[PARTE 2: FLUIDEZ] 9 Dicas de PERMACULTURA que Podes Aplicar JÁ e Sem Experiência Prévia

Nesta PARTE 2 vamos falar sobre dicas para melhorar os resultados do que já fazemos, e como utilizar de uma forma mais optimizada os recursos que já temos ao nosso dispor para ciclos mais fluídos e harmoniosos. Esta série de artigos vai te mostrar práticas que utilizamos em permacultura que não só poupam tempo, esforço, recursos e dinheiro, mas que ao mesmo tempo são parte de uma prática regenerativa, ecológica e mais sustentável que se pode e DEVE fazer em casa e não requer conhecimento ou experiência prévia em agricultura biológica ou permacultura.

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Nesta série de artigos vamos te mostrar práticas que utilizamos em permacultura que não só poupam tempo, esforço, recursos e dinheiro, mas que ao mesmo tempo são parte de uma prática regenerativa, ecológica e mais sustentável que se pode e DEVE fazer em casa.

Não requer conhecimento ou experiência prévia em agricultura biológica ou permacultura, apenas vontade de ter uma rotina mais harmoniosa com os processos naturais que já ocorrem à nossa volta, aproveitar processos e recursos que já acontecem nas nossas casas e optimizar o nosso tempo e os nossos recursos.

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Nesta PARTE 2 vamos falar sobre dicas para melhorar os resultados do que já fazemos, e como utilizar de uma forma mais optimizada os recursos que já temos ao nosso dispor para ciclos mais fluídos e harmoniosos. 

Parte 1 ALQUIMIA: LIXO EM OURO

Parte 2 FLUIDEZ: A NATUREZA GOSTA DE BEBER COM AMIGOS

1. ALFOMBRA OU MULCH – TAPA O TEU SOLO!

2. OLLAS

3. CONSORCIAÇÃO DE PLANTAS

 

Permacultura oferece não só os princípios éticos para nos guiar para uma vida mais sustentável, mas também as técnicas práticas congruentes a elas, para que possas aplicar no terreno todas as coisas lindas que dizemos sobre a Natureza: que devemos protegê-la, que o nosso estilo de vida pode ser mais sustentável, que devemos reciclar mais, produzir menos lixo e poluição, produzir (pelo menos alguns) dos nossos alimentos e ser menos consumistas, satisfazendo algumas das nossas próprias necessidades, etc

Mas COMO é que protegemos a Natureza? Falar é fácil, mas quais as AÇÕES que podemos tomar no nosso dia-a-dia, que sejam simples, que nos ponham a proteger a Natureza? A ter um estilo de vida mais sustentável?

Nós acreditamos que não são as grandes mudanças que fazemos uma vez, mas as pequenas ações que tomamos todos os dias que realmente fazem a diferença. Significa, pelo menos para nós, que o primeiro sítio onde se podem tomar pequenas ações nesse sentido é em casa.

 


 

Um dos recursos que mais temos de valorizar optimizando ao máximo é aquele ouro líquido transparente chamado H2O: Água

Nós somos apenas um reflexo de como a Natureza opera. ÁGUA é um recurso obviamente essencial, tanto para nós como para as plantas das nossas hortas – mas sabias que as plantas também precisam de amigos por perto? É sempre melhor beber com amigos, e nesta parte 2 vais ver que se juntares essas duas coisas, como a Natureza faz, vais entrar em maior fluidez com as tuas práticas na horta.

O Verão de 2017 vai ser QUENTE e SECO. Já começam as preparações para tentar irrigar o país, e a nuvem negra de fumo dos Incêndios florestais (se é que se possa chamar de uma monocultura de eucaliptos uma floresta) aproxima-se.

Também vêm aí as férias. Como é que podemos manter os nossos espaços irrigados quando está tudo tão quente e seco, poupando água ao máximo, e podendo ir passar uns dias fora sem arriscar voltar para uma horta morta?

 

 

 

1. ALFOMBRA OU MULCH – TAPA O TEU SOLO!

Um dos métodos pelo qual me apaixonei quando descobri a permacultura é o conceito de alfombra – ou cobertura de solo. O termo “técnico” em inglês é mulch.

Pensa comigo:

Quando, na Natureza, é que vês enormes extensões de terra expostos e sem ervas daninhas? Em areais, praias e desertos.

No mundo natural, são raros os casos em que a Natureza não cubra cada milimetro de solo com vegetação, e não é por acaso.

Não é por acaso que a Natureza cobre o solo do planeta - ela é muito poupada nos seus recursos mais preciosos - e água e vida no solo são MUITÍSSIMO preciosos.
Não é por acaso que a Natureza cobre o solo do planeta – ela é muito poupada nos seus recursos mais preciosos – e água e vida no solo são MUITÍSSIMO preciosos.

 

A crosta terrestre é como a pele do planeta, e se estiver sempre exposta aos raios solares, principalmente no verão, seca muito mais rapidamente e queima.

Tal como a nossa pele, queremos mantê-la hidratada, e protegida dos raios solares nocivos.

No Outono, a própria Natureza encarrega-se de tapar o solo com as folhas de caem das árvores para evitar que o solo seja levado pelas enchurradas de água da chuva, e age também como manta para proteger das temperaturas mais baixas da atmosfera.

Cobertura Natural do Solo - cortesia da Natureza
Cobertura Natural do Solo – cortesia da Natureza

Ao livrar-nos das ervas daninhas, ao sachar entre as culturas, ao ter a terra sempre exposta ao elementos, estamos a prejudicar-nos sem sabermos:

  • Perdemos terra à erosão porque não há raizes a segurá-la;
  • Perdemos a biodiversidade na terra que nos dá a terra fértil que precisamos para as culturas porque torram todas ao sol;
  • A terra seca muito mais depressa, perdemos água à evaporação, e temos que regar muito mais e mais vezes – e muita dessa água nem chegará às plantas – o sol vai fazê-la desaparecer antes disso.

 

Ao taparmos a terra estamos a imitar os processos naturais.

Quando tapamos cada centímetro do chão da nossa horta, isto é o que acontece:

  • Poupamos até 70% a água de rega, porque a cobertura de solo está a proteger a terra da evaporação – por baixo dessa cobertura estará sempre escuro e húmido, ambiente perfeito para as nossas plantinhas e para a biodiversidade do solo.
  • Estamos a poupar a terra dos elementos, como o vento e águas forte, e evitando perda de terra por erosão e lixiviação.
  • Estamos a contruir solo e fertilidade, pois essa cobertura de solo vai se decompondo e criar matéria orgânica fantástica, aumentando a camada fértil e fofa de solo à superficie, que nos poupará trabalho no futuro, pois, com terra assim, já não é necessário lavrar.
  • Podemos mesmo evitar o aparecimento de ervas daninhas com uma camada espessa de alfombra, desde que a alfombra em si não contenha sementes.

 

O material que se usa para mulch ou alfombra é do mais variado, desde palha, às ervas daninhas que tiras da horta, casca de pinheiro, caruma, folhagem das árvores, seixos e pedras, etc. Gosto de recolher o meu mulch localmente. No Verão, isso significa palhas e ervas daninhas, e no Outono, folhas mortas.

Diferentes tipos de alfombra podem ser utilizados na horta, como mostra esta ilustração, cortesia de Mother Earth News

Para evitar que as sementes da palha que corto vão parar e crescer na horta, não a coloco diretamente na horta assim que a corto – empacoto-a bem apertada (como seria num fardo de palha) numa rede, rego-a, e deixo todas as sementes germinar – depois viro a pilha ao contrário. Vou fazendo isto até ter palha semi-decomposta, os rebentos todos terem morrido, e assim sei que as sementes que iam germinar já não tomarão conta da minha horta quando colocar essa palha a tapar o solo – além disso, todas as sementes que germinaram e morreram impregnaram a palha com hormonas de crescimento que ajudarão a minha horta!

 

Existem, que eu saiba, 3 tipos de alfombra.

  • MULCH SOLTO – a cobertura de solo composta por matéria solta – a que mencionámos acima;

 

  • ADUBO VERDE – Cultura no local de cobertura de solo verde (ou seja, viva), que também serve a função de adubo. Um exemplo excelente de adubo verde ou cobertura de solo viva é a cultura de trevo – cobre o solo de forma rasteira, servindo todas as funções esperadas de uma alfombra, mas também contribui com uma excelente dose de azoto para o solo e as plantas quando é cortado. Podes ver aqui mais pormenores como o trevo pode ser utilizado como cobertura de solo numa policultura biológica – basta procurares no artigo a secção detalhada sobre esta planta espetacular.

 

  • SHEET MULCH – cobertura em folha, ou seja, cobertura normalmente feita de cartão que se coloca diretamente no chão, como base para atrofiar ervas daninhas e impedir que tomem conta da horta que será feita por cima. Serve como base para camas elevadas, por exemplo.

Sheet mulch é mais frequentemente conhecido como aquele plástico preto que tapa o solo todo na agricultura convencional – o problema que eu vejo com esses plásticos é que

  • tens que gastar dinheiro para o ir buscar enquanto o mulch orgânico é de graça (ou quase de graça se quiseres comprar fardos de palha sem semente);
  • sendo geralmente plástico preto, este aquece imenso o solo por baixo e, enquanto servem a sua função de evitar crescimento de ervas daninhas, também obriga a uma irrigação mais intensa,

 

O Mulch de folha de cartão também evita o aparecimento de ervas daninhas enquanto se estabelece a horta, mas

  • sendo biodegradável, não estará lá para sempre – vai-se decompor e fazer parte da terra da tua horta ou cama elevada – e será, por isso, substituida pelo mulch de palha ou folhas para continuar o trabalho de controlar as ervas daninhas.
  • Não aquece demasiado o solo – pelo contrário, mantendo o mulch de folha bem húmido, ele agirá como uma esponja e ajudar-te-à a manter níveis de humidade ideais dentro do solo.
  • É de borla – faz parte do nosso processo caseiro de reciclagem – qualquer cartão mais espesso servirá para mulch de folha – desde que não tenha muitas tintas impressas e retires quaisquer bocados de plásticos e fita-cola antes de utilizar.
Camada mais funda à mais superficial da esquerda para a direita: Alfombra de folha como base para supressão da vegetação existente, contrução da horta ou canteiro em cima do cartão, e alfombra solta para proteger o novo solo e futuras culturas.
O mesmo método de construção de uma horta que na imagem anterior, transformando um relvado em canteiros produtivos. A alfombra de folha – o cartão – também cobre o que serão os caminhos da horta.

 

 

 

5. OLLAS

Este processo intrigou-nos. Tanto, de facto, que entrámos em contacto com um casal local de oleiros para nos fazerem OLLAS (pronuncia-se oias).

É um método ancestral de irrigação que utiliza potes de barro arredondados para libertar água para a terra à medida que ela é necessária. Ainda hoje em sítios como México, Irão e Afganistão usam esta técnica – e se em sítios áridos como esse ainda usam este método, é porque funciona.

O conceito é simples:  barro cozido não é vitrificado, é deixado no seu estado natural, o que significa que é poroso – enterra-se na terra deixando apenas o gargalo à superfície. Enche-se o pote com água e coloca-se a tampa. Por ser poroso, o pote vai transpirar essa água – ela vai atravessar a parede de barro para a terra circundante.

As plantas irão colocar as suas raízes em redor das paredes de barro à busca de água, e elas mesmas irão causar um efeito de sucção que irá puxar a água de dentro do pote para a raiz no exterior à medida que precisam – o que significa que quase 100% da água é de facto utilizada pela planta, quando ela precisa dela, visto que é ela mesma que a vai buscar ao pote.

Dependendo do tamanho do pote, quantos litros pode levar e as necessidades hídricas das plantas em redor, podes encher os potes com água e será irrigação suficiente durante 2-10 dias (mais uma vez, depende de quantas ollas tens, que espaçamento há entre elas, as necessidades das plantas e quantos litros cada olla pode levar). Isto significa que podes passar um fim-de-semana fora descansado que a horta terá a sede saciada enquanto estás fora.

Iremos brevemente traduzir um artigo muito interessante sobre ollas, mas para já podes consultar o original em inglês aqui.

 

 

 

6. CONSORCIAÇÃO DE PLANTAS

Já falámos do beber da preciosa água e como usar este recurso ao máximo e com o mínimo de desperdício e trabalho desnecessário.

Agora aos amigos.

