SUSTENTABILIDADE e PERMACULTURA

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Como Fazer Kefir e Kombucha: Probióticos e Microbiologia para o teu Corpo

Neste artigo, vais perceber o que são próbióticos, que funções desempenham na tua saúde e bem estar, e como fazer dois fermentados diferentes – kombucha e kefir – para inocular o teu ecossistema interno com a microbiologia necessária para regenerar a tua fauna e flora interna.

 

Kefir, Kombucha, e outros fermentados e probióticos funcionam no nosso corpo como os biofertilizantes funcionam no nosso solo.

Os nossos intestinos são como o solo que pisamos: são o veículo por onde nutrientes são absorvidos pelos seres que deles necessitam.

O nosso corpo é de facto um micro ecossistema que precisa tanto da microbiologia apropriada para garantir o nosso bem estar, como o solo que pisas. Somos compostos de milhões de células, bactérias e outros microorganismos.

Não somos só um corpo… somos um super organismo composto por milhões de outros seres vivos.

 

Sem o microbioma – ou seja, a flora e fauna intestinal saudável – não conseguimos absorver os nutrientes dos alimentos que consumimos. Da mesma forma, o solo pode ter em si todos os nutrientes para a planta, mas estes podem não estar disponiveis devido a um desiquilibrio ou até falta de microbiologia no solo.

Interessante como coisas tão diferentes operam sobre os mesmos princípios, não é?

O Planeta funciona em padrões, e em permacultura aprendemos a observar e interpretar esses mesmos padrões.

Um biofertilizante para o solo é na realidade um método de inoculação de microbiologia vibrante que dará nova vida ao solo, tornando os nutrientes presentes absorvíveis pelas plantas, e fazendo com que estas cresçam mais saudáveis.

Kefir, Kombucha, chocrute e outros preparados fermentados e probióticos fazem o mesmo para o nosso ecossistema interno.

Fonte: Food & Nutrition Magazine

Fonte: Food & Nutrition Magazine

 

O QUE É UM PROBIÓTICO? E PORQUE SÃO TÃO IMPORTANTES?

Um Próbiótico é simplesmente uma substância que estimula o crescimento de microorganismos com propriedades benéficas.

Numa Era em que sofremos de uma epidemia de excesso de antibióticos (ANTI-BIOticos = anti-vida) torna-se essencial garantir o bem estar dos microorganismos que, por sua vez, garantem o nosso bem-estar.

Kombucha, kefir, e outros preparados podem estar na linha da frente das tuas defesas e agir como reguladores e inoculantes de vida benéfica no teu interior.

É recomendado que, após exposto a antibióticos que matam a microbiologia indiscriminadamente (tanto os prejudiciais  – como bactérias e virus que causam infeções, – como a microbiologia benéfica), se consumam alimentos que ajudem a repor a flora e fauna do nosso micro ecossistema para que retorne tudo ao equilíbrio.

Por isso, inspirado na pequena rubrica que temos na Rádio Gilão a convite d’a Hora das Mães, decidi compilar aqui duas receitas simples para probióticos que podes produzir em casa.

KOMBUCHA

Kombucha é um fermentado à base de chá açucarado. Originalmente da China e do Japão, kombucha é produzido à 2000 anos e muitos juram pelos benefícios deste “elixir”.

kombucha

kombucha

 

A fermentação de Kombucha consegue-se através de uma paqueca gelatinosa chamada S.C.O.B.Y (Symbiotic Community of Bacteria and Yeasts): uma colónia de microorganismos benéficos que vão transformar o chá em kombucha rico em probióticos.

É fácil adquirir esta colónia inicial – basta ir a grupos do Facebook, por exemplo, dedicados a este tipo de fermentações. Lá encontrarás imensas pessoas abertas a partilhar desta abundância

AS DIFERENTES APLICAÇÕES DO S.C.O.B.Y
S.C.O.B.Y

S.C.O.B.Y

Scoby é, como nós, um super organismo – é uma comunidade de microorganismos que co-existem simbioticamente.

E como qualquer organismo vivo, ele vai crescer e multiplicar-se. Quanto mais kombucha fizeres, mais crescerá, eventualmente terás mais panquecas gelatinosas do que alguma vez precisarás.

Aí, podes dividi-lo, partilhá-lo e até congelá-lo para utilização futura.

E o mais surpreendente é que S.C.O.B.Y tem muitas outras aplicações:

  • Podes colocar no compostor ou até no vermicompostor;
  • Podes dar como suplemento alimentar para as galinhas;
  • Podes cozinhar e comer;
  • e há até quem faça S.C.O.B.Y grandes para desidratar e utilizar como subtituto de cabedais e couros em trabalhos de marroquinaria.

“Cabedal” de S.C.O.B.Y Fonte: Futurity.org

 

FERMENTAR KOMBUCHA

Como muitas fermentações, kombucha pode conter vestígios fracos de alcoól – menos de 1% – devido à actividade das bactérias no consumo do açúcar presente no preparado, criando algum alcoól no processo.

Recomenda-se que se tome kombucha em pequenas doses (um copo de shot por dia para iniciar) para que o corpo se habitue e possa alojar os novos microorganismos.

Como kombucha é geralmente feito a partir de chá que contém cafeína – chá verde ou preto, – também é recomendado prestar atenção ao consumo de cafeína através deste preparado.

RECEITA

 

  • Um Recipiente de vidro bem esterilizado;
  • Um filtro de café de papel e um elástico;
  • S.C.O.B.Y;
  • 1L de chá preto ou verde;
  • 2 colheres de sopa de açúcar ou mel.
  1. Esteriliza bem o recipiente onde a fermentação vai ocorrer. Kombucha é muito benéfico, mas não te esqueças que as condições ideais para microorganismos benéficos também são muito atrativas para outras bactérias mais prejudiciais que podem contaminar o teu kombucha. Condições e cuidados de higiene como em qualquer outro processo de fermentação (e até no fabrico de doces) é altamente recomendado;
  2. Junta 2 colheres de sopa de açúcar por cada Litro de chá preto ou verde e deixar arrefecer (de preferência tapado, por razões de higiene);
  3. Depois de frio, juntar o S.C.O.B.Y ao chá e tapar com o filtro de café, seguro com o elástico;
  4. Deixar fermentar durante cerca de 3 dias num local escuro. (NOTA: a temperatura ambiente e até a estação do ano podem afetar o tempo de fermentação. 3 dias é uma média, e pode ser adaptado a gosto e conforme condições e necessidades).
  5. PARA PRODUÇÃO CONTÍNUA: Quando o kombucha está pronto, pode-se filtrar e passar para outro recipiente, e está pronto a ser guardado no frigorifico e consumido. Para continuar a fazer mais, basta deixar um pouco de kombucha com o S.C.O.B.Y original e juntar mais chá, voltar a tapar, e repetir o processo.
  6. FERMENTAÇÕES SECUNDÁRIAS: O kombucha acabado de fazer pode ir para o frigorifico e está pronto a consumir. No entanto, pode-se proceder a uma fermentação secundária no frigorífico. Para isso, basta juntar ingredientes que adicionem o sabor pretendido (eu recomendo gengibre) e fechar com uma tampa se quiseres gaseificar o kombucha.

Esta segunda fermentação serve maioritariamente para que possas personalizar o perfil de sabor do kombucha e para que possa acumular dióxido de carbono (porque agora o kombucha está fechado e, logo, não deixa escapar os gases), tornando esta bebida num refresco ligeiramente gaseificado.

Aqui em casa juntamos limão e gengibre na 2ª fermentação, e fechamos o recipiente no frigorifico para que ganhe um pouco de gás. Depois quando nos apetece um “refrigerante”, juntamos um copinho pequeno de kombucha a água com gás e temos um “Ginger Ale” saudável e caseiro.

Também já usámos kombucha para iniciar outras fermentações caseiras, como esta sidra de maçã que fizémos com leveduras selvagens e S.C.O.B.Y – ficou delicioso e até atingiu cerca de 4% vol (valores típicos de uma sidra).

