Autor: Rute Gabriel

BIO FERTILIZANTE | de Salgueiro. Receita para Enraizamento

Neste curto artigo (e video) vais poder ver as multiplas funções do salgueiro (ou chorão), e como funciona este bio fertilizante de salgueiro que podes fazer em casa para enraizamento de estacas, aumento de taxa de sucesso de transplantes de plantas, e até para curar dores de cabeça.

Salgueiros sempre evocaram em mim uma imagem idílica e romântica de uma paisagem maravilhosa e calma.

Quando decidimos que queríamos levar uma vida mais sustentável, a primeira condição foi não utilizar qualquer tipo de pesticidas, herbicidas ou fertilizantes artificiais e prejudiciais.

Foi aí que nos deparámos com o salgueiro. É uma árvore com imensas funções – e se queres ver um permacultor a babar-se todo, é com um elemento tão bonito, benéfico e multi-usos como o salgueiro, desde medicina, a material de construção, a alimento para animais, a barreira ciliar (previne toxinas de contaminar cursos de água e previne erosão).

Um desses usos é um bio-fertilizante chamado água (ou chá) de salgueiro. Trata-se de uma preparação natural que contém hormonas de enraízamento provenientes desta espécie (Salix spp).

Salgueiro a sair de dormência

Salgueiro a sair de dormência

COMO FUNCIONA O BIO FERTILIZANTE DE SALGUEIRO?

A forma como funciona é devido a duas substâncias que se encontram na espécie Salix (Salgueiros); nomeadamente, Ácido Indolbutírico (AI) e Ácido Salicílico (AS).

 

Ácido Indolbutírico (AI) é uma hormona vegetal que estimula o crescimento de raízes. Está presente em altas concentrações nos ramos novos do salgueiro.

Ácido Salicílico (AS) (um composto químico semelhante à Aspirina) é uma hormona vegetal que está envolvida em estimular as defesas naturais da planta, no processo chamado “resistência sistemática adquirida” – quando um ataque a uma parte da planta induz uma resposta de resistência a patógenos noutras partes da planta. Pode também criar uma resposta de defesa nas plantes circundantes, convertendo o AS num estado químico volátil.

Quando fazes água de salgueiro, ambos os ácidos são lixiviados pela água, e ambos têm efeitos benéficos quando usados na propagação de estacas. Uma das maiores ameaças de estacas novas é infeção por bactérias ou fungos. O Ácido Salicílico ajuda a planta a combater infeção, e contribui assim para uma maior taxa de sobrevivência da planta.

Deep Green Permaculture

 

Receita de Bio Fertilizante de Salgueiro (para Enraizamento):

 

  1. Recolhe novos ramos e galhos de qualquer tipo de salgueiro (Salix spp.) que tenham casca verde ou amarela. Não utilizes ramos mais velhos, que terão a casca castanha ou cinzenta. A Primavera é ideal para recolher ramos novos de salgueiro.
  2. Remove todas as folhas, elas não são utilizadas (podes deitá-las no composto ou na alfombra da tua horta) e corta os ramos em pedaços
  3. O próximo passo é adicionar a água. Podes fervê-la e juntá-la aos raminhos, como um chá, e deixar apurar durante a noite; ou só adicionar água fria e deixar descansar vários dias. Nós escolhemos ferver a água.

E já está! Agora é só coar os raminhos e coloar o liquido num recipiente prático de usar na tua horta. Podes molhar a ponta das estacas na água umas horas antes de colocar na terra, deixar as estacas de molho neste chá, e/ou regar a terra com a água de salgueiro após transplante.

Gostas da ideia de fazeres os teus próprios preparados naturais para a tua horta ou bosque de alimentos? Então vais adorar este artigo, onde te falamos de outros bio fertilizantes que podes fazer a partir de casa!

 

Frustração: 4 Coisas para Lidar com ela e torná-la na tua Aliada

Lembras-te da última vez que sentiste Frustração?

Porque aparece quando tudo parece correr mal?

Para que serve e como podemos lidar com a frustração?

 

Hoje uma conversa entre amigos inspirou-me para escrever este artigo.

O Filipe (a.k.a Pipo) tinha passado as últimas 3 horas a escrever um artigo espetacular para o blog, e uma pequena falha técnica no computador  fez com que ele perdesse todo o conteúdo que tinha cuidadosamente criado para ti.

Vou apenas dizer que o Pipo queria partir o Computador. Nem cabia em si de raiva e frustração.

Sentia que tinha perdido 3 horas preciosas do seu dia e, no final, não tinha nada “feito” que refletisse o seu trabalho árduo e dedicação.

Em luz disso, em honra do artigo perdido do Pipo, e um exemplo pessoal de como é possivel usar a Frustração a nosso favor, aqui estou eu, a falar-te acerca de Frustração.

Esta emoção tem, de facto, uma vertente muito útil e positiva que tu podes não conhecer.

 

Todos batalhamos para lidar com frustração da melhor forma possivel.

Conhecemos bem a sensação: de querermos dar um passo em frente e sentirmos uma parede à nossa frente. Que as coisas estão a ir na direção oposta (ou a um passo mais lento) àquele que queremos. E, normalmente, queremos evitar esta sensação a todo o custo.

 

A verdade é que a frustração, como o fogo, tem um lado BOM e muito útil.

A diferença entre o fogo te aquecer ou te queimar é saberes lidar com ele, saber usá-lo a teu favor.

Todos nós temos que lidar com frustração.

Já estive presa no ciclo de frustração que me fez sentir encurralada, e hoje, a perda do artigo do Pipo fez-me querer partilhar contigo algumas dicas fáceis para que possas também tornar a tua frustração numa aliada

 

Como é possível Tornar a Frustração Numa Aliada?

 Re-interpretando esta emoção pouco compreendida:

 

#1 FRUSTRAÇÃO E DESMOTIVAÇÃO NÃO SÃO A MESMA COISA

 

Muitas vezes deparo-me com a ideia geral que “sentir-se frustrado” e “sentir-se desmotivado” são sinónimos.

De facto, uma coisa tem pouco, ou nada, a ver com a outra.

Uma pessoa Desmotivada nunca chega sequer a sentir Frustração, porque sem Motivação, a Frustração não surge.

Já vais perceber porquê no final do próximo ponto…

 

#2 FRUSTRAÇÃO É UM SINTOMA DE UMA MOTIVAÇÃO INTERNA QUE NÃO ESTÁ A SER POSTA EM AÇÃO.

 

 Estás no trabalho, ou num projeto, a progredir bem, e sentes-te motivado ns tuas ações, quando, subitamente, surgem obstáculos que te impedem de progredir.

E pronto – sentes-te frustrado.

  • Quando tens um MOTIVO que te faz querer retomar o ritmo, resolver o problema, avançar para a frente – continuas MOTIVADO (do latim “Movere”, deslocar, mover, fazer mudar de lugar) apesar do teu obstáculo, e essa motivação que subitamente deixou de ser manifestada em ação, devido aos obstáculos, abre as portas à frustração.
  • Estar DESMOTIVADO, pelo contrário, é a FALTA de Motivo.

Des-Motivado. Sem motivo.

Uma pessoa desmotivada precisa de encontrar os motivos, os desejos, que a farão querer tomar ação.

Frustração é até bom sinal: uma pessoa que sinta frustração  JÁ tem esse motivo, e a frustração quer puxar pela pessoa, como um “turbo” num carro, a tomar ação para ultrapassar o problema.

Como eu vi acontecer com o Pipo quando ele perdeu o artigo.

Estava super motivado porque queria partilhar umas ideias fantásticas contigo aqui no blog, e quando as circunstâncias o fizeram dar uns passinhos atrás, lá veio um tsunami de frustração.

Se ele não estivesse Motivado a escrever esse artigo, provavelmente nem o teria escrito sequer. Não pode haver Frustração se não houver Motivação.

Agora ele está ainda mais “fisgado” em acabar aquele artigo. E como já o fez antes, agora é capaz de sair ainda mais bem escrito, com as ideias melhor estruturadas, porque ele já o fez antes, logo, a próxima tentativa será forçosamente melhor.

#3 FRUSTRAÇÃO É O TEU TURBO INTERNO PARA AS SUBIDAS MAIS AGRESTES

 

A Frustação, se fores bem a ver, é apenas uma força que te empurra na direcção que os teus desejos internos te conduzem.

É a forma da mente te instigar com sensações fisicas (emoções), como que a dizer “Pst, anda, mexe-te, vai em frente, por aqui”. Frustração é apenas a representação emocional dos teus desejos, do que tu queres, e do que estás disposto a fazer para que esses se tornem realidade.

Tens um motivador interno que quer por-te a mexer quando mais precisas: quando surgem dificuldades.

Não é nessas alturas que normalmente surge a frustração?

 

#4 FRUSTRAÇÃO NÃO É UMA FORÇA NEGATIVA, NEM MESMO O FRACASSO QUE ASSOCIAMOS A ELA

 

A razão porque nós não interpretamos frustração como uma força impulsionadora é por causa da forma como fomos condicionados a pensar em frustração e fracasso, e desenvolvemos um reflexo inconsciente que nos faz querer evitar fracasso (que é impossivel) e proteger-nos de nos sentirmos frustrados.

Mas fracasso não existe. O que nós entendemos como fracasso é realmente feedback. Com os teus “fracassos”, como Thomas Edison e a sua lâmpada, recolheste informação e experiência que precisavas para teres sucesso na tua próxima tentativa.

Sentes frustração nestas alturas porque o teu “turbo” interno está a tentar lembrar-te que com cada fracasso, mais forte estás e que deves persistir. Vitória é inevitável.

 

Que esta revelação do Lado Bom da Frustração te permita interpretar essa emoção, para que ela te puxe para a frente, e tenhas mais algumas estratégias que te permitirão evoluir, resolver problemas mais facilmente, abraçar desafios, ter sucesso nos teus projetos de vida, e ser, no geral, uma pessoa mais motivada à ação e, portanto, feliz.

 

Lembras-te da última vez que sentiste Frustração?

Agora que sabes torná-la na tua aliada, o que pode mudar para ti?