Sabes quando vamos a um casamento, e toda a gente já tem os seus lugares designados pelos noivos? Eles decidiram quem se ia sentar ao pé de quem, porque se o Tio Alberto estiver num raio de 20 metros do Tio Zé, os noivos já sabem que vai haver confusão. Também sabem que se juntarem os primos Silva na mesma mesa, que vai ser uma festa do caraças.

“Ok, Janet, tu não suportas a tua irmã, por isso sentas-te aqui. Jason, tu achas a Teresa uma idiota por isso vais te sentar à minha esquerda…”

Com as plantas passa-se o mesmo. Algumas competem umas com as outras, ou impedem o desenvolvimento uma da outra, e outras cooperam entre si, ajudando-se a crescer.

Uma consorciação de plantas bem feita pode ajudar imenso a dinâmica de todos os seres vivos da horta para que trabalhem em sintonia.

  • Podemos evitar o aparecimento e propagação de pragas: Nós colocamos as nossas cebolas em redor das couves para evitar pragas de lagartas, por exemplo, ou cravos-túnicos debaixo dos tomateiros para evitar o aparecimento de pragas no tomate.
  • Podemos aumentar a produção das culturas ao emparelhá-las adequadamente: a camomila, emparelhada com aromáticas que produzem óleo, como oregãos, rosmaninho ou salva, aumenta a produção desses óleos. Camomila é conhecida como “a médica das plantas”.
  • Podemos atrair insetos benéficos: a combinação de pastinaca e aspargo atrai joaninhas para o teu jardim;
  • Podemos gerir melhor o espaço da horta: ao combinar plantas que ocupam espaço de forma diferente faz com que mais plantas possam viver harmoniosamente em menos espaço – como ter bróculos intercalados com alfaces: crescem melhor juntas do que separadas, o bróculo cresce mais na vertical e a alface tapa o solo mais à superfície não competindo por espaço;
  • Podemos gerir melhor os nutrientes do solo: Ao juntar, por exemplo, leguminosas (que libertam o bem querido AZOTO depois da colheita) a cereais – que sugam muitos nutrientes, podemos manter um certo equilibrio nutricional no nosso solo. Ao colocar plantas que precisam das mesmas coisas ao mesmo tempo, elas irão competir umas com as outras para adquirir esses nutrientes e teremos excesso de outros que não estão a ser utilizados por essas espécies.
  • Podemos evitar assim a exaustão do solo e fazer uma agricultura intensiva sustentável com rotação de culturas apropriada.

Aqui estão alguns guias de consorciação de plantas em Inglês – vai espreitando o blog ou subscreve à nossa newsletter semanal para receberes uma lista de consorciação traduzida para português que estamos a compilar e iremos lançar assim que estiver pronta.

Listas de Consorciação de Plantas

 

To be Continued….

 [PARTE 3] – BREVEMENTE

[PARTE 1: ALQUIMIA] 9 Dicas de PERMACULTURA que Podes Aplicar JÁ e Sem Experiência Prévia

Nesta PARTE 1 vamos falar sobre como temos recursos em casa que não sendo utilizados – são lixo e poluição – mas bem aproveitados, tornamo-nos em alquimistas e transformamos esse lixo em bens preciosos e úteis. Esta série de artigos vai te mostrar práticas que utilizamos em permacultura que não só poupam tempo, esforço, recursos e dinheiro, mas que ao mesmo tempo são parte de uma prática regenerativa, ecológica e mais sustentável que se pode e DEVE fazer em casa e não requer conhecimento ou experiência prévia em agricultura biológica ou permacultura.

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Nesta série de artigos vamos te mostrar práticas que utilizamos em permacultura que não só poupam tempo, esforço, recursos e dinheiro, mas que ao mesmo tempo são parte de uma prática regenerativa, ecológica e mais sustentável que se pode e DEVE fazer em casa.

Não requer conhecimento ou experiência prévia em agricultura biológica ou permacultura, apenas vontade de ter uma rotina mais harmoniosa com os processos naturais que já ocorrem à nossa volta, aproveitar processos e recursos que já acontecem nas nossas casas e optimizar o nosso tempo e os nossos recursos.

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Permacultura oferece não só os princípios éticos para nos guiar para uma vida mais sustentável, mas também as técnicas práticas congruentes a elas, para que possas aplicar no terreno todas as coisas lindas que dizemos sobre a Natureza: que devemos protegê-la, que o nosso estilo de vida pode ser mais sustentável, que devemos reciclar mais, produzir menos lixo e poluição, produzir (pelo menos alguns) dos nossos alimentos e ser menos consumistas, satisfazendo algumas das nossas próprias necessidades, etc

Mas COMO é que protegemos a Natureza? Falar é fácil, mas quais as AÇÕES que podemos tomar no nosso dia-a-dia, que sejam simples, que nos ponham a proteger a Natureza? A ter um estilo de vida mais sustentável?

Nós acreditamos que não são as grandes mudanças que fazemos uma vez, mas as pequenas ações que tomamos todos os dias que realmente fazem a diferença. Significa, pelo menos para nós, que o primeiro sítio onde se podem tomar pequenas ações nesse sentido é em casa.

Nesta PARTE 1 vamos falar sobre como temos recursos em casa que não sendo utilizados – são lixo e poluição – mas bem aproveitados, tornamo-nos em alquimistas e transformamos esse lixo em bens preciosos e úteis.

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Poluição são apenas recursos para os quais não temos uma utilidade.

Não podendo re-inseri-lo num sistema de reciclagem (voltar a entrar no ciclo de uso), acumula e estagna – poluindo. Qualquer recurso que tenhas em casa que não estejas a utilizar ao máximo pode ser considerado poluição, e por isso queremos dar-te umas dicas de permacultura que podes aplicar já para minimzar o afluente de poluição que sai da tua casa, mas sim criar mais abundância.

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Parte 1 ALQUIMIA: LIXO EM OURO

1. O LIXO DE UM É O TESOURO DO OUTRO

2. COMPOSTAGEM E VERMICOMPOSTAGEM

3. BIO FERTILIZANTES


RE-CICLAGEM

Não passa por apenas pegar em tudo que seja plástico, vidro ou papel e mandar para os centros de reciclagem. Se considerares o combustível necessário para os camiões de reciclagem irem buscar o nosso lixo, as emissões que lançam para atmosfera a cada viagem, a energia gasta pelos centros de triagem e reciclagem e como essa energia foi produzida, a pegada ecológica pode ser até maior do que NÃO fazeres a reciclagem. PODE. Não quer dizer que assim seja. Mas é um equilíbrio muito ténue e é só para ilustrar que a pegada ecológica da reciclagem é maior do que pensamos.

  • Podemos re-aproveitar frascos de feijão ou de molho de tomate para a nossa própria produção alimentar, como doces, conservas, pickles, etc
  • Podemos re-aproveitar cartões e cartolinas para sheet mulch (explicamos o que isso é mais abaixo)
  • Podemos reduzir nas nossas idas ao supermercado o nosso consumo de produtos excessivamente embalados e focar mais em comprar a granel, para levarmos menos plástico para casa e reduzirmos a nossa pegada ecológica por simplesmente, por ex: comprar os cogumelos “ao saco” no supermercado em vez dos pré-embalados.
  • Podemos re-aproveitar papéis mais finos para fazer acendalhas caseiras  – o que poupa na reciclagem industrial e na compra de acendalhas comerciais feitas de plástico.
Acendalhas feitas de rolos de papel higiénico e a fibras que se retiram dos filtros das máquinas de secar roupa.

Trazemos MILHARES de coisas para casa, e muitas delas podem ter utilizações futuras ANTES de irem parar ao lixo – só isso fará uma diferença ENORME na tua busca por um estilo de vida mais sustentável.

 

1. O LIXO DE UM É O TESOURO DO OUTRO

O Filme “Grinch” tem uma versão mais engraçada desta expressão: “O Lixo de Um é o PotPourri de Outro”. Mas não te estou a dizer para andares por aí a mergulhar dentro de contentores do lixo à procura de tesouro.

A ideia é pensar bem nos recursos que estão a ser mandados fora e que ainda têm utilidade antes de ser hora de os descartar. Aqui vão apenas alguns exemplos:

  • COUVETES alimentares de esferovite servem de paletes para tintas quando quero pintar, para secar as minhas flores, sementes, plantas para chás e outros projetos manuais.

 

  • BORRAS de Café: tenho um pequeno contentor separado para guardar a minhas borras de café (e aqui em casa são quantidades INDUSTRIAIS :s). Temos tantas borras que tenho mais do que suficiente para a minha horta, para a compostagem, para o vermicompostor, e para juntar num canto da horta para eventualmente criar cogumelos. Também servem para afastar as formigas da horta.

 

  • CINZAS: Ainda não existe NADA no mercado tão bom para arear tachos e panelas como esfregar cinza. Também é muito útil para fazer a nossa própria lixívia natural para roupa.

 

  • CASCAS DE OVO: Rico em cálcio. Pode ser pulverizado e dado às galinhas para que ponham ovos fortes. Também podes fazer os teus próprios suplementos de cálcio fazendo um pó com a casca e tostando no forno a baixas temperaturas.

 

  • CASCAS DE LARANJA, LIMÃO E OUTROS CITRINOS: FANTÁSTICO para fazer produtos naturais de limpeza – nunca mais gastas fortunas com produtos de limpeza, e a e tua casa vai sempre ter um aroma fresco e agradável. Existem imensos métodos e receitas diferentes online para te inspirares.

 

  • GUARDANAPOS E ROLO DE COZINHA: Esses também não vão para o lixo. Se tiverem sujos de óleos, são mais dificeis de aproveitar, mas fora essa exceção, ou vai para o compostor ou para as minhocas. Também se pode fazer papel artesanal e pasta de papel para projetos manuais aproveitando papel que iria para a reciclagem industrial – até se pode fazer um chão de sacos de papel lindíssimo com este material reciclável.
Chão com acabamento de papel que parece madeira! Tudo com papel, stencil e corantes de madeira – como utilizar café para escurecer a madeira.
  • GARRAFAS DE VIDRO, PLÁSTICO E LATAS: Se já ouviste falar das Earthship, sabes do que vou falar a seguir. O arquiteto Michael Reynolds usa latas e garrafas de vidro para fazer tijolos para eco-casas à cerca de 40 anos. Estas casas são mais sustentáveis de manter do que uma casa convencional, porque é aclimatizada passivamente (não requer energia elétrica para se manter entre os 18-25C – mesmo em locais onde as temperaturas atingem -20C a 40C), produz alguns dos seus própios alimentos, captura a própria água, etc.

Muitas dessas capacidades são possíveis devido aos materiais escolhidos para a construir. Os tijolos feitos com garrafas de vidro permitem entrar luz natural e criar vitrais espantosos embutidos nas paredes, enquanto que paredes feitas com “tijolos de lata” são também à prova de som devido à forma da própria lata.

Parede da Acedemia Earthship Biotecture em Taos, Novo Néxico, EUA

Se não estás a pensar construir uma casa, as mesmas técnicas se podem aplicar para fazer muros ou camas elevadas, por exemplo – poupando-te muito dinheiro na compra de cimento e outros materiais se começares a recolher esse material tu próprio.

Também é possível derreter garrafas de vidro para fazer bases de apresentação de comida para a tua mesa.

Com garrafas de plástico podemos até construir uma horta vertical (que iremos explorar com mais pormenor noutra publicação), se este artigo te deu vontade de ter uma mas te faltar o espaço para isso.

 

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Esquce as Plantas. O que queres alimentar é o SOLO.

SOLO Saudável = Plantas saudáveis = Pessoas Felizes

Por isso vamos te dar duas dicas de permacultura e sustentabilidade para isso mesmo: Compostagens e Biofertilizantes.

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2. COMPOSTAGEM E VERMICOMPOSTAGEM

Diz adeus ao “sumo de lixo” que pinga do teu saco a caminho do contentor – para sempre! 😀

Já mencionámos acima que muito do que iria parar ao saco do lixo e ao aterro sanitário pode e deve ser re-utilizado em casa – para nosso bem e para o bem do planeta. Quando “lixos” orgânicos são mandados para os aterros via sacos do lixo, a decomposição que acontece no aterro pode até tornar-se perigosa.

Os gases produzidos dentro dos sacos resultantes dessa decomposição, e enterrados sob toneladas de outro lixo, agem como uma panela de pressão, e pode mesmo causar explosões nos aterros sanitários – além de incêncios devido à produção de gases altamente inflamáveis que não têm para onde ir…

É importante fazer a separação de todo o lixo orgânico do inorgânico. Vais ver que, entre fazer isso e a reciclagem dos vidros, papéis e plásticos, não terás lixo quase nenhum a ir para o aterro. A sensação é tão agradável – principalmente quando deixarmos de ter de fazer a caminhada malcheirosa de levar o saco do lixo ao contentor.

