Autor: Rute Gabriel

POLICULTURA POLINIZADORA – para POMARES, QUINTAS, QUINTAIS e JARDINS.

Temos o prazer e a honra de ter autorização do Permaculture Research Institute para traduzir para PORTUGUÊS o conteúdo fantástico que eles disponibilizam no blog deles. Achamos o conteúdo deles valiosíssimo e achamos que mesmo quem não sabe Inglês MERECE ter acesso a esta informação. Espero que gostes.


Artigo original em inglês por Paul Alfrey

Paul Alfrey do Projeto de Ecologia Balcã apresenta uma policultura para fornecer apoio de polinização para quintas e jardins, que rende fruta e nozes nutritivas, espaços de nidificação para abelhas nativas em risco, e exibições espetaculares de flores para alegrar depois do Inverno.

Estamos a estender o nosso Projeto de Policultura para incluir policulturas perenes experimentais. O nosso golo é desenvolver modelos que sejam de baixo custo a estabelecer e manter, possam produzir comida saudável, nutritiva, e acessível, e que aumentará a biodiversidade.

Esta Primavera vamos incluir a Policultura Primaveril Polinizadora como apresentada aqui.

Como o nome sugere, o objetivo primário da Policultura Primaveril Polinizadora é fornecer, no inicio da estação, uma fonte de pólen/néctar para uma vasta variedade de insectos polinizadores. A maioria das plantas nesta policultura florescem quando ainda existem poucas outras fontes de nectar/pólen disponíveis.

Isto encoraja os insectos polinizadores para dentro e em redor das nossas hortas e jardins para cumprirem o seu papel vital quando o cultivo (em particular as árvores de fruto) começarem a dar flor no início da Primavera.

A policultura também fornece uma fonte de produção no seu próprio direito, e com a escolha correta de espécies e cuidados, deve render grandes quantidades de fruta e nozes, assim como habitat para uma vasta gama de vida selvagem e polinizadores.

[…]

Policultura Polinizadora desenvolvido por Balkep (Projeto de Ecologia Balcã)

PERIODO DE FLORAÇÃO

Todas as espécies incluidas na policultura, com exceção do Trifolium Repens – Trevo Branco, florescem durante os meses de Janeiro-Março e fornecem forragem valiosa de néctar e pólen para abelhas e outros agentes polinizadores durante esta época.

Espécies em consorciação na Policulura Polinizadora, em Flor

 

CONSIDERAÇÕES NO DESIGN

 

1. Objetivos do Design 

 Assim como apoio na polinização, habitat selvagem e produção alimentar, os objetivos de design incluí:

Que a policultura seja funcional em lugares marginais, por ex: áreas sombrias, solos de baixa fertilidade, áreas expostas ao vento. A Policultura Primaveril Polinizadora é primáriamente uma policultura de suporte ao fornecer as culturas principais com apoio na polinização, por isso podemos não querer localizá-la na terra mais produtiva.

Que a policultura necessite de investimentos financeiros e de tempo relativamente baixos. Uma vez estabelecida, a policultura deve exigir pouca ou nenhuma necessidade de fertilização exterior e aproximadamente 5-7 horas de manutenção por ano no final do Outono (não inclui colheita). Manutenção e gestão desta policultura é discutida mais abaixo.

Que a policultura possa ser usada a uma escala pequena ou grande. O design apresentado acima represente uma unidade e pode funcionar bem sozinha em qualquer jardim. Múltiplas unidades desta policultura podem também ser usadas em pomares e quintas para fornecer uma melhor polinização das culturas. (ver opções de disposição abaixo)

 

2. Luz e Orientação 

Todas as plantas incluidas toleram alguma sombra ou utilizam luz quando outras plantas não a necessitam tanto. A policultura pode, por isso, ser posicionada em áreas marginais com níveis de luminosidade mais baixa enquanto ainda servindo um propósito. No entanto, se quiseres obter atração de polinizadores máxima e uma produção mais elevada de fruta e nozes, escolhe um local com pelo menos 6-8 horas por dia e com uma orientação Este-Oeste.

3. Água

Irrigação ideal é chave para plantas produtivas e saudáveis. Esta policultura não é adequada a terras semi-pantanosas e áreas com um lençol freático alto (ou muito superficial) e não vai prosperar em áreas muito secas sem acesso a irrigação.

Em climas secos, irrigação será essencial, mas escolher o posicionamento da policultura para maximizar a absorção de água da chuva vai ajudar consideravelmente e pode ser conseguido plantando em curva de nível na topografia do terreno e aplicando terraplanagem simples para reter a água da chuva perto das raízes das plantas.

Todas as espécies são relativamente tolerantes a seca mas as árvores de fruto não terão uma produção alta sem irrigação apropriada.

4. Acesso

Acesso dentro da policultura é necessário para podar, mondar e a colheita. Dois caminhos de 50 cm de largura a atravessar a guilda e paralelos um ao outro pode dar acesso necessário. A periferia da policultura deve também ser acessível do exterior.

5. Habitat de Polinizadores

Abelhas nativas são extremamente importantes e são uma das espécies mais ameaçadas de extinção nos nossos ecossistemas. Incluir habitat para as abelhas viverem, assim como fornecer forragem de qualidade é essencial. Apropriadamente, esta policultura inclui habitat de nidificação para abelhas, mas ter outros habitats semelhantes em redor de um local é recomendado.

6. Seleção de Espécies

A nossa seleção de variedades tem em consideração o seguinte:

  • Compatibilidade climática com o local
  • Tolerância a seca
  • Tolerância a sombra
  • Fonte temporã de nectar/pólen
  • Outros benefícios à vida selvagem e produção para humanos
  • Períodos de floração que não tenham uma sobreposição significante com as culturas no local.
  • Espécies de arbustos que respondam bem a cortes e podas regulares.
7. Proximidade com culturas

Abelhas recolectam onde existir alimento de alta qualidade e viagens mais curtas são mais seguras e mais energéticamente eficientes para todas as abelhas. Estudos mostram que abelha meleira – Apis spp. fazem viagens de recoleção muitos quilómetros de distância das suas colmeias. Zangões – Bombus spp. e outras espécies de abelha mais solitária tipicamente ficarão a distâncias mais curtas, de acordo com alguns relatórios, entre os 100-800m.

Abelhas e Polinizadores (foto de Peter Alfrey)

 

Visto que há pouco consenso dentro dos estudos feitos ao comportamento recoletor dos polinizadores, é dificil dizer a que distância das culturas e com que densidade esta policultura deve ser colocada para atingir os melhores resultados de polinização.

Como guia presumível, em áreas que carecem de habitat e alimento apropriado, estabelece um raio de 100-300m e em áreas onde já existem boas condições de alimento cedo na estação e habitação para polinizadores, estabelece um raio benéfico de 500-1000m.

Nunca se pode ter demasiado alimento para polinizadores no início da Primavera, mas é possível ter alimento a menos. Prioridades como orçamento e tempo, e as variedades das culturas a ser semeadas são outros factores que irão guiar as tomadas de decisão relativamente a quantidade e a densidade.

É de salientar que plantas competem pela atenção dos polinizadores e por esta razão o período de floração das plantas na policultura não devem sobrepor-se significativamente com a floração das culturas.

 

LOCALIZAÇÃO/PLANO

A unidade de policultura apresentada acima funciona bem sozinha em qualquer jardim. Unidades múltiplas desta policultura podem ser usadas em pomares e quintas para providenciar melhor polinização para as culturas. Abaixo encontra-se 3 sugestões de planos de disposição para uma aplicação ampla desta policultura: em canteiros, ilhas ou corredores.

1. Disposição em Canteiros

A policultura pode ser plantada no interior de uma vedação ou ao longo de um caminho de forma a “abraçar” o pomar, quinta, etc, na sua totalidade, ou para delimitar subdivisões no terreno. Sendo composto por plantas tolerantes a sombra, a policultura irá, até certo ponto, funcionar independentemente da orientação. Cada unidade como ilustrada acima pode ser repetidada para criar uma borda ou fronteira.

Canteiro Marginal

2. Disposição em Ilha

A disposição em ilha espalham as unidades pelo terreno. Para terrenos já desenhados/estabelecidos as ilhas podem ser colocadas nos locais de acesso mais difícil como cantos, áreas de pouca luminosidade ou de valor marginal, ou na periferia de culturas que mais beneficiariam da melhoria da polinização.

Disposição em Ilhas

3.  Disposição em Corredor

A disposição em corredor implica a plantação das policulturas em sistemas de pomar linear ou corredor em intervalos entre as principais plantações e culturas. Por exemplo, um pomar de macieiras ou pereiras pode ter, a cada 10 linhas, uma composta por estas unidades de polinização precoce.

Disposição em Corredores

Vamos dar uma olhadela mais próxima às espécies envolvidas, e à manutenção e gerência necessárias para esta policultura.

[fancy_box id=6]NOTA: Ao ler alguns aspetos deste artigo, há que ter em conta que não foi escrito para Portugal. A informação aqui retida é traduzida por nós para português de autores estrangeiros que, ao escrever e desenvolver estes modelos, tiveram em conta as espécies e clima da sua própria região, pelo que te pedimos que consultes esta informação útil mas que consideres que pode ser necessário ajustar alguns componentes desta policultura à tua região.

Para facilitar a transição de conteúdo de permacultura não só em português, mas ajustada às necessidades e possibilidades de Portugal, foi feita a tradução nos nomes das espécies para os nomes comuns em português – no entanto, é sempre importante confirmar a espécie utilizando o nome científico – que mantivemos para referência.[/fancy_box]

OS COMPONENTES DA POLICULTURA

Eu dividi a policultura em 5 componentes baseados no propósito que cada componente serve.

1. Árvores e Arbustos de Fruto
2. Cobertura de Solo
3. Flores de Bolbo de Primavera
4. Plantas de fertilidade
5. Habitat para Polinizadores

 

1. ÁRVORES E ARBUSTOS DE FRUTO – OS COMPONENTES DA POLICULTURA

Esta componente de árvores e arbustos de fruto incluem Cornus mas e Corylus Avellana para a copa superior, e Chaenomeles speciosa e Mahonia japonica na camada da copa inferior/arbustos e são as principais unidades de produção na guilda. Com uma boa seleção de cultivares estas plantas podem fornecer rendimentos de excelentes frutas e nozes.

CORNUS MAS – CORNISO

Sobre a Espécie – Cornus mas é uma das minhas plantas favoritas. O zumbir das abelhas sob os Cornisos num dia de sol no final do Inverno é apenas uma das razões porque adoro esta espécie. É uma árvore de médio porte, resistente ao frio e uma excelente melífera, produzindo uma magnanimidade de flores ricas em néctar de Fev-Março. A árvore auto-poliniza-se e as flores transformam-se em lindas frutas tipo uva no final do Verão, deliciosas quando bem maduras.

Cornus Mas durante as 4 estações no projeto de Paul

Usos: Fruta excelente quando madura e muito boa para fazer xaropes e cordiais. Análise nutricional indica que os sumos de corniso são ricos em vários em vários sais minerais e pode ser considerado um valioso suplemento mineral nas dietas das pessoas. Existem alguns cultivares disponíveis com fruta maior e mais doce.

As sementes podem ser tostadas, pulverizadas e usadas como um substituto de café e uma pequena quantidade de óleo comestível pode ser extraído da semente. Uma tinta é conseguida através da casca e as folhas são uma boa fonte de taninos. A madeira é muito dura, e é muito valorizada pelo seu uso no fabrico de ferramentas, peças de maquinaria, etc. Nós usamos os galhos para alimentar coelhos e cabras todo o ano.

Biodiversidade – Uma das árvores de floração mais precoce, atraíndo um vasto leque de invertebrados polinizadores de Fevereiro-Março. […]

Para mais info sobre esta planta [em inglês] Cornelian Cherry plant profile ou aqui em português.

 

CORYLUS AVELLANA – AVELEIRA

Sobre a Espécie– Um arbusto de folha caduco e crescimento rápido, com folhas arredondadas, produzem umas flores macho amarelas no início da Primavera, seguidos de nozes deliciosas no Outono. Tipicamente atingem 3-8 metros de altura mas podem atingir 15 metros de altura.