Implementar um Jardim em Mandala

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PRI_NEW_LOGOTemos o prazer e a honra de ter autorização do Permaculture Research Institute para traduzir para PORTUGUÊS o conteúdo fantástico que eles disponibilizam no blog deles. Achamos o conteúdo deles valiosíssimo e achamos que mesmo quem não sabe Inglês MERECE ter acesso a esta informação. Espero que gostes[/fancy_box]

Artigo original em Inglês por Craig Mackintosh

Implementar um jardim mandala é uma forma excelente de compartmentalizar as tuas camas e canteiros numa revolução de cor viva, possibilitando acesso fácil e interesse visual. E tem um aspeto fantástico.

Enquanto filmava na Horta Comunitária Yandina com Geoff Lawton, deparámo-nos com esta simples implementação de um jardim mandala, aninhado numa parte do jardim com mais sombra. É de forma circular e tem uma série de caminhos que convidam a dar uma olhadela mais próxima da variedade de plantas exibidas.

Os caminhos permitem-nos baixar e inspecionar a horta sem nunca pisar nas camas. A ideia em permacultura é nunca pisar nas camas elevadas e arriscar compactar o solo das plantas.

Jardineiros permacultores como Geoff Lawton acreditam que ao aplicar alfombra e composto, nunca é preciso fresar (cavar) a terra e perturbar a biota do solo.

As bactérias e micro-organismos são melhores se deixados sem distúrbios. Desta forma, ganha-se um vasto leque de biodiversidade no solo que gera uma horta abundante e próspera. Geoff diz que “nunca se alimentam as plantas. Alimentam-se as criaturas do solo.”

São os micróbios e biliões de bactérias que fazem todo o trabalho duro de fomentar fertilidade no solo. O único esforço necessário é aplicar alguma alfombra e bom composto e depois dar tempo à Natureza de quebrar tudo por ti.

A vantagem dos caminhos é que podes facilmente ajoelhar-te e tocar em qualquer parte da cama elevada com o braço esticado.

É tudo muito acessível e permite uma manutenção fácil da horta.

Uma forma fácil de desenhar um Jardim Mandala é desenhar os caminhos primeiro usando uma mangueira para definir os limites. Um círculo perfeito também pode ser definido desenhando um arco com um fio atado a um poste no centro da área a ser usada.

Tijolos ou pedras podem ser colocado ao longo do perímetro do círculo desenhado. Esta mandala tem os seus limites definidos por uma linha serpenteante de tijolo de três caminhos a irradiar do centro para criar o padrão final de uma roda.

No centro do jardim mandala existe um pequeno charco onde grandes plantas de Taro (comestíveis) são o ponto focal.

De acordo com Geoff Lawton, este jardim podia facilmente alimentar duas ou três pessoas.

Vimos lá plantadas Beringelas, Borragem, Couve Chinesa, Tomates, Salsa, Alface Japonesa e várias outras plantas aromáticas a crescer com cuidados mínimos.

“Isto é que é uma loja de comida bio.” disse Geoff Lawton. “Toda a gente devia ter um destes.”

Dinheiro E Sustentabilidade: Será possivel? 6 Mitos sobre o Dinheiro que te vão fazer sentir mais Livre

Já reparaste que o Dinheiro parece ser o problema E a solução para todos os teus problemas?

O Dinheiro, e a nossa relação com ele, são um paradoxo constante.

 

Deparamo-nos com o paradoxo do dinheiro, e a maior armadilha da forma como dinheiro está inserido na nossa sociedade:

[tweet_dis]Precisamos de dinheiro para viver. Mas muitas vezes é a nossa busca pelo dinheiro que nos IMPEDE de viver.[/tweet_dis]

Não consegues viver com ele, mas também não consegues viver sem ele.

E entramos neste paradoxo que nos deixa… sem dinheiro.

É o carrocel:

  • precisamos de dinheiro para viver,
  • a busca de dinheiro leva-nos a maior parte da nossa vida (40 anos até à idade da reforma, em prestações de pelomenos 8 horas diárias),
  • acabamos por não viver a vida porque temos que ganhar dinheiro,
  • o dinheiro gasta-se rapidamente e sem fazer o que precisas que faça,
  • e lá vamos nós outra vez à busca de dinheiro, sacrificando tudo o resto.

 

O Paradoxo do dinheiro na nossa sociedade: a maior parte de nós dá voltas e voltas e acaba no mesmo sitio,

Quantas horas por dia dedicas a ganhar dinheiro? Vale a pena o tempo e esforço pelo dinheiro que ganhas?

Quantas oportunidades para viver a vida é que já te negaste porque precisavas de ganhar dinheiro?

Quantas decisões já tomaste únicamente devido às tuas possibilidades financeiras?

É possível que 99% das tuas decisões não foram tomadas por ti – foram controladas pelo dinheiro. Sentiste-te forçado a tomá-las da forma que tomaste por causa do dinheiro… ou a falta dele…. ou o medo de o perder.

 

Como seguir uma vida livre, sustentável, e ética, se não nos conseguimos desligar no “flagelo” do dinheiro? Será possível conciliar uma vida de sustentabilidade e em harmonia com a Natureza com a “sombra  negra do dinheiro” que paira sobre tantos nós?

 

Um dia, a minha irmã Bia conta-me um episódio que aconteceu na Internet.
Ela recebeu uma mensagem de uma pessoa que dizia:
“Eu odeio dinheiro e todo o mal que causa neste mundo. Não preciso de dinheiro para nada, sou completamente auto-suficiente. Como te atreves dizer que dinheiro (querê-lo e ter muito dele) é bom? Temos que viver sem precisar de dinheiro – só assim vivemos de uma forma auto-sustentável e off grid”.
A minha irmã colocou então a seguinte questão: 
“Se não precisas de dinheiro para nada, e é assim tão mau, como pagas a Internet que estás a usar para falar comigo? Com galinhas?” 
Ao longo da conversa, a Bia descobriu que esta pessoa afinal PRECISAVA de dinheiro, apenas não o tinha – estava a viver em casa dos pais e a Internet era paga por eles.
“Não te iludas – ser auto-suficiente, ou viver de uma forma sustentável, não tem nada a ver com viver à custa do dinheiro das outras pessoas, ou viver pobre, em escassez – dinheiro não é mau, nem é bom – é o que fazemos com ele.
 

De certeza que muitos de nós compreendemos tanto um lado desta conversa, como o outro.

E se, como eu, sonhas com aquele mundo idilico em que não existem os flagelos causados pela corrupção, abuso de poder e ganância, é compreensível de magoe um pouco reconhecer o facto que precisamos de dinheiro para sobreviver – uma realidade que muitos acham triste.

Mas não será pior ainda caminharmos em direção de uma distopia? Como a pessoa que, vivendo numa ilusão, nega que precisa de dinheiro para viver, alega uma vida auto-suficiente, quando realmente está a viver à custa do dinheiro dos outros?

 

Realmente, e vais ver quando chegares ao final do artigo, o que faz o dinheiro ser um problema ou uma solução é a nossa relação com ele, a forma como lidamos com o dinheiro na nossa vida e nas nossas decisões do dia a dia.

Como pensamos que não podemos fazer nada sem ele, não pensamos noutra coisa…como uma droga, estamos sempre presos a ele, precisamos sempre dele, e pensamos que não podemos viver sem ele… e ao mesmo tempo parece ser a solução, mas a maior parte das vezes é o problema.

E de repente, a tua vida deixa de ser tua.

  • Não persegues os teus sonhos porque não tens dinheiro.
  • Não segues a tua carreira de sonho porque “não tem saída”.
  • Não viajas porque precisas de um emprego, para ganhar dinheiro, gastá-lo para sobreviver, e ficar na mesma. Mais uma volta ao carrocel.

 

Então, como nos podemos libertar deste paradoxo do dinheiro, se sem ele, não podemos sobreviver na nossa sociedade moderna?

Principio de Permacultura: O problema é a Solução.

Dinheiro é apenas mais um recurso, e, em permacultura, qualquer recurso que não esteja a ser devidamente utilizado num padrão ciclico é considerado poluição.

A nossa sociedade está poluída pelo dinheiro – existe excesso em alguns sitios, onde estagna e apodrece, e existe escassez em outros sitios, onde pouco cresce, e com dificuldade.

 

Mas a solução para “o problema do dinheiro” não é afastarmo-nos dele, mas sim diminuir a nossa dependência TOTAL nes, e melhorar como essa “energia” circula. Mais, uma vez, a permacultura ensina-nos algo valioso: não colocar todos os ovos no mesmo cesto. Ter fontes diferentes para adquirires o que precisas.

Dinheiro, tal como tempo, são apenas medidas de energia para conseguir algo a que te propões concretizar. E quando o dinheiro e o seu ciclo são usados de uma forma sustentável, acontecem coisas fantásticas, como já mostrou Bill Mollison, um dos pais da permacultura – ele sempre incluiu finanças como uma estrutura “invisível” CRUCIAL para o sucesso de qualquer habitat humano sustentável:

Mas, enquanto a nossa sociedade ainda revolve completamente em torno do dinheiro, nós podemos começar a desintoxicar desta dependência na nossa mente com apenas algumas novas ideias acerca da realidade do dinheiro.

Vamos lá melhorar a tua relação com a tua Carteira:

 

#1 Há que mudar o nosso relacionamento com dinheiro. 

[tweet_dis]O dinheiro faz um excelente empregado, mas um péssimo patrão.

Mudas o teu relacionamento com o dinheiro, e começas a ter resultados diferentes com ele.[/tweet_dis]

Começa por deixar de tomar decisões exclusivamente baseado no extrato da tua conta bancária.

Tu és o patrão, não o dinheiro, por isso as decisões devem vir de ti, e não do dinheiro que te diz  instantaneamente “não podes”, sem olhar a mais nada, e sem interesse em soluções. Mais vale quem quer do que quem pode. Destranca a tua capacidade criativa de resolução de problemas e pensa paralelo ao dinheiro.

 

#2 Dinheiro é apenas uma ferramenta. Não é a solução nem o problema.

Uma ferramenta serve um propósito e nada mais.

Uma pistola, ou seja, o objeto em si, não é bom nem mau.
Se estiveres a apontar a um alvo inanimado, não é mau.
Mas se estiveres a apontá-la a uma pessoa, já é.

Tu é que dás o significado às coisas, dependendo da utilização que lhes dás e o resultado.

Com o dinheiro passa-se o mesmo. E como qualquer ferramenta, tem o seu lugar, altura e propósito próprio.