Dentro das tuas circunstâncias – se vives no campo ou na cidade – a forma como fazes este processo muda apenas um pouco.

As borras de café, os guardanapos, os restos da cozinha, tudo isso pode ser re-aproveitado para fazer MAIS COMIDA! Nhami. Para isso basta dares ao compostor, às minhocas, ou às galinhas e patos.

 

Dar o quê a quem?

  • Restos de cozinha crus: Galinhas e/ou patos, compostor, minhocas (salvo algumas exceções que iremos falar mais abaixo)
  • Restos cozinhados: Galinhas e/ou patos. (Comida cozinhada não deve ir para o compostor nem para o minhocário)
  • Borras de café e guardanapos: compostor, minhocas, e para criar cogumelos

 

COMPOSTOR

Para uma boa compostagem, é preciso duas coisas – verdes e castanhos. Ou seja, Azoto e Carbono.

Verdes sendo as coisas “frescas”, ainda vivas, que queres decompor, e os Castanhos, o material mais seco e inorgânico, mas biodegradável – como folhas secas, papel, etc.

  • Queres manter uma proporção de 60% castanhos para 40% verdes.
  • Fazes camadas de lasanha de cada uma, começando por uma base de castanhos  – aqui entram os cartões e cartolinas, por exemplo.
  • Daí para a frente vais construindo a camada verde, e depois outra camada castanha, e por aí fora.
  • Se cheirar muito mal, é possível que tenhas demasiados verdes, por isso compensa com “castanhos” e depois continua a rotina normal.

Depois de algum tempo, dependendo do tipo de compostor que tens e que tipo de compostagem que estás a fazer (tema para outro artigo) – terás terra fantástica para alimentar as tuas plantinhas, que te darão mais comida… e cujos restos irão de novo para o compostor.

Ah… The circle of life.

Se não tens horta para utilizar este composto fantástico, podes sempre doá-lo a uma horta comunitária – ou vendê-lo. Composto pode ser um recurso muito valioso se for de boa qualidade. Seja como for, ganhas – agora o teu “lixo” está a render.

 

VERMICOMPOSTOR ou MINHOCÁRIO

O Vermicompostor (de minhocas – existem vermicompostores com outros bichos, mas isso é para outro artigo) é, na minha opinião, uma solução interessante para quem tem espaço limitado e não pode fazer compostagem – como em áreas urbanas – mas ainda querem reciclar algum do seu lixo orgânico.

Como o compostor, que não gosta de cozinhados (é estritamente crudívero), as minhocas também têm as suas particularidades.

Uma regra útil e engraçada que me ensinaram quando tirei o meu Curso de Design em Permacultura: Qualquer coisa que arda no olho, não pode ser colocado no vermicompostor.

Ou seja, laranjas, por exemplo, está fora de questão. E óleos, por sufocarem a minhoca, também não são aceites. Cozinhados também não – vêm carregados de óleos e temperos irritantes – imagina pôr sal e pimenta no teu olho! É assim que a minhoca se sentiria se colocasses essas coisas na sua casinha e todos esses elementos entrassem em contacto com a sua pele sensível.

Para fazer um vermicompostor é  muito simples – e se estás preocupado com o odor – na minha experiência, ele não existe. É uma das razões porque acho que o vermicompostor é uma boa opção para habitações urbanas – o facto de um vermicompostor poder ser de qualquer tamanho e poder ser ajustado à escala que se consegue fazer também ajuda nesse aspeto – ao contrário do compostor, que precisa de um mínimo de 1m cúbico para uma compostagem de qualidade.

Aqui está uma foto do nosso vermicompostor e como ele funciona:

O nosso minhocário - chamamos-lhe o Condominio de Luxo para Minhocas
O nosso minhocário – chamamos-lhe o Condominio de Luxo para Minhocas
  • Recolhemos 3 Caixas de esferovite de um supermercado – as caixas de peixe são ideais.
  • Caixa de cima=1; Caixa do meio=2; Caixa de Baixo=3
  • As caixas 1 e 2 têm pequenos buracos no fundo.
  • Colocam-se em torre como se vê na imagem e coloca-se alguma terra, as minhocas e os restos a compostar na caixa do meio (2).
  • Vai-se alimentando as minhocas da caixa 2 até terem convertido todos os restos em composto de minhoca.
  • Os buracos da caixa 2 deixam escoar liquidos que acumulam na caixa 3.
  • Quando a caixa 2 estiver cheia de composto de minhoca, começa-se a colocar os restos na caixa 1.
  • Os buracos da caixa1 permitem que as minhocas se desloquem sozinhas da caixa 2 (que agora está cheia) até à caixa 1.
  • Depois das minhocas terem migrado todas para a caixa de cima onde está a comida nova, podes tirar a caixa 2 e despejar o composto de minhoca, e o liquido da caixa 3.
  • Depois a caixa 1 – onde estão agora as minhocas e onde se despejam os restos – troca de lugar com a caixa 2 (já esvaziada) que passa para o topo.

Ou seja, as caixas 1 e 2 estão sempre a trocar de lugar À medida que as minhocas enchem as caixas com  composto super rico criado dos restos da cozinha e a caixa 3 recolhe os líquidos produzidos pelas minhocas durante a compostagem.

  • Deves manter o minhocário escuro e húmido.

Além de te ajudar a minimizar o lixo que terias de levar para o contentor, produz composto de minhoca que, se fores comprar aqui em Portugal até está mais ou menos em conta, mas noutros países – como no Canadá, onde vivemos uns anos – podem custar uma fortuna, dependendo da qualidade.

Também produz minhocas, que podes usar ou vender como isco de pesca quando tiveres demasiadas, ou suplementar a alimentação das tuas galinhas com uma boa dose de proteína de minhoca – elas adoram e a sua saúde agradece. Além disso tudo, também produz o chamado “sumo de minhoca” um líquido altamente rico em nutrientes que pode ser usado como bio-fertilizante.

“LIXO”+VERMICOMPOSTOR= 3 produtos biológicos com pelo menos 4 funções diferentes!

 

NA HORTA

Agora, às dicas práticas de Permacultura para a horta. Se produzes, ou queres produzir, alguns dos teus alimentos em casa, estás de parabéns.

Se queres seguir a via biológica, estás de SUPER parabéns. Na minha opinião, se vais envenenar a terra da tua casa com pesticidas e herbicidas para ter tomates e pimentos gigantes, estás melhor a ir ao supermercado – ao menos assim não estás a destruir o teu próprio habitat.

Se vives na cidade, procura uma horta comunitária por perto, ou cria a tua própria horta vertical! Podes comprar um kit, mas se estás em modo eco, podes fazer um com materiais reciclados como mencionámos acima.

Online existem imensas ideias e até planos para te guiar na construção de uma horta vertical que traga o campo para o teu cantinho na cidade – se quiseres ver por ti mesmo como isso funciona, podes vir ao Hostel Atlas em Leiria 24 de Junho onde vamos montar uma no centro da cidade num pequeno workshop organizado pela malta do eco-festival Museum Festum 😉

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O nosso protótipo de uma horta vertical feita com paletes recicladas e tratadas naturalmente

 

 

3. BIO FERTILIZANTES

Ao escolher a via biológica, vamos nos deparar com alguns desafios – as plantas podem (podem – não quer dizer que assim seja) demorar mais tempo a crescer, e podem não atingir aqueles tamanhos impressionantes que as pessoas tanto gostam de gabar (incluindo eu); irão aparecer pragas (não é um “se” – vai acontecer, por isso aceita) e vai cair o pânico quando vemos as nossas favas cobertas de afídios sugadores – falo por experiência própria.

Mas todos esses problemas desaparecem quando colhemos comida com um sabor incomparável ao tomate deslavado do supermercado, ao ver as joaninhas a aparecer para um belo jantar de afídios e a salvar as tuas favas de uma morte quase certa – mais uma vez, falo por experiência própria.

Liberta-te apresenta hortas mandala1
A nossa nova horta mandala biológica de 200m quadrados implementada esta Primavera
Por isso é que quero falar aqui dos bio fertilizantes que tenho usado para ajudar a resolver esses problemas: chorume de urtigas, enraizador de salgueiro, sopa de legumes, sumo de minhocas, urina (sim, leste bem!) e óleo de neem (este último foi o único que ainda não experimentei pessoalmente). Não vou falar em muito detalhe sobre cada um, mas deixo as referências para que possam explorar cada opção por ti mesmo.

 

SUMO DE MINHOCA

É o residuo líquido que acumulará no fundo do vermicompostor – eu gosto de lhe chamar ouro liquido – é extremamente rico em nutrientes e as plantas ADORAM. Diluo um pouco na minha água de rega quando o vejo que tenho bastante no fundo do vermicompostor.

 

ENRAIZADOR DE SALGUEIRO

Não é tanto um fertilizante, mas um fortalecedor do sistema imunitário da planta e, como o nome indica, um enraizador – é fantástico para transplantes, quando queremos que a planta se estabeleça e crie raízes e para a fortalecer quando está no seu estado mais vulnerável. Podes consultar o nosso artigo sobre o assunto.

 

CHORUME DE URTIGAS

É um autêntico produto 2 em 1 – tanto serve como um fertilizante espetacular como também pode ser pulverizado para dar cabo de pragas – como os afídios que atacaram as minhas favas esta Primavera.

Para servir de fertilizante:

Coloca urtigas em água e deixar fermentar – quanto mais malcheiroso, mais as plantas adoram – depois basta diluir 20 para 1 (ex: 1l de chorume para 20 de água) e regar.

Para servir para pulverizar as pragas:

Apenas muda a preparação: colocam-se as urtigas em água mas deixam-se no MÁXIMO 2 dias. Eu nunca deixo passar as 15 horas, como não sei o impacto que um chorume muito forte terá noutros insetos benéficos como as joaninhas, prefiro uma solução mais fraca e aplicar mais vezes do que arriscar maltratar o ecossistema de seres vivos na minha horta. O produto não se dilui – pulveriza-se puro para cima dos bichinhos indesejados.

Consulta este artigo espetacular sobre Chorume de Urtigas do blog “A Senhora do Monte” .

 

URINA

Nós TAMBÉM fazemos parte da Natureza – e como tal, TAMBÉM produzimos coisas que outros elementos da Natureza precisam. Uma dessas coisas é URINA.

Urina é altamente rica em AZOTO, um elemento muito necessário ao crescimento das plantas. Se já viste isto nas etiquetas de fertilizantes – NPK – e depois uns números – 6-12-6 – fica sabendo que esses números representam a quantidade de certos elementos nesse fertilizante, e que o N em NPK significa NITROGEN – ou seja, AZOTO.

Aquelas bolinhas azuis que vemos pessoas gastar dinheiro para largar na terra e que chamam fertilizante, é AZOTO. Apenas acho triste que as pessoas estejam a gastar dinheiro nesse nutriente quando têm bexigas com uma fonte inesgotável dele, de graça e de muito melhor qualidade.

Urina é um fertilizante poderosíssimo – tanto que, se abusares, queimas as plantas. Nunca uses mais concentrado do que 1-20: 1litro de urina por 20L de água.

Se tomas medicação, principalmente antibióticos, não uses a Urina – se tem ANTI-BIÓTICOS (=anti – bio=vida) não queres por isso na terra porque vai matar a biodiversidade na tua terra. Espera um ano até o teu ecossistema interno estar bem o suficiente para produzir urina de qualidade para as tuas plantas.

Também podes utilizar urina para aumentar a actividade bacteriana da compostagem, aumentando a temperatura dentro da pilha de composto e assim acelerando o processo. Vimos isso ser utilizado para aquecer uma pilha de composto que conseguia atingir oa 100ºC para aquecer água do duche.

Urina tem sido utilizado para IMENSAS coisas, desde fixar cores em tecidos, como para fazer detergente para a roupa – a minha irmã gosta de dizer “O ingrediente secreto para tudo é sempre urina ahaha.”

 

SOPA DE LEGUMES

Para aqueles que não têm acesso ou condições para utilizar urina, para aquelas alturas em que é dificil encontrar urtigas em quantidade para fazer chorume, ou ainda não tens sumo de minhoca (ou em quantidade suficiente) do teu vermicpompostor, a sopa de legumes é uma excelente forma de suplementar a dieta das tuas plantas. Também é útil se quiseres tirar proveito dos teus restos crus de cozinha mas não tiveres um compostor, vermicompostor ou galinhas.