Aveleira – Corylus Avellana

Usos: Tem uma das melhores nozes de clima temperado, comidas cruas ou tostadas. A madeira da aveleira também é frequentemente utilizada. É uma madeira macia, fácil de trabalhar mas não muito duradoura, pelo que é utilizada maioritariamente na produção em pequenas partes de mobiliário, cestaria, vimes, etc. A árvore é muito adequada ao copeamento (inglês» coppicing). Os galhos mais verdejantes podem ser usados para alimentar coelhos e cabras todo o ano. As nozes também contém 65% de um óleo que não seca que pode ser usado em tintas, cosmética, etc. As sementes moídas em farinha são usadas como ingrediente em máscaras faciais de cosmética.

[fancy_box id=6] NOTA:Copeamento pode não ser o termo técnico correto para o termo inglês de coppicing. À medida que vamos encontrando termos técnicos de permacultura com traduções obscuras em português, deixamos disponível a melhor tradução possível presentemente, que verá melhorias à medida que encontramos os termos técnicos correctos.

O que é COPPICING ou POLLARDING? Consistem em técnicas de podar árvores que permite a colheita contínua de madeira das mesmas árvores enquanto a mantemos saudáveis, durante séculos ( no Reino Unido existem florestas de aveleiras centenárias graças à aplicação destas técnicas de poda já nos tempos medievais). Estas árvores produzem uma fonte de madeira durante muitas gerações enquanto melhora o estado do habitat da vida selvagem e das espécies de plantas nativas.

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Biodiversidade – As flores macho da aveleira carregadas de pólen podem aparecer para os polinizadores tão cedo como finais de Janeiro a meados de Março. As folhas da aveleira são fonte de alimento para lagartas de muitas espécies de borboletas e traças. As avelãs servem também de alimento para os roedores antes do período de hibernação, e na primavera as folhas alimentam as lagartas que por sua vez também são alimento para os roedores. As avelãs podem também servir de alimento para pica-paus, trepadeiras, chapins, pombos-torcaz, gaios, e uma variedade de pequenos mamíferos.

Para mais sobre esta planta (em inglês) vê este Perfil da Aveleira, ou aqui para referências em português.

 

CHAENOMELES SPECIOSA – CIDÓNIA OU MARMELO JAPONÊS

Sobre a Espécie – Um arbusto espinhoso, de folha caduca ou semi-caduca nativa da Ásia Oriental, atinge uma altura de cerca de 2 metros, e é variável na sua forma. As plantas estabelecem uma coroa muito densa de ramos embrulhados que são algo espinhosos. As flores aparecem antes da folhagem e são normalmente vermelhas, mas também existem em branco e cor derosa. O fruto é fragrante e é parecido com uma pequena maçã, com algumas variedades contendo um fruto mais parecido com uma pêra. As folhas não mudam de cor no Outono.

Chaenomeles speciosa – Marmelo Japonês

 

Usos – Os frutos não são muito bons para comer, e como o marmelo, são muito rijos, mas após uma temporada de frio eu reparei que o marmelo japonês amolece o suficiente para espremer como um limão, e o seu sumo, sendo muito ácido, é um bom substituto ao sumo de limão na cozinha. Outro benefício deste fruto é que possuem um aroma delicioso e algo viciante que permanece durante dias, semelhante ao aroma a ananás, limão e baunilha. Deixamos os frutos no carro ou numa sala como um ambientador natural.

Biodiversidade – As flores são atractivas a uma variedade de invertebrados que buscam néctar e pólen entre Março e Abril, por vezes até em Fevereiro. Com podas regulares os arbustos tornam-se densos e providenciam um habitat de nidificação para aves como a carriça – Troglodytes troglodytes, a felosa-comum – Phylloscopus collybita e o pisco-de-peito-ruivo – Erithacus rubecula. As dietas destas aves incluem algumas pestes que atacam certas culturas vegetais e podem agir como um controlador de pragas.

Para mais informação sobre Chaeonomeles spp. vê este artigo (em inglês) aqui, ou aqui para referências em português.

MAHONIA AQUIFOLIUM – UVA-DE-OREGON OU MAÓNIA

Sobre a Espécie – Um pequeno arbusto fantástico, tolerante a sombra e de folha persistente que cresce a 1 metro de altura por 1.5m de largura. Lida com uma grande variedade de solos e prospera em áreas ensombradas onde outras plantas sucumbiriam. É resistente a secas de verão e tolera vento. A planta produz cachos de flores amarelas no início da Primavera, seguidas de bagas negro-azuladas. Uma vez que a planta está estabelecida é muito vigorosa e produz muitos rebentos laterais da sua base.

Mahonia aquifolium – Uva-de-Oregon

Usos – As pequenas bagas escuras podem ser utilizadas para doces, jeleias e sumos que podem ser fermentados para fazer vinho. A casca interna dos ramos e raízes maiores da Uva-de-Oregon produzem uma tinta amarela; as bagas produzem uma tinta roxa. As folhas persistentes semelhantes ao azevinho são por vezes usadas por floristas como uma linda adição aos bouquets. É um excelente arbusto de sob-copa para áreas de muita sombra.

Biodiversidade – Uma fonte precoce excelente de néctar para abelhas. O néctar e pólen podem ser aproveitados por  toutinegra ou papuxas, chapins e pardais. As bagas são comidas por melros e tordoveias. É um bom alimento para lagartas.

Para mais sobre esta planta (em inglês) vê o perfil da Mahonia ou clica aqui e aqui para referências em português.

ÁRVORES E ARBUSTOS DE FRUTO – MANUTENÇÃO DE UNIDADES

A tabela abaixo indica a quantidade de árvores e arbustos por unidade e alguma informação sobre como estabelecer e manter esta componente da policultura.

 

1. Os Componentes da Policultura – Árvores e Arbustos de Fruto

 

2. COBERTURA DE SOLO – OS COMPONENTES DA POLICULTURA

As plantas de cobertura de solo inlcuem Primula Vulgaris – prímulas ou primaveras e Bellis Perennis – margaridas, ambas herbáceas perenes com hábitos de crescimento e propagação baixos que, ao longo do tempo devem formar áreas de cobertura sob e em redor das árvores e arbustos. Uma boa cobertura de solo irá prevenir plantas indesejadas de invadirem o espaço e protege o solo da erosão.

 

PRIMULA VULGARIS – PRÍMULAS OU PRIMAVERAS

Sobre a Espécie – Uma herbácea perene, amante de clareiras e margens húmidas e frescas, e prospera no chão de bosques “copeados” onde podem formar um tapete incrivelmente atraente. Esta espécie prefere solos húmidos, com muita sombra no verão. Quanto mais quente e seco o clima, mais sombra será necessária. A seca de verão não é problemático desde que tenham acesso a bastante humidade no Outono e no ínicio do ano.

Primula vulgaris – Primaveras sob os cornisos no projeto de Ecologia Balkan

Usos: Tanto as flores como as folhas são comestíveis, com o sabor a abranger entre uma alface leve e verduras para salada mais amargas. As folhas também podem ser usadas para chá, e as flores jovens podem ser usadas para fazer vinho de primaveras.

Biodiversidade – Primaveras são uma das primeiras flores da estação primaveril. Podem ser encontradas a florescer em nichos mornos e abrigados tão cedo como meados de Janeiro, apesar da maioria florescer de Março a Maio. Por florescerem tão cedo na estação, sáo uma fonte vital de néctar numa altura quando existem poucas outras flores disponíveis para alimentar os polinizadores como a borboleta Gonepteryx rhamni que hibernam durante o Inverno e emergem nos dias invernais mais amenos.

Para mais sobre este planta (em inglês) vê o perfil da Primula Vulgaris ou clica aqui e aqui para referências em português.

BELLIS PERENNIS – MARGARIDAS

Sobre a Espécie – Uma pequena herbácea perene, abundante e rasteira com flores brancas e centros amarelos e tom rosáceo, que aparece durante a maior parte do ano, com exceção de climas de geadas e congelamento. A planta normalmente coloniza prados rasteiros, clareiras e relvados.

Bellis Perennis – Margaridas a crescer no nosso relvado

Usos: Pode ser usada como uma erva culinária e as folhas jovens podem ser ingeridas cruas em saladas ou cozinhadas, tendo em consideração que as folhas são mais adstringentes quanto mais velhas forem. Os botões e pétalas podem ser comidas cruas em sandes, sopas e saladas. Também são usadas em chás e como um suplemento vitamínico. Medicinalmente, a planta é conhecida pelas suas propriedades curativas e pode ser usada em pequenas feridas, chagas e arranhões para acelerar o processo de cura. O hábito de propagação desta planta faz dela uma boa opção para cobertura de solo.

Biodiversidade – Uma adição valiosa a pastos geridos pela sua variedade de flores silvestres e vida selvagem, chamando a atenção dos polinizadores quando poucas outras fontes de pólen e néctar se enconrtam disponíveis.

Para mais sobre esta planta (em inglês) vê o Perfil da Bellis perennis ou clica aqui para referências em português.

COBERTURA DE SOLO – MANUTENÇÃO DE UNIDADES

A tabela abaixo indica a quantidade de cobertura de solo por unidade e alguma informação sobre como estabelecer e manter estes componentes da policultura.

 

2.Componentes da Policultura – Cobertura de Solo. Esquema de plantação: intercalar as espécies entre as árvores e arbustos.

 

3. FLORES DE BOLBO (DE INÍCIO DE PRIMAVERA) – COMPONENTES DA POLICULTURA

Estas flores de bolbos precoces florescem em Janeiro – Fevereiro, tirando partido da luz que jorra através da copa nua das árvores e arbustos de folha caduca. Estas plantas oferecem recompensas de néctar e pólen aos polinizadores que se aventurem dos dias mais amenos do final do Inverno.

Os bolbos também servem para reter nutrientes na rizosfera, os primeiros 10-20cm de solo de onde a maior parte das plantas se alimenta e onde existe a maior parte da actividade microbiológica do solo. Fazem-no absorvendo nutrientes que de outra forma teriam sido levados por lixiviação do solo pelas chuvas de Inverno e o derreter das neves, e fixando esses nutrientes nas suas folhas e flores.

Quando a planta murcha e se decompõe na Primavera, mesmo quando as outras plantas estão a acordar da dormência do Inverno, o tecido é assimilado de volta para a rizosfera, para eventualmente se tornar de novo disponível para outras plantas.

Podes considerar estas plantas uma reserva de nutrientes, prevenindo minerais de serem removidos do solo e guardando-os para a posteridade, quando são necessários. Seleccionámos 3 plantas nativas regularmente encontradas nos bosques e orlas na nossa área.

[fancy_box id=5]Nota do tradutor: Apesar destas espécies serem nativas da Europa, não são necessariamente nativas de Portugal. As flores de bolbo foram um desafio particular durante a tradução, porque, com exceção da Scila Alpina, não encontrei nomes comuns em português para as restantes espécies de bolbo, pelo que presumo que não sejam comuns em Portugal.

Substituições destas espécies para flores de bolbos mais comuns ou até autóctones de Portugal como a Iris subbiflora, Iris xiphium xiphium (Maios) e Urginea marítima (Cebola-albarrã) pode ser a melhor alternativa para adaptar este modelo de policultura em Portugal. Em Portugal, os bolbos de Primavera mais populares são as Túlipas, os Narcisos, os Jacintos, os Crocus, os Alliums. Também os Amarílis e os Íris.

Aqui tens o catálogo geral das Sementes de Portugal, onde encontras uma lista de espécies de bolbo autóctones disponíveis e fáceis de adquirir.[/fancy_box]

 

SCILLA BIFOLIA – CILA ALPINA

Sobre a Espécie – Uma herbácea perene que brota de um bolbo no subsolo. Nativa da Europa e Rússia Ocidental, e daí a sul desde a Turquia à Síria. A planta é encontrada em áreas sombrias, bosques de faia ou de árvores caducas, e pradarias de montanha.

Scilla bifolia – Scila Alpina a creser por entre a manta de folhas mortas de um bosque

 

Usos: Não consegui encontrar muita informação referente a esta minúscula beleza. Cresce por todas as áreas florestadas na nossa região e herdámos pequenos aglomerados no nosso jardim, talvez cultivados das variedades silvestres pelos donos anteriores. Encontrei um relatório dizendo que a ingestão pode causar severo desconforto, portanto duvido que saibam tão bem como aparentam 🙂

Biodiversidade – Boa fonte de néctar para polinizadores quando poucas outras plantas estão em flor.