Se queres apertar um parafuso, e puxas do martelo, vais ter um problema.

Se usares a ferramenta certa, da forma correta, dar-te-á o resultado que procuras.

Em permacultura, dinheiro é uma ferramenta importantíssima, um elemento das estruturas invisiveis que ajudam o sonho daquele projeto, eco-casa ou agro-floresta – é transformar dinheiro em algo que te orgulhes e que beneficie a muitos níveis.

 

#3 A Falsa associação na nossa mente que diz que a falta de dinheiro é a raíz de todos os nossos problemas e a razão porque não conseguimos resolvê-los.

O Rui Gabriel contou-me uma história no outro dia de uma senhora que o abordou na Internet e se queixou que não podia fazer muitas coisas na vida dela, incluindo arranjar emprego, porque sofria de depressão. Imediatamente ele perguntou-lhe se ela ganhasse 1 milhão de dólares naquele momento, se ainda se sentiria deprimida.
Ao que a senhora, espantada, respondeu: Não.
Isso imediatamente mudou o paradigma dela, do que ela achava sobre as limitações dela e a sua relação com o dinheiro, e, efectivamente, afiliou-se ao nosso sistema de blogs e da Tribo, e deu um passo na direção das mudanças que queria ver na sua vida.

Se o teu problema é, por exemplo, falta de tempo para fazer o que queres, então a solução é arranjar tempo, não a falta de dinheiro. Faz disso uma prioridade, e não te foques no dinheiro como a solução milagrosa para tudo.

 

#4 Tira o dinheiro do pedestal e põe-o na caixa de ferramentas com todas as outras.

Como dissémos antes, dinheiro é uma ferramenta muito poderosa, mas mais uma vez, tem a sua altura de ser usada.

Como a senhora que negligenciou todas as suas outras capacidades porque estava tão focada na falta de dinheiro, não nos podemos esquecer que temos outras ferramentas essenciais para termos sucesso: tempo, competências, paixão, motivação, resiliência, ética, entusiasmo, conhecimento, iniciativa, etc…

Dinheiro ajuda nas nossas necessidades materiais, mas nós sabemos que não compra amor, não compra relacionamentos especiais e genuínos, não compra momentos singelos, não garante realização pessoal ou sucesso, e, como vemos pela infinidade de celebridades e o seus rastos de escândalos na vida pessoal, não garante felicidade.

[tweet_dis]Há muitas coisas que o dinheiro não consegue fazer por ti, portanto não dês mais importância a essa ferramenta sobre todas as outras. Cada uma tem o seu propósito.[/tweet_dis]

 

#5 Usa as Outras Ferramentas.

Tens tempo, competências, capacidades, potencialidades únicas, motivação, objetivos, SONHOS, pessoas, relacionamentos pessoais e profissionais, etc, etc, ETC!

Usa e desenvolve as outras ferramentas, para não estares tão dependentes na ferramenta que é o dinheiro. Assim, mesmo que não tenhas muito dinheiro, sentes-te seguro que podes ir em frente na mesma porque tens uma caixa inteira de ferramentas ao teu dispor.

 

O que vai finalmente mudar a tua vida é deixares de pensar que dinheiro é um canivete suiço que resolve tudo, e começares a tomar decisões benéficas para a tua vida MESMO que isso não te dê mais dinheiro logo – porque, se dinheiro não é o mais importante da tua vida, mas sim o sonho que queres realizar com a sua ajuda, então não o trates como tal.

 

#6 Desapega-te do Dinheiro Emocionalmente.

Já percebemos que o dinheiro é uma ferramenta. Mas a maior parte das pessoas desenvolve um apego emocional ao dinheiro que não pertence.

Eu sei por experiência própria – principalmente quando, no inicio, decidi que queria levar uma vida mais simples e em harmonia com a Natureza. Ambos esses conceitos – dinheiro e vida “hippie” auto-suficiente, não pareciam encaixar.

Sentimos ansiedade quando precisamos de gastar dinheiro, temos medo de não ter dinheiro, achamos que abrir mão de dinheiro é uma ameaça para a nossa subsistência e agarramo-nos a ele -não só emocionalmente como literalmente – ou, para evitar essa dor de não ter algo que sentimos falta, mentimos a nós mesmos, dizendo que não precisamos dele.

Mas se nos agarramos emocionalmente ao dinheiro, não o podemos USAR da melhor forma para que possa gerar mais, para que possa fazer o que tu precisas que ele faça. Dinheiro é como água numa nora, só atua se a direccionares e deixares circular. Se não libertares a água, não esperes ver a nora a funcionar.

Esta é a principal razão porque a maior parte das pessoas fogem da palavra investimento, mesmo sabendo que investimento, seja de tempo, trabalho ou dinheiro, é necessário ao sucesso e à realização dos seus sonhos.

O objetivo real da pessoa nunca, ou raramente, é dinheiro.

A maior parte das pessoas não quer dinheiro pelo dinheiro em si, mas porque o dinheiro lhes permite realizar os seus objetivos REAIS, como poder dar a melhor vida à sua familia, poder seguir a sua carreira de sonho, poder dar os melhores cuidados a um familiar doente, poder passar mais tempo com a familia e amigos, poder ajudar pessoas e fazer a diferença, criar o estilo de vida que os faz feliz etc…

 

Estou numa tribo onde dinheiro não existe, e eles precisam de uma habitação nova.Se eu lhes der 10 000 dólares, eles provavelmente vão pensar que eu sou doida, “porque é que esta mulher de cabelo amarelo nos está a dar esta coisa esquisita com desenhos?” Não tem significado nenhum para eles, e portanto, não há apego emocional.Mas se, em vez disso, lhes construirmos a habitação, aí já tem significado. Provavelmente ficariam muito felizes. Mesmo que eu tenha gasto os mesmos 10 000 dólares para construir a casa, não é o dinheiro que tem significado, mas sim o sonho.

 

Quando nos desapegamos emocionalmente do dinheiro, estamos a focar-nos nos nossos objetivos reais, e o dinheiro é simplesmente outro recurso que estás a usar para lá chegar.

No fundo, é a tua visão do futuro com que sonhas que te vai dar o entusiasmo e a alegria que te motivarão para a frente, e serás muito mais objetivo nas tuas ações relativamente a dinheiro, porque deixaste de te associar emocionalmente a ele.

Saberás ver mais claramente, e sem medo ou ansiedade, que usando o dinheiro alinhado com as tuas prioridades na vida é o que vai pôr o dinheiro a trabalhar para ti e em direção ao teu sonho.

Tira-o do pedestal, e dá prioridade ao que é REALMENTE importante na tua vida. Aos teus objetivos reais.

Verás que o dinheiro deixa de ser tão importante, e deixarás de te sentir stressado ou ansioso quando pensas nele ou quando decides que está na hora de o pôr a trabalhar para o teu sonho.

 

BÓNUS:

A maior parte do rancor que guardamos em relação ao nosso sistema económico, e ao dinheiro, é realmente a nossa ânsia de ver um recurso com tanto Poder ser utilizado mais em prol do bem das pessoas e do planeta – e quando vemos pessoas a usar “mal” este recurso, faz deflagrar um fogo de ultraje e sede de justiça – de querer mudar para algo melhor.

Gostava que saísses daqui com uma pergunta:

Se afirmamos que faríamos diferentemente, e de uma forma mais sustentável, a aplicação desse dinheiro que vemos outras entidades investir de uma forma egoísta e prejudicial, isso não significa que pode ser a nossa RESPONSABILIDADE ganhar dinheiro com/usando os nossos principios éticos de cuidar das pessoas, cuidar da terra, e partilha de excedentes?

 

Não será hora de tomar responsabilidade por, a nivel individual, mudar o significado do dinheiro em algo que nos faça sentir mais livres, em vez de mais aprisionados? E como podemos fazer isso se não integrarmos o dinheiro como uma semente “joker”, que se pode transformar naquilo que precisas, em vez de ser a raíz dos nossos problemas?

O problema que enfrentamos – o dinheiro – é a solução. Apenas precisamos de entender o bem que pode fazer, e a nossa responsabilidade de o ganhar para poder transformá-lo nisso mesmo: Bem.

 

Quando vais parar de tomar decisões baseado no quanto tens na tua carteira?

O que vais fazer hoje para alavancar o teu estilo de vida?

 

Rute Gabriel

 

Luxo na Simplicidade: Este Chuveiro tem água Aquecida pela Natureza

Luxo na Simplicidade – Nem todos nos podemos dar ao luxo de ter uma vida simples. Isso é para quem não tem contas para pagar, não parece?

A era de luxo decadente “à Trump”, não só enjoa – tanto pela sua saturação como pelas razões éticas de ostentar tanto em prol de algo tão superficial, – como é considerado foleiro, mesmo por aqueles que não se importam em ostentar uma vida “luxuosa”. Hoje em dia “luxo” não é mais uma abundância quase claustrofóbica de excessos concentrados, como ter o nosso próprio arranha-céus com o nosso nome em letras de ouro com 4 metros de altura.

Luxo é o objeto simples e indispensável, é a tecnologia que nos facilita a vida mas que não chateia a vista, é ter os confortos da vida a que o séc.XXI nos habituou de uma forma simples, descomplicada e natural. Hoje, luxo e glamour é o natural, a comida biológica, o fairtrade.

Luxo é Simplicidade Pinterest

Pinterest. Alternativo, ético, ecológico e luxuoso

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

É engraçado que precisámos de viver num mundo de excesso e de consumo extremo para perceber o luxo que é a simplicidade. É elegante, para não dizer ético e ecológico, e faz-nos sentir bem saber que podemos ter todos os luxos e confortos sem o sentimento de culpa do preço que a Terra, e outros seres humanos, terão pago para que nós possamos gozar de tais confortos.

Quando se fala em viver em harmonia com a Natureza, ainda apela a muitas pessoas à velha ideia de viver com muitas dificuldades e pobreza, como os nossos avós, ou associar à distopia dos “grupo de hippies malcheirosos”.

A verdade é que disciplinas como a permacultura procuram soluções económicas, ecológicas, e integradas com as necessidades e conforto necessários para o nosso bem-estar. E isso inclui o um duche de água bem quentinha no final de um longo dia.

E se eu te dissesse que podes ter o luxo de ter água quente sem precisar de gastar gás natural da botija? De facto, se já fazes compostagem, já tens uma fonte de calor inestimável que, com este sistema que te vamos mostrar, podes utilizar para aquecer água para um belo duche de composto!