KEFIR

Kefir e Kombucha são preparados diferentes mas baseam-se nos mesmos princípios: é um preparado liquido com alimento para uma colónia de bacterias e leveduras benéficas para o ser humano.

No caso do Kefir, o processo de fermentação ocorre através dos chamados “grãos” ou “flor de kefir”. São a semente inoculante que se vai multiplicar e vai fermentar o preparado.

Pensa-se que kefir tenha originado no Norte/Este Europeu.

TIPOS DE KEFIR E OUTRAS APLICAÇÕES

Existem 2 tipos de kefir que são feitos praticamente na mesma maneira: Kefir de água e Kefir de leite.

São praticamente a mesma coisa em termos de beneficio (se bem que o leite é algo mais nutritivo, tanto para nós como para o grão de kefir), com a diferença de, enquanto que no kefir de leite basta adicionar a flor/grão ao leite, no caso de kefir de água é preciso adicionar açúcar para alimentar a colónia de microorganismos.

Pessoalmente gostamos mais de consumir kefir de leite, fica parecido com iogurte liquido e permite fazer muitos outros subprodutos, tais como queijo de kefir e iogurte mais espesso.

Queijo de Kefir

 

Iogurte de Kefir

 

Existem grãos ou flor de kefir de água e de leite. Isto porque as colónias habituam-se ao alimento que os sustenta. Por isso, por exemplo, é preciso um periodo de adaptação se quiseres transitar kefir de água para se usar em leite e vice-versa.

Tal como o Scoby, a flor/grão de kefir é um super organismo – uma comunidade de microorganismos que co-existem simbioticamente.

E como qualquer organismo vivo, ele vai crescer e multiplicar-se. Quanto mais kefir fizeres, mais crescerá, eventualmente terás mais grão/flor do que alguma vez precisarás.

Aí, podes dividi-lo, partilhá-lo e até congelá-lo para utilização futura.

Grão ou flor de kefir

FERMENTAR KEFIR

Pode-se encontrar flor de kefir (tanto de água como de leite) em grupos de facebook dedicados a fermentações, tal como no caso do kombucha.

Se estás preocupado com intolerâncias a lactose no caso do kefir de leite, podes ficar descansado. Tal como iogurte, a lactose é digerida pelo grão/flor durante o processo de fermentação de kefir, ajudando até na digestão de elementos aos quais normalmente somos mais intolerantes.

O Kefir é um regulador intestinal, o que significa que vai regularizar tanto obstipações como diarreias.

Tal como o kombucha, começa com doses pequenas (um shot) e vê como te sentes. É normal teres alguns efeitos secundários à medida que o teu corpo se ajusta a esta nova introdução de microorganismos no teu corpo. Eventualmente o teu ecossistema interno encontrará o equilíbrio e poderás colher os frutos do teu consumo de kefir caseiro.

RECEITA

 

  • Um recipiente de vidro e tampa;
  • um Coador (nunca de metal – tecido, ou plástico são boas alternativas);
  • Grão/flor de kefir da tipologia apropriada ao liquido a ser utilizado;
  • Leite (gordo de preferência);

OU

  • Água açucarada em vez de leite.

NOTA: Kefir é altamente sensivel a metais, pelo que nunca deve entrar em contacto com colheres de metal, tampas metálicas e outros implementos de cozinha feitos de metal. Certifica-te que o equipamento que usas para fazer o teu kefir é feito de materiais mais inertes como madeira, vidro, etc.

  1. Adiciona o grão/flor de kefir ao leite ou água açucarada;
  2. Fecha o recipiente e deixa fermentar num sitio escuro durante, no mínimo, 12 horas, a temperatura ambiente;
  3. Coar para extrair  grão/flor para utilizar na próxima produção;
  4. O Kefir está pronto a consumir e pode-se guardar no frigorífico.
  5. TEMPO DE FERMENTAÇÃO: Este é mais a gosto. Quanto mais tempo deixares a fermentar (e quanto mais calor fizer) mais amargo ficará o kefir. No mínimo, deixa-se durante a noite, e na manhã seguinte tens kefir suave e pronto a consumir. No caso do kefir de leite, quanto mais tempo deixares fermentar, além de mais amargo, fica também mais espesso. E há quem faça iogurte grego desta forma.

Espero que este artigo te tenha ajudado a descobrir este mundo de soberania alimentar, sustentabilidade e fermentados caseiros que não só melhoram o nosso bem estar como o do planeta, tornando-nos mais auto-sustentáveis.

Deixa nos comentários os resultados das tuas experiências, outras receitas e até dicas! Adoramos aprender contigo.

AH!, e não te esqueças de espreitar-nos na Rádio Gilão no pequeno segmento a convite da Hora das Mães, todas as quartas-feiras às 10:30, para mais dicas de sustentabilidade a todos os níveis.

Aqui está o segmento da semana passada (começamos nos 10:00 minutos) 😉

Ervas Daninhas | Não Matem as Mensageiras

Traduzido de: “Weeds: Don’t Shoot the Messenger (not until you understand the message)” – Av Singh ( PhD, PAg, Organic and Rural Infrastructure Specialist with AgraPoint in Nova Scotia), The Canadian Organic Grower, Summer 2006 (http://www.cog.ca/)


“É com demasiada frequência que, quando agricultores começam a falar de ervas daninhas, a primeira pergunta mais comum é

“Como me livro de uma praga de…?”, quando uma pergunta mais apropriada seria

“Porque será que o meu espaço tem uma praga de… ?”.


Av Singh

A diferença subtil na questão acima requer uma mudança de paradigma surpreendentemente dramática face a como olhamos para ervas daninhas.

É necessário que as ervas daninhas deixem de ser vistas como um problema, pragas e fontes de frustração, e comecem a ser interpretadas como sintomas, contadoras de histórias e curandeiras.

Defensores das ervas daninhas consideram-nas plantas com uma missão e observam para aprender o que as ervas daninhas nos podem dizer sobre as condições do nosso solo (ex: pH, compactação, drenagem, etc.) ou as nossas práticas de gestão (ex: rotações de solo, espaçamento entrelinhas, lavoura, etc.).

"Ervas daninhas são flores também, quando te permitires conhecê-las." - Winnie the Pooh
“Ervas daninhas são flores também, quando te permitires conhecê-las.” – Winnie the Pooh

ERVAS DANINHAS, REDEFINIDAS

Nicolas Lampkin, da Organic Farming, enfatiza que é a actividade humana de agricultura que cria ervas daninhas.

Ele define uma erva daninha como “qualquer planta adaptada a habitats criados por humanos e que interfere com actividades humanas.”

Até para alguns, essa definição é um pouco severa porque se foca demasiado no negativo.

O primeiro passo na nossa propaganda das ervas daninhas é começar a entender o aparecimento de ervas daninhas como algo benéfico.

Estamos todos familiarizados com o ditado que a Natureza odeia espaços vazios.

Bem, práticas agrícolas criam um vazio onde comunidades inteiras de vida botânica e microbiológica são disturbadas e/ou destruídas.

A Natureza responde a isto com ervas daninhas.

Dentro de dias, plantas pioneiras como amaranto (Amaranthus spp.) , erva-couvinha (Chenopodium Album) e beldroega (Portulaca oleracea) crescem rapida e densamente. Elas vão ancorar o solo e criar matéria orgânica que alimenta a vida no solo.

Estas anuais de crescimento rápido também fornecem sombra, guardam humidade, e moderam a temperatura do solo que permite que outras plantas, como as bienais e perenes (como relvas), comecem a germinar.

Se deixadas por mais uma estação, esta terra terá menos anuais de crescimento rápido e favorecerá plantas das seguintes fases de sucessão.

Nos nossos campos, o solo está num estado anormal de distúrbio contínuo, e, como resultado, somos forçados a lidar com estes colonizadores pioneiros.

A maior parte destas anuais de crescimento rápido crescem sem fungos micorrízicos associados (devido, principalmente, ao facto do seu ciclo de vida ser demasiado curto para beneficiar de uma parceria simbiótica com fungos).