Para mais sobre esta planta (em inglês) vê o perfil da Scilla bifolia 

GALANTHUS GRACILIS

Sobre a Espécie – Bolbos que florescem no inicio da Primavera, por vezes até emergindo sobre o manto de nave no final no Inverno, fornece uma muito bem-vinda fonte de alimento para abelhas e outros polinizadores. É popular como uma flor ornamental, são frequentemente colocadas em jardins e parques, mas são também uma excelente escolha para o chão de um bosque.

Galanthus gracilis no jardim

Usos: Esta planta tem propriedades inseticidas e podem ser usadas no controlo de pragas das ordens Coleoptera (besouros), Lepidoptera (borboletas e traças) and Hemiptera (que inlcui pulgões, afídios, percevejos e cigarras). Esta espécie contém um alcalóide, galantamina, (também presente em narcisos, como podes ver na pág.23 deste documento) substância aprovada para uso de gestão de Alzheimer em vários países. A planta e o bolbo são tóxicos para humanos e não devem ser consumidos.

Biodiversidade: Galanthus Gracilis são polinizadas por abelhas durante os meses de Fevereiro e Março. As minúsculas sementes brancas produzem substâncias que atraem formigas. Estes insectos coleccionam e transportam as sementes através dos seus túneis subterrâneos.

Para mais sobre esta planta (em inglês)  Perfil de Galanthus gracilis

 

CORYDALIS BULBOSA – (CORYDALIS CAVA)

Sobre a Espécie – Uma planta de bolbo perene subtil mas incrivelmente bela, que floresce a partir de Fevereiro. Uma planta efémera primaveril com folhagem que surge na Primavera e murcha até às suas raízes tuberosas no Verão. A planta espalha-se eforma um lindo tapete branco a roxo.

Corydalis bulbosa a atravessar a manta morta da Floresta

Usos: Uma boa escolha para margens, estratos mais baixos do jardim ou um jardim silvestre. É uma planta utilizada como analgésico na Medicina Chinesa à mais de 1000 anos. A raíz é utilizada internamente como um sedativo para insónia e como estimulante e analgésico, especialmente para dores menstruais fortes ou traumatismos. Deve ser exercido cuidado quando usada esta planta para fins medicinais, pois já foi reportada como tóxica.

Biodiversidade – Uma fonte segura e precoce de alimento para abelhas. Corydalis spp. são também fontes de alimento para algumas espécies de borboleta, especialmente a Parnassius mnemosyne

Para mais sobre esta planta (em inglês): Perfil da Corydalis bulbosa ou aqui para sinonímias em português desta espécie

FLORES DE BOLBO PRIMAVERIS – MANUTENÇÃO DE UNIDADES

A tabela abaixo indica a quantidade de bolbos primaveris por unidade e alguma informação sobre como estabelecer e manter este componente da policultura.

 

 

3. Componentes da Policultura – Flores de Bolbo

 

4. PLANTAS DE FERTILIDADE – COMPONENTES DA POLICULTURA

As plantas para fertilidade incluem duas espécies fixadoras de azoto muito diferentes. A primeira é Alnus Cornata (Amieiro de Nápoles), uma árvore que pode atingir os 25m de altura mas que deve ser mantida como um pequeno arbusto dentro desta policultura. Podada a cada Outono, a biomassa pode ser deixada na base de árvores de fruto vizinhas. A segunda planta, Trifolium Repens (Trevo Branco) é uma herbácea perene rastejante que pode ser semeada nos caminhos, cortada anualmente e aplicada como alfombra na base das árvores de fruto.

Para mais sobre plantas fixadoras de azoto e como funcionam (em inglês) consulta este artigo.

ALNUS CORDATA – AMIEIRO DE NÁPOLES

Sobre a Espécie – Uma árvore de médio porte que pode atingir alturas de 25 metros. É de folha caduca, mas com uma longa época de folhagem, de Abril a Dezembro. Como outros membros do género Alnus, consegue captar azoto do ar. Prospera em solos muito mais secos que a maioria dos outros amieiros, e cresce rapidamente mesmo sob circunstâncias desfavoráveis, o que torna o Amieiro de Nápoles extremamente valioso em paisagismo em solos pobres e severamente compactados.

Usos: A árvore é por vezes utilizada para propósitos ornamentais em grandes jardins e parques pela sua aparência majestosa e crescimento rápido, ou em alamedas, devido à sua capacidade de estabelecimento rápido em condições de exposição, o facto de ser razoavelmente compacta e tolerar condições secas, assim como atmosfera poerenta. Também é geralmente plantada para agir como barreira de vento.

A sua madeira pode ser usada para construção em condições húmidas, visto que a madeira de amieiro é virtualmente resistente a decomposição debaixo de água. Fundações feitas com amieiro têm sido usadas para as casas e pontes de Veneza. Também pode ser usada para lenha. A planta cria um bonsai de médio a grande porte, que cresce rapidamente e responde bem a podas, com uma boa ramificação e uma folha cujo tamanho reduz com bastante rapidez.

Biodiversidade – Alnus spp. largam pólen de amentilhos (flores macho parecidos com pêndulos ou cachos) no final do Inverno e princípio de Primavera, de onde abelhas e outros polinizadores se alimentam.

Potencial de Fixação de Azoto – Alnus cordata não está listada na base de dados da USDA (United Stated Department of Agriculture) mas outras espécies deste género estão classificadas pela USDA como sendo uma FORTE fixadora de azoto com rendimentos estimados de +72kg/4050m² ou 0.018g /m2.

Para mais sobre esta planta (em inglês): Perfil da Alnus cordata ou aqui e aqui para referências em português.

 

TRIFOLIUM REPENS – TREVO BRANCO

Sobre a Espécie – O Trevo Branco é uma perene anã, prostrada que cobre o chão como um tapete que se espalha através de guias que livremente se enraízam ao longo do chão a partir dos nódulos. Facilmente estabelecível em solos medianos e bem drenados, com sol direto a sombra parcial. Prefere solos húmidos numa leve sombra, mas tolera sol direto e solos moderadamente secos.

Trifolium repens cobrindo o solo

Usos: O Trevo Branco tem sido descrito como a mais importante leguminosa de forragem das zonas temperadas. Além de fazer excelente forragem para animais, trevos são uma valiosa comida de sobrevivência; são ricos em proteína e, apesar de não serem facilmente digeríveis por humanos quando ingeridos crus, isso é facilmente resolvido fervendo a planta colhida durante 5-10 minutos. As flores secas e sementes podem também ser moídas para fazer uma farinha nutritiva e misturada com outros alimentos, ou podem ser utilizadas para fazer um chá ou tisana.

A capacidade desta planta de se espalhar agressivamente através das suas guias é bom para a cobertura do solo, e a sua tolerância a trânsito pedonal fazem desta espécie a minha favorita para utilizar em caminhos.

Biodiversidade – As plantas fornecem uma fonte de néctar e pólen a uma variedade de abelhas nativas, além da abelha melífera.

Potencial de Fixação de Azoto – A espécie está classificada pela USDA como sendo uma FORTE fixadora de azoto, com rendimentos estimados de +72kg/4050m² or 0.018g /m2.

Outras fontes declaram ser possível um rendimento de até 545 kg de azoto por hectar por ano.

Para mais sobre esta planta (em inglês): Perfil da Trifolium repens ou clica aqui e aqui para info sobre esta espécie em Portugal.

 

PLANTAS DE FERTILIDADE – MANUTENÇÃO DAS UNIDADES

A tabela abaixo indica a quantidade de plantas fixadoras de azoto por unidade e alguma informação sobre como estabelecer e manter este componente da policultura.

4. Componentes da Policultura: Fixadoras de Azoto. Trifolium repens semeado nos caminhos e Alnus cordata podadas ao tamanho de arbustos.

 

 

5. HABITAT DE POLINIZADORES – COMPONENTES DA POLICULTURA

Polinizadores fornecem um elo importante nos nossos ecossistemas, movendo pólen entre as flores e assegurando o crescimento de sementes e fruto. Abelhas nativas formam o grupo mais importante de polinizadores e eu tenho a certeza que ouviste dizer que estão presentemente sob ameaça de extinção devido às mudanças nas nossas paisagens, especialmente devido a perda de habitat e locais de nidificação.

O desejo geral por asseio resulta na remoção de solos nus, árvores moras, e recantos de ervas e relvas – todos esses espaços importantes para a nidificação das abelhas. O nosso design da policultura tem isto em consideração e inclui alguns habitats de nidificação importantes para as abelhas, nomeadamente troncos, espaços de solo nu e ranhuras entre rochas.

Água é também necessária aos polinizadores e incluir pequenas charcas pode ser muito benéfico, até essencial se o local não tiver uma fonte de água nas redondezas. Por esta razão incluimos uma pequena charca feita de pneu no centro da policultura.

Charco feito com um pneu e um tronco caído na nossa horta

5. Componentes de Policultura: Habitat para Polinizadores. Troncos (3), charca de pneu (2) com Orlas de pedras (2) e corredores de solo nu (1) fornecem locais de nidificação para abelhas e um habitat próspero.

Todos os componentes da Policultura Polinizadora

VARIAÇÕES NO DESIGN

As plantas e habitats desta Policultura Primaveril Polinizadora podem ser conjugadas de variadas formas. Podes considerar as plantas e habitats listadas acima como uma “palette” a partir de onde podes criar muitas formas.

Aqui estão algumas variações de design onde espaço é limitado.

O primeiro design é um círculo de 20m2 com todas as plantações cabendo sob a copa adulta do Corniso (Cornus Mas). É muito semelhante à primeira Policultura Primaveril Polinizadora que desenhei durante a implementação de um pomar em permacultura/policultura de 5ha onde estava a trabalhar à uns anos atrás.

O plano era incluir algumas espécies de forragem perenes e habitats para abelhas e outros polinizadores para apoiar as árvores de fruto e arbustos, e eu estava a ponderar sobre como integrar estas plantas. À medida que o design evoluiu observou-se que existiam espaços indefiníveis onde os corredores das árvores convergiam com as estradas de acesso e promontórios.

Os espaços não eram grandes o suficiente para árvores de fruto sem bloquear os acessos. Estavam dispersos de forma mais ou menos regular através da propriedade e eram ideiais para colocar a Policultura Primaveril Polinizadora.

Variação da Policultura Primaveril Polinizadora – 20 m2

Camada Inferior da Variação da Policultura Primaveril Polinizadora – 20 m2

As plantas podem também ser plantadas mais densamente para plantações em cerca e para subdividir a área. A disposição de plantação seguinte pode funcionar bem para cercar, com uma linha de 20cm de flores de bolbo e cobertura de solo a correr paralelo à cerca. O Corniso e as Aveleiras podem ser deixadas para crescer “ao gosto do freguês”.

Parede de Policultura Primaveril Polinizadora – Uma linha de 8 m de cerca natural

Aqui tens uma lista de outras espécies que fornecem néctar/pólen no início da Primavera para abelhas e outros polinizadores. Pessoalmente não cultivei todas as plantas desta lista mas parecem ser adequadas.

O PROJETO DE POLICULTURA

Vale a pena relembrar que este design não é de sucesso definitivo. Baseado na nossa experiência e prática estamos confiantes que a policultura irá ao encontro dos seus objetivos de design, mas apenas experimentando o sistema vivo revelará as verdadeiras forças e fraquezas e onde poderão ser feitas melhorias. Portanto, iremos plantar 3 unidades deste design de policultura no nosso estudo policultura perene em Shipka esta Primavera e anotar a performance ao longo dos próximos anos.

Mais tarde no ano iremos publicar a nossa experiência a estabelecer esta policultura com o objetivo de delimitar, passo-a-passo, como preparar o terreno, plantar, podar, irrigar e colher esta Policultura de Polinização Primaveril.

Ilustração do novo Jardim Experimental Perene em Policultura  com inicio em 2017

Paul Alfrey do Projeto Ecológico Balkan, https://www.facebook.com/Balkan-Ecology-Project-246348042094658/, introduz a policultura para fornecer apoio à polinização para quintas e jardins, rende frutas e nozes nutritivas, valiosos pontos de nidificação para abelhas em risco, e visões florais estupendas para acabar com o Inverno – http://balkanecologyproject.blogspot.bg/2017/01/the-early-polleniser-polyculture.html

Publicação Original: http://balkanecologyproject.blogspot.com.au/2017/01/the-early-polleniser-polyculture.html

Lidar com o Fracasso

Quantas vezes já sentiste Fracasso? É Frustrante não é?

