. Nem cabia em si de raiva e frustração.

Sentia que tinha perdido 3 horas preciosas do seu dia e, no final, não tinha nada “feito” que refletisse o seu trabalho árduo e dedicação.

Em luz disso, em honra do artigo perdido do Pipo, e um exemplo pessoal de como é possivel usar a Frustração a nosso favor, aqui estou eu, a falar-te acerca de Frustração.

Esta emoção tem, de facto, uma vertente muito útil e positiva que tu podes não conhecer.

 

Todos conhecemos frustração. Aquela sensação de querermos dar um passo em frente e sentirmos uma parede à nossa frente . Que as coisas estão a ir na direção oposta (ou a um passo mais lento) àquele que queremos. E, normalmente, queremos evitar esta sensação a todo o custo.

A verdade é que a frustração, como o fogo, tem um lado BOM e muito útil.

A diferença entre o fogo te aquecer ou te queimar é saberes lidar com ele, saber usá-lo a teu favor.

Todos nós temos que lidar com frustração.Já estive presa no ciclo de frustração que me fez sentir encurralada, e hoje, a perda do artigo do Pipo fez-me querer partilhar contigo algumas dicas fáceis para que possas também tornar a tua frustração numa aliada

 

Como é possível Tornar a Frustração Numa Aliada?

 Re-interpretando esta emoção pouco compreendida:

 

#1 FRUSTRAÇÃO E DESMOTIVAÇÃO NÃO SÃO A MESMA COISA

 

Muitas vezes deparo-me com a ideia geral que “sentir-se frustrado” e “sentir-se desmotivado” são sinónimos.

De facto, uma coisa tem pouco, ou nada, a ver com a outra.

Uma pessoa Desmotivada nunca chega sequer a sentir Frustração, porque sem Motivação, a Frustração não surge.

Já vais perceber porquê no final do próximo ponto…

 

#2 FRUSTRAÇÃO É UM SINTOMA DE UMA MOTIVAÇÃO INTERNA QUE NÃO ESTÁ A SER POSTA EM AÇÃO.

 

 Estás no trabalho, ou num projeto, a progredir bem, e sentes-te motivado ns tuas ações, quando, subitamente, surgem obstáculos que te impedem de progredir.

E pronto – sentes-te frustrado.

  • Quando tens um MOTIVO que te faz querer retomar o ritmo, resolver o problema, avançar para a frente – continuas MOTIVADO (do latim “Movere”, deslocar, mover, fazer mudar de lugar) apesar do teu obstáculo, e essa motivação que subitamente deixou de ser manifestada em ação, devido aos obstáculos, abre as portas à frustração.
  • Estar DESMOTIVADO, pelo contrário, é a FALTA de Motivo.

Des-Motivado. Sem motivo.

Uma pessoa desmotivada precisa de encontrar os motivos, os desejos, que a farão querer tomar ação.

Frustração é até bom sinal: uma pessoa que sinta frustração  JÁ tem esse motivo, e a frustração quer puxar pela pessoa, como um “turbo” num carro, a tomar ação para ultrapassar o problema.

Como eu vi acontecer com o Pipo quando ele perdeu o artigo.

Estava super motivado porque queria partilhar umas ideias fantásticas contigo aqui no blog, e quando as circunstâncias o fizeram dar uns passinhos atrás, lá veio um tsunami de frustração.

Se ele não estivesse Motivado a escrever esse artigo, provavelmente nem o teria escrito sequer. Não pode haver Frustração se não houver Motivação.

Agora ele está ainda mais “fisgado” em acabar aquele artigo. E como já o fez antes, agora é capaz de sair ainda mais bem escrito, com as ideias melhor estruturadas, porque ele já o fez antes, logo, a próxima tentativa será forçosamente melhor.

#3 FRUSTRAÇÃO É O TEU TURBO INTERNO PARA AS SUBIDAS MAIS AGRESTES

 

A Frustação, se fores bem a ver, é apenas uma força que te empurra na direcção que os teus desejos internos te conduzem.

É a forma da mente te instigar com sensações fisicas (emoções), como que a dizer “Pst, anda, mexe-te, vai em frente, por aqui”. Frustração é apenas a representação emocional dos teus desejos, do que tu queres, e do que estás disposto a fazer para que esses se tornem realidade.

Tens um motivador interno que quer por-te a mexer quando mais precisas: quando surgem dificuldades.

Não é nessas alturas que normalmente surge a frustração?