Sim, leste bem. Estou a falar de luxo, e agora estou a falar que existe tal coisa como um duche de composto.

Se te arrepiaste um bocadinho quando juntei as palavras “duche” e “composto”, não fujas ainda – vai tudo fazer sentido.

Credito de Imagem: Pinterest http://pin.it/zX5SCgu

Credito de Imagem: Pinterest 

chuveiros ecológicos

Crédito de Imagem: knox.Villagesoup.com

 

No projeto Agro-Ecológico da Aldeia do Vale, onde tirámos o nosso Certificado de Design de Permacultura, conhecemos imensas pessoas, projetos e ideias fantásticas que revolvem em torno de um estilo de vida menos dependente do consumo excessivo e claustrofóbico, e mais livre e ecológico.

Estivémos lá durante 14 dias. Éramos cerca de 20 pessoas. E todos nós usufruímos de duches bem quetinhos, diários, aquecidos por uma pilha de composto – não só a água vinha a tais temperaturas que bastava ligar um pouco da água quente para temperar a água fria, como nunca foi necessário trocar a pilha de composto para que continuássemos a usufruir de água quente.

Quanto é que isso teria custado se tivesse sido fornecido através do uso de gás natural? Obrigado ao Mestre Coy por ter tudo explicadinho neste artigo.

De facto, uma pilha de composto deve ser vigiada (principalmente se é composto para a horta) para que não ultrapasse os 60C e não mate os micro organismos que queremos numa pilha de composto de qualidade.

Toda essa actividade dentro da pilha de composto é o que produz todo o calor que queremos aproveitar.

Para isso, a água vem da sua fonte – no caso da Aldeia do Vale, uma nascente – e um tubo leva a água para dentro da pilha de composto. O tubo no interior da pilha está disposto numa serpentina que, quando cheia de água, age como uma caldeira armazenando o máximo de água possível enquanto o calor do composto a aquece. Ui, e se a aquece.

Esse tubo sai pelo fundo da pilha e encaminha a água diretamente para o chuveiro.

ilustração básica de como funciona o chuveiro de composto. Credito imagem: permaculturenews.org

ilustração básica de como funciona o chuveiro de composto. Credito imagem: permaculturenews.org

Para um projeto de sucesso, há que ter em conta a pilha de composto, o sistema de canalização, e a pressão de água. Na Aldeia do Vale, o tanque e a pilha foram colocados num local elevado numa tentativa de criar pressão de água suficiente para o chuveiro usando apenas a força da gravidade, mas por falta de altura para criar a pressão necessária, tornou-se mais vantajoso adicionar uma pequena bomba.

Como permacultura trata de fechar ciclos, não faz sentido investir em, por exemplo, gás natural – um combustível fóssil (e nada barato) – para aquecer água, quando existe uma pilha de composto que agora, não só irá contribuir para um solo mais fértil e maior quantidade e qualidade da comida da tua horta, como está também a criar  energia térmica que, aproveitada, contribui para a tua carteira, bem-estar, higiene, e conforto – e ainda reduz a tua pegada ecológica.

Isto é que é luxo.

 

 

 

Será que chamar Permacultura de “fácil” encaminha os Novatos ao Fracasso?

[fancy_box id=5]Temos o prazer e a honra de ter autorização do Permaculture Research Institute para traduzir para PORTUGUÊS o conteúdo fantástico que eles disponibilizam no blog deles. Achamos o conteúdo deles valiosíssimo e achamos que mesmo quem não sabe Inglês MERECE ter acesso a esta informação. Espero que gostes[/fancy_box]Artigo original em Inglês por Kristan Patenaude 

Permacultura é um conceito relativamente novo para mim – e simultaneamente, não o é. A ideia de trabalhar com, em vez de contra, a Natureza de forma a criar sistemas infinitamente sustentáveis faz sentido para mim a um nível basilar, apesar de não ser uma prática actual minha. O meu passado académico e mentalidade emocional trouxeram-me diretamente no caminho de cuidar da Terra, cuidar das suas pessoas, e devolver qualquer tipo de excedente criado de volta à Terra.

Tem sido uma viagem que me abriu os olhos, mergulhar no mundo da Permacultura e aperceber-me o quão profundamente flui. Em tão poucas palavras, parece como uma forma ideal e fácil de viver.

Mas será mesmo? Se sim, como pode ser transmitido simplesmente a novatos, como eu? E se não é, como podem permacultores partilhar as suas ideias sem dissuadir os mais facilmente dissuadíveis?

Compostagem? Eu faço isso! Agro-florestas? Bem, tenho muitas ervas daninhas no quintal, portanto estou basicamente a fazer isso. Recolher água da chuva? Eu consigo absolutamente fazer isso – e parece tão simples. As pessoas estão a fazer muito da Permacultura parecer fácil e realizável, até para aqueles entre nós que são novos na aprendizagem do tema. Num mundo onde DIY estão prontamente acessíveis no Pinterest, muitas pessoas desejam saltar de pés juntos a experimentar coisas novas.

Queremos acreditar que o produto final que vemos é um que nós iremos capazes de fazer nós mesmos, e que o nosso parecerá exatamente como o que vemos no ecrã. Mas há, claro, os temidos “fails Pinterest” e uma certa quantidade de desânimo que vêm por acréscimo. A percepção que algo não é tão fácil como parece pode ser o que desliga muitos de nós a tentar aprender novas competências.

Para adquirir uma nova audiência, os permacultores precisam de explicar aos “inquilinos” destas práticas sem causar o desânimo e afastamento daqueles que podem não ter sucesso imediatamente, ou que talvez não compreendam as profundezas a que esta ciência pode chegar.

Permacultura não é sempre fácil. Requer algum nível de envolvimento, a ser decidido pelo utilizador. Como Damien Bohler explica em The Essential Practical Nature of Permaculture,

“Permacultura não é difícil e as competências necessárias para implementar design em permacultura podem ser adquiridas por qualquer um, no entanto, são competências que precisam de ser aprendidas. Reconhecer que existe uma necessidade de aprender, que há a necessidade de encontrar um ponto de partida prático, que nem toda a gente pode simplesmente largar tudo e imergir a sua vida num treino a full-time, prático e intensivo…”

green leek plants in growth at garden

Permacultura não é um projeto DIY que deva ser iniciado sem alguma pesquisa inicial, mas deve ser acessível a qualquer um, desde que estejas disposto a trabalhar em direção a um objetivo. Há livros para ler, especialistas no terreno com quem aprender, e cursos que te podem levar tão longe como um Certificado de Design de Permacultura. A um membro recentemente iniciado, a quantidade de trabalho pode parecer avassalador, especialmente quando permacultores experientes dizem que é fácil.

Quão envolvido precisa alguém de estar para ser considerado parte deste movimento? Será que esta cultura se preocupa com as pessoas rejeitarem a ideia pela sua possível complexidade?  Parece que aqueles que conseguem mergulhar com profundidade suficiente para criar complexos sistemas sustentáveis inteiros devem, claro, ser aplaudidos (e de admirar maravilhosamente boquiaberto, se fores como eu) – mas também que qualquer tipo de projeto de permacultura que seja empreendido com energia positiva devem ser homenageados e aplaudidos.

Jonathon Engels, no seu “Se Isso não é Permacultura, o que é?”, ressoa muito com esta ideia.

“Consequentemente, nem todos vão embarcar na mesma missão que o próximo, mas é o esse movimento coletivo na direção em algo verdadeiramente melhor – para nós mesmos, outros, e o planeta – que resulta nas grandes mudanças necessárias.”

Talvez as minhas árvores por podar e pequena pilha de compostas sejam significativas. São importantes porque mostra que estou a tentar estar envolvido em permacultura. Estou a trabalhar para aprender através da leitura e comunicação com os outros. É nestes pequenos feitos que vêm as representações de sucessos maiores de novos permacultores. Quer estas ações tenham sido fáceis para mim, ou incrivelmente dificeis devido a qualquer circunstância, a importância vem do esforço e intenção.

Encorajamento é uma das mensagens mais importantes a transmitir àqueles mais recentes a esta filosofia. Quando um novato tentar criar um sistema solar de bombeamento de água ou um riacho no jardim mas não tem sucesso, reassegurá-la pode fazer a diferença entre tentar de novo ou desistir completamente. Dar confiança àqueles que nós que, efetivamente não sabem o que estão a fazer, mas sabem que querem tentar, pode ajudar-nos a esforçar-nos mais e procurar métodos mais eficientes.

É também vital que se partilhe informação e fornecer treino de modo a envolver mais pessoas. Haverão sempre aqueles que esperam poder atalhar em quantidades significativas de estudo na esperança de encontrar um video rápido que lhes mostrará o que fazer, mas essas pessoas também merecem uma oportunidade de pertencer a este movimento. Eu penso que é por isso que é tão importante reconhecer as dificuldades que acompanham muito da permacultura, enquanto ao mesmo tempo ser uma voz de suporte para aqueles que estão apenas a começar.

Permacultores trazem um grande elemento de inspiração com eles. O seu foco e determinação, quando combinados com compreensão e apoio, podem levar a permacultura a uma nova geração de pessoas que esperam resolver problemas da forma “mais fácil” possível.

Shou Sugi Ban: Uma Forma Simples e Ecológica de Tratar Madeira

Ler Este Artigo Demora-te: 5 min… e não te esqueças de ver o video no final do artigo! 

 

Achas que Arsénico e Cromo são químicos hidrosolúveis ideais para tratar madeira?

Realisticamente a tua resposta a esta minha pergunta não tem grande relevância, a maioria da madeira tratada hoje em dia é maioritariamente tratada com hidrosolúveis com estes dois químicos como principais componentes.

Já alguma vez pensaste que pudesse existir uma alternativa viável a esta prática comercial/global?

Neste artigo vamos mostrar-te como tu próprio podes tratar a tua madeira contra fungos, bactérias e ainda a protegeres contra o fogo de uma maneira simples e ecológica.

A esta técnica que vamos falar hoje, os Japoneses chamaram Shou Sugi Ban (ou Yakisugi) à centenas de anos atrás.

 

O que é o Shou Sugi Ban?