FUNGOS MICORRÍZICOS

Micorriza é a associação simbiótica entre fungos e as raízes de plantas. A maior parte das culturas agrícolas dependem, ou beneficiam das suas associações micorrízicas.
Em troca de carbono da planta, o fungo micorrízico torna fósforo mais solúvel e trazem nutrientes do solo (N, P, K – Azoto, Fósforo, Potássio) e água para a planta.

As Cruciferae (ex. bróculos, mostarda) e as Chenopodiaceae (ex. erva-couvinha, quinoa, espinafres, beterrabas) não criam associações com este fungos. Lavouras frequentes, fungicidas e niveís elevados de azoto ou fósforo podem inibir inoculação das raízes.

Similarmente, a prática de alqueivar (lavrar seguido de pousio – sem semear – por um ou mais anos) reduz os níveis de micorriza porque as plantas que se estabelecem após a lavoura normalmente não criam associações com tais fungos.

Previsivelmente, solos ricos com fungos micorrízicos (ex: pastagens, florestas, terrenos agrícolas ricos em matéria orgânica, especialmente via composto) têm menos ervas daninhas anuais.

Elaine Ingham da Soil Foodweb Inc. sugere que a presença de fungos serve como um sinal que impede as ervas daninhas anuais de germinar.

Associação simbiótica entre fungos e plantas.
Associação simbiótica entre fungos e plantas.

APRENDENDO COM AS NOSSAS ERVAS DANINHAS

Agora que compreendemos melhor a razão porque ervas daninhas aparecem nas nossas quintas, quintais e jardins, podemos observar com maior profundidade como podemos usar as ervas daninhas como indicadoras das condições do nosso solo.

É importante notar que muitas ervas daninhas toleram um vasto espectro de condições e, portanto, o aparecimento de algumas ervas daninhas individuais não é necessariamente prova de uma condição de solo subjacente.


Por exemplo, tanto a serralha (Sonchus spp.) como as rumex (Rumex spp.) indicam pobre capacidade de drenagem do solo, mas as rumex preferem solos mais ácidos, enquanto a serralha favorece um pH mais elevado.

Podes, no entanto, aprender sobre as condições do solo se a população de ervas daninhas é dominada por várias espécies que preferem condições semelhantes.

Por exemplo, se tanchagem (Plantago Major), unha-de-cavalo (Tussilago farfara) e malmequeres (Leucanthemum vulgare) forem as ervas daninhas predominantes, pode indicar que o solo tem muito pouca drenagem.

Práticas agrícolas como o cultivo, fertilização e gestão de pastos podem ter um grande impacto no solo, e, consequentemente, no aparecimento de certas espécies de ervas daninhas.

Lavoura frequente vai disturbar as milhões de sementes viáveis no banco de sementes que é o solo, e, com acesso a luz solar, estas irão germinar e ocupar solo nu.

Ervas daninhas como a erva couvinha e bredos (Amaranthus retroflexus) podem produzir 75,000 to 130,000 sementes por planta (respectivamente) que podem manter-se viáveis até 40 anos.

A presença de leguminosas como as ervilhacas (Vicia spp.), luzerna-brava (Medicago lupulina) e trevo (trifolium spp), (da esq. para a dir.) pode sugerir que o solo carece de azoto.

Em contraste, ervas daninhas no mesmo solo que aparentam um tom pálido amarelado e/ou atrofiado pode também indicar niveis baixos de fertilidade.

Pastoreio excessivo das pastagens pode levar a solos compactados e, aí, a presença de gramíneas e relvas perenes (géneros Poaceae e Agrostis) pode vir a predominar.

A falta ou desiquilíbrio de cálcio pode permitir que os solos fiquem mais compactos e sem a microbiologia apropriada no solo (fungos no caso de cálcio), este nutriente mineral não ficará no solo.

ERVAS DANINHAS SÃO PLANTAS COM UMA MISSÃO.

PH DO SOLO

Além de nos ajudarem a proteger e melhorar a matéria orgânica do solo, ervas daninhas podem também indicar acidez ou alcalinidade do solo.

A maior parte das culturas agrícolas desenvolvem-se melhor em solos ligeiramente ácidos (pH 6-6.5)

Uma presença crescente de plantas como a tanchagem, azedas (Rumex Acetosa) ou dente-de-leão (Taraxacum officinale) pode indicar que o pH está a descer abaixo de um nível desejável.

Contudo, ter solos ácidos não deve ser visto como algo prejudicial.

Muito do trabalho de Albrecht enfatizava que desempenhos botânicos pobres em solos de pH baixos eram de facto uma consequência de baixa fertilidade ou um desiquilíbrio dos nutrientes disponíveis no solo, e não derivado do pH do solo em si.

Por exemplo, muitos produtores de alfafa (Medicago sativa) testemunharam uma dramática invasão de dente-de-leão após a aplicação de niveís elevados de potássio (principalmente hidróxido ou carbonato de potássio).
  • Essencialmente, o potássio havia suprimido os níveis de cálcio no solo. As raízes profundas do dente-de-leão mina o cálcio do solo mais profundo e após a morte da planta, liberta esse cálcio nas camadas mais superficiais.
  • O aparecimento de dente-de-leão pode ser uma indicação de solos ácidos quando de facto o rácio de cálcio-potássio é que tinha causado o seu aparecimento.

Um desiquilíbrio de magnésio relativamente ao cálcio pode levar a solos apertados e eventualmente condições anaeróbicas (sem oxigénio) no subsolo.

Cálcio causa partículas do solo a separar-se, permitindo arejamento do solo e capacidade de drenagem; fungos ajudam a prevenir a lixiviação do cálcio fora do solo.

Magnésio causa a aglutinação de partículas e se o solo se tornar demasiado aglomerado, limita o acesso a oxigénio, e formas de vida benéficas no solo podem desaparecer.

Em tais condições, resíduos orgânicos no solo não se decompõem devidamente, e o aumento de dióxido de carbono no solo favorece fermentação dessa matéria orgânica, resultando em subprodutos como alcoól e formaldeído.

Estas substâncias inibem penetração de raízes; e potencia a criação de condições favoráveis a doenças no solo como podridão da raíz e míldios (pythium e phytophora)

Fermentação pode também gerar gás metano que é conducente à aparição de Juta-da-China (Abutilon theophrasti), ou gás etano que ajuda a Erva-dos-bruxos (Datura stramonium) a prosperar.

Relvas, com as suas finas e numerosas raízes tentam quebrar e abrir solos compactos, enquanto a presença de muitas ervas daninhas gramíneas pode indicar solo compactado.

QUERIDO(A), MUDEI A ERVA DANINHA

Então, o que mudou desde que começaste a ler este artigo?

  • Procura pelo benefício das ervas daninhas;
  • Ervas daninhas podem ser adubo verde ou cobertura de solo;
  • Ervas daninhas servem para fazzer circular nutrientes no subsolo (ex: ervas daninhas de raízes longas e profundas como o dente-de-leão e a bardana (Arctium lappa);
  • Ervas daninhas de raízes profundas podem abrir solos compactos, regulando a circulação de água no solo;
  • Ervas daninhas contribuem para a conservação de humidade no solo;
  • Ervas daninhas podem proporcionar habitat para organismos benéficos.

“O que é uma erva daninha? Uma planta cujas virtudes não foram ainda descobertas.”

talvez fazendo referência à maior virtude destas plantas: como mensageiras do solo.