Talvez até te estejas a sentir fracassado num aspeto da tua vida ou noutro agora mesmo…
O nosso cérebro odeia a sensação de fracasso, e faz tudo – até sabotar-te – para evitar sentir isso de novo…
Aqui vamos te mostrar como podes lidar com o Fracasso de uma forma um pouco estranha…

…E se eu te dissesse que fracasso não existe?

 

A primeira vez que ouvi isso foi durante a minha formação em Programação Neuro-Linguística e foi uma das noções mais transformadoras da minha vida.
No processo deste nosso projeto de empreendedorismo sustentável e permacultura, fui relembrada de novo desta noção importantíssima.
Tinha estado a evitar fazer algumas coisas, publicar algumas ideias no meu blog e até impedida de progredir, porque me tinha esquecido disto e fracasso parecia ser sinónimo de “Estou a fazer mal, não sou capaz, não é possivel”.

Assim que percebi que fracasso não existe, mas antes Feedback, o medo de falhar que me sussurrava:

“É melhor não porque pode correr mal”,
ou “Se fores em frente arriscas-te.”
deixou de ser a âncora que me impedia de progredir, e vi-me com uma mentalidade preparada para encontrar o sucesso nos projetos que me apaixonam.
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Imagina 3 Portas. Por detrás de uma delas está o “prémio” que queres – o teu sonho, objetivo, resultado pretendido, etc.
Como podes saber qual a porta certa?
 
  • Tens 33.3% de probabilidade de escolher a porta certa à primeira.
  • Estás na dúvida se aquilo que queres está atrás da porta 1, 2 ou 3, e hesitas.
 

Se o teu medo de falhar te controlar, se te recusares a sair da tua zona de conforto numa tentativa de evitar o fracasso, não vais querer fazer uma escolha.

 

O resultado?

Não saberás o que está por detrás de nenhuma das portas, e nunca conseguirás ganhar o teu prémio.

 

Sabes qual é a melhor forma de saber qual a porta certa? Abrindo as Portas. 

 

E quanto mais vezes “falhares”, mais perto estarás.

 
  • Escolher uma porta que se revela ser a incorreta não é fracasso, é feedback. Ao saberes onde não está o prémio, aumentas a cada tentativa a probabilidade de o encontrar.
 
  • Permite-te deduzir que o teu prémio está numa das outras duas portas. Agora tens maior probabilidade de acertar na porta certa e até já sabes o que está para além de uma das portas.
 
  • Adquiriste conhecimento que te está a pôr no caminho certo. Agora, ao tentar de novo, o teu fracasso anterior preparou-te melhor para o sucesso na segunda ronda.

 

  • Tens agora 50% de probabilidade de acertar. E, mesmo que não seja a porta premiada, agora já nem precisas de abrir a terceira porta para saber que é lá onde está o que procuras.
 
Já sabes que o prémio está lá. Se não estava por detrás das outras duas portas, a terceira é de certeza a porta premiada.
 

Assim, Sucesso torna-se Inevitável.

“Eu não fracassei. Apenas descobri 10 000 formas de não fazer uma lâmpada”

– Thomas Edison

A verdade é que a única forma de eliminar o fracasso é negando a sua existência, e ver a experiência como sendo feedback.
São pistas que te indicam o caminho a seguir, aumentam a tua experiência e competências, e fazem-te crescer como individuo, afetando assim, de uma forma positiva, todas as áreas da tua vida.
Quando aceitares que os teus fracassos do passado apenas te preparam melhor para o sucesso, deixas de ter medo de falhar e até o aceitas de bom grado.

O único fracasso real é quanto ficas preso na tua zona de conforto, te deixas controlar pelo medo e desistes de experimentar, de tentar, de atingir o teu sonho, de ganhar o teu prémio.


Quando desisti da faculdade e não conseguia achar emprego, senti-me fracassada.
 
Quando achei que a minha única opção era emigrar, senti-me fracassada.
 
Para mim, eram fracassos.
 
Mas hoje, eu olho para trás, para esses momentos, e vejo que o valor real dessas minhas experiências de vida. 
Porque, se não tivessem sido esses momentos de feedback, eu não teria tomado as decisões que me levaram até onde estou hoje, a desenvolver o nosso próprio projeto de sustentabilidade e libertação pessoal e profissional, a escrever-te este artigo, a meio da manhã de um dia de semana, enquanto tomo o pequeno almoço, oiço boa música e leio um bom livro.
Estamos viver o nosso sonho porque prestamos atenção ao feedback (os nossos “fracassos”).
Já não tenho medo de tomar decisões, e ajusto as minhas decisões, ações e comportamentos em torno do meu objetivo.
O que nós consideramos fracasso é apenas feedback que nos permite corrigir a rota, nada mais.
E dúvida e medo são apenas sintomas do nosso cérebro que nos tenta sabotar.
Quem está a ganhar? A força de quereres ver o teu sonho uma realidade ou o medo do fracasso que te está a impedir de atingires a tua vida de sonho?
Cada dia que não tomas uma decisão de agir, de abrir aquela porta e espreitar, é mais uma ronda ganha pelo medo e é mais uma oportunidade que deixaste passar sem razão.

Que parte deste artigo mexeu mais contigo? Deixa o teu feedback nos comentários 🙂

BIO FERTILIZANTE | de Salgueiro. Receita para Enraizamento

Neste curto artigo (e video) vais poder ver as multiplas funções do salgueiro (ou chorão), e como funciona este bio fertilizante de salgueiro que podes fazer em casa para enraizamento de estacas, aumento de taxa de sucesso de transplantes de plantas, e até para curar dores de cabeça.

Salgueiros sempre evocaram em mim uma imagem idílica e romântica de uma paisagem maravilhosa e calma.

Quando decidimos que queríamos levar uma vida mais sustentável, a primeira condição foi não utilizar qualquer tipo de pesticidas, herbicidas ou fertilizantes artificiais e prejudiciais.

Foi aí que nos deparámos com o salgueiro. É uma árvore com imensas funções – e se queres ver um permacultor a babar-se todo, é com um elemento tão bonito, benéfico e multi-usos como o salgueiro, desde medicina, a material de construção, a alimento para animais, a barreira ciliar (previne toxinas de contaminar cursos de água e previne erosão).

Um desses usos é um bio-fertilizante chamado água (ou chá) de salgueiro. Trata-se de uma preparação natural que contém hormonas de enraízamento provenientes desta espécie (Salix spp).

Salgueiro a sair de dormência

Salgueiro a sair de dormência

COMO FUNCIONA O BIO FERTILIZANTE DE SALGUEIRO?

A forma como funciona é devido a duas substâncias que se encontram na espécie Salix (Salgueiros); nomeadamente, Ácido Indolbutírico (AI) e Ácido Salicílico (AS).

 

Ácido Indolbutírico (AI) é uma hormona vegetal que estimula o crescimento de raízes. Está presente em altas concentrações nos ramos novos do salgueiro.

Ácido Salicílico (AS) (um composto químico semelhante à Aspirina) é uma hormona vegetal que está envolvida em estimular as defesas naturais da planta, no processo chamado “resistência sistemática adquirida” – quando um ataque a uma parte da planta induz uma resposta de resistência a patógenos noutras partes da planta. Pode também criar uma resposta de defesa nas plantes circundantes, convertendo o AS num estado químico volátil.

Quando fazes água de salgueiro, ambos os ácidos são lixiviados pela água, e ambos têm efeitos benéficos quando usados na propagação de estacas. Uma das maiores ameaças de estacas novas é infeção por bactérias ou fungos. O Ácido Salicílico ajuda a planta a combater infeção, e contribui assim para uma maior taxa de sobrevivência da planta.

Deep Green Permaculture

 

Receita de Bio Fertilizante de Salgueiro (para Enraizamento):

 

  1. Recolhe novos ramos e galhos de qualquer tipo de salgueiro (Salix spp.) que tenham casca verde ou amarela. Não utilizes ramos mais velhos, que terão a casca castanha ou cinzenta. A Primavera é ideal para recolher ramos novos de salgueiro.
  2. Remove todas as folhas, elas não são utilizadas (podes deitá-las no composto ou na alfombra da tua horta) e corta os ramos em pedaços
  3. O próximo passo é adicionar a água. Podes fervê-la e juntá-la aos raminhos, como um chá, e deixar apurar durante a noite; ou só adicionar água fria e deixar descansar vários dias. Nós escolhemos ferver a água.

E já está! Agora é só coar os raminhos e coloar o liquido num recipiente prático de usar na tua horta. Podes molhar a ponta das estacas na água umas horas antes de colocar na terra, deixar as estacas de molho neste chá, e/ou regar a terra com a água de salgueiro após transplante.

Gostas da ideia de fazeres os teus próprios preparados naturais para a tua horta ou bosque de alimentos? Então vais adorar este artigo, onde te falamos de outros bio fertilizantes que podes fazer a partir de casa!

 

Frustração: 4 Coisas para Lidar com ela e torná-la na tua Aliada

Lembras-te da última vez que sentiste Frustração?

Porque aparece quando tudo parece correr mal?

Para que serve e como podemos lidar com a frustração?

 

Hoje uma conversa entre amigos inspirou-me para escrever este artigo.

O Filipe (a.k.a Pipo) tinha passado as últimas 3 horas a escrever um artigo espetacular para o blog, e uma pequena falha técnica no computador  fez com que ele perdesse todo o conteúdo que tinha cuidadosamente criado para ti.

Vou apenas dizer que o Pipo queria partir o Computador. Nem cabia em si de raiva e frustração.

Sentia que tinha perdido 3 horas preciosas do seu dia e, no final, não tinha nada “feito” que refletisse o seu trabalho árduo e dedicação.

Em luz disso, em honra do artigo perdido do Pipo, e um exemplo pessoal de como é possivel usar a Frustração a nosso favor, aqui estou eu, a falar-te acerca de Frustração.

Esta emoção tem, de facto, uma vertente muito útil e positiva que tu podes não conhecer.

 

Todos batalhamos para lidar com frustração da melhor forma possivel.

Conhecemos bem a sensação: de querermos dar um passo em frente e sentirmos uma parede à nossa frente. Que as coisas estão a ir na direção oposta (ou a um passo mais lento) àquele que queremos. E, normalmente, queremos evitar esta sensação a todo o custo.

 

A verdade é que a frustração, como o fogo, tem um lado BOM e muito útil.

A diferença entre o fogo te aquecer ou te queimar é saberes lidar com ele, saber usá-lo a teu favor.

Todos nós temos que lidar com frustração.

Já estive presa no ciclo de frustração que me fez sentir encurralada, e hoje, a perda do artigo do Pipo fez-me querer partilhar contigo algumas dicas fáceis para que possas também tornar a tua frustração numa aliada

 

Como é possível Tornar a Frustração Numa Aliada?

 Re-interpretando esta emoção pouco compreendida:

 

#1 FRUSTRAÇÃO E DESMOTIVAÇÃO NÃO SÃO A MESMA COISA

 

Muitas vezes deparo-me com a ideia geral que “sentir-se frustrado” e “sentir-se desmotivado” são sinónimos.

De facto, uma coisa tem pouco, ou nada, a ver com a outra.

Uma pessoa Desmotivada nunca chega sequer a sentir Frustração, porque sem Motivação, a Frustração não surge.

Já vais perceber porquê no final do próximo ponto…

 

#2 FRUSTRAÇÃO É UM SINTOMA DE UMA MOTIVAÇÃO INTERNA QUE NÃO ESTÁ A SER POSTA EM AÇÃO.

 

 Estás no trabalho, ou num projeto, a progredir bem, e sentes-te motivado ns tuas ações, quando, subitamente, surgem obstáculos que te impedem de progredir.

E pronto – sentes-te frustrado.

  • Quando tens um MOTIVO que te faz querer retomar o ritmo, resolver o problema, avançar para a frente – continuas MOTIVADO (do latim “Movere”, deslocar, mover, fazer mudar de lugar) apesar do teu obstáculo, e essa motivação que subitamente deixou de ser manifestada em ação, devido aos obstáculos, abre as portas à frustração.
  • Estar DESMOTIVADO, pelo contrário, é a FALTA de Motivo.

Des-Motivado. Sem motivo.

Uma pessoa desmotivada precisa de encontrar os motivos, os desejos, que a farão querer tomar ação.