#4 FRUSTRAÇÃO NÃO É UMA FORÇA NEGATIVA, NEM MESMO O FRACASSO QUE ASSOCIAMOS A ELA

 

A razão porque nós não interpretamos frustração como uma força impulsionadora é por causa da forma como fomos condicionados a pensar em frustração e fracasso, e desenvolvemos um reflexo inconsciente que nos faz querer evitar fracasso (que é impossivel) e proteger-nos de nos sentirmos frustrados.

Mas fracasso não existe. O que nós entendemos como fracasso é realmente feedback. Com os teus “fracassos”, como Thomas Edison e a sua lâmpada, recolheste informação e experiência que precisavas para teres sucesso na tua próxima tentativa.

Sentes frustração nestas alturas porque o teu “turbo” interno está a tentar lembrar-te que com cada fracasso, mais forte estás e que deves persistir. Vitória é inevitável.

 

Que esta revelação do Lado Bom da Frustração te permita interpretar essa emoção, para que ela te puxe para a frente, e tenhas mais algumas estratégias que te permitirão evoluir, resolver problemas mais facilmente, abraçar desafios, ter sucesso nos teus projetos de vida, e ser, no geral, uma pessoa mais motivada à ação e, portanto, feliz.

 

Lembras-te da última vez que sentiste Frustração?

Agora que sabes torná-la na tua aliada, o que pode mudar para ti?

Conta-nos tudo nos comentários!

Implementar um Jardim em Mandala

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PRI_NEW_LOGOTemos o prazer e a honra de ter autorização do Permaculture Research Institute para traduzir para PORTUGUÊS o conteúdo fantástico que eles disponibilizam no blog deles. Achamos o conteúdo deles valiosíssimo e achamos que mesmo quem não sabe Inglês MERECE ter acesso a esta informação. Espero que gostes[/fancy_box]

Artigo original em Inglês por Craig Mackintosh

Implementar um jardim mandala é uma forma excelente de compartmentalizar as tuas camas e canteiros numa revolução de cor viva, possibilitando acesso fácil e interesse visual. E tem um aspeto fantástico.

Enquanto filmava na Horta Comunitária Yandina com Geoff Lawton, deparámo-nos com esta simples implementação de um jardim mandala, aninhado numa parte do jardim com mais sombra. É de forma circular e tem uma série de caminhos que convidam a dar uma olhadela mais próxima da variedade de plantas exibidas.

Os caminhos permitem-nos baixar e inspecionar a horta sem nunca pisar nas camas. A ideia em permacultura é nunca pisar nas camas elevadas e arriscar compactar o solo das plantas.

Jardineiros permacultores como Geoff Lawton acreditam que ao aplicar alfombra e composto, nunca é preciso fresar (cavar) a terra e perturbar a biota do solo.

As bactérias e micro-organismos são melhores se deixados sem distúrbios. Desta forma, ganha-se um vasto leque de biodiversidade no solo que gera uma horta abundante e próspera. Geoff diz que “nunca se alimentam as plantas. Alimentam-se as criaturas do solo.”

São os micróbios e biliões de bactérias que fazem todo o trabalho duro de fomentar fertilidade no solo. O único esforço necessário é aplicar alguma alfombra e bom composto e depois dar tempo à Natureza de quebrar tudo por ti.

A vantagem dos caminhos é que podes facilmente ajoelhar-te e tocar em qualquer parte da cama elevada com o braço esticado.

É tudo muito acessível e permite uma manutenção fácil da horta.

Uma forma fácil de desenhar um Jardim Mandala é desenhar os caminhos primeiro usando uma mangueira para definir os limites. Um círculo perfeito também pode ser definido desenhando um arco com um fio atado a um poste no centro da área a ser usada.

Tijolos ou pedras podem ser colocado ao longo do perímetro do círculo desenhado. Esta mandala tem os seus limites definidos por uma linha serpenteante de tijolo de três caminhos a irradiar do centro para criar o padrão final de uma roda.

No centro do jardim mandala existe um pequeno charco onde grandes plantas de Taro (comestíveis) são o ponto focal.

De acordo com Geoff Lawton, este jardim podia facilmente alimentar duas ou três pessoas.

Vimos lá plantadas Beringelas, Borragem, Couve Chinesa, Tomates, Salsa, Alface Japonesa e várias outras plantas aromáticas a crescer com cuidados mínimos.

“Isto é que é uma loja de comida bio.” disse Geoff Lawton. “Toda a gente devia ter um destes.”