Receita:

  • Triturar restos de cozinha crus, juntar água e deixar fermentar aberto. No Verão, mais ou menos 3 dias – ou quando começar a borbulhar.
  • Coar. As fibras podem ir diretas para a horta.
  • O preparado pode ser usado puro ou diluido.
  • Aplicar de 15 em 15 dias durante o crescimento, floração, frutificação.

 

ÓLEO DE NEEM

Ainda não tive a oportunidade de experimentar este produto, mas veio-me altamente recomendado por ser um óleo natural de vem de uma árvore (árvore de Neem) e poder ser usado livremente contra pragas sem contra-indicação alguma para as plantas. Como também não sei se a produção deste óleo é sustentável, e ainda não fiz bem a minha pesquisa, ainda não tenho opinião própria sobre ele – se experimentares, partilha a tua experiência 😉

 

To be Continued….

 [PARTE 2] – A NATUREZA GOSTA DE BEBER COM AMIGOS

Este Homem Construiu uma Casa de Hobbit em Apenas 4 Meses, Mas Espera Até Veres O Interior

Um sonho, 4 meses e menos de 5000 euros. Com isso, Simon construiu uma casa de Hobbit para a sua familia. Quem é que não gostaria de viver numa casa saida de um livro de fantasia?

Um sonho, 4 meses e menos de 5000 euros. Com isso, Simon construiu uma casa de Hobbit para a sua familia. Quem é que não gostaria de viver numa casa saida de um livro de fantasia?

 

Um dos primeiros e mais importantes objetivos na vida de uma pessoa é ter um espaço que possa chamar seu. O Lar.

Eu e o Filipe sonhamos muito alto quando diz respeito à nossa futura casa.

Mas, para não falar da pegada ecológica enorme associada à nossa actividade doméstica e de habitação, a nossa casa acaba muitas vezes por nos trazer mais ralação do que prazer, mais responsabilidades e encargos do que um espaço para relaxar e recarregar baterias e que esteja alinhada com os nossos princípios éticos e personalidade.

Quantas vezes já estiveste stressado com questões de casa?

Ter contas para pagar para não perder a casa, obras carissimas para manter a casa, casas energeticamente ineficienes, sujeitarmo-nos a espaços  de habitação que não nos agradam porque não temos liberdade financeira para a nossa casa de sonho…

Queremos criar um lugar onde não só podemos recarregar as baterias, mas que seja um lugar para largar as preocupações, não para criar mais!

Agora imagina o nosso entusiasmo quando, nas nossas pesquisas por soluções para uma habitação ecológica, auto-sustentável e financeiramente viável, ouvimos falar deste senhor que construiu uma casa digna de um Hobbit em apenas 4 meses e menos de 5000 euros!


 

Simon e Jasmine e a sua casa de Hobbit são hoje uma fonte de inspiração internacional.

Podes ver o site deles aqui onde revelam a missão deles de habitações auto-suficientes ecológicas e financeiramente viáveis para todos.

 

Farto de pagamentos de hipoteca e outras despesas pesadas, Simon e Jasmine Dale decidiram seguir o seu sonho de uma vida mais simples e despreocupada, que lhes permitisse conectar mais profundamente com o seu meio ambiente.

Decidiram tomar o caso nas suas próprias mãos e o resultado é esta eco-habitação de madeira, constuida em 4 meses e custando apenas 4100 Euros.

Parece-se perfeitamente com as casas idilicas de um Hobbit – como que extraído diretamente da imaginação de J.R.R.Tolkien.

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Fonte de artigo original (em Inglês): http://www.truthinsideofyou.org

 

POLICULTURA POLINIZADORA PRIMAVERIL – Uma POLICULTURA de SUPORTE para POMARES, QUINTAS, QUINTAIS e JARDINS.

Paul Alfrey do Projeto de Ecologia Balcã apresenta uma policultura de polinização primaveril para fornecer apoio de polinização para quintas e jardins, que rende fruta e nozes nutritivas, espaços de nidificação para abelhas nativas em risco, e exibições espetaculares de flores para alegrar depois do Inverno.

[fancy_box id=5]PRI_NEW_LOGOTemos o prazer e a honra de ter autorização do Permaculture Research Institute para traduzir para PORTUGUÊS o conteúdo fantástico que eles disponibilizam no blog deles. Achamos o conteúdo deles valiosíssimo e achamos que mesmo quem não sabe Inglês MERECE ter acesso a esta informação. Espero que gostes[/fancy_box]

Artigo original em inglês por Paul Alfrey

 

Paul Alfrey do Projeto de Ecologia Balcã apresenta uma policultura para fornecer apoio de polinização para quintas e jardins, que rende fruta e nozes nutritivas, espaços de nidificação para abelhas nativas em risco, e exibições espetaculares de flores para alegrar depois do Inverno.

Estamos a estender o nosso Projeto de Policultura para incluir policulturas perenes experimentais. O nosso golo é desenvolver modelos que sejam de baixo custo a estabelecer e manter, possam produzir comida saudável, nutritiva, e acessível, e que aumentará a biodiversidade.

Esta Primavera vamos incluir a Policultura Primaveril Polinizadora como apresentada aqui.

Como o nome sugere, o objetivo primário da Policultura Primaveril Polinizadora é fornecer, no inicio da estação, uma fonte de pólen/néctar para uma vasta variedade de insectos polinizadores. A maioria das plantas nesta policultura florescem quando ainda existem poucas outras fontes de nectar/pólen disponíveis.

Isto encoraja os insectos polinizadores para dentro e em redor das nossas hortas e jardins para cumprirem o seu papel vital quando o cultivo (em particular as árvores de fruto) começarem a dar flor no início da Primavera.

A policultura também fornece uma fonte de produção no seu próprio direito, e com a escolha correta de espécies e cuidados, deve render grandes quantidades de fruta e nozes, assim como habitat para uma vasta gama de vida selvagem e polinizadores.

[…]

PERIODO DE FLORAÇÃO

Todas as espécies incluidas na policultura, com exceção do Trifolium Repens – Trevo Branco, florescem durante os meses de Janeiro-Março e fornecem forragem valiosa de néctar e pólen para abelhas e outros agentes polinizadores durante esta época.

 

Espécies da Guilda Polinização em flor

Periodos de FloraDisponibilidade de PNectar

CONSIDERAÇÕES NO DESIGN

Objetivos do Design – Assim como apoio na polinização, habitat selvagem e produção alimentar, os objetivos de design incluí:

– Que a policultura seja funcional em lugares marginais, por ex: áreas sombrias, solos de baixa fertilidade, áreas expostas ao vento. A Policultura Primaveril Polinizadora é primáriamente uma policultura de suporte ao fornecer as culturas principais com apoio na polinização, por isso podemos não querer localizá-la na terra mais produtiva.

– Que a policultura necessite de investimentos financeiros e de tempo relativamente baixos. Uma vez estabelecida, a policultura deve exigir pouca ou nenhuma necessidade de fertilização exterior e aproximadamente 5-7 horas de manutenção por ano no final do Outono (não inclui colheita). Manutenção e gestão desta policultura é discutida mais abaixo.

– Que a policultura possa ser usada a uma escala pequena ou grande. O design apresentado acima represente uma unidade e pode funcionar bem sozinha em qualquer jardim. Múltiplas unidades desta policultura podem também ser usadas em pomares e quintas para fornecer uma melhor polinização das culturas. (ver opções de disposição abaixo)

 

Luz e Orientação – Todas as plantas incluidas toleram alguma sombra ou utilizam luz quando outras plantas não a necessitam tanto. A policultura pode, por isso, ser posicionada em áreas marginais com níveis de luminosidade mais baixa enquanto ainda servindo um propósito. No entanto, se quiseres obter atração de polinizadores máxima e uma produção mais elevada de fruta e nozes, escolhe um local com pelo menos 6-8 horas por dia e com uma orientação Este-Oeste.

Água – Irrigação ideal é chave para plantas produtivas e saudáveis. Esta policultura não é adequada a terras semi-pantanosas e áreas com um lençol freático alto (ou muito superficial) e não vai prosperar em áreas muito secas sem acesso a irrigação.

Em climas secos, irrigação será essencial, mas escolher o posicionamento da policultura para maximizar a absorção de água da chuva vai ajudar consideravelmente e pode ser conseguido plantando em curva de nível na topografia do terreno e aplicando terraplanagem simples para reter a água da chuva perto das raízes das plantas.

Todas as espécies são relativamente tolerantes a seca mas as árvores de fruto não terão uma produção alta sem irrigação apropriada.

Acesso – Acesso dentro da policultura é necessário para podar, mondar e a colheita. Dois caminhos de 50 cm de largura a atravessar a guilda e paralelos um ao outro pode dar acesso necessário. A periferia da policultura deve também ser acessível do exterior.

Habitat de Polinizadores– Abelhas nativas são extremamente importantes e são uma das espécies mais ameaçadas de extinção nos nossos ecossistemas. Incluir habitat para as abelhas viverem, assim como fornecer forragem de qualidade é essencial. Apropriadamente, esta policultura inclui habitat de nidificação para abelhas, mas ter outros habitats semelhantes em redor de um local é recomendado.

Seleção de Espécie – A noss seleção de variedades tem em consideração o seguinte:

– Compatibilidade climática com o local

– Tolerância a seca

– Tolerância a sombra

– Fonte temporã de nectar/pólen

– Outros benefícios à vida selvagem e produção para humanos

– Períodos de floração que não tenham uma sobreposição significante com as culturas no local.

– Espécies de arbustos que respondam bem a cortes e podas regulares.

Proximidade com culturas – Abelhas recolectam onde existir alimento de alta qualidade e viagens mais curtas são mais seguras e mais energéticamente eficientes para todas as abelhas. Estudos mostram que abelha meleira – Apis spp. fazem viagens de recoleção muitos quilómetros de distância das suas colmeias. Zangões – Bombus spp. e outras espécies de abelha mais solitária tipicamente ficarão a distâncias mais curtas, de acordo com alguns relatórios, entre os 100-800m.

Abelhas e Polinizadores (foto de Peter Alfrey)

Visto que há pouco consenso dentro dos estudos feitos ao comportamento recoletor dos polinizadores, é dificil dizer a que distância das culturas e com que densidade esta policultura deve ser colocada para atingir os melhores resultados de polinização. Como guia presumível, em áreas que carecem de habitat e alimento apropriado, estabelece um raio de 100-300m e em áreas onde já existem boas condições de alimento cedo na estação e habitação para polinizadores, estabelece um raio benéfico de 500-1000m. Nunca se pode ter demasiado alimento para polinizadores no início da Primavera, mas é possível ter alimento a menos. Prioridades como orçamento e tempo, e as variedades das culturas a ser semeadas são outros factores que irão guiar as tomadas de decisão relativamente a quantidade e a densidade.

É de salientar que plantas competem pela atenção dos polinizadores e por esta razão o período de floração das plantas na policultura não devem sobrepor-se significativamente com a floração das culturas.

 

LOCALIZAÇÃO/PLANO

A unidade de policultura apresentada acima funciona bem sozinha em qualquer jardim. Unidades múltiplas desta policultura podem ser usadas em pomares e quintas para providenciar melhor polinização para as culturas. Abaixo encontra-se 3 sugestões de planos de disposição para uma aplicação ampla desta policultura: em canteiros, ilhas ou corredores.

 

1. Disposição em Canteiros – A policultura pode ser plantada no interior de uma vedação ou ao longo de um caminho de forma a “abraçar” o pomar, quinta, etc, na sua totalidade, ou para delimitar subdivisões no terreno. Sendo composto por plantas tolerantes a sombra, a policultura irá, até certo ponto, funcionar independentemente da orientação. Cada unidade como ilustrada acima pode ser repetidada para criar uma borda ou fronteira.

2. Disposição em Ilha – A disposição em ilha espalham as unidades pelo terreno. Para terrenos já desenhados/estabelecidos as ilhas podem ser colocadas nos locais de acesso mais difícil como cantos, áreas de pouca luminosidade ou de valor marginal, ou na periferia de culturas que mais beneficiariam da melhoria da polinização.

3.  Disposição em Corredor – A disposição em corredor implica a plantação das policulturas em sistemas de pomar linear ou corredor em intervalos entre as principais plantações e culturas. Por exemplo, um pomar de macieiras ou pereiras pode ter, a cada 10 linhas, uma composta por estas unidades de polinização precoce.