Esta técnica consiste em queimar a parte exterior da madeira, raspar a camada escura de lignina que é criada pela celulose a arder, molhar a madeira e selar com óleo de linhaça ou óleo de Tung.

Não existem registos das origens desta técnica, mas temos conhecimento que construtores já a usavam no século XVI como forma de tratar madeiras, normalmente cedro, contra climas muito húmidos, que tornavam a construção com madeira pouco viável devido ao apodrecimento da mesma através de fungos e bactérias.

O Shou Sugi Ban, por mais incrível que pareça, também tornava a madeira resistente a fogos.

Na minha opinião pessoal, este tratamento de madeiras, além de todas as qualidades acima referidas, ainda tem a vantagem de ser estéticamente atraente.

Ao longo do tempo, a prática de chamuscar o exterior da madeira deu lugar a tratamentos químicos (que incluem componentes como Arsénico e Crómio) e para satisfazer a estética começaram a pintar a madeira com uma tinta preta que se assemelha ao aspecto original da madeira queimada.

Se me perguntares qual é a razão pelo qual existiu essa transição, não te sei responder ao certo, mas o mais provável é ter sido um decisão a nível comercial, com o objectivo de conseguirem tratar mais madeira num curto espaço de tempo para satisfazer o mercado.

O meu objectivo com este artigo é partilhar contigo uma alternativa aos vernizes e hidrosolúveis que afectam directamente a terra onde contactam, e não tem tanto resultado como o Shou Sugi Ban.

Já li que madeira tratada com esta técnica e sem manutenção alguma, consegue ficar preservada durante 80 anos.

Yakisugi Infograf

Aplicações Práticas

Aqui no Eco-Projecto Chão das Pias, deparamo-nos com esta técnica quando fomos à procura de soluções para usar madeira não-tratada que tinhamos na garragem, para construir uma casa de banho seca na rua.

Obviamente que a primeira recomendação apresentada foi para usarmos um verniz ou uma tinta selante. Na nossa cabeça, foi bastante óbvio que essa prática não era ecológica. Não foi preciso pesquisar durante muito tempo para encontrar a técnica Shou Sugi Ban, aliás, estava em todo o lado como a melhor técnica em termos de qualidade do tratamento, acabamento estético e ecologia.

Decidimos aplicá-la nos barrotes e madeira necessária para construirmos a estrutura da nossa casa de banho seca. Foi tão simples que até parecia mentira.

Nós usámos um maçarico para tornar o processo mais rápido, mas se quiseres podes fazer uma fogueira e usá-la para queimar a madeira. Após isso, usámos um esfregão de arame para raspar a camada residual de pó preto que ficou na madeira, molhamos e depois de seca passamos uma camada de óleo de linhaça em toda a superficie.

Como já podes entender, é um processo simples que qualquer um consegue fazer em casa, e é mais um passo em prol da ecologia.

Este exemplo foi o mais pertinente no Eco-Projecto Chão das Pias, mas existem infinitas aplicações para o Shou Sugi Ban. Este Natal, quando decidimos que queriamos fazer os presentes nós mesmos, fizemos presentes utilizando esta técnica, não tanto para efeitos de preservação mas sim pela estética,  como podes ver na foto abaixo.

 

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Espero que este artigo tenha sido útil para ti. Se já conhecias este conceito partilha conosco as aplicações práticas em que usaste o Shou Sugi Ban e se tiveres mais informações que não encontraste aqui, por favor partilha-as conosco e com todos os outro leitores deste blog para que possamos todos aprender mais.

Se tiveres informação extra para partilhar com a malta estamos abertos a todas as opiniões e promovemos o desenvolvimento de ideias novas – deixa o teu feedback nos comentários ou nas redes sociais!

 

Porque Os Nossos Espaços Urbanos PRECISAM de Permacultura: O Problema É a Solução!

Temos o prazer e a honra de ter autorização do Permaculture Research Institute para traduzir para PORTUGUÊS o conteúdo fantástico que eles disponibilizam no blog deles. Achamos o conteúdo deles valiosíssimo e achamos que mesmo quem não sabe Inglês MERECE ter acesso a esta informação. Espero que gostes
Artigo original por Rebecca McCarty
 

De acordo com as Nações Unidas, estima-se que, até 2050, aproximadamente 66% da população mundial habitará em cidades. As consequências dessa estatística para a Humanidade e para o nosso meio ambiente são enormes. Como as cidade são tipicamente muito “recurso-intensivas”, exigindo vastas quantidades de energia, água, alimento, e outros recursos naturais, estas colocam um fardo muito pesado sobre o nosso planeta para as gerir. No entanto, não tem que ser assim.

Áreas urbanas providenciam um laboratório perfeito para a transformação no nosso mundo num que seja sustentável. Em vez de serem um tremendo escoamento do nosso meio ambiente e recursos naturais, as cidades podem se tornar auto-sustentáveis e satisfazer as necessidades de cada habitante. Ao implementar design em permacultura e outros princípios de vida sustentável, as cidades podem produzir a sua própria energia, reciclar recursos contínuamente, produzir os próprios alimentos, e capturar e conservar água.

Ao integrar design em permacultura no planeamento e construção urbana, e também na forma como habitamos nas cidades, podemos produzir e reciclar muito do que necessitamos, e não precisamos mais de colocar um fardo indevido nos recursos que exploramos nas nossas zonas rurais. Isto permitiria muitos ecossistemas, como florestas, recuperarem, e poderíamos mais facilmente trabalhar para restaurar paisagens degradadas por este mundo fora, que ajudaria a restaurar o solo, os terrenos, os nossos ecossistemas globais, e sustentar as necessidades básicas da Humanidade.

Apesar do Ser Humano ter, de facto, causado muitos danos no planeta, nós somos inerentemente parte da Natureza, e portanto, podemos ter um papel importantíssimo na reabilitação do nosso planeta.

Apesar de transitar em direção a este futuro sustentável requerer um vasto salto na forma como, enquanto espécie, vivemos em relação ao nosso lar aqui na Terra, para uma forma de vida que muitos talvez ainda não se sintam preparados, existem muitas formas de começarmos a pensar sobre, e a transitar para essas possibilidades hoje.

Vale a pena considerar que nenhum dos maravilhosos avanços humanos que temos hoje, como a eletricidade que estás a usar neste preciso momento para ler este artigo, apareceu por acaso. Foram desenvolvidos porque pessoas trabalharam arduamente para o fazer acontecer, e essas mesmas pessoas provavelmente até falharam algumas, ou até muitas vezes, ao longo do caminho antes do sucesso ter acontecido.

Estas são apenas algumas das muitas formas como a permacultura tem o potencial de nos auxiliar a atacar os desafios mais iminentes com que nos deparamos nas áreas urbanas em todo o mundo.

 

1.USO ENERGÉTICO

Hoje em dia, espaços urbanos em todo o mundo usam e importam enormes quantidades de recursos energéticos (frequentemente baseados em combustíveis fóssil) para conduzir electricidade, operar sistemas de aquecimento e arrefecimento de prédios, assim como operar muitos outros elementos de infra-estruturas como bombas de água e tratamento de esgotos.

Solar panel on a red roof

Permacultura oferece soluções práticas a este problemas, tais como incorporar design solar passivo, tratamento de resíduos natural, implementação de eficiência energética, apoiar recursos energéticos renováveis como solar e eólico, e a construção de prédios e habitações que não só não requerem energia exterior a elas para climatização, como também produzem a sua própria energia e alimentam a cidade com o excesso dessa produção de energia doméstica.

 

2. O EFEITO DA ILHA TÉRMICA URBANA

Vastas faixas de betão, aliado à geral falta de árvores e outra vegetação em áreas urbanas, levam à retenção de calor solar e um aumento geral das temperaturas acima do que se observa nas áreas rurais circundantes. Isto leva a um risco acrescido de sobre-aquecimento de indivíduos vulneráveis, e requer também um aumento do consumo de electricidade necessário para manter os prédios frescos durante os dias quentes de Verão.

Design em permacultura pode ajudar esta questão de uma forma abismal aumentando de forma generalizada a cobertura vegetativa em espaços urbanos através da plantação de vegetação – através do estabelecimento de espaços verdes, jardins e bosques alimentares, o plantar de árvores e arbustos, a re-vegetação de espaços urbanos abandonados, e a restauração de paisagens naturais.

Ao aumentar os espaços verdes presentes nas áreas urbanas, a energia solar é capturada para utilização pelas plantas em vez de aquecer o betão, assim como o ambiente urbano circundante. Telhados Verdes instalados no topo de prédios citadinos também podem reduzir tanto o gasto energético desses prédios e habitações, como reduzem também o efeito de ilha térmica urbana.

 

3. EXIGÊNCIAS E DESPERDÍCIO DE RECURSOS NATURAIS

É absolutamente verdade, com algumas exceções, que as cidades importam vastas quantidades de recursos, enquanto exportam enormes quantidades de lixo. Nem na nossa imaginação é isto de alguma forma sustentável. Nenhum ecossistema na Natureza opera assim, senão, simplesmente deixaria de funcionar num curto espaço de tempo. É imperativo que as nossas cidades comecem a funcionar muito mais como ecossistemas, e reciclem e explorem recursos dentro delas mesmas de uma forma muito mais eficiente.

Apesar da reciclagem de materiais como garrafas, latas, e papel ser absolutamente necessário, existem ainda muitos recursos que nãosão recicláveis e ainda hoje acabam nas lixeiras. Nós temos que planear e fazer coisas que podem ser usadas repetidamente e que não poluam a nossa terra, água, ar, e os nossos próprios corpos. Os nossos restos alimentares podem ser re-utilizados como composto para criar solo saudável. Até os nossos dejetos humanos podem ser re-utilizados para paisagens e combustível, se o design e planeamento de sistemas seguros for eficaz e utilizados responsavelmente.

Cidades são locais ideais para sistemas de reciclagem e reutilização porque já existem os sistemas de infra-estruturas e transporte necessários para os suportar.

 

4. ALIMENTO E FOME

Permacultura distingue-se na demontração do quão eficiente pode ser a produção alimentar em praticamente qualquer lado, desde hortas comunitárias, a camas hugelkultur, e jardins de aromáticas em espiral em quintais, jardins de telhado/terraço, a quintas urbanas sustentáveis, plantar jardins em varandas, produzindo tanto plantas comestíveis e peixe através de aquaponia, até a plantar dentro de casa.