-Emerson

CONDIÇÕES DE SOLO E ERVAS DANINHAS INDICADORAS

  • Inundado, com pouca drenagem: Erva-quaresma (Ranunculus repens), tanchagem (Plantago Major), unha-de-cavalo (Tussilago farfara), malmequeres (Leucanthemum vulgare), Regalo-da-horta (Rumex crispus), musgo, azedas (Rumex acetosa), Serralha (Sonchus oleraceus)
  • Ácido ou baixo em cal:  Feto (Pteridium aquilinum), unha-de-cavalo (Tussilago farfara), malmequeres (Leucanthemum vulgare), dente-de-leão (Taraxacum officinale), Regalo-da-horta (Rumex crispus), Cavalinha (Equisetum arvense), Centauria (Centaurea spp.), Sanguinária (Polygonum aviculare), Musgo, Verbasco (Verbascum thapsus), urtigas, tanchagem (Plantago Major), azedas (Rumex acetosa), Azedinhas (Rumex acetosella)
  • Sólido e compactado: Corriola (Convolvulus arvensis), Grama-francesa (Elymus repens), matricária ou camomila brava (Matricaria discoidea), Juta-da-China (Abutilon theophrasti), Erva-dos-bruxos (Datura stramonium)
  • Solo Mexido e Lavrado: erva-quaresma (Ranunculus repens), esparguta (Stellaria media), Sanguinária (Polygonum aviculare), Erva-couvinha (Chenopodium alba), alface-brava (Lactuca serriola), mostarda, urtigas, bredos (Amaranthus retroflexus), tanchagem (plantago major)
  • Alcalino: orelha-de-boi (Silene vulgaris), mostarda branca, serralha (Sonchus spp.)
  • Solo Pesado e Argiloso: Chicória (Cichorium intybus), unha-de-cavalo (Tussilago farfara), dente-de-leão, serralha (Sonchus spp.), Cardo-das-vinhas (Cirsium arvense)
  • Solos Secos: Cavalinha
  • Sobrepastoreado: gramíneas e relvas perenes (géneros Poaceae e Agrostis)
  • Desiquilíbrio Nutritivo: feto comum (pouco fósforo e potássio), milefólio (Achillea millefolium) (pouco fósforo)
  • Solos Salinizados: Bolsa-de-pastor (Capsella bursa-pastoris), barrilha ou soda (Salsola spp.)

Adaptado de um panfleto por Stuart Hill e Jennifer Ramsey para Projetos Agrícolas Ecológicos no Campus MacDonald de McGill e publicado em “A Alma do Solo: Um Guia para Gestão Ecológico do Solo”, 2ª ed, por Grace Gerhuny e Joseph Smillie.

Traduzido para português por Rute Gabriel, liberta-te.com. Nota de tradutor: algumas espécies do documento original foram omitidas por não serem nativas ou com presença espontânea em Portugal.

6 Listas de Plantas e Bases de Dados para Permacultura e Ecologia

6 Listas de Plantas e Bases de Dados para Permacultura e Ecologia

 

Um dos maiores desafios quando começamos a abrir os olhos para a Natureza é a QUANTIDADE de espécies de plantas ao qual estamos subitamente conscientes.

Quando damos por ela, passamos horas a olhar para os nossos jardins, para as ervas daninhas das nossas hortas e para as bermas dos caminhos, mas a identificação destas plantas “novas” e, mais dificil ainda, como interpretar o que estamos a observar, por vezes parece demasiado.

Por isso deixo aqui ao dispor 6 Bases de Dados e Listas de Plantas que descobri na minha busca por recursos que

  • me ajudassem a identificar plantas que observo no meu habitat e o que significa a sua presença, além das suas funções;
  • me ajudassem a perceber que plantas preciso para desempenhar funções específicas (como uma planta fixadora de azoto);
  • perfis de plantas que se dão bem nas condições de solo e clima da minha zona, entre outras caracteristicas…

e muito mais informação super util que nos ajuda a afinar cada vez mais o nosso habitat, tornando-o cada vez mais sustentável e regenerativo.

Depois de bastante pesquisa, as melhores listas que encontrei são em Inglês, mas o Google Translator funciona muito bem a traduzir a informação retida nestes sites, e com a utilização do nome cientifico da planta numa pesquisa google facillmente se encontra mais informação em português.

Mas deixo como bónus 2 sites de listas de plantas em português que considero bastante úteis. São das mais completas em lingua portuguesa que encontrei e uso-as principalmente para perceber em que contextos e climas certas espécies aparecem no nosso país.

Decidi focar-me nestas listas de plantas porque qualquer um consegue pegar no nome de uma planta e colocá-la no google, mas dificilmente se encontram listas onde se pode cruzar informação. Por ex: encontrar uma planta que goste de sol direto, tolere solos argilosos e seja melífera. Algumas destas bases de dados contém centenas de milhares de plantas e, em algumas delas, rapidamente conseguimos destacar exatamente as plantas que queremos conhecer com pesquisas avançadas deste género.

Portanto, sem mais demoras, aqui vai:

1. PFAF | Plants for a Future

https://www.pfaf.org/user/Default.aspx

Encontrei esta lista porque em mais de 80% dos casos em que pesquisava uma planta com “nome cientifico+permaculture”, aparecia-me a ficha completa da planta que procurava neste site.

Desde então tem sido imprescindível para perceber funções de plantas.

Dá para pesquisar a sua base de dados de mais de 7000 espécies cruzando imensos factores para encontrares exatamente o que precisas.

Ou simplesmente insere o nome cientifico da planta pretendida para estudares mais sobre ela – desde funções medicinais, a história da planta, condições necessárias, caracteristicas, e muito mais.

Esta base de dados funciona à base de donativos e é completamente grátis, por isso convido-te a patrocinar esta iniciativa espetacular com o teu donativo, para que possas continuar a tirar proveito do trabalho fantástico que a Plants for a Future têm feito.

2. The Plant List | A maior lista de plantas do mundo

http://www.theplantlist.org/

Esta ENORME lista de plantas identifica 1.25 milões de nomes de plantas, das mais comuns às mais exóticas, passando por espécies essenciais à alimentação humana como trigo, arroz e milho às roseiras do teu jardim e fetos tropicais exóticos, e providencia links para publicações de pesquisa e investigação científica.

O objetivo desta lista é prevenir a identificações falaciosas e assegurar o sucesso destas espécies. Pretende esclarecer uma “salganhada” taxonómica centenária onde nomes sem standard ou estrutura promovem ignorância, rivalidade e muitas vezes confusão que prejudica a nossa percepção na saúde e número dos exemplares das espécies.

Com um plano adoptado em Nagoya, Japão, membros da Convenção pela Biodiversidade das Nações Unidas prevê que esta base de dados estará completa em 2020.

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3. Natural Capital Plant Database | Dados de Plantas em Permacultura

https://permacultureplantdata.com

Esta base de dados é um repositório de informação sobre plantas para climas temperados para design ecológico. Quer sejas um “novato” ou um designer em permacultura experiente, esta lista espera poder levar o teu conhecimento de plantas e sistemas ecológicos ao próximo nível. Citam diversas fontes para fornecer os detalhes de caracteristicas de plantas, tolerâncias e comportamentos, funções ecológicas, usos humanos, factores a ter em conta, e consorciações possiveis.

permacultureplantdata1permacultureplantdata2permacultureplantdata3

Esta base de dados tem diferentes niveis de membro, dependendo das tuas necessidades e das ferramentas que precisas. Um membro grátis tem apenas acesso à “Plant List” (que coloquei como exemplo na primeira foto deste site). Como podes ver abaixo, existem muitas outras ferramentas úteis que poderás ganhar acesso, por exemplo, fazendo-te membro “Annual Individual” por uns meros 30$ por ano. (cerca de 25€).

Explora este site fantástico e todos os recursos que têm ao dispor.permacultureplantdata4

4. Practical Plants | Enciclopédia Colaborativa

http://practicalplants.org/wiki/Practical_Plants

Practical Plants é uma enciclopédia de edição colaborativa comunitária e base de dados de informação de plantas cultivadas com propósitos práticos para o ser humano. Conta com mais de 7400 artigos botânicos que cobrem temas como funções medicinais, alimentares ou materiais, informação de cultivo e propagação, consorciação de plantas e policulturas.