Vamos dar uma olhadela mais próxima às espécies envolvidas, e à manutenção e gerência necessárias para esta policultura.

[fancy_box id=6]NOTA: Ao ler alguns aspetos deste artigo, há que ter em conta que não foi escrito para Portugal. A informação aqui retida é traduzida por nós para português de autores estrangeiros que, ao escrever e desenvolver estes modelos, tiveram em conta as espécies e clima da sua própria região, pelo que te pedimos que consultes esta informação útil mas que consideres que pode ser necessário ajustar alguns componentes desta policultura à tua região.

Para facilitar a transição de conteúdo de permacultura não só em português, mas ajustada às necessidades e possibilidades de Portugal, foi feita a tradução nos nomes das espécies para os nomes comuns em português – no entanto, é sempre importante confirmar a espécie utilizando o nome científico – que mantivemos para referência.[/fancy_box]

OS COMPONENTES DA POLICULTURA

Eu dividi a policultura em 5 componentes baseados no propósito que cada componente serve.

1. Árvores e Arbustos de Fruto
2. Cobertura de Solo
3. Flores de Bolbo de Primavera
4. Plantas de fertilidade
5. Habitat para Polinizadores

 

1. ÁRVORES E ARBUSTOS DE FRUTO – OS COMPONENTES DA POLICULTURA

Esta componente de árvores e arbustos de fruto incluem Cornus mas e Corylus Avellana para a copa superior, e Chaenomeles speciosa e Mahonia japonica na camada da copa inferior/arbustos e são as principais unidades de produção na guilda. Com uma boa seleção de cultivares estas plantas podem fornecer rendimentos de excelentes frutas e nozes.

Arvores e arbustos de fruto

CORNUS MAS – CORNISO

Sobre a Espécie – Cornus mas é uma das minhas plantas favoritas. O zumbir das abelhas sob os Cornisos num dia de sol no final do Inverno é apenas uma das razões porque adoro esta espécie. É uma árvore de médio porte, resistente ao frio e uma excelente melífera, produzindo uma magnanimidade de flores ricas em néctar de Fev-Março. A árvore auto-poliniza-se e as flores transformam-se em lindas frutas tipo uva no final do Verão, deliciosas quando bem maduras.

Cornus Mas durante as 4 estações no projeto de Paul

Usos: Fruta excelente quando madura e muito boa para fazer xaropes e cordiais. Análise nutricional indica que os sumos de corniso são ricos em vários em vários sais minerais e pode ser considerado um valioso suplemento mineral nas dietas das pessoas. Existem alguns cultivares disponíveis com fruta maior e mais doce.

As sementes podem ser tostadas, pulverizadas e usadas como um substituto de café e uma pequena quantidade de óleo comestível pode ser extraído da semente. Uma tinta é conseguida através da casca e as folhas são uma boa fonte de taninos. A madeira é muito dura, e é muito valorizada pelo seu uso no fabrico de ferramentas, peças de maquinaria, etc. Nós usamos os galhos para alimentar coelhos e cabras todo o ano.

Biodiversidade – Uma das árvores de floração mais precoce, atraíndo um vasto leque de invertebrados polinizadores de Fevereiro-Março. […]

Para mais info sobre esta planta [em inglês] Cornelian Cherry plant profile ou aqui em português.

 

CORYLUS AVELLANA – AVELEIRA

Sobre a Espécie– Um arbusto de folha caduco e crescimento rápido, com folhas arredondadas, produzem umas flores macho amarelas no início da Primavera, seguidos de nozes deliciosas no Outono. Tipicamente atingem 3-8 metros de altura mas podem atingir 15 metros de altura.

Aveleira – Corylus Avellana

Usos: Tem uma das melhores nozes de clima temperado, comidas cruas ou tostadas. A madeira da aveleira também é frequentemente utilizada. É uma madeira macia, fácil de trabalhar mas não muito duradoura, pelo que é utilizada maioritariamente na produção em pequenas partes de mobiliário, cestaria, vimes, etc. A árvore é muito adequada ao copeamento (inglês» coppicing). Os galhos mais verdejantes podem ser usados para alimentar coelhos e cabras todo o ano. As nozes também contém 65% de um óleo que não seca que pode ser usado em tintas, cosmética, etc. As sementes moídas em farinha são usadas como ingrediente em máscaras faciais de cosmética.

[fancy_box id=6] NOTA:Copeamento pode não ser o termo técnico correto para o termo inglês de coppicing. À medida que vamos encontrando termos técnicos de permacultura com traduções obscuras em português, deixamos disponível a melhor tradução possível presentemente, que verá melhorias à medida que encontramos os termos técnicos correctos.

O que é COPPICING ou POLLARDING? Consistem em técnicas de podar árvores que permite a colheita contínua de madeira das mesmas árvores enquanto a mantemos saudáveis, durante séculos ( no Reino Unido existem florestas de aveleiras centenárias graças à aplicação destas técnicas de poda já nos tempos medievais). Estas árvores produzem uma fonte de madeira durante muitas gerações enquanto melhora o estado do habitat da vida selvagem e das espécies de plantas nativas.

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Biodiversidade – As flores macho da aveleira carregadas de pólen podem aparecer para os polinizadores tão cedo como finais de Janeiro a meados de Março. As folhas da aveleira são fonte de alimento para lagartas de muitas espécies de borboletas e traças. As avelãs servem também de alimento para os roedores antes do período de hibernação, e na primavera as folhas alimentam as lagartas que por sua vez também são alimento para os roedores. As avelãs podem também servir de alimento para pica-paus, trepadeiras, chapins, pombos-torcaz, gaios, e uma variedade de pequenos mamíferos.

Para mais sobre esta planta (em inglês) vê este Perfil da Aveleira, ou aqui para referências em português.

 

CHAENOMELES SPECIOSA – CIDÓNIA OU MARMELO JAPONÊS

Sobre a Espécie – Um arbusto espinhoso, de folha caduca ou semi-caduca nativa da Ásia Oriental, atinge uma altura de cerca de 2 metros, e é variável na sua forma. As plantas estabelecem uma coroa muito densa de ramos embrulhados que são algo espinhosos. As flores aparecem antes da folhagem e são normalmente vermelhas, mas também existem em branco e cor de rosa. O fruto é fragrante e é parecido com uma pequena maçã, com algumas variedades contendo um fruto mais parecido com uma pêra. As folhas não mudam de cor no Outono.

Chaenomeles speciosa – Marmelo Japonês

Usos – Os frutos não são muito bons para comer, e como o marmelo, são muito rijos, mas após uma temporada de frio eu reparei que o marmelo japonês amolece o suficiente para espremer como um limão, e o seu sumo, sendo muito ácido, é um bom substituto ao sumo de limão na cozinha. Outro benefício deste fruto é que possuem um aroma delicioso e algo viciante que permanece durante dias, semelhante ao aroma a ananás, limão e baunilha. Deixamos os frutos no carro ou numa sala como um ambientador natural.

Biodiversidade – As flores são atractivas a uma variedade de invertebrados que buscam néctar e pólen entre Março e Abril, por vezes até em Fevereiro. Com podas regulares os arbustos tornam-se densos e providenciam um habitat de nidificação para aves como a carriça – Troglodytes troglodytes, a felosa-comum – Phylloscopus collybita e o pisco-de-peito-ruivo – Erithacus rubecula. As dietas destas aves incluem algumas pestes que atacam certas culturas vegetais e podem agir como um controlador de pragas.

Para mais informação sobre Chaeonomeles spp. vê este artigo (em inglês) aqui, ou aqui para referências em português.

MAHONIA AQUIFOLIUM – UVA-DE-OREGON OU MAÓNIA

Sobre a Espécie – Um pequeno arbusto fantástico, tolerante a sombra e de folha persistente que cresce a 1 metro de altura por 1.5m de largura. Lida com uma grande variedade de solos e prospera em áreas ensombradas onde outras plantas sucumbiriam. É resistente a secas de verão e tolera vento. A planta produz cachos de flores amarelas no início da Primavera, seguidas de bagas negro-azuladas. Uma vez que a planta está estabelecida é muito vigorosa e produz muitos rebentos laterais da sua base.

Mahonia aquifolium – Uva-de-Oregon

Usos – As pequenas bagas escuras podem ser utilizadas para doces, jeleias e sumos que podem ser fermentados para fazer vinho. A casca interna dos ramos e raízes maiores da Uva-de-Oregon produzem uma tinta amarela; as bagas produzem uma tinta roxa. As folhas persistentes semelhantes ao azevinho são por vezes usadas por floristas como uma linda adição aos bouquets. É um excelente arbusto de sob-copa para áreas de muita sombra.

Biodiversidade – Uma fonte precoce excelente de néctar para abelhas. O néctar e pólen podem ser aproveitados por  toutinegra ou papuxas, chapins e pardais. As bagas são comidas por melros e tordoveias. É um bom alimento para lagartas.

Para mais sobre esta planta (em inglês) vê o perfil da Mahonia ou clica aqui e aqui para referências em português.

ÁRVORES E ARBUSTOS DE FRUTO – MANUTENÇÃO DE UNIDADES

A tabela abaixo indica a quantidade de árvores e arbustos por unidade e alguma informação sobre como estabelecer e manter esta componente da policultura.

manutencao de unidades

Esquema de plantação para os componentes  Árvores e Arbustos de fruto
Esquema de plantação para os componentes Árvores e Arbustos de fruto

 

2. COBERTURA DE SOLO – OS COMPONENTES DA POLICULTURA

As plantas de cobertura de solo inlcuem Primula Vulgaris – prímulas ou primaveras e Bellis Perennis – margaridas, ambas herbáceas perenes com hábitos de crescimento e propagação baixos que, ao longo do tempo devem formar áreas de cobertura sob e em redor das árvores e arbustos. Uma boa cobertura de solo irá prevenir plantas indesejadas de invadirem o espaço e protege o solo da erosão.

cobertura de solo

 

PRIMULA VULGARIS – PRÍMULAS OU PRIMAVERAS

Sobre a Espécie – Uma herbácea perene, amante de clareiras e margens húmidas e frescas, e prospera no chão de bosques “copeados” onde podem formar um tapete incrivelmente atraente. Esta espécie prefere solos húmidos, com muita sombra no verão. Quanto mais quente e seco o clima, mais sombra será necessária. A seca de verão não é problemático desde que tenham acesso a bastante humidade no Outono e no ínicio do ano.

Primula vulgaris - Primrose ground cover under a Cornus mas in our garden
Primula vulgaris – Primaveras sob os cornisos no projeto de Ecologia Balkan

Usos: Tanto as flores como as folhas são comestíveis, com o sabor a abranger entre uma alface leve e verduras para salada mais amargas. As folhas também podem ser usadas para chá, e as flores jovens podem ser usadas para fazer vinho de primaveras.

Biodiversidade – Primaveras são uma das primeiras flores da estação primaveril. Podem ser encontradas a florescer em nichos mornos e abrigados tão cedo como meados de Janeiro, apesar da maioria florescer de Março a Maio. Por florescerem tão cedo na estação, sáo uma fonte vital de néctar numa altura quando existem poucas outras flores disponíveis para alimentar os polinizadores como a borboleta Gonepteryx rhamni que hibernam durante o Inverno e emergem nos dias invernais mais amenos.

Para mais sobre este planta (em inglês) vê o perfil da Primula Vulgaris ou clica aqui e aqui para referências em português.

BELLIS PERENNIS – MARGARIDAS

Sobre a Espécie – Uma pequena herbácea perene, abundante e rasteira com flores brancas e centros amarelos e tom rosáceo, que aparece durante a maior parte do ano, com exceção de climas de geadas e congelamento. A planta normalmente coloniza prados rasteiros, clareiras e relvados.

 

Bellis perennis - Daisy growing in our lawn
Bellis perennis – Margaridas a crescer no nosso relvado

Usos: Pode ser usada como uma erva culinária e as folhas jovens podem ser ingeridas cruas em saladas ou cozinhadas, tendo em consideração que as folhas são mais adstringentes quanto mais velhas forem. Os botões e pétalas podem ser comidas cruas em sandes, sopas e saladas. Também são usadas em chás e como um suplemento vitamínico. Medicinalmente, a planta é conhecida pelas suas propriedades curativas e pode ser usada em pequenas feridas, chagas e arranhões para acelerar o processo de cura. O hábito de propagação desta planta faz dela uma boa opção para cobertura de solo.