Tomato seedlings

Com tantas opções, há muito poucas razões porque todas as familias não podem estar a cultivar seja o que for. O que precisamos é que aqueles que têm conhecimento em permacultura e agricultura sustentável mostrem como cultivar algo, motivar outros, e empoderar outros com as ferramentas que precisam para o fazer acontecer.

 

5. ÁGUA

À medida que água se torna um recurso cada vez mais escasso por todo mundo nos dias que correm, água é um recurso natural em que absolutamente temos que nos focar nas nossas áreas urbanas e para a qual precisamos encontrar soluções sustentáveis. Simplesmente não conseguimos viver sem água potável. Nas nossas cidades, ora estamos a desperdiçá-la, ora não temos que chegue devido a secas, ora estamos a lidar com desastres naturais relacionados com ela – como inundações, ora temos comunidades a ter que lidar com águas contaminadas.

A poluição do rio Tejo devido à falta de responsabilidade ética das empresas e autarquias que o usam. Manifestação de defesa do nosso rio Tejo agendada para 4 de Março de 2017, organizado pela ProTejo.

 

Permacultura oferece muitas soluções para desafios de recursos hídricos em áreas urbanas. Águas que escoam de superfícies impermeáveis podem ser mitigadas e capturadas incorporando jardins de chuva, pantanais, e superfícies permeáveis dentro das nossas paisagens urbanas. Inundações podem ser mitigadas através da plantação de vegetação perene de raízes profundas e swales na paisagem, o que não só abrandará o correr das águas através da topografia, como também ajudará a recarregar aquíferos que providenciarão água quando outros recursos hídricos escasseiam.

Podemos também implementar a captura e armazenamento de água da chuva em espaços urbanos, eliminar a prática devassa de regar enormes relvados inúteis, fazendo um design paisagístico adequado ao clima local, como “xerigismo” [paisagismo seco: “xeros” grego para seco], alfombra dos nosso jardins e plantas em vez de regar desnecessariamente, implementação de tratamento de resíduos e esgotos naturais e eficazes, e eliminação do uso de químicos tóxicos nos nossos relvados e jardins que se infiltram e poluem as nossas fontes de água.

 

6. POBREZA E DESEMPREGO

Neste caso, o problema é mesmo a solução! Enquanto o atual sistema económico extrativo considera a abundância de desempregados e sub-empregados como uma “externalidade”, realmente é-nos apresentada uma oportunidade ideal para criarmos uma vida sustentável para a Humanidade restaurando o ambiente da Terra, produzindo comida, e sarando o planeta, e nós mesmos.

O problema tem sido o facto que a economia extrativa ter assumido que recursos naturais são inesgotáveis, e que as pessoas são dispensáveis.

E se desenhássemos uma nova economia sustentável onde as pessoas são de facto consideradas recursos valiosos pelos seus talentos, competências, e valores como seres humanos que encontram soluções para alguns dos maiores desafios com que nos deparamos enquanto espécie? E se o nosso ambiente fosse totalmente reconhecido na nossa economia e tratado como o recurso inestimável que realmente é e não pode ser substituído? Poderemos realmente acabar com uma economia sustentável que leva ao bem-estar e abundância para todos.

 

7. RESGATE DE POLINIZADORES

Porque a permacultura encoraja ecossistemas naturais e produção alimentar sustentável, controlo de pragas natural, encoraja plantas nativas que alentam polinizadores, e não usa químicos tóxicos que os matam, temos uma oportunidade real em áreas urbanas de apoiar populações saudáveis de polinizadores.

De facto, com o uso tão generalizado que químicos agrícolas que matam polinizadores nas áreas rurais, polinizadores nas áreas urbanas podem até ajudar a salvar a sua própria espécie. Todo o esforço conta.

 

8. TRANSPORTE

Pessoas que habitam nas áreas urbanas têm uma oportunidade real de reduzir a pegada ecológica do transporte que utilizam. Em espaços urbanos, podemos andar de bicicleta, caminhar, usar transportes públicos para nos descolarmos na cidade, e normalmente não temos que ir muito longe para adquirir os recursos que necessitamos, como roupa ou comida.couple of friends young man and woman riding bike

Se temos que conduzir para algum lado, existem agora recursos acrescidos disponiveis nas cidades, como programas de partilha de veículos como o BlaBla Car, estações de carregamento de carros híbridos e até bicicletas para arrendar, além da melhoria dos transportes públicos nos espaços urbanos e inter-urbanos.

 

9. PERDA DE HABITAT NATURAL DEVIDO A EXPANÇÃO URBANA

Graças ao aumento do açambarcamento de habitats naturais pelas nossas cidades e subúrbios, o planeta está a sofrer uma enorme fragmentação de habitat, ameaças a muitas espécies de vida selvagem, e perda de ecossistemas funcionais.

No entanto, se começarmos a planear e re-desenhar os nossos espaços urbanos usando permacultura e outros sistemas de planeamento e paisagismo sustentável, talvez consigamos reduzir esta maré cheia de destruição de habitat, reverter muito dos danos causados, e finalmente, transformar as nossas residências em algo que imite e opere muito mais com a Natureza.

O objetivo último da permacultura é viver em harmonia e integrados com o nosso meio ambiente natural. A paisagem urbana é o ambiente perfeito onde a Humanidade pode aprender a transformar esse sonho numa realidade.

DIY Trator de Galinhas com Materiais Reciclados

A Primavera está a chegar e está a chegar a hora de ir cuidar dos jardins, quintas e hortas.

E se pudesses fazer todo esse trabalho de preparar a terra para cultivo SEM TERES DE SER TU A FAZÊ-LO? E se eu te dissesse que isso não só é possível, como podes ao mesmo tempo, fertilizar a terra, ganhar recursos como alfombra e composto, e até carne e ovos?!

Estamos a falar acerca do conceito de Trator de Galinhas, que decidimos aplicar e testar no Eco-Projecto Chão das Pias. O primeiro contacto que eu e a Rute tivemos com este conceito foi através de um video de Joel Salatin.

É um exemplo perfeito dos benefícios da aplicação de permacultura nas nossas casas, quando a interligação de funções para o bem do espaço e dos seres vivos que habitam esse espaço resolvem problemas, geram recursos, e poupam trabalho.

É também, na nossa opinião, um dos projetos mais fáceis de implementar se queres começar a ser um pouco mais auto-suficiente, diminuir a tua pegada ecológica, e transitar para uma vida mais sustentável e ecológica. Mostra facilmente como fechar ciclos de recursos pode trazer muita abundância onde antes só havia gastos e desperdício.

 

Neste artigo vamos abordar:

– O que é um Trator de Galinhas:

Conceito

Funções

– Como construir um Trator de Galinhas:

Planear antes de construir

Que materiais usar

Construção e Planos

– Versão 2.0 Trator de Galinhas em “Esteróides”

E não te esqueças de ver o video no final do artigo!

 

 

O que é um Trator de Galinhas

 

 

Conceito

Todos sabemos que hoje em dia, a nível comercial, as galinhas são cria

 

das em gaiolas ou espaços fechados, com dietas à base de milho (OGM) e vitaminas para que tenham um crescimento mais rápido e com carnes mais tenras.

A nível doméstico, normalmente têm mais espaço, mas as capoeiras são construidas no local permanentemente, o que quer dizer que o sítio verde a que vão ter acesso, rápidamente se transforma num chão sem vegetação (ou, em alguns casos, têm a

penas chão de cimento) e completamente compactado devido às galinhas circularem no mesmo sítio dia após dia, o que leva o indivíduo a ter que recorrer a milho (OMG) e vitaminas para as alimentar e as manter saudáveis. No final das contas o dinheiro investido para ter uma capoeira é superior a ir comprar carne de galinha e ovos ao supermercado.

O conceito do Trator de Galinhas é interessante porque corta essas despesas extraordinárias, as galinhas vivem felizes ao ar livre, alimentam-se da vegetação do local e dos restos da cozinha, transformando algo que ia ser desperdiçado em recursos úteis.

Nós próprios temos a capacidade de as mudar de sítio por obs

ervação, evitando o compactamento do solo.

Não é necessário ser cientista para entender que o Trator de Galinhas é muito mais interessante do que as técnicas mais comerciais de criar galinhas para carne e ovos, esquecendo o seu próposito e utilidade como espécie. Se bem que ajuda muito ter um cientista por perto na hora de entender os detalhes químicos e fisicos ao implementar um projecto de Permacultura, leiam o que o meu amigo e cientista preferido Mestre Coy anda a escrever, vale a pena.

 

 

 

Funções

Como referi antes, todos os elementos em Permacultura têm que ter vários propósitos/utilidades para conseguirmos criar uma sinergia saudável entre elementos do projecto, Humanos, Animais, Abrigo, Horta, Agro-floresta…etc, tudo tem que estar conectado de alguma maneira mimicando ecosistemas naturais.

1. Pastoreio e Preparação de terreno para Cultivo

No nosso caso, quando começamos este projecto estava tudo coberto de escalracho, e para quem já teve que lidar com esta relva, sabe que é um pesadelo. Tem raizes muito fundas e fortes, propaga-se por guias rápidamente e não deixa crescer mais nada à sua volta.

No ínicio do projecto, o nosso principal objectivo era arranjar maneira de remover o escalracho (um relvado super invasor) para podermos ter a nossa horta. Eu passei dias a remover escalracho do terreno e era uma actividade dura e sem fim.

Um dos principios da Permacultura é “Usar Soluções Pequenas e Lentas”, mas naquele momento eu não estava a fazer isso, eu queria despachar aquela parte para chegar à parte que realmente me iria dar gozo, estava a tentar encontrar a solução mais rápida possível, mas que nem sempre é a melhor – ou a mais fácil para nós.

Quando encontrámos o video do Joel Salatin, ideias começaram a surgir. Nós queriamos aplicar a ideia do Trator de Galinhas ao nosso projecto para que nos ajudassem com a jardinagem. Construimos o nosso Trator de Galinhas, trouxemos as galinhas e começámos a pôr o plano em ação.

No ínicio tinhamos 3 galinhas a ajudar-nos com o escalracho. Comeram muito e usaram as suas unhas afiadas para virar a terra em busca de insectos e micro-organismo que estavam debaixo do tapete de escalracho. Não o conseguiram remover  todo mas ajudaram MUITO: pisaram, arranharam, comeram até não conseguirem mais. Após algumas semanas, o meu trabalho foi muito, mas MUITO mais fácil.