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O que gosto mais acerca desta lista de plantas (para além de ser construida comunitáriamente) é que tem um motor de pequisa avançado se não souberes que plantas precisas mas conheces as caracteristicas do LOCAL onde queres plantar.

practicalplants2practicalplants3Uma desvantagem de ser editável por qualquer um – devido a ser de edição colaborativa comunitária, como a wikipédia – é que alguma informação pode não estar correta. Mas por isso é que temos outras listas onde podemos sempre cruzar informação e confirmar.

Mas em qualquer base de dados se deve cruzar informação. Não quero desvalorizar a informação reunida nesta lista, de maneira nenhuma. É um dos sites que mais uso, principalmente quando tenho aqueles espaços mais complicados e não sei que plantas seriam as mais apropriadas àquele local.

5. Permaculture Plant Index | Temperate Climate Permaculture

www.tcpermaculture.com/site/plant-index/

Em comparação com algumas listas que já partilhei, esta lista de plantas ainda é pequena e está a ser desenvolvida, mas a maior vantagem que vejo nesta lista de plantas é que está organizada por estratos da floresta. Ou seja, tens a categoria das árvores de copa alta, de coba baixa, herbáceas, raízes, fungos, arbustos, trepadeiras, cobertura de solo. O que é muito útil para um design de um bosque de alimentos, policultura perene ou agro-floresta.

tcpermaculture1tcpermaculture2Não encontrei este site pela sua lista de plantas. Encontrei-o pelo conteúdo interessante que têm acerca de policulturas e guildas para bosques de alimentos. Até fiz download de um dos PDFs deles. Muito util.

Por isso fiquei muito satisfeita quando vi que estão também a desenvolver uma lista de plantas de utilização em permacultura. Apesar de ser especifico para climas temperados, ainda trabalham com espécies comuns em Portugal.

tcpermaculture3

6. Sturtevant’s Edible Plants of the World, 1919 | Henriette´s Herbal Homepage

https://www.henriettes-herb.com/eclectic/sturtevant/index.html

Esta lista de plantas é mais um mimo. Se és como eu, adoras conhecimento ancestral. Esta lista de plantas foi compilada em 1919, pelo que deves consultar a sua informação com conta e medida e sempre cruzando com conhecimento científico botânico actual.

Mas não deixa de ser lindo podermos consultar uma lista destas, com informação que talvez se tenha perdido e/ou não esteja presente noutras listas mais modernas.

A “history buff” dentro de mim não resistiu em partilhar esta contigo… plantas, conhecimento ancestral e livros antigos? Queres uma combinação melhor que esta?

henriettesherbal1henriettesherbal2

E para além disso, se vires a barra lateral do site, encontras imensos outros recursos muito uteis, incluindo outras obras no inicio do séc.XX, homeopatia, botânica, etc.

BÓNUS

Jardim Botânico da UTAD

https://jb.utad.pt/pesquisa

Esta lista de plantas é particularmente util por várias razões:

  • É uma lista com foco em plantas EM Portugal
  • Mostra um mapa de distribuição da planta pesquisada no país
  • Indica se a planta que pesquisaste se encontra no Jardim Botânico da UTAD
  • Tem plantas organizadas em várias categorias, incluindo “coleções”
  • Mostra o Habitat/Ecologia da planta (como podes ver nas imagens abaixo)

UTAD0UTAD1UTAD2

Flora-On | Flora de Portugal

http://flora-on.pt/

Esta lista é, na minha opinião, mais útil na pesuisa de grupos de plantas – a tabela lateral mostra familias de plantas, mas podes também pesquisar plantas específicas. Este site também mostra mais pormenores nas carateristicas dos ciclos de vida das plantas em Portugal: épocas de floração, frutificação, etc.

Também permite pesquisar por indice temático e tem uma opção de exploração bioclimático.

floraon1floraon2

Espero que estas listas te ajudem como me têm ajudado a mim a desvendar este mundo que se abre para nós quando olhamos para sustentabilidade, regeneração ecológica e permacultura: as nossas amigas plantas.

Conheces mais listas/recursos botânicos online e queres partilhar? Comenta abaixo e contribui para a partilha de conhecimento!

7 Canais Youtube: Habitações Alternativas, Ecológicas e Sustentáveis

Como já deves saber, adoramos habitações alternativas e ecológicas. Adoramos que isso nos permita conectar mais com a Natureza, dar maior valor aos nossos recursos naturais, e desprende-nos da culpa que sentimos pelo mal que causamos fazendo apenas uma coisa básica para a nossa sobrevivência: arranjar abrigo.

As Earthships resolvem essa questão e muitas outras, mas a verdade é que existem muitas outras formas de teres uma habitação mais ecológica, sustentável, e até personalizada.

A Internet é um Universo paralelo IMENSO, com tanta informação que por vezes é dificil encontrar conteúdo de qualidade, e que nos interesse neste mundo digital.

Por isso compilámos para ti esta lista de canais de Youtube que nós seguimos para nos inspirarmos, tirar ideias, aprender, e principalmente sentir que existem muitas formas de vida alternativas completamente viáveis, e que este movimento de habitações alternativas e ecológicas não são só uma moda – chegaram para ficar.

Estes canais são maioritariamente em inglês. MAS não te preocupes – mesmo que não compreendas o que está a ser dito, as imagens falam por si – continuam a ser uma fonte de inspiração. Além disso, podemos sempre propôr aos canais nos darem autorização para colocarmos legendas nos seus videos. Por isso, se quiseres legendas, por favor comenta abaixo qual o video que queres legendado e nós faremos o nosso melhor.

1. EXPLORING ALTERNATIVES

Sobre o canal (excerto do canal de Youtube):

Exploring Alternatives é um centro conteúdo de vidas alternativas que esperamos poder informar-te e inspirar-te.

Criamos videos sobre as nossas próprias experiências de estilos de vida, e sobre pessoas que vivem em mini casas, carrinhas, caravanas e barcos; e pessoas que exploram estilos de vida em viagens a longo prazo, minimalismo, “zero waste living”, e muito mais.

Este canal de origem canadiano também tem um blog, onde podes aprofundar mais sobre os temas abordados nos seus videos Youtube, e outro conteúdo exclusivo, incluindo o “Guia para a Vida de Carrinha”.

exploring alternatives Blog

2. KIRSTEN DIRKSEN E FAIRCOMPANIES

Sobre o canal (excerto do canal de Youtube):

Videos sobre a vida simples, auto-suficiência, pequenas e mini casas, quintais das traseiras (e animais), transporte alternativo, DIY, artesanato e filosofias de vida.

kirsten dirksen canal

Para além do seu próprio canal de Youtube, Kirsten é co-fundadora da faircompanies Productions, Inc., o seu negócio independente que “pretende manter a sua autonomia, respeitosamente a outros projetos ou interesses institucionais.” O site é 100% financiado por Nicolás Boullosa e Kirsten Dirksen.

faircompanies

Sobre faircompanies

faircompanies cria videos e informação (em inglês e espanhol) para auxiliar no progresso humano usando as melhores ferramentas:

  • conjectura;
  • tentativa e erro.

Falam de vida simplista, tecnologia, razão, o novo iluminismo, mercados, filosofia, justiça, bem estar. Convidam-te a participar e partilhar fórmulas para melhorar o mundo agora mesmo, que vão além do barulho da demonstração ou imposição de ideologias.

3. LIVING BIG IN A TINY HOUSE

Sobre o canal (excerto do canal de Youtube):

O meu nome é Bryce, e sou apaixonado por design de pequenos espaços. Junta-te a mim nas minhas viagens nesta jornada em busca das melhores mini casas, habitações alternativas e histórias de vida amigas do ambiente e simplistas. Mas não estou apenas a observar das bancadas! Também me meto nas minhas próprias construções de pequenos espaços.