Biodiversidade – Uma adição valiosa a pastos geridos pela sua variedade de flores silvestres e vida selvagem, chamando a atenção dos polinizadores quando poucas outras fontes de pólen e néctar se enconrtam disponíveis.

Para mais sobre esta planta (em inglês) vê o Perfil da Bellis perennis ou clica aqui para referências em português.

COBERTURA DE SOLO – MANUTENÇÃO DE UNIDADES

A tabela abaixo indica a quantidade de cobertura de solo por unidade e alguma informação sobre como estabelecer e manter estes componentes da policultura.

cobertura de solo manutencao

policulture components groundcover
Esquema de plantação da cobertura de solo é intercalar as espécies entre as árvores e arbustos.

 

 

3. FLORES DE BOLBO (DE INÍCIO DE PRIMAVERA) – COMPONENTES DA POLICULTURA

Estas flores de bolbos precoces florescem em Janeiro – Fevereiro, tirando partido da luz que jorra através da copa nua das árvores e arbustos de folha caduca. Estas plantas oferecem recompensas de néctar e pólen aos polinizadores que se aventurem dos dias mais amenos do final do Inverno. Os bolbos também servem para reter nutrientes na rizosfera, os primeiros 10-20cm de solo de onde a maior parte das plantas se alimenta e onde existe a maior parte da actividade microbiológica do solo. Fazem-no absorvendo nutrientes que de outra forma teriam sido levados por lixiviação do solo pelas chuvas de Inverno e o derreter das neves, e fixando esses nutrientes nas suas folhas e flores. Quando a planta murcha e se decompõe na Primavera, mesmo quando as outras plantas estão a acordar da dormência do Inverno, o tecido é assimilado de volta para a rizosfera, para eventualmente se tornar de novo disponível para outras plantas.

Podes considerar estas plantas uma reserva de nutrientes, prevenindo minerais de serem removidos do solo e guardando-os para a posteridade, quando são necessários. Seleccionámos 3 plantas nativas regularmente encontradas nos bosques e orlas na nossa área.

[fancy_box id=5]Nota do tradutor: Apesar destas espécies serem nativas da Europa, não são necessariamente autóctones em Portugal. As flores de bolbo foram um desafio particular durante a tradução, porque, com exceção da Scila Alpina, não encontrei nomes comuns em português para as restantes espécies de bolbo, pelo que presumo que não sejam comuns em Portugal. Substituições destas espécies para flores de bolbos mais comuns ou até autóctones de Portugal como a Iris subbiflora, Iris xiphium xiphium (Maios) e Urginea marítima (Cebola-albarrã) pode ser a melhor alternativa para adaptar este modelo de policultura em Portugal. Em Portugal, os bolbos de Primavera mais populares são as Túlipas, os Narcisos, os Jacintos, os Crocus e os Alliums. Também os Amarílis e os Íris. Aqui tens o catálogo geral das Sementes de Portugal, onde encontras uma lista de espécies de bolbo autóctones disponíveis e fáceis de adquirir.[/fancy_box]

flores de bolbo

 

SCILLA BIFOLIA – CILA ALPINA

Sobre a Espécie – Uma herbácea perene que brota de um bolbo no subsolo. Nativa da Europa e Rússia Ocidental, e daí a sul desde a Turquia à Síria. A planta é encontrada em áreas sombrias, bosques de faia ou de árvores caducas, e pradarias de montanha.

Scilla bifolia - Alpine Squill growing through the mulch on the forest floor
Scilla bifolia – Scila Alpina a creser por entre a manta de folhas mortas de um bosque

Usos: Não consegui encontrar muita informação referente a esta minúscula beleza. Cresce por todas as áreas florestadas na nossa região e herdámos pequenos aglomerados no nosso jardim, talvez cultivados das variedades silvestres pelos donos anteriores. Encontrei um relatório dizendo que a ingestão pode causar severo desconfortol, portanto duvido que saibam tão bem como aparentam 🙂

Biodiversidade – Boa fonte de néctar para polinizadores quando poucas outras plantas estão em flor.

Para mais sobre esta planta (em inglês) vê o perfil da Scilla bifolia 

GALANTHUS GRACILIS

Sobre a Espécie – Bolbos que florescem no inicio da Primavera, por vezes até emergindo sobre o manto de nave no final no Inverno, fornece uma muito bem-vinda fonte de alimento para abelhas e outros polinizadores. É popular como uma flor ornamental, são frequentemente colocadas em jardins e parques, mas são também uma excelente escolha para o chão de um bosque.

Galanthus gracilis - Snowdrop from our garden
Galanthus gracilis

Usos: Esta planta tem propriedades inseticidas e podem ser usadas no controlo de pragas das ordens Coleoptera (besouros), Lepidoptera (borboletas e traças) and Hemiptera (que inlcui pulgões, afídios, percevejos e cigarras). Esta espécie contém um alcalóide, galantamina, (também presente em narcisos, como podes ver na pág.23 deste documento) substância aprovada para uso de gestão de Alzheimer em vários países. A planta e o bolbo são tóxicos para humanos e não devem ser consumidos.

Biodiversidade: Galanthus Gracilis são polinizadas por abelhas durante os meses de Fevereiro e Março. As minúsculas sementes brancas produzem substâncias que atraem formigas. Estes insectos coleccionam e transportam as sementes através dos seus túneis subterrâneos.

Para mais sobre esta planta (em inglês)  Perfil de Galanthus gracilis

 

CORYDALIS BULBOSA – (CORYDALIS CAVA)

Sobre a Espécie – Uma planta de bolbo perene subtil mas incrivelmente bela, que floresce a partir de Fevereiro. Uma planta efémera primaveril com folhagem que surge na Primavera e murcha até às suas raízes tuberosas no Verão. A planta espalha-se eforma um lindo tapete branco a roxo.

Corydalis bulbosa growing through the forest mulch
Corydalis bulbosa a crescer sob as manta morta do bosque

Usos: Uma boa escolha para margens, estratos mais baixos do jardim ou um jardim silvestre. É uma planta utilizada como analgésico na Medicina Chinesa à mais de 1000 anos. A raíz é utilizada internamente como um sedativo para insónia e como estimulante e analgésico, especialmente para dores menstruais fortes ou traumatismos. Deve ser exercido cuidado quando usada esta planta para fins medicinais, pois já foi reportada como tóxica.

Biodiversidade – Uma fonte segura e precoce de alimento para abelhas. Corydalis spp. são também fontes de alimento para algumas espécies de borboleta, especialmente a Parnassius mnemosyne

Para mais sobre esta planta (em inglês): Perfil da Corydalis bulbosa ou aqui para sinonímias em português desta espécie

FLORES DE BOLBO PRIMAVERIS – MANUTENÇÃO DE UNIDADES

A tabela abaixo indica a quantidade de bolbos primaveris por unidade e alguma informação sobre como estabelecer e manter este componente da policultura.

flores de bolbo manutenção

componentes policultura - flores de bolbo
Disposição dispersa de plantação das flores de bolbo primaveris

 

 

4. PLANTAS DE FERTILIDADE – COMPONENTES DA POLICULTURA

As plantas para fertilidade incluem duas espécies fixadoras de azoto muito diferentes. A primeira é Alnus Cornata (Amieiro de Nápoles), uma árvore que pode atingir os 25m de altura mas que deve ser mantida como um pequeno arbusto dentro desta policultura. Podada a cada Outono, a biomassa pode ser deixada na base de árvores de fruto vizinhas. A segunda planta, Trifolium Repens (Trevo Branco) é uma herbácea perene rastejante que pode ser semeada nos caminhos, cortada anualmente e aplicada como alfombra na base das árvores de fruto.

Para mais sobre plantas fixadoras de azoto e como funcionam (em inglês) consulta este artigo.

fixadoras de azoto

 

ALNUS CORDATA – AMIEIRO DE NÁPOLES

Sobre a Espécie – Uma árvore de médio porte que pode atingir alturas de 25 metros. É de folha caduca, mas com uma longa época de folhagem, de Abril a Dezembro. Como outros membros do

A medium-sized tree growing up to 25 m tall. The leaves are deciduous but with a very long season in leaf, from April to December. Como outros membros do género Alnus, consegue captar azoto do ar. Prospera em solos muito mais secos que a maioria dos outros amieiros, e cresce rapidamente mesmo sob circunstâncias desfavoráveis, o que torna o Amieiro de Nápoles extremamente valioso em paisagismo em solos pobres e severamente compactados.

The Early Polleniser Polyculture 28

Usos: A árvore é por vezes utilizada para propósitos ornamentais em grandes jardins e parques pela sua aparência majestosa e crescimento rápido, ou em alamedas, devido à sua capacidade de estabelecimento rápido em condições de exposição, o facto de ser razoavelmente compacta e tolerar condições secas, assim como atmosfera poerenta. Também é geralmente plantada para agir como barreira de vento.

A sua madeira pode ser usada para construção em condições húmidas, visto que a madeira de amieiro é virtualmente resistente a decomposição debaixo de água. Fundações feitas com amieiro têm sido usadas para as casas e pontes de Veneza. Também pode ser usada para lenha. A planta cria um bonsai de médio a grande porte, que cresce rapidamente e responde bem a podas, com uma boa ramificação e uma folha cujo tamanho reduz com bastante rapidez.

Biodiversidade – Alnus spp. largam pólen de amentilhos (flores macho parecidos com pêndulos ou cachos) no final do Inverno e princípio de Primavera, de onde abelhas e outros polinizadores se alimentam.

Potencial de Fixação de Azoto – Alnus cordata não está listada na base de dados da USDA (United Stated Department of Agriculture) mas outras espécies deste género estão classificadas pela USDA como sendo uma FORTE fixadora de azoto com rendimentos estimados de +72kg/4050m² ou 0.018g /m2.

Para mais sobre esta planta (em inglês): Perfil da Alnus cordata ou aqui e aqui para referências em português.

 

TRIFOLIUM REPENS – TREVO BRANCO

Sobre a Espécie – O Trevo Branco é uma perene anã, prostrada que cobre o chão como um tapete que se espalha através de guias que livremente se enraízam ao longo do chão a partir dos nódulos. Facilmente estabelecível em solos medianos e bem drenados, com sol direto a sombra parcial. Prefere solos húmidos numa leve sombra, mas tolera sol direto e solos moderadamente secos.

Trifolium repens ground cover
Trifolium repens cobrindo o solo

Usos: O Trevo Branco tem sido descrito como a mais importante leguminosa de forragem das zonas temperadas. Além de fazer excelente forragem para animais, trevos são uma valiosa comida de sobrevivência; são ricos em proteína e, apesar de não serem facilmente digeríveis por humanos quando ingeridos crus, isso é facilmente resolvido fervendo a planta colhida durante 5-10 minutos. As flores secas e sementes podem também ser moídas para fazer uma farinha nutritiva e misturada com outros alimentos, ou podem ser utilizadas para fazer um chá ou tisana. A capacidade desta planta de se espalhar agressivamente através das suas guias é bom para a cobertura do solo, e a sua tolerância a trânsito pedonal fazem desta espécie a minha favorita para utilizar em caminhos.

Biodiversidade – As plantas fornecem uma fonte de néctar e pólen a uma variedade de abelhas nativas, além da abelha melífera.

Potencial de Fixação de Azoto – A espécie está classificada pela USDA como sendo uma FORTE fixadora de azoto, com rendimentos estimados de +72kg/4050m² or 0.018g /m2.

Outras fontes declaram ser possível um rendimento de até 545 kg de azoto por hectar por ano.

Para mais sobre esta planta (em inglês): Perfil da Trifolium repens ou clica aqui e aqui para info sobre esta espécie em Portugal.

 

PLANTAS DE FERTILIDADE – MANUTENÇÃO DAS UNIDADES

A tabela abaixo indica a quantidade de plantas fixadoras de azoto por unidade e alguma informação sobre como estabelecer e manter este componente da policultura.

fixadoras de azoto - manutenção

Trifolium repens semeado nos caminhos e Alnus cordata podadas ao tamanho de arbustos
Trifolium repens semeado nos caminhos e Alnus cordata podadas ao tamanho de arbustos

 

5. HABITAT DE POLINIZADORES – COMPONENTES DA POLICULTURA

Polinizadores fornecem um elo importante nos nossos ecossistemas, movendo pólen entre as flores e assegurando o crescimento de sementes e fruto. Abelhas nativas formam o grupo mais importante de polinizadores e eu tenho a certeza que ouviste dizer que estão presentemente sob ameaça de extinção devido às mudanças nas nossas paisagens, especialmente devido a perda de habitat e locais de nidificação. O desejo geral por asseio resulta na remoção de solos nus, árvores moras, e recantos de ervas e relvas – todos esses espaços importantes para a nidificação das abelhas. O nosso design da policultura tem isto em consideração e inclui alguns habitats de nidificação importantes para as abelhas, nomeadamente troncos, espaços de solo nu e ranhuras entre rochas.