 

2. Estrumar

Como viste na foto acima, o nosso trator de galinhas tem o aspecto de uma casinha, sendo a parte do telhado o patamar onde elas dormem, e a parte de baixo uma zona aberta mas vedada para lhes dar acesso ao chão com vegetação e tambem servir como zona de sombra.

No nosso caso, no inicio não tinhamos particular interesse que elas estrumassem a área de pastoreio porque estavamos a tentar livrar-nos do escalracho e não fertilizá-lo com estrume de galinha.

Arranjamos uma solução que iria resolver dois problemas, o facto de não termos palha suficiente para fazer tudo o que queriamos no projecto, e aproveitarmos o máximo de estrume possivel.

Como íamos precisar de palha para alfombrar (mulch) e também para fazer a cama das galinhas, decidimos construir uma pequena caixa para anexar ao trator de galinhas para elas porem ovos e chocarem novos pintos num sítio seco e quentinho, sendo necessário mudar essa palha uma vez por semana.

Na parte de cima onde elas dormem, colocamos uma camada pequena de palha que, especialmente no inverno, se suja mais rápido, sendo assim necessário mudar a cama delas de três em três dias.

Toda essa palha usada pelas galinhas é colocada numa pilha bem compactada e é deixada à chuva até compostar. Como a palha tem muitas sementes, mesmo depois de passar pelas galinhas algumas sementes vão continuar lá.

Se usares palha (e não feno) para alfombrar (mulch) a tua cama elevada, horta em mandala, quintal, etc… as sementes da palha irão germinar e vai ser uma trabalheira para ti no futuro livrares-te dessas ervas daninhas –principalmente se, como nós, não queres usar herbicidas ou pesticidas.

Ou seja, a palha é usada DUAS vezes, o que significa que precisamos de metade da quantidade. A palha começa por fazer de cama para as galinhas, que a fertilizam com o seu estrume – que depois é compostado completamente para fazer solo ou deixado apenas apodrecer as sementes restantes da palha para se poder fazer, desta vez, uma cama para a horta – a alfombra (ou mulch).

Para teres uma noção de números e quantidades, com este método e seis galinhas, conseguimos ter alfombra (mulch) para cobrir uma cama elevada com 7 metros de comprimentos por 1 metro de largura em 4 meses.

 

3. Manutenção

Já depois de teres o design do teu terreno feito, ou pelo menos com algumas áreas estabelecidas, após as últimas colheitas de uma estação podes usar o teu Trator de Galinhas para tratar da tua horta. As galinhas vão esgravatando o chão enquanto o estrumam, para que, quando chegar a próxima altura de plantações, ser só preciso semear/transplantar as tuas sementes/mudas preferidas.

 

4. Comida (não aplicável para Vegetarianos, Vegans ou Crudistas)

Esta é a função dos Trator de Galinhas que levanta mais criticas ou discuções saudáveis, nós não somos fundamentalistas e agradecemos que transmitas sempre as tuas ideias com amor, estamos mais do que abertos a ouvir o que tens para dizer, mas lembra-te que cada um tem as suas ideias e todas as opiniões são válidas partindo das 3 éticas da Permacultura, Cuidar das Pessoas, Cuidar das Plantar, Partilha Justa.

Dito isto, o facto de poderes ir buscar ovos de manhã e cozinhá-los na hora sabe tão bem!!

Tem sido um desafio ter ovos suficientes com 6 galinhas e uma casa com 10 pessoas nos dias calmos, mas faz tudo parte do processo, analisar os gastos de ovos e carne por ano para teres o número certo de galinhas a dar-te X ovos e X kg de carne por ano. Tens que ter sempre pintos e nascer para poderes ir comendo as galinhas já criadas, nisso terás que fazer as contas segundo a tua rotina.

 

Como construir um Trator de Galinhas

 

Planear antes de construir

Se for a tua primeira vez a construir um Trator de Galinhas o único segredo é fazer, meter as mãos na massa depois de estudares o conceito e ires aprendendo com os teus erros. É importante decidires previamente quantas galinhas queres receber no teu Trator de Galinhas, para teres em conta o espaço necessário para as acondicionar, sabendo que cada galinha necessita de 1 m2 na área de pasto, se lhes deres menos do que isso vais ter que as mover mais vezes.

Apenas por observação vais poder encontrar o rácio perfeito e tudo depende da razão porque as queres e quais são as tuas prioridades.

Inicialmente nós quisémos começar com poucas porque ainda não estávamos interessados em criar frangos para comida. Queriamos tirar melhor proveito dos ovos, e das funções naturais das galinhas de limpeza do solo e do seu estrume.

Aqui no projecto estudámos o conceito, cruzámos informações de malta que já o tinha feito, e até encontrámos um plano na internet de um Trator de Galinhas que nos interessou e por onde nos inspirámos para construir o nosso.

No final, ficou bastante diferente do plano por onde nos inspirámos porque não o copiámos à risca, implementámos ideias e ajustámos ao nosso gosto pessoal – a estética do nosso projecto conta muito e tentamos sempre manter as coisas apresentáveis e fáceis de usar.

Isto para dizer que planear é necessário, sim, mas nós Humanos temos a mania de ser perfeccionistas e no final das contas feitas na maioria das vezes só complicamos coisas simples.

Planear é importante para saber que materiais vais precisar e quanto dinheiro vais ter que gastar. Aqui no projecto decidimos colocar um desafio a nós mesmos: construir o nosso Trator de galinhas só com materiais que tinhamos em casa, decidimos reciclar o “desperdício” que tínhamos.

Posso dizer-te que foi por pouco que não conseguimos construir o trator sem gastar um único cêntimo: só não conseguimos porque queríamos isolar melhor o dormitório das galinhas para estarem mais confortáveis em dias de chuva e frio. Comprámos uns metros de policarbonato fino e uns colchões de yoga que ao todo nos custaram 22 euros. Podes sempre ver o video no final do artigo para visualizares o que estou a escrever.

 

 

Que materiais usar

Recomendamos que antes de comprares materiais novos, recicles o que tens, mas não te esqueças que nem tudo serve – por exemplo, podes ter muita madeira num canto no entanto se não for madeira tratada, com as chuvas vai começar a apodrecer e vais ter que arranjar uma solução quando já tiveres galinhas a viver no teu Trator de Galinhas.

É melhor fazeres um inventário de todo o material que tens e teres em conta o impacto climático nos mesmo (por exemplo: se tiveres chapas de metal e as usares para construir um Trator de galinhas numa zona do mundo onde faça muito calor, vais esturricar as tuas galinhas).

Tudo tem que ser feito com observação e criatividade mas sem fundamentalismos.

Usa os teus recursos a teu favor e para o bem comum.

 

Construção e Planos

Lista de materiais usados no nosso Trator de Galinhas

  • 4 cavaletes de madeira (o AKI tem cavaletes a cerca de 2 euros cada)
  • Plástico-bolha
  • 6 colchões de Yoga (entre lojas dos chineses, AKI, etc, encontram-se a 1 euro cada)
  • Manga Plásica grossa (nós usámos uma piscina de crianças furada)
  • 5 paletes (só usamos as tábuas, sobrou bastante madeira)
  • Rede de Galinheiro
  • 4 dobradiças
  • T’s, L’s e outras ferragens de suporte
  • Pistola de pregos ou prego e martelo
  • Agrafos para madeira
  • Serra manual

Toda a estrutura do Trator de Galinhas foi feita com 4 cavaletes que tinhamos na garagem e nunca eram utilizados – retirámos as dobradiças e abrimos os cavaletes até obtermos a largura pretendida. Fizémos isso com 3 cavaletes e colocamos todos eles alinhados e conectados, com ferragens que tinhamos guardado de outros projectos.

No início estávamos a seguir à risca os planos que nos inspiraram, mas rápidamente nos apercebemos que se continuássemos a construir o nosso trator de galinhas como tínhamos visto nos planos, não iria satisfazer as nossas necessidades nem as das galinhas.  Foi aí que decidimos alterar um pouco os planos ao nosso gosto.

 

Inicialmente estávamos a pensar construir o nosso Trator de Galinhas apenas com os cavaletes abertos e alinhados, acabando com uma forma triângular, sendo 1/3 dormitório e os outros 2/3 espaço aberto com rede para elas poderem andar durante o dia.

Aí é que estava o problema: eu e a Rute achámos que não seria espaço suficiente para a quantidade de galinhas que queriamos implementar no projecto, e iriam acabar por estar engaioladas na mesma.

Decidimos fechar 2/3 da estrutura inicial para dormitório e construir um patamar inferior, esse sim vedado com rede, para, em dias de muito calor, as galinhas terem uma área com sombra para se protegerem.

Assim, a estrutura final ficou com o formato de uma casinha, com umas escadas para se empoleirarem e também terem acesso ao dormitório.

Para construir as escadas e suportar o peso das galinhas no dormitório, visto que agora iriam dormir no primeiro andar, usamos 1 cavalete cortado com as medidas pretendidas.

 

Para fazer o chão do dormitório usamos a parte de trás de alguns quadros, é um material feito de madeira processada, não é muito resistente mas serviu para o propósito, era leve e maleável e evitámos gastar dinheiro.

Sobre esse chão base, colocámos duas camadas daquele plástico com bolhas (que todos gostamos de rebentar com as mãos) que normalmente é usado para proteger pacotes frágeis quando enviados pelo correio. Por cima desse plástico, colocamos uma camada de colchões de Yoga para isolar do frio que vinha de baixo, para as galinhas estarem o mais confortáveis possivel.

 

Para nos facilitar o trabalho de limpar o dormitório, sobre as camadas de isolamento colocamos um plástico grosso que veio de uma piscina infantil insuflável que já estava estragada.

Com o chão feito, incorporámos a rede nos locais pretendidos, deixando a área do dormitório sem rede visto que irá ter um telhado isolado e portas para podermos ter acesso aos ovos e mudar a palha quando necessário.

 

Após a rede estar instalada, afixamos o barrote de transportação a atravessar o galinheiro para o peso ser distribuido por duas pessoas, da mesma forma que se transportaria um andor numa procissão.

Colocámos o policarbonato fino em duas partes sobrepostas, por cima do dormitório para promover um ambiente seco para as galinhas, e por cima disso colocámos colchões de Yoga para isolar do frio.