Frustração é até bom sinal: uma pessoa que sinta frustração  JÁ tem esse motivo, e a frustração quer puxar pela pessoa, como um “turbo” num carro, a tomar ação para ultrapassar o problema.

Como eu vi acontecer com o Pipo quando ele perdeu o artigo.

Estava super motivado porque queria partilhar umas ideias fantásticas contigo aqui no blog, e quando as circunstâncias o fizeram dar uns passinhos atrás, lá veio um tsunami de frustração.

Se ele não estivesse Motivado a escrever esse artigo, provavelmente nem o teria escrito sequer. Não pode haver Frustração se não houver Motivação.

Agora ele está ainda mais “fisgado” em acabar aquele artigo. E como já o fez antes, agora é capaz de sair ainda mais bem escrito, com as ideias melhor estruturadas, porque ele já o fez antes, logo, a próxima tentativa será forçosamente melhor.

#3 FRUSTRAÇÃO É O TEU TURBO INTERNO PARA AS SUBIDAS MAIS AGRESTES

 

A Frustação, se fores bem a ver, é apenas uma força que te empurra na direcção que os teus desejos internos te conduzem.

É a forma da mente te instigar com sensações fisicas (emoções), como que a dizer “Pst, anda, mexe-te, vai em frente, por aqui”. Frustração é apenas a representação emocional dos teus desejos, do que tu queres, e do que estás disposto a fazer para que esses se tornem realidade.

Tens um motivador interno que quer por-te a mexer quando mais precisas: quando surgem dificuldades.

Não é nessas alturas que normalmente surge a frustração?

 

#4 FRUSTRAÇÃO NÃO É UMA FORÇA NEGATIVA, NEM MESMO O FRACASSO QUE ASSOCIAMOS A ELA

 

A razão porque nós não interpretamos frustração como uma força impulsionadora é por causa da forma como fomos condicionados a pensar em frustração e fracasso, e desenvolvemos um reflexo inconsciente que nos faz querer evitar fracasso (que é impossivel) e proteger-nos de nos sentirmos frustrados.

Mas fracasso não existe. O que nós entendemos como fracasso é realmente feedback. Com os teus “fracassos”, como Thomas Edison e a sua lâmpada, recolheste informação e experiência que precisavas para teres sucesso na tua próxima tentativa.

Sentes frustração nestas alturas porque o teu “turbo” interno está a tentar lembrar-te que com cada fracasso, mais forte estás e que deves persistir. Vitória é inevitável.

 

Que esta revelação do Lado Bom da Frustração te permita interpretar essa emoção, para que ela te puxe para a frente, e tenhas mais algumas estratégias que te permitirão evoluir, resolver problemas mais facilmente, abraçar desafios, ter sucesso nos teus projetos de vida, e ser, no geral, uma pessoa mais motivada à ação e, portanto, feliz.

 

Lembras-te da última vez que sentiste Frustração?

Agora que sabes torná-la na tua aliada, o que pode mudar para ti?

Implementar um Jardim em Mandala

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PRI_NEW_LOGOTemos o prazer e a honra de ter autorização do Permaculture Research Institute para traduzir para PORTUGUÊS o conteúdo fantástico que eles disponibilizam no blog deles. Achamos o conteúdo deles valiosíssimo e achamos que mesmo quem não sabe Inglês MERECE ter acesso a esta informação. Espero que gostes[/fancy_box]

Artigo original em Inglês por Craig Mackintosh

Implementar um jardim mandala é uma forma excelente de compartmentalizar as tuas camas e canteiros numa revolução de cor viva, possibilitando acesso fácil e interesse visual. E tem um aspeto fantástico.

Enquanto filmava na Horta Comunitária Yandina com Geoff Lawton, deparámo-nos com esta simples implementação de um jardim mandala, aninhado numa parte do jardim com mais sombra. É de forma circular e tem uma série de caminhos que convidam a dar uma olhadela mais próxima da variedade de plantas exibidas.

Os caminhos permitem-nos baixar e inspecionar a horta sem nunca pisar nas camas. A ideia em permacultura é nunca pisar nas camas elevadas e arriscar compactar o solo das plantas.

Jardineiros permacultores como Geoff Lawton acreditam que ao aplicar alfombra e composto, nunca é preciso fresar (cavar) a terra e perturbar a biota do solo.

As bactérias e micro-organismos são melhores se deixados sem distúrbios. Desta forma, ganha-se um vasto leque de biodiversidade no solo que gera uma horta abundante e próspera. Geoff diz que “nunca se alimentam as plantas. Alimentam-se as criaturas do solo.”

São os micróbios e biliões de bactérias que fazem todo o trabalho duro de fomentar fertilidade no solo. O único esforço necessário é aplicar alguma alfombra e bom composto e depois dar tempo à Natureza de quebrar tudo por ti.

A vantagem dos caminhos é que podes facilmente ajoelhar-te e tocar em qualquer parte da cama elevada com o braço esticado.

É tudo muito acessível e permite uma manutenção fácil da horta.

Uma forma fácil de desenhar um Jardim Mandala é desenhar os caminhos primeiro usando uma mangueira para definir os limites. Um círculo perfeito também pode ser definido desenhando um arco com um fio atado a um poste no centro da área a ser usada.

Tijolos ou pedras podem ser colocado ao longo do perímetro do círculo desenhado. Esta mandala tem os seus limites definidos por uma linha serpenteante de tijolo de três caminhos a irradiar do centro para criar o padrão final de uma roda.

No centro do jardim mandala existe um pequeno charco onde grandes plantas de Taro (comestíveis) são o ponto focal.

De acordo com Geoff Lawton, este jardim podia facilmente alimentar duas ou três pessoas.

Vimos lá plantadas Beringelas, Borragem, Couve Chinesa, Tomates, Salsa, Alface Japonesa e várias outras plantas aromáticas a crescer com cuidados mínimos.

“Isto é que é uma loja de comida bio.” disse Geoff Lawton. “Toda a gente devia ter um destes.”

Dinheiro E Sustentabilidade: Será possivel? 6 Mitos sobre o Dinheiro que te vão fazer sentir mais Livre

Já reparaste que o Dinheiro parece ser o problema E a solução para todos os teus problemas?

O Dinheiro, e a nossa relação com ele, são um paradoxo constante.

 

Deparamo-nos com o paradoxo do dinheiro, e a maior armadilha da forma como dinheiro está inserido na nossa sociedade:

[tweet_dis]Precisamos de dinheiro para viver. Mas muitas vezes é a nossa busca pelo dinheiro que nos IMPEDE de viver.[/tweet_dis]

Não consegues viver com ele, mas também não consegues viver sem ele.

E entramos neste paradoxo que nos deixa… sem dinheiro.

É o carrocel:

  • precisamos de dinheiro para viver,
  • a busca de dinheiro leva-nos a maior parte da nossa vida (40 anos até à idade da reforma, em prestações de pelomenos 8 horas diárias),
  • acabamos por não viver a vida porque temos que ganhar dinheiro,
  • o dinheiro gasta-se rapidamente e sem fazer o que precisas que faça,
  • e lá vamos nós outra vez à busca de dinheiro, sacrificando tudo o resto.

 

O Paradoxo do dinheiro na nossa sociedade: a maior parte de nós dá voltas e voltas e acaba no mesmo sitio,

Quantas horas por dia dedicas a ganhar dinheiro? Vale a pena o tempo e esforço pelo dinheiro que ganhas?

Quantas oportunidades para viver a vida é que já te negaste porque precisavas de ganhar dinheiro?

Quantas decisões já tomaste únicamente devido às tuas possibilidades financeiras?

É possível que 99% das tuas decisões não foram tomadas por ti – foram controladas pelo dinheiro. Sentiste-te forçado a tomá-las da forma que tomaste por causa do dinheiro… ou a falta dele…. ou o medo de o perder.

 

Como seguir uma vida livre, sustentável, e ética, se não nos conseguimos desligar no “flagelo” do dinheiro? Será possível conciliar uma vida de sustentabilidade e em harmonia com a Natureza com a “sombra  negra do dinheiro” que paira sobre tantos nós?

 

Um dia, a minha irmã Bia conta-me um episódio que aconteceu na Internet.
Ela recebeu uma mensagem de uma pessoa que dizia:
“Eu odeio dinheiro e todo o mal que causa neste mundo. Não preciso de dinheiro para nada, sou completamente auto-suficiente. Como te atreves dizer que dinheiro (querê-lo e ter muito dele) é bom? Temos que viver sem precisar de dinheiro – só assim vivemos de uma forma auto-sustentável e off grid”.
A minha irmã colocou então a seguinte questão: 
“Se não precisas de dinheiro para nada, e é assim tão mau, como pagas a Internet que estás a usar para falar comigo? Com galinhas?” 
Ao longo da conversa, a Bia descobriu que esta pessoa afinal PRECISAVA de dinheiro, apenas não o tinha – estava a viver em casa dos pais e a Internet era paga por eles.
“Não te iludas – ser auto-suficiente, ou viver de uma forma sustentável, não tem nada a ver com viver à custa do dinheiro das outras pessoas, ou viver pobre, em escassez – dinheiro não é mau, nem é bom – é o que fazemos com ele.
 

De certeza que muitos de nós compreendemos tanto um lado desta conversa, como o outro.

E se, como eu, sonhas com aquele mundo idilico em que não existem os flagelos causados pela corrupção, abuso de poder e ganância, é compreensível de magoe um pouco reconhecer o facto que precisamos de dinheiro para sobreviver – uma realidade que muitos acham triste.

Mas não será pior ainda caminharmos em direção de uma distopia? Como a pessoa que, vivendo numa ilusão, nega que precisa de dinheiro para viver, alega uma vida auto-suficiente, quando realmente está a viver à custa do dinheiro dos outros?

 

Realmente, e vais ver quando chegares ao final do artigo, o que faz o dinheiro ser um problema ou uma solução é a nossa relação com ele, a forma como lidamos com o dinheiro na nossa vida e nas nossas decisões do dia a dia.

Como pensamos que não podemos fazer nada sem ele, não pensamos noutra coisa…como uma droga, estamos sempre presos a ele, precisamos sempre dele, e pensamos que não podemos viver sem ele… e ao mesmo tempo parece ser a solução, mas a maior parte das vezes é o problema.

E de repente, a tua vida deixa de ser tua.

  • Não persegues os teus sonhos porque não tens dinheiro.
  • Não segues a tua carreira de sonho porque “não tem saída”.
  • Não viajas porque precisas de um emprego, para ganhar dinheiro, gastá-lo para sobreviver, e ficar na mesma. Mais uma volta ao carrocel.

 

Então, como nos podemos libertar deste paradoxo do dinheiro, se sem ele, não podemos sobreviver na nossa sociedade moderna?

Principio de Permacultura: O problema é a Solução.

Dinheiro é apenas mais um recurso, e, em permacultura, qualquer recurso que não esteja a ser devidamente utilizado num padrão ciclico é considerado poluição.

A nossa sociedade está poluída pelo dinheiro – existe excesso em alguns sitios, onde estagna e apodrece, e existe escassez em outros sitios, onde pouco cresce, e com dificuldade.

 

Mas a solução para “o problema do dinheiro” não é afastarmo-nos dele, mas sim diminuir a nossa dependência TOTAL nes, e melhorar como essa “energia” circula. Mais, uma vez, a permacultura ensina-nos algo valioso: não colocar todos os ovos no mesmo cesto. Ter fontes diferentes para adquirires o que precisas.

Dinheiro, tal como tempo, são apenas medidas de energia para conseguir algo a que te propões concretizar. E quando o dinheiro e o seu ciclo são usados de uma forma sustentável, acontecem coisas fantásticas, como já mostrou Bill Mollison, um dos pais da permacultura – ele sempre incluiu finanças como uma estrutura “invisível” CRUCIAL para o sucesso de qualquer habitat humano sustentável:

Mas, enquanto a nossa sociedade ainda revolve completamente em torno do dinheiro, nós podemos começar a desintoxicar desta dependência na nossa mente com apenas algumas novas ideias acerca da realidade do dinheiro.

Vamos lá melhorar a tua relação com a tua Carteira:

 

#1 Há que mudar o nosso relacionamento com dinheiro. 

[tweet_dis]O dinheiro faz um excelente empregado, mas um péssimo patrão.