Água é também necessária aos polinizadores e incluir pequenas charcas pode ser muito benéfico, até essencial se o local não tiver uma fonte de água nas redondezas. Por esta razão incluimos uma pequena charca feita de pneu no centro da policultura.

Tyre pond and log from our Market Garden
habitatpolinizadores
Troncos (3), charca de pneu (2) com Orlas de pedras (2) e corredores de solo nu (1) fornecem locais de nidificação para abelhas e um habitat próspero.
Troncos (3), charca de pneu (2) com Orlas de pedras (2) e corredores de solo nu (1) fornecem locais de nidificação para abelhas e um habitat próspero.

 

 

 

 

 

All components of the Early Polleniser Polyculture
Todos os componentes da Policultura Primaveril Polinizadora

VARIAÇÕES NO DESIGN

As plantas e habitats desta Policultura Primaveril Polinizadora podem ser conjugadas de variadas formas. Podes considerar as plantas e habitats listadas acima como uma “palette” a partir de onde podes criar muitas formas.

Aqui estão algumas variações de design onde espaço é limitado.

O primeiro design é um círculo de 20m2 com todas as plantações cabendo sob a copa adulta do Corniso (Cornus Mas). É muito semelhante à primeira Policultura Primaveril Polinizadora que desenhei durante a implementação de um pomar em permacultura/policultura de 5ha onde estava a trabalhar à uns anos atrás. O plano era incluir algumas espécies de forragem perenes e habitats para abelhas e outros polinizadores para apoiar as árvores de fruto e arbustos, e eu estava a ponderar sobre como integrar estas plantas. À medida que o design evoluiu observou-se que existiam espaços indefiníveis onde os corredores das árvores convergiam com as estradas de acesso e promontórios. Os espaços não eram grandes o suficiente para árvores de fruto sem bloquear os acessos. Estavam dispersos de forma mais ou menos regular através da propriedade e eram ideiais para colocar a Policultura Primaveril Polinizadora.

Early Polleniser Design - 20 m2
Variação da Policultura Primaveril Polinizadora – 20 m2
Under plantings of the Early Polleniser Design - 20 m2
Camada Inferior da Variação da Policultura Primaveril Polinizadora – 20 m2

As plantas podem também ser plantadas mais densamente para plantações em cerca e para subdividir a área. A disposição de plantação seguinte pode funcionar bem para cercar, com uma linha de 20cm de flores de bolbo e cobertura de solo a correr paralelo à cerca. O Corniso e as Aveleiras podem ser deixadas para crescer “ao gosto do freguês”.

Early Polleniser Hedge - An 8 m stretch of single row hedging
Cerca de Policultura Primaveril Polinizadora – Uma linha de 8 m de cerca natural

Aqui tens uma lista de outras espécies que fornecem néctar/pólen no início da Primavera para abelhas e outros polinizadores. Pessoalmente não cultivei todas as plantas desta lista mas parecem ser adequadas.

especies alternativas

 

O PROJETO DE POLICULTURA

Vale a pena relembrar que este design não é de sucesso definitivo. Baseado na nossa experiência e prática estamos confiantes que a policultura irá ao encontro dos seus objetivos de design, mas apenas experimentando o sistema vivo revelará as verdadeiras forças e fraquezas e onde poderão ser feitas melhorias. Portanto, iremos plantar 3 unidades deste design de policultura no nosso estudo policultura perene em Shipka esta Primavera e anotar a performance ao longo dos próximos anos.

Mais tarde no ano iremos publicar a nossa experiência a estabelecer esta policultura com o objetivo de delimitar, passo-a-passo, como preparar o terreno, plantar, podar, irrigar e colher esta Policultura de Polinização Primaveril.

Illustration of our new Perennial Polyculture Trials Garden coming in 2017
Ilustração do novo of our Jardim Experimental Perene em Policultura  com inicio em 2017

Paul Alfrey do Projeto Ecológico Balkan, https://www.facebook.com/Balkan-Ecology-Project-246348042094658/, introduz a policultura para fornecer apoio à polinização para quintas e jardins, rende frutas e nozes nutritivas, valiosos pontos de nidificação para abelhas em risco, e visões florais estupendas para acabar com o Inverno – http://balkanecologyproject.blogspot.bg/2017/01/the-early-polleniser-polyculture.html

Publicação Original: http://balkanecologyproject.blogspot.com.au/2017/01/the-early-polleniser-polyculture.html

Implementar um Jardim em Mandala

Implementar um jardim mandala é uma forma excelente de compartmentalizar as tuas camas e canteiros numa revolução de cor viva, possibilitando acesso fácil e interesse visual. E tem um aspeto fantástico.

[fancy_box id=5]
PRI_NEW_LOGOTemos o prazer e a honra de ter autorização do Permaculture Research Institute para traduzir para PORTUGUÊS o conteúdo fantástico que eles disponibilizam no blog deles. Achamos o conteúdo deles valiosíssimo e achamos que mesmo quem não sabe Inglês MERECE ter acesso a esta informação. Espero que gostes[/fancy_box]

Artigo original em Inglês por Craig Mackintosh

Implementar um jardim mandala é uma forma excelente de compartmentalizar as tuas camas e canteiros numa revolução de cor viva, possibilitando acesso fácil e interesse visual. E tem um aspeto fantástico.

Enquanto filmava na Horta Comunitária Yandina com Geoff Lawton, deparámo-nos com esta simples implementação de um jardim mandala, aninhado numa parte do jardim com mais sombra. É de forma circular e tem uma série de caminhos que convidam a dar uma olhadela mais próxima da variedade de plantas exibidas.

Os caminhos permitem-nos baixar e inspecionar a horta sem nunca pisar nas camas. A ideia em permacultura é nunca pisar nas camas elevadas e arriscar compactar o solo das plantas.

Jardineiros permacultores como Geoff Lawton acreditam que ao aplicar alfombra e composto, nunca é preciso fresar (cavar) a terra e perturbar a biota do solo.

As bactérias e micro-organismos são melhores se deixados sem distúrbios. Desta forma, ganha-se um vasto leque de biodiversidade no solo que gera uma horta abundante e próspera. Geoff diz que “nunca se alimentam as plantas. Alimentam-se as criaturas do solo.”

São os micróbios e biliões de bactérias que fazem todo o trabalho duro de fomentar fertilidade no solo. O único esforço necessário é aplicar alguma alfombra e bom composto e depois dar tempo à Natureza de quebrar tudo por ti.

A vantagem dos caminhos é que podes facilmente ajoelhar-te e tocar em qualquer parte da cama elevada com o braço esticado.

É tudo muito acessível e permite uma manutenção fácil da horta.

Uma forma fácil de desenhar um Jardim Mandala é desenhar os caminhos primeiro usando uma mangueira para definir os limites. Um círculo perfeito também pode ser definido desenhando um arco com um fio atado a um poste no centro da área a ser usada.

Tijolos ou pedras podem ser colocado ao longo do perímetro do círculo desenhado. Esta mandala tem os seus limites definidos por uma linha serpenteante de tijolo de três caminhos a irradiar do centro para criar o padrão final de uma roda.

No centro do jardim mandala existe um pequeno charco onde grandes plantas de Taro (comestíveis) são o ponto focal.

De acordo com Geoff Lawton, este jardim podia facilmente alimentar duas ou três pessoas.

Vimos lá plantadas Beringelas, Borragem, Couve Chinesa, Tomates, Salsa, Alface Japonesa e várias outras plantas aromáticas a crescer com cuidados mínimos.

“Isto é que é uma loja de comida bio.” disse Geoff Lawton. “Toda a gente devia ter um destes.”

BIO FERTILIZANTES Receita Simples de Água de Salgueiro

Foi aí que nos deparámos com o salgueiro. É uma árvore com imensas funções – e se queres ver um permacultor a babar-se todo, é com um elemento tão bonito, benéfico e multi-usos como o salgueiro, desde medicina, a material de construção, a alimento para animais, a barreira ciliar (previne toxinas de contaminar cursos de água e previne erosão). Um desses usos é um bio-fertilizante chamado água (ou chá) de salgueiro. Trata-se de uma preparação natural que contém hormonas de enraízamento provenientes desta espécie (Salix spp).

Salgueiros sempre evocam uma imagem idílica e romântica de uma paisagem maravilhosa e calma.

Quando decidimos que queríamos levar uma vida mais sustentável, a primeira condição foi não utilizar qualquer tipo de pesticidas, herbicidas ou fertilizantes artificiais e prejudiciais.

Foi aí que nos deparámos com o salgueiro. É uma árvore com imensas funções – e se queres ver um permacultor a babar-se todo, é com um elemento tão bonito, benéfico e multi-usos como o salgueiro, desde medicina, a material de construção, a alimento para animais, a barreira ciliar (previne toxinas de contaminar cursos de água e previne erosão).

Um desses usos é um bio-fertilizante chamado água (ou chá) de salgueiro. Trata-se de uma preparação natural que contém hormonas de enraízamento provenientes desta espécie (Salix spp).

 Salix exigua

COMO FUNCIONA

A forma como funciona é devido a duas substâncias que se encontram na espécie Salix (Salgueiros); nomeadamente, Ácido Indolbutírico (AI) e Ácido Salicílico (AS).

 

Ácido Indolbutírico (AI) é uma hormona vegetal que estimula o crescimento de raízes. Está presente em altas concentrações nos ramos novos do salgueiro.

Ácido Salicílico (AS) (um composto químico semelhante à Aspirina) é uma hormona vegetal que está envolvida em estimular as defesas naturais da planta, no processo chamado “resistência sistemática adquirida” – quando um ataque a uma parte da planta induz uma resposta de resistência a patógenos noutras partes da planta. Pode também criar uma resposta de defesa nas plantes circundantes, convertendo o AS num estado químico volátil.

Quando fazes água de salgueiro, ambos os ácidos são lixiviados pela água, e ambos têm efeitos benéficos quando usados na propagação de estacas. Uma das maiores ameaças de estacas novas é infeção por bactérias ou fungos. O Ácido Salicílico ajuda a planta a combater infeção, e contribui assim para uma maior taxa de sobrevivência da planta.

Deep Green Permaculture

 

Aqui está a receita que seguimos e utilizámos nas nossas plantas.

  1. Recolhe novos ramos e galhos de qualquer tipo de salgueiro (Salix spp.) que tenham casca verde ou amarela. Não utilizes ramos mais velhos, que terão a casca castanha ou cinzenta. A Primavera é ideal para recolher ramos novos de salgueiro.
  2. Remove todas as folhas, elas não são utilizadas (podes deitá-las no composto ou na alfombra da tua horta) e corta os ramos em pedaços
  3. O próximo passo é adicionar a água. Podes fervê-la e juntá-la aos raminhos, como um chá, e deixar apurar durante a noite; ou só adicionar água fria e deixar descansar vários dias. Nós escolhemos ferver a água.

E já está! Agora é só coar os raminhos e coloar o liquido num recipiente prático de usar na tua horta. Podes molhar a ponta das estacas na água umas horas antes de colocar na terra, ou regar a terra com a água de salgueiro após transplante.

 

Luxo na Simplicidade: Este Chuveiro tem água Aquecida pela Natureza

Hoje em dia “luxo” não é mais uma abundância quase claustrofóbica de excessos concentrados, é ter os confortos da vida a que o séc.XXI nos habituou de uma forma simples, descomplicada e natural. A verdade é que disciplinas como a permacultura procuram soluções económicas, ecológicas, e integradas com as necessidades e conforto necessários para o nosso bem-estar. E isso inclui o um duche de água bem quentinha no final de um longo dia.

Luxo na Simplicidade – Nem todos nos podemos dar ao luxo de ter uma vida simples. Isso é para quem não tem contas para pagar, não parece?

A era de luxo decadente “à Trump”, não só enjoa – tanto pela sua saturação como pelas razões éticas de ostentar tanto em prol de algo tão superficial, – como é considerado foleiro, mesmo por aqueles que não se importam em ostentar uma vida “luxuosa”. Hoje em dia “luxo” não é mais uma abundância quase claustrofóbica de excessos concentrados, como ter o nosso próprio arranha-céus com o nosso nome em letras de ouro com 4 metros de altura.