Com isso feito começámos a construir o telhado. Começámos pela parte de trás e pelo lado onde não iria ter as portas visto que o telhado com as portas requeriria outro tipo de construção.

Usámos tábuas de paletes tratadas, visto que o Trator de Galinhas iria ter que aguentar as chuvas. Conseguimos juntar cinco paletes das quais quatro foram usadas para o telhado e a quinta para as portas.

 

Para construir as portas, como disse antes, usamos tábuas de palete e ferragens que tinhamos guardado de projectos anteriores. A primeira tábua acima da porta é mais larga que as outras para evitar que a chuva entre pelas ranhuras das dobradiças, imitando uma caleira.

 

 

Acabámos o Trator de Galinhas fazendo um remate no topo do galinheiro e decorando ao nosso gosto. Colocamos umas flores à volta do Trator de Galinhas e uma galinha de plástico no topo do telhado, são pequenos detalhes que não faziam falta mas dão outro brilho ao projecto.

 

 

 

 

 

 

Versão 2.0 Trator de Galinhas em “Esteróides”

 

Com a implementação do nosso Trator de Galinhas veio muita aprendizagem por experiências, e ideias foram aparecendo para melhorarmos o projeto. Estamos agora a testar um conceito que vimos num video partilhado pelo Geoff Lawton chamado Trator de Galinhas em “Esteroides” e recomendo que o vejas, é muito interessante e dá-te informação muito útil se quiseres dar mais uma função ao teu Trator de Galinhas, neste caso, as galinhas fazerem-te pilhas de composto no local onde o vais usar.

Neste video Geoff recomenda usar 25 galinhas para elas te ajudarem a fazer uma pilha de composto de um metro cúbico TODAS AS SEMANAS, a partir da 5ª semana de implementação. Dá uma vista de olhos e aproveita todo o conhecimento que aquele senhor tem para ensinar.

Não tens interesse em galinhas? Podes aplicar o mesmo principio de uma habitação móvel para pastagem rotativa com outros animais: perus, patos, gansos, e até porquinhos da índia e coelhos! Lembra-te sempre de aplicar os princípios de permacultura para que os novos elementos (estruturas e seres vivos) que estás a introduzir sejam integrados da forma mais harmoniosa e benéfica possível para o teu espaço e estilo de vida.

Se este artigo te inspirou de alguma forma, manda-nos fotos do teu próprio projeto e dicas de trator de galinhas nos comentários ou na nossa página de Facebook – pode ser que o teu modelo inspire outros a fazer o teu próprio “hotel” de galinhas.

Se tiveres informação extra para partilhar com a malta estamos abertos a todas as opiniões e promovemos o desenvolvimento de ideias novas – deixa o teu feedback nos comentários ou nas redes sociais!

A nossa Experiência de Shinrin Yoku: Respirar a Floresta

Alguma vez fizeste uma sessão de Shinrin-Yoku, ou “banhos de floresta”?

Shinrin-Yoku é a palavra japonesa que simplesmente significa “respirar a floresta”: perderes-te nos odores e na paisagem que te rodeia, nos sons dos animais e do vento, no ar fresco e no sossego, especificamente com o propósito de melhorar a tua saúde e o teu bem-estar mental, emocional e até espiritual.

Era Dia de Halloween e os anos do Pipo. E depois de termos regressado a Toronto à cerca de 1 mês, ainda não tinhamos tido a oportunidade de sair da cidade.

Entrámos no carro do Nick essa manhã. “You haven´t really met Mother Nature until today”.

Chef, dono do seu próprio negócio em produção agrícola biológica desde 2014 e mestre em forrageamento pelas florestas canadianas, mas também meu primo doido pela Natureza, o Nick decidiu “apresentar-nos oficialmente” à Mãe Natureza, como ela se mostra aqui no Canadá.

Ficou decidido que íamos apanhar os nosso banhos de bosque no Parque de Killarney em Ontario, antes que a chegada do Inverno nos impedisse de o fazer até à Primavera.

O Parque fica a cerca de 5 horas de viagem de Toronto. Quem acha que isso fica no meio do nada (e fica), não sabe a beleza que o meio do nada pode oferecer.

O ar estava cada vez mais límpido, mas igualmente aguçado. Depois de umas horas no carro, parecia que o dia já estava a acabar. O dia escureceu rapidamente à medida que continuávamos rumo ao Norte. O relógio indicava 13:00, mas quem olhasse para a rua podia jurar que já era o final da tarde.

As cores mais vibrantes que alguma vez possas imaginar numa árvore estavam presentes em cada folha. Onde não houvesse vermelho, marrom, amarelo, laranja e roxo das árvores caducas, víamos o verde vibrante das árvores persistentes.

Por muito que eu tentasse, o video simplesmente não captava o que estávamos a ver através da janela do carro.

Os meus óculos também não ajudaram. Inicialmente senti-me frustrada. Já tenho estes óculos à quase 10 anos e a graduação está um pouco desatualizada. Não estava a conseguir focar bem a imagem para poder absorver todos os pormenores, todas as linhas e todas as cores.
Mas depois apercebi-me de como estava a ser tola. Se aquilo que eu consegui ver já era tão lindo, então imagina quanto mais beleza há para contemplar. Em vez de ser a garota que chora porque não consegue comer os doces todos da loja, passei o resto do dia em êxtase por ter esta “loja de doces” ao meu dispor, mesmo não conseguindo captar todos os pormenores como eu queria.
Não há razão de queixa quando há tanta beleza que nem a miopia nem astigmatismo diminuiram o seu esplendor e a minha admiração 😉

Ao longo da estrada, mesmo vendo de relance a 100km/h, vi dezenas e dezenas de Inukshuks.

Inukshuks são monumentos de pedra, construidos pelas tribos articas Norte-Americanas e frequentemente se assemelham à forma humana.

Inukshuks são monumentos Nativo-Americanos das tribos articas

Imagem de: www.nunacor.com

Servem tanto de monumento artistico destas tribos como, e principalmente, marcos na paisagem que indicam os trilhos de migração, indicadores de bons lugares de caça ou pesca, ou simplesmente um ponto de referência nos meses quando tudo o resto está coberto com um manto de branco.

Virados para a via rápida, suspiravam “Não estás sozinho”.

Fiquei feliz por ver esse simbolo nativo americano a pintalgar a paisagem, até o Nick nos ter informado que a maior parte destes “Inukshuks” não são genuinos, mas antes feitos por qualquer um que se lembre à beira das estradas, nos parques naturais e florestas, e que se têm tornado um problema, particularmente na identificação e preservação do património e cultura nativa.

 

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Conheço muito pouco acerca da cultura nativa Norte Americana e estes grupos ainda hoje sofrem a extinção da sua cultura e estilo de vida.

Apropriação cultural parece inevitável num mundo onde todas as culturas estão expostas umas às outras mas a partilha cultural aberta ainda é tabu.
Apropriação cultural, ou aculturação, é simplesmente quando pegas num elemento cultural exterior ao teu e o absorves e/ou modificas.
Como os milhares de lombos femininos tatuados com o simbolo “Ohm” durante a última onda de New Age e de filosofias Orientais..
Pegar num simbolo já existente “and make it your own” é a coisa mais natural do mundo. Os seres humanos usam rituais e simbolos para nos mantermos conectados como um ser espiritual e como uma comunidade humana, e se te identificas com a imagem de um Buddha, ou até com um Inukshuk, quer apenas dizer que te identificas com a mensagem associada a esse símbolo.
Portanto, nada mais natural do que haverem algumas pessoas usarem simbolos de outras culturas de forma potencialmente inapropriada, ofensiva ou prejudicial, mas não necessariamente de propósito, principalmente quando é dificil partilharmos diferenças culturais, étnicas, e religiosas de uma forma aberta e sem TABU.
Mas Hitler pegou num simbolo milenar de abundância e prosperidade de origem Oriental, girou-o um bocadinho e tornou-o no que hoje chamamos a Suástica Nazi. Hoje em dia, apesar destas suásticas fazerem parte de monumentos e arte oriental à milhares de anos, ANTES de Hitler se ter apropriado do simbolo, hoje quase toda a gente pensa que é um simbolo de morte, de guerra, de preconceito.Estás a ver os danos que apropriação cultural pode causar?

 

Parece que ainda não aprendemos.
Existem muitas formas de destruir cultura. ISIS usa bombas. O resto do mundo usa outras ferramentas mais “discretas”, como a globalização, para diluir a diversidade cultural de um país ou de um continente inteiro, como aconteceu, e continua a acontecer, pelo este mundo fora.

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Disparámos rumo à floresta assim que estacionámos o carro.

Qual almoço qual carapuça!

De jejum, com um chupa-chupa de seiva de ácer cada um para um toque extra de energia açucarada, embrenhámo-nos pelo bosque adentro.

Procurámos cogumelos silvestres (mais especificamente a variedade Chanterelle, que são uma autêntica delícia), evitámos os ursos – não posso dizer o mesmo relativamente à bosta do mesmo, com que nos deparámos ao longo dos trilhos – e vimos paisagens que têm inspirado artistas canadianos à gerações.

Nunca tinha visto um bosque cor-de-rosa e a vivacidade da cor não parecia natural. Não conseguia parar de olhar para granito cor de rosa que domina este parque.

Esteve a chover todo o dia mas nós nem demos por ela. E estivemos o dia todo sem comer, mas entre tudo o que havia para explorar e os chupa-chupas, só demos pela fome que tinhamos quando nos sentámos de novo no carro lá pelas 6 da tarde.

 

O silêncio na floresta era tão denso que eu podia estar a 4 metros do Filipe e tinha que falar mais alto para me fazer ouvir. Por causa disso, fazíamos questão de fazer barulho de vez em quando para evitar surpreendermos algum urso com a nossa presença. Prefiro assustar vida selvagem do que ser vitima dela.

Shinrin-Yoku é japonês para “respirar a floresta” ou “apanhar banhos de bosque”. Como quem apanha banhos de sol para a saúde, entretenimento e bem-estar, não te esqueças de passear pela Natureza regularmente, e tira o melhor proveito dos efeitos terapeuticos e revitalizantes que andar pela floresta têm no teu corpo, mente e espirito.

Até a próxima aventura,

Rute Gabriel