Mudas o teu relacionamento com o dinheiro, e começas a ter resultados diferentes com ele.[/tweet_dis]

Começa por deixar de tomar decisões exclusivamente baseado no extrato da tua conta bancária.

Tu és o patrão, não o dinheiro, por isso as decisões devem vir de ti, e não do dinheiro que te diz  instantaneamente “não podes”, sem olhar a mais nada, e sem interesse em soluções. Mais vale quem quer do que quem pode. Destranca a tua capacidade criativa de resolução de problemas e pensa paralelo ao dinheiro.

 

#2 Dinheiro é apenas uma ferramenta. Não é a solução nem o problema.

Uma ferramenta serve um propósito e nada mais.

Uma pistola, ou seja, o objeto em si, não é bom nem mau.
Se estiveres a apontar a um alvo inanimado, não é mau.
Mas se estiveres a apontá-la a uma pessoa, já é.

Tu é que dás o significado às coisas, dependendo da utilização que lhes dás e o resultado.

Com o dinheiro passa-se o mesmo. E como qualquer ferramenta, tem o seu lugar, altura e propósito próprio.

Se queres apertar um parafuso, e puxas do martelo, vais ter um problema.

Se usares a ferramenta certa, da forma correta, dar-te-á o resultado que procuras.

Em permacultura, dinheiro é uma ferramenta importantíssima, um elemento das estruturas invisiveis que ajudam o sonho daquele projeto, eco-casa ou agro-floresta – é transformar dinheiro em algo que te orgulhes e que beneficie a muitos níveis.

 

#3 A Falsa associação na nossa mente que diz que a falta de dinheiro é a raíz de todos os nossos problemas e a razão porque não conseguimos resolvê-los.

O Rui Gabriel contou-me uma história no outro dia de uma senhora que o abordou na Internet e se queixou que não podia fazer muitas coisas na vida dela, incluindo arranjar emprego, porque sofria de depressão. Imediatamente ele perguntou-lhe se ela ganhasse 1 milhão de dólares naquele momento, se ainda se sentiria deprimida.
Ao que a senhora, espantada, respondeu: Não.
Isso imediatamente mudou o paradigma dela, do que ela achava sobre as limitações dela e a sua relação com o dinheiro, e, efectivamente, afiliou-se ao nosso sistema de blogs e da Tribo, e deu um passo na direção das mudanças que queria ver na sua vida.

Se o teu problema é, por exemplo, falta de tempo para fazer o que queres, então a solução é arranjar tempo, não a falta de dinheiro. Faz disso uma prioridade, e não te foques no dinheiro como a solução milagrosa para tudo.

 

#4 Tira o dinheiro do pedestal e põe-o na caixa de ferramentas com todas as outras.

Como dissémos antes, dinheiro é uma ferramenta muito poderosa, mas mais uma vez, tem a sua altura de ser usada.

Como a senhora que negligenciou todas as suas outras capacidades porque estava tão focada na falta de dinheiro, não nos podemos esquecer que temos outras ferramentas essenciais para termos sucesso: tempo, competências, paixão, motivação, resiliência, ética, entusiasmo, conhecimento, iniciativa, etc…

Dinheiro ajuda nas nossas necessidades materiais, mas nós sabemos que não compra amor, não compra relacionamentos especiais e genuínos, não compra momentos singelos, não garante realização pessoal ou sucesso, e, como vemos pela infinidade de celebridades e o seus rastos de escândalos na vida pessoal, não garante felicidade.

[tweet_dis]Há muitas coisas que o dinheiro não consegue fazer por ti, portanto não dês mais importância a essa ferramenta sobre todas as outras. Cada uma tem o seu propósito.[/tweet_dis]

 

#5 Usa as Outras Ferramentas.

Tens tempo, competências, capacidades, potencialidades únicas, motivação, objetivos, SONHOS, pessoas, relacionamentos pessoais e profissionais, etc, etc, ETC!

Usa e desenvolve as outras ferramentas, para não estares tão dependentes na ferramenta que é o dinheiro. Assim, mesmo que não tenhas muito dinheiro, sentes-te seguro que podes ir em frente na mesma porque tens uma caixa inteira de ferramentas ao teu dispor.

 

O que vai finalmente mudar a tua vida é deixares de pensar que dinheiro é um canivete suiço que resolve tudo, e começares a tomar decisões benéficas para a tua vida MESMO que isso não te dê mais dinheiro logo – porque, se dinheiro não é o mais importante da tua vida, mas sim o sonho que queres realizar com a sua ajuda, então não o trates como tal.

 

#6 Desapega-te do Dinheiro Emocionalmente.

Já percebemos que o dinheiro é uma ferramenta. Mas a maior parte das pessoas desenvolve um apego emocional ao dinheiro que não pertence.

Eu sei por experiência própria – principalmente quando, no inicio, decidi que queria levar uma vida mais simples e em harmonia com a Natureza. Ambos esses conceitos – dinheiro e vida “hippie” auto-suficiente, não pareciam encaixar.

Sentimos ansiedade quando precisamos de gastar dinheiro, temos medo de não ter dinheiro, achamos que abrir mão de dinheiro é uma ameaça para a nossa subsistência e agarramo-nos a ele -não só emocionalmente como literalmente – ou, para evitar essa dor de não ter algo que sentimos falta, mentimos a nós mesmos, dizendo que não precisamos dele.

Mas se nos agarramos emocionalmente ao dinheiro, não o podemos USAR da melhor forma para que possa gerar mais, para que possa fazer o que tu precisas que ele faça. Dinheiro é como água numa nora, só atua se a direccionares e deixares circular. Se não libertares a água, não esperes ver a nora a funcionar.

Esta é a principal razão porque a maior parte das pessoas fogem da palavra investimento, mesmo sabendo que investimento, seja de tempo, trabalho ou dinheiro, é necessário ao sucesso e à realização dos seus sonhos.

O objetivo real da pessoa nunca, ou raramente, é dinheiro.

A maior parte das pessoas não quer dinheiro pelo dinheiro em si, mas porque o dinheiro lhes permite realizar os seus objetivos REAIS, como poder dar a melhor vida à sua familia, poder seguir a sua carreira de sonho, poder dar os melhores cuidados a um familiar doente, poder passar mais tempo com a familia e amigos, poder ajudar pessoas e fazer a diferença, criar o estilo de vida que os faz feliz etc…

 

Estou numa tribo onde dinheiro não existe, e eles precisam de uma habitação nova.Se eu lhes der 10 000 dólares, eles provavelmente vão pensar que eu sou doida, “porque é que esta mulher de cabelo amarelo nos está a dar esta coisa esquisita com desenhos?” Não tem significado nenhum para eles, e portanto, não há apego emocional.Mas se, em vez disso, lhes construirmos a habitação, aí já tem significado. Provavelmente ficariam muito felizes. Mesmo que eu tenha gasto os mesmos 10 000 dólares para construir a casa, não é o dinheiro que tem significado, mas sim o sonho.

 

Quando nos desapegamos emocionalmente do dinheiro, estamos a focar-nos nos nossos objetivos reais, e o dinheiro é simplesmente outro recurso que estás a usar para lá chegar.

No fundo, é a tua visão do futuro com que sonhas que te vai dar o entusiasmo e a alegria que te motivarão para a frente, e serás muito mais objetivo nas tuas ações relativamente a dinheiro, porque deixaste de te associar emocionalmente a ele.

Saberás ver mais claramente, e sem medo ou ansiedade, que usando o dinheiro alinhado com as tuas prioridades na vida é o que vai pôr o dinheiro a trabalhar para ti e em direção ao teu sonho.

Tira-o do pedestal, e dá prioridade ao que é REALMENTE importante na tua vida. Aos teus objetivos reais.

Verás que o dinheiro deixa de ser tão importante, e deixarás de te sentir stressado ou ansioso quando pensas nele ou quando decides que está na hora de o pôr a trabalhar para o teu sonho.

 

BÓNUS:

A maior parte do rancor que guardamos em relação ao nosso sistema económico, e ao dinheiro, é realmente a nossa ânsia de ver um recurso com tanto Poder ser utilizado mais em prol do bem das pessoas e do planeta – e quando vemos pessoas a usar “mal” este recurso, faz deflagrar um fogo de ultraje e sede de justiça – de querer mudar para algo melhor.

Gostava que saísses daqui com uma pergunta:

Se afirmamos que faríamos diferentemente, e de uma forma mais sustentável, a aplicação desse dinheiro que vemos outras entidades investir de uma forma egoísta e prejudicial, isso não significa que pode ser a nossa RESPONSABILIDADE ganhar dinheiro com/usando os nossos principios éticos de cuidar das pessoas, cuidar da terra, e partilha de excedentes?

 

Não será hora de tomar responsabilidade por, a nivel individual, mudar o significado do dinheiro em algo que nos faça sentir mais livres, em vez de mais aprisionados? E como podemos fazer isso se não integrarmos o dinheiro como uma semente “joker”, que se pode transformar naquilo que precisas, em vez de ser a raíz dos nossos problemas?

O problema que enfrentamos – o dinheiro – é a solução. Apenas precisamos de entender o bem que pode fazer, e a nossa responsabilidade de o ganhar para poder transformá-lo nisso mesmo: Bem.

 

Quando vais parar de tomar decisões baseado no quanto tens na tua carteira?

O que vais fazer hoje para alavancar o teu estilo de vida?

 

Rute Gabriel

 

Luxo na Simplicidade: Este Chuveiro tem água Aquecida pela Natureza

Luxo na Simplicidade – Nem todos nos podemos dar ao luxo de ter uma vida simples. Isso é para quem não tem contas para pagar, não parece?

A era de luxo decadente “à Trump”, não só enjoa – tanto pela sua saturação como pelas razões éticas de ostentar tanto em prol de algo tão superficial, – como é considerado foleiro, mesmo por aqueles que não se importam em ostentar uma vida “luxuosa”. Hoje em dia “luxo” não é mais uma abundância quase claustrofóbica de excessos concentrados, como ter o nosso próprio arranha-céus com o nosso nome em letras de ouro com 4 metros de altura.

Luxo é o objeto simples e indispensável, é a tecnologia que nos facilita a vida mas que não chateia a vista, é ter os confortos da vida a que o séc.XXI nos habituou de uma forma simples, descomplicada e natural. Hoje, luxo e glamour é o natural, a comida biológica, o fairtrade.

Luxo é Simplicidade Pinterest

Pinterest. Alternativo, ético, ecológico e luxuoso

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

É engraçado que precisámos de viver num mundo de excesso e de consumo extremo para perceber o luxo que é a simplicidade. É elegante, para não dizer ético e ecológico, e faz-nos sentir bem saber que podemos ter todos os luxos e confortos sem o sentimento de culpa do preço que a Terra, e outros seres humanos, terão pago para que nós possamos gozar de tais confortos.

Quando se fala em viver em harmonia com a Natureza, ainda apela a muitas pessoas à velha ideia de viver com muitas dificuldades e pobreza, como os nossos avós, ou associar à distopia dos “grupo de hippies malcheirosos”.

A verdade é que disciplinas como a permacultura procuram soluções económicas, ecológicas, e integradas com as necessidades e conforto necessários para o nosso bem-estar. E isso inclui o um duche de água bem quentinha no final de um longo dia.

E se eu te dissesse que podes ter o luxo de ter água quente sem precisar de gastar gás natural da botija? De facto, se já fazes compostagem, já tens uma fonte de calor inestimável que, com este sistema que te vamos mostrar, podes utilizar para aquecer água para um belo duche de composto!

Sim, leste bem. Estou a falar de luxo, e agora estou a falar que existe tal coisa como um duche de composto.

Se te arrepiaste um bocadinho quando juntei as palavras “duche” e “composto”, não fujas ainda – vai tudo fazer sentido.

Credito de Imagem: Pinterest http://pin.it/zX5SCgu

Credito de Imagem: Pinterest 

chuveiros ecológicos

Crédito de Imagem: knox.Villagesoup.com

 

No projeto Agro-Ecológico da Aldeia do Vale, onde tirámos o nosso Certificado de Design de Permacultura, conhecemos imensas pessoas, projetos e ideias fantásticas que revolvem em torno de um estilo de vida menos dependente do consumo excessivo e claustrofóbico, e mais livre e ecológico.

Estivémos lá durante 14 dias. Éramos cerca de 20 pessoas. E todos nós usufruímos de duches bem quetinhos, diários, aquecidos por uma pilha de composto – não só a água vinha a tais temperaturas que bastava ligar um pouco da água quente para temperar a água fria, como nunca foi necessário trocar a pilha de composto para que continuássemos a usufruir de água quente.