Para além do foco em espaços pequenos, sustentáveis, mas principalmente funcionais, este canal neozelandês também tem o seu próprio site onde podes explorar o processo completo de construção de mini casas do cantor (e apresentador) Bryce, aceder a livros, e outros recursos úteis de construção de mini casas:

living big in a tiny house Blog

4. DYLAN MAGASTER

Sobre o canal (excerto do canal de Youtube):

Dylan Magaster, nascido 1994, em Kansas, E.U.A., reside presentemente onde quer que ele esteja estacionado na sua micro casa sobre rodas, uma carrinha Chevy G20 convertida. Um nómada digital e filmmaker, Dylan tem vindo a fazer documentários sobre as pessoas que se cruzam no seu caminho ao longo da sua jornada, com um foco em ambientes de vida alternativos. Tem feito filmes sobre carrinhas convertidas, mini casas, casas off-grid, e até uma casa feita a partir de um avião a jato, nos bosques de Oregon, E.U.A.

dylan magaster canal

5. THE INDIE PROJECTS

Sobre o canal (excerto do canal de Youtube):

(Previamente chamados VDubVanLife) Somos Theo e Bee, e nós começámos a documentar as nossas viagens pela Europa na nossa carrinha convertida VW T4 LWB (Belthy) em Junho de 2014. Fazemos questão de incluir muitos aspetos diferentes da nossa vidas e das nossas viagens, assim como de outras pessoas fantásticas que conhecemos pelo caminho.

Temos um blog de viagens () onde documentamos as nossas aventuras através de imagem e texto, e estamos presentemente a trabalhar num website. Viajar na nossa carrinha tem sido uma forma fantástica de ver o mundo e adoramos partilhar isso com toda a gente!

the indie project canalPS: Apesar de tantas aventuras e sitios lindos que certamente visitaram, adivinhem onde este casal decidiu comprar o seu pequeno pedacinho de paraíso…. PORTUGAL, pois claro! Podes ver tudo isso no canal deles e/ou no blog. E quem sabe, talvez um dia os encontres a passear com a sua casinha sobre rodas perto de ti 😉vdubvanlifeblog

6. TINY NEST

Sobre o canal (excerto do canal de Youtube):

Segue a construção da mini casa de Jake & Kiva, assim como tours de mini casas, entrevistas, vlogs e outros recursos!

Neste canal podes ver o passo a passo do projeto pessoal deste casal apaixonante, onde eles MOSTRAM-TE tudo o que fizeram para construirem a sua própria mini casa.tiny nest canal

Para mais recursos sobre como planear e construir a tua própria mini casa, visita o site deles, onde podes ter acesso a tours em realidade virtual de mini casas, e recursos para planear e construir mini casas, assim como recomendações do casal!

tinynest site

7. TINY HOUSE GIANT JOURNEY

Sobre o canal (excerto do canal de Youtube):

Olá, eu sou Jenna Spesard. Construi e vivo numa Mini Casa para me libertar financeiramente, de maneira a poder viajar pelo mundo! Neste canal, partilho habitações alternativas, videos de estilo de vida, tecnologia para mini casas, e as minhas aventuras ao viajar à volta do planeta. A minha história já apareceu em HGTV, Travel Channel, Huffington Post, USA Today, e muito mais!

tiny house giant journey canal

Podes também explorar o site oficial:

tiny house giant journey site

 

 

Porquê Bosque de Alimentos?

Temos o prazer e a honra de ter autorização do Permaculture Research Institute para traduzir para PORTUGUÊS o conteúdo fantástico que eles disponibilizam no blog deles. Achamos o conteúdo deles valiosíssimo e achamos que mesmo quem não sabe Inglês MERECE ter acesso a esta informação. Espero que gostes.

Artigo original em inglês por Angelo Eliades

Image source: Permaculture a Beginner’s Guide, by Graham Burnett

Porquê Bosque de Alimentos?

 

Estamos todos familiarizados com o conceito de florestas – expansões selvagens, abundantes, viçosas e cheias de vida, uma riqueza de biodiversidade e inspiradoras de contemplar. Árvores e plantas entrelaçadas, ocupando cada espaço possível, a primavera da Vida em si!

Florestas existem bem sozinhas. Não precisam de corta-relvas, de remoção de ervas daninhas, de pulverizações ou de cavar o solo. Nada de pesticidas, fertilizantes ou químicos nocivos. De alguma forma safam-se muito bem, obrigado.
Agora, imagina se tudo nesta floresta verdejante, abundante e espetacular fosse comestível!

Se consegues imaginar como isso seria, se consegues ver isso no olho da tua mente, então não estás longe da realidade do que um bosque de alimentos pode ser.

Ao compreender como as florestas crescem e se sustêm sem intervenção humana, podemos aprender com a Natureza, e copiar os sistemas e padrões para modelar os nossos próprios bosques – bosques esses cheios de árvores e plantas que produzem a comida que nos alimenta.

Podemos desenhar e implementar os sistemas de produção alimentar mais susentáveis possivel; aperfeiçoado, refinado e cuidado pela própria Mãe Natureza.

Se este conceito traz à tona dúvidas ou cepticismo relativo a isto ser algo que funcione na vida real, deixa-me assegurar-te que bosques alimentares são um conceito comprovado. Sim, estão a funcionar em todo o mundo, e até funcionam em áreas urbanas. Eu sei, eu planeio e implemento-os!

Então, deves estar a perguntar-te como tudo isto funciona, quais são os benefícios, se será mais produtivo ou económicamente viável do que um sistema de agricultura comercial, e por aí fora.

Bem, vamos abordar todas essas questões e mais algumas à medida que exploramos o caso pelos Bosques de Alimentos neste arigo, por isso quero convidar-te a continuares a ler!

PORQUÊ FLORESTAS?

Ou é isto…

Ou isto… a diferença é óbvia!

 A diferença é – VIDA!

Florestas são vida.

  • Florestas são o lar de aproximadamente 50-90% de toda a biodiversidade terrestre – incluindo os polinizadores e as variedades bravas de muitas culturas agrícolas. (Fonte: WWF Living Planet Report 2010)
  • Só as florestas tropicais, estima-se que contenham entre 10-50 milhões de espécies – mais de 50% das espécies no planeta.
  • Florestas tropicais cobrem 2% da superfície terrestre e 6% da massa terrestre, no entanto, são o lar de mais de metade das espécies animais e vegetais do planeta.

Destes factos básicos, deve se tornar evidente que as florestas em si são sinónimas de vida, biodiversidade e fertilidade. Onde a vida converge, complexa e onde relações simbióticas entre organismos são criadas; comunidades naturais e harmoniosas se formam, e formas de vida se multiplicam e proliferam.

Se as florestas são o local onde a maior parte da vida no planeta habita, então qualquer coisa menos que uma floresta é menos adequado a sustentar vida. Vida sustenta vida, e no entanto nós esquecemo-nos que somos, de facto, parte desta teia da Vida, e que dependemos de outras vidas para sustentar a nossa.

Humanos destrem florestas para criar “campos“. A palavra (“field”em inglês) deriva da ideia tudo nessa área foi cortado (“felled” em inglês) e removido.  Nestas áreas abertas nós construimos cidades e quintas.

Quanta vida e biodiversidade vês ao teu redor no dia a dia comparada com o que existe num bosque? A resposta é evidente, e o conceito que “florestas são vida”, axiomático.

FACTOS FLORESTAIS

 

  • A Natureza anda a fazer crescer plantas à 460 milhões de anos, e árvores à 370 milhões  — O Ser Humano moderno aparece pela primeira vez num fóssil em África à cerca de 195 000 anos atrás.
  • As árvores cobriram, em tempos, quase toda a massa terrestre da Terra, hoje cobrem cerca de 3.9 Biliões de hectares, ou pouco mais que 9.6 biliões de acres, que corresponde a apenas (cerca de) 29.6% da área total no planeta.
  • Hoje, existem apenas três grandes florestas restantes na Terra: a Amazónia da América do Sul, e as florestas boreais na Rússia e Canadá.

Árvores estão presentes à muito mais tempo que a Humanidade. Todo o petróleo e carvão que estamos a queimar a velocidades frânticas foram criados dos restos morais decompostos de florestas ancestrais, de milhões de anos de idade, razão pela qual lhes chamamos combustíveis fóssil!