Quanto é que isso teria custado se tivesse sido fornecido através do uso de gás natural? Obrigado ao Mestre Coy por ter tudo explicadinho neste artigo.

De facto, uma pilha de composto deve ser vigiada (principalmente se é composto para a horta) para que não ultrapasse os 60C e não mate os micro organismos que queremos numa pilha de composto de qualidade.

Toda essa actividade dentro da pilha de composto é o que produz todo o calor que queremos aproveitar.

Para isso, a água vem da sua fonte – no caso da Aldeia do Vale, uma nascente – e um tubo leva a água para dentro da pilha de composto. O tubo no interior da pilha está disposto numa serpentina que, quando cheia de água, age como uma caldeira armazenando o máximo de água possível enquanto o calor do composto a aquece. Ui, e se a aquece.

Esse tubo sai pelo fundo da pilha e encaminha a água diretamente para o chuveiro.

ilustração básica de como funciona o chuveiro de composto. Credito imagem: permaculturenews.org

ilustração básica de como funciona o chuveiro de composto. Credito imagem: permaculturenews.org

Para um projeto de sucesso, há que ter em conta a pilha de composto, o sistema de canalização, e a pressão de água. Na Aldeia do Vale, o tanque e a pilha foram colocados num local elevado numa tentativa de criar pressão de água suficiente para o chuveiro usando apenas a força da gravidade, mas por falta de altura para criar a pressão necessária, tornou-se mais vantajoso adicionar uma pequena bomba.

Como permacultura trata de fechar ciclos, não faz sentido investir em, por exemplo, gás natural – um combustível fóssil (e nada barato) – para aquecer água, quando existe uma pilha de composto que agora, não só irá contribuir para um solo mais fértil e maior quantidade e qualidade da comida da tua horta, como está também a criar  energia térmica que, aproveitada, contribui para a tua carteira, bem-estar, higiene, e conforto – e ainda reduz a tua pegada ecológica.

Isto é que é luxo.

 

 

 

Será que chamar Permacultura de “fácil” encaminha os Novatos ao Fracasso?

[fancy_box id=5]Temos o prazer e a honra de ter autorização do Permaculture Research Institute para traduzir para PORTUGUÊS o conteúdo fantástico que eles disponibilizam no blog deles. Achamos o conteúdo deles valiosíssimo e achamos que mesmo quem não sabe Inglês MERECE ter acesso a esta informação. Espero que gostes[/fancy_box]Artigo original em Inglês por Kristan Patenaude 

Permacultura é um conceito relativamente novo para mim – e simultaneamente, não o é. A ideia de trabalhar com, em vez de contra, a Natureza de forma a criar sistemas infinitamente sustentáveis faz sentido para mim a um nível basilar, apesar de não ser uma prática actual minha. O meu passado académico e mentalidade emocional trouxeram-me diretamente no caminho de cuidar da Terra, cuidar das suas pessoas, e devolver qualquer tipo de excedente criado de volta à Terra.

Tem sido uma viagem que me abriu os olhos, mergulhar no mundo da Permacultura e aperceber-me o quão profundamente flui. Em tão poucas palavras, parece como uma forma ideal e fácil de viver.

Mas será mesmo? Se sim, como pode ser transmitido simplesmente a novatos, como eu? E se não é, como podem permacultores partilhar as suas ideias sem dissuadir os mais facilmente dissuadíveis?

Compostagem? Eu faço isso! Agro-florestas? Bem, tenho muitas ervas daninhas no quintal, portanto estou basicamente a fazer isso. Recolher água da chuva? Eu consigo absolutamente fazer isso – e parece tão simples. As pessoas estão a fazer muito da Permacultura parecer fácil e realizável, até para aqueles entre nós que são novos na aprendizagem do tema. Num mundo onde DIY estão prontamente acessíveis no Pinterest, muitas pessoas desejam saltar de pés juntos a experimentar coisas novas.

Queremos acreditar que o produto final que vemos é um que nós iremos capazes de fazer nós mesmos, e que o nosso parecerá exatamente como o que vemos no ecrã. Mas há, claro, os temidos “fails Pinterest” e uma certa quantidade de desânimo que vêm por acréscimo. A percepção que algo não é tão fácil como parece pode ser o que desliga muitos de nós a tentar aprender novas competências.

Para adquirir uma nova audiência, os permacultores precisam de explicar aos “inquilinos” destas práticas sem causar o desânimo e afastamento daqueles que podem não ter sucesso imediatamente, ou que talvez não compreendam as profundezas a que esta ciência pode chegar.

Permacultura não é sempre fácil. Requer algum nível de envolvimento, a ser decidido pelo utilizador. Como Damien Bohler explica em The Essential Practical Nature of Permaculture,

“Permacultura não é difícil e as competências necessárias para implementar design em permacultura podem ser adquiridas por qualquer um, no entanto, são competências que precisam de ser aprendidas. Reconhecer que existe uma necessidade de aprender, que há a necessidade de encontrar um ponto de partida prático, que nem toda a gente pode simplesmente largar tudo e imergir a sua vida num treino a full-time, prático e intensivo…”

green leek plants in growth at garden

Permacultura não é um projeto DIY que deva ser iniciado sem alguma pesquisa inicial, mas deve ser acessível a qualquer um, desde que estejas disposto a trabalhar em direção a um objetivo. Há livros para ler, especialistas no terreno com quem aprender, e cursos que te podem levar tão longe como um Certificado de Design de Permacultura. A um membro recentemente iniciado, a quantidade de trabalho pode parecer avassalador, especialmente quando permacultores experientes dizem que é fácil.

Quão envolvido precisa alguém de estar para ser considerado parte deste movimento? Será que esta cultura se preocupa com as pessoas rejeitarem a ideia pela sua possível complexidade?  Parece que aqueles que conseguem mergulhar com profundidade suficiente para criar complexos sistemas sustentáveis inteiros devem, claro, ser aplaudidos (e de admirar maravilhosamente boquiaberto, se fores como eu) – mas também que qualquer tipo de projeto de permacultura que seja empreendido com energia positiva devem ser homenageados e aplaudidos.

Jonathon Engels, no seu “Se Isso não é Permacultura, o que é?”, ressoa muito com esta ideia.

“Consequentemente, nem todos vão embarcar na mesma missão que o próximo, mas é o esse movimento coletivo na direção em algo verdadeiramente melhor – para nós mesmos, outros, e o planeta – que resulta nas grandes mudanças necessárias.”

Talvez as minhas árvores por podar e pequena pilha de compostas sejam significativas. São importantes porque mostra que estou a tentar estar envolvido em permacultura. Estou a trabalhar para aprender através da leitura e comunicação com os outros. É nestes pequenos feitos que vêm as representações de sucessos maiores de novos permacultores. Quer estas ações tenham sido fáceis para mim, ou incrivelmente dificeis devido a qualquer circunstância, a importância vem do esforço e intenção.

Encorajamento é uma das mensagens mais importantes a transmitir àqueles mais recentes a esta filosofia. Quando um novato tentar criar um sistema solar de bombeamento de água ou um riacho no jardim mas não tem sucesso, reassegurá-la pode fazer a diferença entre tentar de novo ou desistir completamente. Dar confiança àqueles que nós que, efetivamente não sabem o que estão a fazer, mas sabem que querem tentar, pode ajudar-nos a esforçar-nos mais e procurar métodos mais eficientes.

É também vital que se partilhe informação e fornecer treino de modo a envolver mais pessoas. Haverão sempre aqueles que esperam poder atalhar em quantidades significativas de estudo na esperança de encontrar um video rápido que lhes mostrará o que fazer, mas essas pessoas também merecem uma oportunidade de pertencer a este movimento. Eu penso que é por isso que é tão importante reconhecer as dificuldades que acompanham muito da permacultura, enquanto ao mesmo tempo ser uma voz de suporte para aqueles que estão apenas a começar.

Permacultores trazem um grande elemento de inspiração com eles. O seu foco e determinação, quando combinados com compreensão e apoio, podem levar a permacultura a uma nova geração de pessoas que esperam resolver problemas da forma “mais fácil” possível.

Shou Sugi Ban: Uma Forma Simples e Ecológica de Tratar Madeira

Ler Este Artigo Demora-te: 5 min… e não te esqueças de ver o video no final do artigo! 

 

Achas que Arsénico e Cromo são químicos hidrosolúveis ideais para tratar madeira?

Realisticamente a tua resposta a esta minha pergunta não tem grande relevância, a maioria da madeira tratada hoje em dia é maioritariamente tratada com hidrosolúveis com estes dois químicos como principais componentes.

Já alguma vez pensaste que pudesse existir uma alternativa viável a esta prática comercial/global?

Neste artigo vamos mostrar-te como tu próprio podes tratar a tua madeira contra fungos, bactérias e ainda a protegeres contra o fogo de uma maneira simples e ecológica.

A esta técnica que vamos falar hoje, os Japoneses chamaram Shou Sugi Ban (ou Yakisugi) à centenas de anos atrás.

 

O que é o Shou Sugi Ban?

Esta técnica consiste em queimar a parte exterior da madeira, raspar a camada escura de lignina que é criada pela celulose a arder, molhar a madeira e selar com óleo de linhaça ou óleo de Tung.

Não existem registos das origens desta técnica, mas temos conhecimento que construtores já a usavam no século XVI como forma de tratar madeiras, normalmente cedro, contra climas muito húmidos, que tornavam a construção com madeira pouco viável devido ao apodrecimento da mesma através de fungos e bactérias.

O Shou Sugi Ban, por mais incrível que pareça, também tornava a madeira resistente a fogos.

Na minha opinião pessoal, este tratamento de madeiras, além de todas as qualidades acima referidas, ainda tem a vantagem de ser estéticamente atraente.

Ao longo do tempo, a prática de chamuscar o exterior da madeira deu lugar a tratamentos químicos (que incluem componentes como Arsénico e Crómio) e para satisfazer a estética começaram a pintar a madeira com uma tinta preta que se assemelha ao aspecto original da madeira queimada.

Se me perguntares qual é a razão pelo qual existiu essa transição, não te sei responder ao certo, mas o mais provável é ter sido um decisão a nível comercial, com o objectivo de conseguirem tratar mais madeira num curto espaço de tempo para satisfazer o mercado.

O meu objectivo com este artigo é partilhar contigo uma alternativa aos vernizes e hidrosolúveis que afectam directamente a terra onde contactam, e não tem tanto resultado como o Shou Sugi Ban.

Já li que madeira tratada com esta técnica e sem manutenção alguma, consegue ficar preservada durante 80 anos.

Yakisugi Infograf

Aplicações Práticas

Aqui no Eco-Projecto Chão das Pias, deparamo-nos com esta técnica quando fomos à procura de soluções para usar madeira não-tratada que tinhamos na garragem, para construir uma casa de banho seca na rua.

Obviamente que a primeira recomendação apresentada foi para usarmos um verniz ou uma tinta selante. Na nossa cabeça, foi bastante óbvio que essa prática não era ecológica. Não foi preciso pesquisar durante muito tempo para encontrar a técnica Shou Sugi Ban, aliás, estava em todo o lado como a melhor técnica em termos de qualidade do tratamento, acabamento estético e ecologia.

Decidimos aplicá-la nos barrotes e madeira necessária para construirmos a estrutura da nossa casa de banho seca. Foi tão simples que até parecia mentira.

Nós usámos um maçarico para tornar o processo mais rápido, mas se quiseres podes fazer uma fogueira e usá-la para queimar a madeira. Após isso, usámos um esfregão de arame para raspar a camada residual de pó preto que ficou na madeira, molhamos e depois de seca passamos uma camada de óleo de linhaça em toda a superficie.

Como já podes entender, é um processo simples que qualquer um consegue fazer em casa, e é mais um passo em prol da ecologia.

Este exemplo foi o mais pertinente no Eco-Projecto Chão das Pias, mas existem infinitas aplicações para o Shou Sugi Ban. Este Natal, quando decidimos que queriamos fazer os presentes nós mesmos, fizemos presentes utilizando esta técnica, não tanto para efeitos de preservação mas sim pela estética,  como podes ver na foto abaixo.