Relativamente falando, somos recém-chegados a este planeta, e no entanto pensamos na curta perspectiva da nossa duração de vida, e muitas vezes em frações de tempo mais curtas ainda.

Bosques e florestas têm formado um ecossistema equilibrado que alastrava a todo o comprimento e largura do planeta muito antes do aparecimento da Humanidade, mas agora as florestas estão num estado lastimável. O que nos esquecemos é que estes bosques foram responsáveis por nutrir e criar toda a vida neste planeta de uma forma ou de outra, e ainda operam como o sistema de suporte de vida do planeta.

FLORESTAS SÃO O DESIGN PERFEITO

  • Com 460 milhões de anos de experiência, e um jardim de 9.6 bilhões de acres, a Mãe Natureza tem vindo a refinar os métodos de cultivo de de jardins auto sustentáveis melhor do que ninguém. Sem arrancar ervas daninhas, sem pulverizações ou regas!!!
  • Natureza sustentou, alimentou, vestiu e acolheu a Humanidade durante 95% da nossa existência – agricultura apenas apareceu à 10 000 anos.
  • Estabelece-se que a Natureza é obviamene o melhor (e único) méodo disponível para nós imitarmos no crescimento dos nossos jardins.

Aqui é onde uma perspeciva real pode radicalmene mudar a nossa visão do mundo e o nosso sentimento de pertença nele.

No nosso dia-a-dia, quando queremos aprender a fazer algo, normalmente (esperançosamente!) tencionamos fazer o que quer que quisermos fazer, bem! Isto é, com um grau de competência, com eficiência e eficácia. Podemos até ambicionar mestria, perseguindo o objetivo elusivo da perfeição.

Parece ser este o caso, quer estejamos a aprender um desporto, começar um novo hobby, ou a começar um negócio sério. Obviamente, o melhor sitio para começar é ver se alguém já conseguiu o que nós estamos a tentar fazer, e então procuramos pelos melhores, com quem aprender. Nós buscamos pessoas através das quais nos possamos modelar – Exemplares.

Por definição, um exemplar é um modelo ou padrão para ser copiado ou imitado. Se estamos a aprender um desporto, naturalmente não queremos usar como modelo pessoas “amadorescas” ou incompetentes, Em vez disso, escolhemos imitar os campeões nessa área. Então, o que os faz campeões? A escala e qualidade dos seus sucessos, a sua experiência, e as suas credenciais.

Então e se a nossa tarefa que estevermos a empreender fosse o de cultivo de alimentos?

Pensa no melhor jardineiro que conheces, quanta competência, experiência e sucesso têm acumulado?

Que sistema de cultivo de plantas conceberam, e quão sustentáveis são estes sistemas? Serão eles energéticamente intensivos ou neutros?

Agora, vamos refletir de volta à Mãe Natureza, centenas de milhões de anos a cultivar todas as plantas em existência, a prosperar sem intervenção humana (e sem a existência humana durante a maior parte desse tempo), sem quaiquer “inputs” de energia para além daqueles fornecidos por sistemas naturais – verdadeiramente um exemplar a usar como modelo.

O que fazemos então, como pessoas? A coisa mais ilógica imaginável, claro! Tentamos re-inventar a roda.

Mas não só tentamos fazer o absurdo e equiparar-nos à Natureza, nós iludimo-nos que podemos fazer melhor que a Natureza nas nossas insignificantemente curtas vidas, na nossa insignificantemente recente sociedade industrializada, no seu insignificantemente curto período de teste onde ainda está por determinar se este caminho levado pela Humanidade é sequer um caminho viável!

Seres Huanos em sociedades modernas possuem a ideia errada que a Natureza tem que ser lutada contra, conquistada e controlada. Isso é um grito distante das sociedades mais ancestrais ou mais “primitivas”, que vêm a Terra como a sua Mãe. Um ponto interessante a refletir.

PORQUÊ BOSQUES DE ALIMENTOS?

Aperfeiçoar a Natureza??  Se isto é uma melhoria a uma floresta para sustentar vida, eu acho que estamos feitos ao bife……

Conseguimos fazer melhor?

Aqui estão algumas das consequências das nossas tentativas ineptas a “aperfeiçoar” a Natureza (fotos abaixo). Agricultura moderna cria monoculturas desequilibradas que são preservadas através de guerras químicas implacáveis. Não só estamos a fazer um péssimo trabalho, mas esamos a envenenar a Natureza e a nós mesmos no processo.

 

  • Algures entre 8500 e 7000 AC, os seres humanos do Crescente Fértil no Médio Oriente começaram uma gestão sistemática de plantas e animais – um sistema chamado Agricultura.
  • Certamente conseguimos fazer melhor do que monoculturas enfileiradas em campos nus após 10 000 anos a praticar agricultura?

A Natureza é referida como “Mãe Natureza” por uma razão, foi ela que nos amamentou; ou seja, alimentou, vestiu e abrigou-nos durante a maior parte da nossa existência relativamente curta neste planeta. Perspectiva pode ser algo ameaçador para as nossas mentes sonolentas!

Algures no caminho, perdemos a nossa reverência pela Natureza, a nossa crença na ligação entre todos os seres vivos, e o nosso sentido de harmonia com o nosso ambiente.

Descartámos essas crenças “primitivas” porque alcançãmos “progresso”. Tivémos a nossa suposta “Era do Iluminismo”, religiosamente seguimos o culto do racionalismo onde trocámos a nossa reverência pela Natureza por uma reverência mal colocada na mente humana, e enquanto nos prostramos ao altar da Razão Humana, perdemos o nosso lugar no mundo.

Lamentavelmente, desde que nos convencemos que nada existia acima da mente humana, o nosso pensamento arrogante levou-nos a acreditar que o “nosso lugar” era acima do da Natureza. Estar num pedestal tão elevado significava que nós dominávamos a Natureza, e se desobedecesse, que a espancariamos até à submissão.

Podemos nos rir da história real do Imperador Romano Calígula se ter auto-proclamado um Deus e de ter chicoteado o mar com correntes pela sua desobediência, mas quão diferente é a abordagem da Humanidade moderna face à Natureza – como algo a ser batalhado, conquistado e controlado.

As mesmas guerras implacáveis que travamos uns com os outros, com as mesmas armas letais, travamos com a Natureza.

Travamos guerras químicas e biológicas contra a Natureza e as suas criaturas, e mesmo parecendo ser a mais fúil, sem senso e destrutiva das guerras, nós persistimos até em nosso detrimento.

Tal é a nossa miopia como espécie. Com esta perspectiva antropocêntrica, onde tudo revolve em torno do ser humano, não pode resultar em nada de bom.

A Humanidade é coletivamente culpada por tentar torcer e deformar os factos acerca de como a Natureza funciona para encaixar no que são predominantemente mentes fechadas, cheias de crenças sem fundamento.

Estas crenças disorcidas são muito reais. Biotecnologia acredita firmemente que a “salvação” da Humanidade jaz na “engenharia” de culturas através de modificações genéticas para suprimir todas as nossas necessidades e salvar a Humanidade da Fome.

Esta forma de pensar messiânica é seriamente iludida, e os seus suseranos corporativos não podiam estar menos interessados, não fosse pelos lucros que estas formas de vida patenteadas podem potencialmente gerar.

Chamem-me crítico, mas estas alegações não são científicas, e como uma pessoa com qualificações em Ciência, eu francamene julgo estas alegações como ofensivas, pois são simplesmente “alegações baseadas em fé” mascarando-se de ciência, sem provas que corroborem a sua veracidade.

Entretanto, práticas de agricultura convencionais estão a destruir enormes extensões de terra através de erosão de solos, salinidade, abuso de fertilizantes químicos, destruição de ecossistemas de supore (que trazem chuva, por exemplo).

Se removermos os “piscas ideológicos”, e observarmos fora do contexto da nossa presente Era e Sociedade, é vivamente óbvio que nos estamos a encaminhar por um beco sem saída e a fazê-lo a velocidade crescente, apressando uma conclusão sinistra.