 

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Espero que este artigo tenha sido útil para ti. Se já conhecias este conceito partilha conosco as aplicações práticas em que usaste o Shou Sugi Ban e se tiveres mais informações que não encontraste aqui, por favor partilha-as conosco e com todos os outro leitores deste blog para que possamos todos aprender mais.

Se tiveres informação extra para partilhar com a malta estamos abertos a todas as opiniões e promovemos o desenvolvimento de ideias novas – deixa o teu feedback nos comentários ou nas redes sociais!

 

Porque Os Nossos Espaços Urbanos PRECISAM de Permacultura: O Problema É a Solução!

Temos o prazer e a honra de ter autorização do Permaculture Research Institute para traduzir para PORTUGUÊS o conteúdo fantástico que eles disponibilizam no blog deles. Achamos o conteúdo deles valiosíssimo e achamos que mesmo quem não sabe Inglês MERECE ter acesso a esta informação. Espero que gostes
Artigo original por Rebecca McCarty
 

De acordo com as Nações Unidas, estima-se que, até 2050, aproximadamente 66% da população mundial habitará em cidades. As consequências dessa estatística para a Humanidade e para o nosso meio ambiente são enormes. Como as cidade são tipicamente muito “recurso-intensivas”, exigindo vastas quantidades de energia, água, alimento, e outros recursos naturais, estas colocam um fardo muito pesado sobre o nosso planeta para as gerir. No entanto, não tem que ser assim.

Áreas urbanas providenciam um laboratório perfeito para a transformação no nosso mundo num que seja sustentável. Em vez de serem um tremendo escoamento do nosso meio ambiente e recursos naturais, as cidades podem se tornar auto-sustentáveis e satisfazer as necessidades de cada habitante. Ao implementar design em permacultura e outros princípios de vida sustentável, as cidades podem produzir a sua própria energia, reciclar recursos contínuamente, produzir os próprios alimentos, e capturar e conservar água.

Ao integrar design em permacultura no planeamento e construção urbana, e também na forma como habitamos nas cidades, podemos produzir e reciclar muito do que necessitamos, e não precisamos mais de colocar um fardo indevido nos recursos que exploramos nas nossas zonas rurais. Isto permitiria muitos ecossistemas, como florestas, recuperarem, e poderíamos mais facilmente trabalhar para restaurar paisagens degradadas por este mundo fora, que ajudaria a restaurar o solo, os terrenos, os nossos ecossistemas globais, e sustentar as necessidades básicas da Humanidade.

Apesar do Ser Humano ter, de facto, causado muitos danos no planeta, nós somos inerentemente parte da Natureza, e portanto, podemos ter um papel importantíssimo na reabilitação do nosso planeta.

Apesar de transitar em direção a este futuro sustentável requerer um vasto salto na forma como, enquanto espécie, vivemos em relação ao nosso lar aqui na Terra, para uma forma de vida que muitos talvez ainda não se sintam preparados, existem muitas formas de começarmos a pensar sobre, e a transitar para essas possibilidades hoje.

Vale a pena considerar que nenhum dos maravilhosos avanços humanos que temos hoje, como a eletricidade que estás a usar neste preciso momento para ler este artigo, apareceu por acaso. Foram desenvolvidos porque pessoas trabalharam arduamente para o fazer acontecer, e essas mesmas pessoas provavelmente até falharam algumas, ou até muitas vezes, ao longo do caminho antes do sucesso ter acontecido.

Estas são apenas algumas das muitas formas como a permacultura tem o potencial de nos auxiliar a atacar os desafios mais iminentes com que nos deparamos nas áreas urbanas em todo o mundo.

 

1.USO ENERGÉTICO

Hoje em dia, espaços urbanos em todo o mundo usam e importam enormes quantidades de recursos energéticos (frequentemente baseados em combustíveis fóssil) para conduzir electricidade, operar sistemas de aquecimento e arrefecimento de prédios, assim como operar muitos outros elementos de infra-estruturas como bombas de água e tratamento de esgotos.

Solar panel on a red roof

Permacultura oferece soluções práticas a este problemas, tais como incorporar design solar passivo, tratamento de resíduos natural, implementação de eficiência energética, apoiar recursos energéticos renováveis como solar e eólico, e a construção de prédios e habitações que não só não requerem energia exterior a elas para climatização, como também produzem a sua própria energia e alimentam a cidade com o excesso dessa produção de energia doméstica.

 

2. O EFEITO DA ILHA TÉRMICA URBANA

Vastas faixas de betão, aliado à geral falta de árvores e outra vegetação em áreas urbanas, levam à retenção de calor solar e um aumento geral das temperaturas acima do que se observa nas áreas rurais circundantes. Isto leva a um risco acrescido de sobre-aquecimento de indivíduos vulneráveis, e requer também um aumento do consumo de electricidade necessário para manter os prédios frescos durante os dias quentes de Verão.

Design em permacultura pode ajudar esta questão de uma forma abismal aumentando de forma generalizada a cobertura vegetativa em espaços urbanos através da plantação de vegetação – através do estabelecimento de espaços verdes, jardins e bosques alimentares, o plantar de árvores e arbustos, a re-vegetação de espaços urbanos abandonados, e a restauração de paisagens naturais.

Ao aumentar os espaços verdes presentes nas áreas urbanas, a energia solar é capturada para utilização pelas plantas em vez de aquecer o betão, assim como o ambiente urbano circundante. Telhados Verdes instalados no topo de prédios citadinos também podem reduzir tanto o gasto energético desses prédios e habitações, como reduzem também o efeito de ilha térmica urbana.

 

3. EXIGÊNCIAS E DESPERDÍCIO DE RECURSOS NATURAIS

É absolutamente verdade, com algumas exceções, que as cidades importam vastas quantidades de recursos, enquanto exportam enormes quantidades de lixo. Nem na nossa imaginação é isto de alguma forma sustentável. Nenhum ecossistema na Natureza opera assim, senão, simplesmente deixaria de funcionar num curto espaço de tempo. É imperativo que as nossas cidades comecem a funcionar muito mais como ecossistemas, e reciclem e explorem recursos dentro delas mesmas de uma forma muito mais eficiente.

Apesar da reciclagem de materiais como garrafas, latas, e papel ser absolutamente necessário, existem ainda muitos recursos que nãosão recicláveis e ainda hoje acabam nas lixeiras. Nós temos que planear e fazer coisas que podem ser usadas repetidamente e que não poluam a nossa terra, água, ar, e os nossos próprios corpos. Os nossos restos alimentares podem ser re-utilizados como composto para criar solo saudável. Até os nossos dejetos humanos podem ser re-utilizados para paisagens e combustível, se o design e planeamento de sistemas seguros for eficaz e utilizados responsavelmente.

Cidades são locais ideais para sistemas de reciclagem e reutilização porque já existem os sistemas de infra-estruturas e transporte necessários para os suportar.

 

4. ALIMENTO E FOME

Permacultura distingue-se na demontração do quão eficiente pode ser a produção alimentar em praticamente qualquer lado, desde hortas comunitárias, a camas hugelkultur, e jardins de aromáticas em espiral em quintais, jardins de telhado/terraço, a quintas urbanas sustentáveis, plantar jardins em varandas, produzindo tanto plantas comestíveis e peixe através de aquaponia, até a plantar dentro de casa.

Tomato seedlings

Com tantas opções, há muito poucas razões porque todas as familias não podem estar a cultivar seja o que for. O que precisamos é que aqueles que têm conhecimento em permacultura e agricultura sustentável mostrem como cultivar algo, motivar outros, e empoderar outros com as ferramentas que precisam para o fazer acontecer.

 

5. ÁGUA

À medida que água se torna um recurso cada vez mais escasso por todo mundo nos dias que correm, água é um recurso natural em que absolutamente temos que nos focar nas nossas áreas urbanas e para a qual precisamos encontrar soluções sustentáveis. Simplesmente não conseguimos viver sem água potável. Nas nossas cidades, ora estamos a desperdiçá-la, ora não temos que chegue devido a secas, ora estamos a lidar com desastres naturais relacionados com ela – como inundações, ora temos comunidades a ter que lidar com águas contaminadas.

A poluição do rio Tejo devido à falta de responsabilidade ética das empresas e autarquias que o usam. Manifestação de defesa do nosso rio Tejo agendada para 4 de Março de 2017, organizado pela ProTejo.

 

Permacultura oferece muitas soluções para desafios de recursos hídricos em áreas urbanas. Águas que escoam de superfícies impermeáveis podem ser mitigadas e capturadas incorporando jardins de chuva, pantanais, e superfícies permeáveis dentro das nossas paisagens urbanas. Inundações podem ser mitigadas através da plantação de vegetação perene de raízes profundas e swales na paisagem, o que não só abrandará o correr das águas através da topografia, como também ajudará a recarregar aquíferos que providenciarão água quando outros recursos hídricos escasseiam.

Podemos também implementar a captura e armazenamento de água da chuva em espaços urbanos, eliminar a prática devassa de regar enormes relvados inúteis, fazendo um design paisagístico adequado ao clima local, como “xerigismo” [paisagismo seco: “xeros” grego para seco], alfombra dos nosso jardins e plantas em vez de regar desnecessariamente, implementação de tratamento de resíduos e esgotos naturais e eficazes, e eliminação do uso de químicos tóxicos nos nossos relvados e jardins que se infiltram e poluem as nossas fontes de água.

 

6. POBREZA E DESEMPREGO

Neste caso, o problema é mesmo a solução! Enquanto o atual sistema económico extrativo considera a abundância de desempregados e sub-empregados como uma “externalidade”, realmente é-nos apresentada uma oportunidade ideal para criarmos uma vida sustentável para a Humanidade restaurando o ambiente da Terra, produzindo comida, e sarando o planeta, e nós mesmos.

O problema tem sido o facto que a economia extrativa ter assumido que recursos naturais são inesgotáveis, e que as pessoas são dispensáveis.

E se desenhássemos uma nova economia sustentável onde as pessoas são de facto consideradas recursos valiosos pelos seus talentos, competências, e valores como seres humanos que encontram soluções para alguns dos maiores desafios com que nos deparamos enquanto espécie? E se o nosso ambiente fosse totalmente reconhecido na nossa economia e tratado como o recurso inestimável que realmente é e não pode ser substituído? Poderemos realmente acabar com uma economia sustentável que leva ao bem-estar e abundância para todos.

 

7. RESGATE DE POLINIZADORES

Porque a permacultura encoraja ecossistemas naturais e produção alimentar sustentável, controlo de pragas natural, encoraja plantas nativas que alentam polinizadores, e não usa químicos tóxicos que os matam, temos uma oportunidade real em áreas urbanas de apoiar populações saudáveis de polinizadores.

De facto, com o uso tão generalizado que químicos agrícolas que matam polinizadores nas áreas rurais, polinizadores nas áreas urbanas podem até ajudar a salvar a sua própria espécie. Todo o esforço conta.

 

8. TRANSPORTE

Pessoas que habitam nas áreas urbanas têm uma oportunidade real de reduzir a pegada ecológica do transporte que utilizam. Em espaços urbanos, podemos andar de bicicleta, caminhar, usar transportes públicos para nos descolarmos na cidade, e normalmente não temos que ir muito longe para adquirir os recursos que necessitamos, como roupa ou comida.couple of friends young man and woman riding bike

Se temos que conduzir para algum lado, existem agora recursos acrescidos disponiveis nas cidades, como programas de partilha de veículos como o BlaBla Car, estações de carregamento de carros híbridos e até bicicletas para arrendar, além da melhoria dos transportes públicos nos espaços urbanos e inter-urbanos.

 

9. PERDA DE HABITAT NATURAL DEVIDO A EXPANÇÃO URBANA

Graças ao aumento do açambarcamento de habitats naturais pelas nossas cidades e subúrbios, o planeta está a sofrer uma enorme fragmentação de habitat, ameaças a muitas espécies de vida selvagem, e perda de ecossistemas funcionais.

No entanto, se começarmos a planear e re-desenhar os nossos espaços urbanos usando permacultura e outros sistemas de planeamento e paisagismo sustentável, talvez consigamos reduzir esta maré cheia de destruição de habitat, reverter muito dos danos causados, e finalmente, transformar as nossas residências em algo que imite e opere muito mais com a Natureza.

O objetivo último da permacultura é viver em harmonia e integrados com o nosso meio ambiente natural. A paisagem urbana é o ambiente perfeito onde a Humanidade pode aprender a transformar esse sonho numa realidade.