Só para adicionar um pouco mais de perspectiva à pintura do quão perdida está a Humanidade, eu ouvi académicos a argumentar contra o “movimento verde”, adicionando o argumento absurdo que a “natureza (e logo, a vida) não tem valor algum, para além da sua utilidade para o Homem” – preciso dizer mais?

Agora, se alguém pensa que o caminho é “aperfeiçoar a Natureza”, e colocou a sua fé neste processo, eu apelo urgentemente a examinarem criticamente a sua visão do mundo. Se consegues ver que algo está errado com o status quo, mas queres tornar-te parte da solução em vez de parte do problema, então continua a ler!

HÁ UMA FORMA MELHOR!

  • Porquê reinventar a roda quando uma melhor já existe, olha para a Natureza!
  • Podemos planear e implementar ecossistemas naturais repletos de vida, que se cuidam sozinhos, tal como um bosque ou floresta – mas que contém plantas que nós escolhemos.
  • O Sistema de Design de Permacultura observa sistemas e padrões naturais, e imita-os para um design de sistemas de produção alimentar e residência humana que se integra harmoniosamente com a Natureza.

Porquê cavar assim?

 Quando os profissionais estão ao dispor….

COMO A NATUREZA CULTIVA PLANTAS

Olhamos para o sistema da Natureza, e copiamo-lo, para que a Natureza faça o trabalho por nós, tal como as minhocas cavam em vez de nós. Isso é o espírito da Permacultura. Sem necessidade de trabalho duro…

A Natureza cresce num padrão altamente optimizado, utilizando múltiplas camadas e tirando o máximo proveito tanto do espaço horizontal, como do vertical.

Um bosque de Alimentos é geralmente composta por 7 estratos ou camadas, a mais alta destas sendo o estrato da Copa. A copa é constituida por árvores altas – geralmente árvores de fruto ou de nozes de grande porte.

Entre as árvores de copa alta, existe uma camada de árvores de fruto de pequeno porte ou de copa baixa. Atenção, uma árvore de pequeno porte pode tipicamente atingir 4m de altura, por isso não penses necessariamente que são árvores muito baixas.

Aninhado entre as árvores de pequeno porte estão os arbustos – que estão bem representados pelas groselhas e bagas.

A ocupar o restante espaço está o estrato das herbáceas, estas são as plantas medicinais e culinárias, plantas consorciadas, plantas meliferas e de forragem para aves de capoeira.

Qualquer espaço restante é ocupado pela cobertura de solo, plantas rasteiras. Estas formam uma cobertura e adubo verde que protege o solo, reduz a perda de água por evaporação, e evita o aparecimento de plantas indesejadas.

Podemos ainda ir um estrato mais profundo, a rizosfera, ou a zona das raízes, o estrato subterrâneo que é ocupado por todas as culturas de raiz, como as batatas, cenouras, gengibre, yacon, etc.

Enquanto isto pode parecer muitas plantas num só espaço, ainda temos mais um espaço a preencher, o espaço vertical. Este é ocupado pelas trepadeiras, que podem subir por qualquer suporte vertical, seja árvores, vedações, etc. Esta categoria inclui uvas, feijão, muitas variedades de bagas, maracujá. kiwi, ervilhas trepadeiras, chokos e muitas outras espécies que adoram trepar.

Agora, existem muitos equívocos acerca do que é realmente um bosque de alimentos que eu gostava de esclarecer.

  • Linhas direitas de árvores não é um bosque de alimentos. Isso é o que chamamos de pomar (e até agroflorestas).
  • Linhas de árvores com algumas plantas a crescer por baixo não é um bosque de alimentos, é um pomar com sub-plantações.
  • Linhas de árvores com linhas de outras plantas alternadas entre elas não é um bosque de alimentos, é um pomar implementado com intercalação de culturas.

Um bosque de alimentos pode não ter necessariamente todas as 7 camadas, mas contém múltiplos estratos ou camadas, e ainda mais importante, é um ecossistema vivo virtualmente auto-sustentado.

Em termos de forma, o que mais diferencia um bosque de alimentos de um campo bidimensional de alfaces ou qualquer outra monocultura é que o bosque é uma estrutura tridimensional.

Em termos de função, sendo um ecossistema vivo dá-lhe propriedade e atributos que não estão presentes em sistemas agrícolas em geral nem em muitos jardins.

OS BENEFÍCIOS

Os benefícios a ter de um bosque alimentar são os seguintes:

Alta Produtividade
  • Plantação de Alta densidade assegura alta produtividade.
  • Biodiversidade assegura uma fonte de alimentos contínua ao longo do ano.
Cobertura de Solo, Composto e Fertilização Natural
  • Tal como uma floresta, o bosque de alimentos cobre o chão sozinho para reter humidade.
  • Com tamanha densidade vegetal, um enorme volume de folhagem caída acumula e decompõe-se para adicionar matéria orgânica ao solo.
  • Decompositores, a classe de insetos e organismos que decompõem a matéria orgânica, como as minhocas, térmitas e santarenas, trabalham para ajudar o processo de compostagem natural.
Controlo Natural de Pragas
  • Sem necessidade de químicos! Bosques Alimentares usam predadores naturais para se livrarem de pragas – deixando os profissionais fazer o trabalho, naturalmente.
  • Insetos predadores têm um habitat permanente (um ecossistema natural) e fontes de alimento abundantes (flores ricas em néctar) num bosque alimentar. Fornece ambas estas coisas e eles aparecerão por sua conta! Uma hortinha de vegetais é apenas lar para as espécies de insetos praga, não fornece habitat para os insetos “bons”!
  • Um Ecossistema vivo e abundante atrairá aves e outros predadores maiores, contribuindo mais para o controlo natural de pragas.
Resiliência Através da Biodiversidade – A força está nos Números
  • A Naureza não planta enormes áreas de apenas uma espécia (nem em linhas direitinhas!), a Natureza prefere biodiversidade, não monoculturas! Misturar diferentes tipos de plantas todas juntas fá-las crescer melhor, ponto final. Cria uma sinergia natural que beneficia todas as plantas envolvidas. As plantas, como resultado, são mais resistentes a pragas e doenças, e são mais produtivas (e mais bonitas!).
  • O uso de consorciação de plantas (plantas que se beneficiam mutuamente) permite-nos recriar a biodiversidade da Natureza para ganhar estes benefícios.
Regeneração de Solos Fácil – Cortar e Largar (Chop n’ Drop em Inglês)
  • Na Natureza, quando morrem plantas, elas ficam onde caíram. Não são arrancadas e deitadas fora! Não arranques pela raíz as plantas anuais que terminaram o seu ciclo, corta-as ao nivel do solo. A raízes vão apodrecer para criar milhares de intrincados canais de ar e água no subsolo. As partes aéreas das plantas cortadas criam um sistema natural de cobertura de solo vegetal em compostagem como no solo de uma floresta.
  • Preserva o teu solo, cria caminhos. Não pises nas camas, o solo está vivo!!! (De facto, é até um ecossistema mais complexo do que qualquer outro à superfície).Pisar nas tuas camas vai compacar o solo, cerrando caminho para o ar e água, dificulando a infiltração destes até às plantas, o que ira inibir o seu desenvolvimento.

RESUMINDO E CONCLUINDO….

Um Bosque de Alimentos é construido para emular uma floresta real — apenas a preenchemos com plantas alimentares e árvores que desejamos.

Florestas “reais” não necessitam de trabalho algum, elas auto-susteêm-se — nada de pesticidas, herbicidas, arrancar ervas daninhas, rotação de culturas, corta-relvas ou cavar. O bosque de alimentos também não precisa de nada disso! Menos trabalho, mais comida, tudo natural! Porquê fazer outra coisa?

Concluindo, se olharmos para além da nossa cultura modernizada, para os sistemas vegetais mais avançados e abundantes em vida da Natureza, é claramente evidente que trabalhar com a Natureza é o caminho mais sábio e mais produtivo para uma produção alimentar sustentável.

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