Luxo é o objeto simples e indispensável, é a tecnologia que nos facilita a vida mas que não chateia a vista, é ter os confortos da vida a que o séc.XXI nos habituou de uma forma simples, descomplicada e natural. Hoje, luxo e glamour é o natural, a comida biológica, o fairtrade.

Luxo é Simplicidade Pinterest
Pinterest. Alternativo, ético, ecológico e luxuoso

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

É engraçado que precisámos de viver num mundo de excesso e de consumo extremo para perceber o luxo que é a simplicidade. É elegante, para não dizer ético e ecológico, e faz-nos sentir bem saber que podemos ter todos os luxos e confortos sem o sentimento de culpa do preço que a Terra, e outros seres humanos, terão pago para que nós possamos gozar de tais confortos.

Quando se fala em viver em harmonia com a Natureza, ainda apela a muitas pessoas à velha ideia de viver com muitas dificuldades e pobreza, como os nossos avós, ou associar à distopia dos “grupo de hippies malcheirosos”.

A verdade é que disciplinas como a permacultura procuram soluções económicas, ecológicas, e integradas com as necessidades e conforto necessários para o nosso bem-estar. E isso inclui o um duche de água bem quentinha no final de um longo dia.

E se eu te dissesse que podes ter o luxo de ter água quente sem precisar de gastar gás natural da botija? De facto, se já fazes compostagem, já tens uma fonte de calor inestimável que, com este sistema que te vamos mostrar, podes utilizar para aquecer água para um belo duche de composto!

Sim, leste bem. Estou a falar de luxo, e agora estou a falar que existe tal coisa como um duche de composto.

Se te arrepiaste um bocadinho quando juntei as palavras “duche” e “composto”, não fujas ainda – vai tudo fazer sentido.

Credito de Imagem: Pinterest http://pin.it/zX5SCgu
Credito de Imagem: Pinterest 
chuveiros ecológicos
Crédito de Imagem: knox.Villagesoup.com

 

No projeto Agro-Ecológico da Aldeia do Vale, onde tirámos o nosso Certificado de Design de Permacultura, conhecemos imensas pessoas, projetos e ideias fantásticas que revolvem em torno de um estilo de vida menos dependente do consumo excessivo e claustrofóbico, e mais livre e ecológico.

Estivémos lá durante 14 dias. Éramos cerca de 20 pessoas. E todos nós usufruímos de duches bem quetinhos, diários, aquecidos por uma pilha de composto – não só a água vinha a tais temperaturas que bastava ligar um pouco da água quente para temperar a água fria, como nunca foi necessário trocar a pilha de composto para que continuássemos a usufruir de água quente.

Quanto é que isso teria custado se tivesse sido fornecido através do uso de gás natural? Obrigado ao Mestre Coy por ter tudo explicadinho neste artigo.

De facto, uma pilha de composto deve ser vigiada (principalmente se é composto para a horta) para que não ultrapasse os 60C e não mate os micro organismos que queremos numa pilha de composto de qualidade.

Toda essa actividade dentro da pilha de composto é o que produz todo o calor que queremos aproveitar.

Para isso, a água vem da sua fonte – no caso da Aldeia do Vale, uma nascente – e um tubo leva a água para dentro da pilha de composto. O tubo no interior da pilha está disposto numa serpentina que, quando cheia de água, age como uma caldeira armazenando o máximo de água possível enquanto o calor do composto a aquece. Ui, e se a aquece.

Esse tubo sai pelo fundo da pilha e encaminha a água diretamente para o chuveiro.

ilustração básica de como funciona o chuveiro de composto. Credito imagem: permaculturenews.org
ilustração básica de como funciona o chuveiro de composto. Credito imagem: permaculturenews.org

Para um projeto de sucesso, há que ter em conta a pilha de composto, o sistema de canalização, e a pressão de água. Na Aldeia do Vale, o tanque e a pilha foram colocados num local elevado numa tentativa de criar pressão de água suficiente para o chuveiro usando apenas a força da gravidade, mas por falta de altura para criar a pressão necessária, tornou-se mais vantajoso adicionar uma pequena bomba.

Como permacultura trata de fechar ciclos, não faz sentido investir em, por exemplo, gás natural – um combustível fóssil (e nada barato) – para aquecer água, quando existe uma pilha de composto que agora, não só irá contribuir para um solo mais fértil e maior quantidade e qualidade da comida da tua horta, como está também a criar  energia térmica que, aproveitada, contribui para a tua carteira, bem-estar, higiene, e conforto – e ainda reduz a tua pegada ecológica.

Isto é que é luxo.

 

 

 

Será que chamar Permacultura de “fácil” encaminha os Novatos ao Fracasso?

Tem sido uma viagem que me abriu os olhos, mergulhar no mundo da Permacultura e aperceber-me o quão profundamente flui. Em tão poucas palavras, parece como uma forma ideal e fácil de viver.
Mas será mesmo? Se sim, como pode ser transmitido simplesmente a novatos, como eu? E se não é, como podem permacultores partilhar as suas ideias sem dissuadir os mais facilmente dissuadíveis?

[fancy_box id=5]Temos o prazer e a honra de ter autorização do Permaculture Research Institute para traduzir para PORTUGUÊS o conteúdo fantástico que eles disponibilizam no blog deles. Achamos o conteúdo deles valiosíssimo e achamos que mesmo quem não sabe Inglês MERECE ter acesso a esta informação. Espero que gostes[/fancy_box]Artigo original em Inglês por Kristan Patenaude 

Permacultura é um conceito relativamente novo para mim – e simultaneamente, não o é. A ideia de trabalhar com, em vez de contra, a Natureza de forma a criar sistemas infinitamente sustentáveis faz sentido para mim a um nível basilar, apesar de não ser uma prática actual minha. O meu passado académico e mentalidade emocional trouxeram-me diretamente no caminho de cuidar da Terra, cuidar das suas pessoas, e devolver qualquer tipo de excedente criado de volta à Terra.

Tem sido uma viagem que me abriu os olhos, mergulhar no mundo da Permacultura e aperceber-me o quão profundamente flui. Em tão poucas palavras, parece como uma forma ideal e fácil de viver.

Mas será mesmo? Se sim, como pode ser transmitido simplesmente a novatos, como eu? E se não é, como podem permacultores partilhar as suas ideias sem dissuadir os mais facilmente dissuadíveis?

Compostagem? Eu faço isso! Agro-florestas? Bem, tenho muitas ervas daninhas no quintal, portanto estou basicamente a fazer isso. Recolher água da chuva? Eu consigo absolutamente fazer isso – e parece tão simples. As pessoas estão a fazer muito da Permacultura parecer fácil e realizável, até para aqueles entre nós que são novos na aprendizagem do tema. Num mundo onde DIY estão prontamente acessíveis no Pinterest, muitas pessoas desejam saltar de pés juntos a experimentar coisas novas.

Queremos acreditar que o produto final que vemos é um que nós iremos capazes de fazer nós mesmos, e que o nosso parecerá exatamente como o que vemos no ecrã. Mas há, claro, os temidos “fails Pinterest” e uma certa quantidade de desânimo que vêm por acréscimo. A percepção que algo não é tão fácil como parece pode ser o que desliga muitos de nós a tentar aprender novas competências.

Para adquirir uma nova audiência, os permacultores precisam de explicar aos “inquilinos” destas práticas sem causar o desânimo e afastamento daqueles que podem não ter sucesso imediatamente, ou que talvez não compreendam as profundezas a que esta ciência pode chegar.

Permacultura não é sempre fácil. Requer algum nível de envolvimento, a ser decidido pelo utilizador. Como Damien Bohler explica em The Essential Practical Nature of Permaculture,

“Permacultura não é difícil e as competências necessárias para implementar design em permacultura podem ser adquiridas por qualquer um, no entanto, são competências que precisam de ser aprendidas. Reconhecer que existe uma necessidade de aprender, que há a necessidade de encontrar um ponto de partida prático, que nem toda a gente pode simplesmente largar tudo e imergir a sua vida num treino a full-time, prático e intensivo…”

green leek plants in growth at garden

Permacultura não é um projeto DIY que deva ser iniciado sem alguma pesquisa inicial, mas deve ser acessível a qualquer um, desde que estejas disposto a trabalhar em direção a um objetivo. Há livros para ler, especialistas no terreno com quem aprender, e cursos que te podem levar tão longe como um Certificado de Design de Permacultura. A um membro recentemente iniciado, a quantidade de trabalho pode parecer avassalador, especialmente quando permacultores experientes dizem que é fácil.

Quão envolvido precisa alguém de estar para ser considerado parte deste movimento? Será que esta cultura se preocupa com as pessoas rejeitarem a ideia pela sua possível complexidade?  Parece que aqueles que conseguem mergulhar com profundidade suficiente para criar complexos sistemas sustentáveis inteiros devem, claro, ser aplaudidos (e de admirar maravilhosamente boquiaberto, se fores como eu) – mas também que qualquer tipo de projeto de permacultura que seja empreendido com energia positiva devem ser homenageados e aplaudidos.

Jonathon Engels, no seu “Se Isso não é Permacultura, o que é?”, ressoa muito com esta ideia.

“Consequentemente, nem todos vão embarcar na mesma missão que o próximo, mas é o esse movimento coletivo na direção em algo verdadeiramente melhor – para nós mesmos, outros, e o planeta – que resulta nas grandes mudanças necessárias.”

Talvez as minhas árvores por podar e pequena pilha de compostas sejam significativas. São importantes porque mostra que estou a tentar estar envolvido em permacultura. Estou a trabalhar para aprender através da leitura e comunicação com os outros. É nestes pequenos feitos que vêm as representações de sucessos maiores de novos permacultores. Quer estas ações tenham sido fáceis para mim, ou incrivelmente dificeis devido a qualquer circunstância, a importância vem do esforço e intenção.

Encorajamento é uma das mensagens mais importantes a transmitir àqueles mais recentes a esta filosofia. Quando um novato tentar criar um sistema solar de bombeamento de água ou um riacho no jardim mas não tem sucesso, reassegurá-la pode fazer a diferença entre tentar de novo ou desistir completamente. Dar confiança àqueles que nós que, efetivamente não sabem o que estão a fazer, mas sabem que querem tentar, pode ajudar-nos a esforçar-nos mais e procurar métodos mais eficientes.

É também vital que se partilhe informação e fornecer treino de modo a envolver mais pessoas. Haverão sempre aqueles que esperam poder atalhar em quantidades significativas de estudo na esperança de encontrar um video rápido que lhes mostrará o que fazer, mas essas pessoas também merecem uma oportunidade de pertencer a este movimento. Eu penso que é por isso que é tão importante reconhecer as dificuldades que acompanham muito da permacultura, enquanto ao mesmo tempo ser uma voz de suporte para aqueles que estão apenas a começar.

Permacultores trazem um grande elemento de inspiração com eles. O seu foco e determinação, quando combinados com compreensão e apoio, podem levar a permacultura a uma nova geração de pessoas que esperam resolver problemas da forma “mais fácil” possível.

Shou Sugi Ban: Uma Forma Simples e Ecológica de Tratar Madeira

Neste artigo vamos mostrar-te como tu próprio podes tratar a tua madeira contra fungos, bactérias e ainda a protegeres contra o fogo de uma maneira simples e ecológica.

Ler Este Artigo Demora-te: 5 min… e não te esqueças de ver o video no final do artigo! 

 

Achas que Arsénico e Cromo são químicos hidrosolúveis ideais para tratar madeira?

Realisticamente a tua resposta a esta minha pergunta não tem grande relevância, a maioria da madeira tratada hoje em dia é maioritariamente tratada com hidrosolúveis com estes dois químicos como principais componentes.

Já alguma vez pensaste que pudesse existir uma alternativa viável a esta prática comercial/global?

Neste artigo vamos mostrar-te como tu próprio podes tratar a tua madeira contra fungos, bactérias e ainda a protegeres contra o fogo de uma maneira simples e ecológica.

A esta técnica que vamos falar hoje, os Japoneses chamaram Shou Sugi Ban (ou Yakisugi) à centenas de anos atrás.

 

O que é o Shou Sugi Ban?

Esta técnica consiste em queimar a parte exterior da madeira, raspar a camada escura de lignina que é criada pela celulose a arder, molhar a madeira e selar com óleo de linhaça ou óleo de Tung.

Não existem registos das origens desta técnica, mas temos conhecimento que construtores já a usavam no século XVI como forma de tratar madeiras, normalmente cedro, contra climas muito húmidos, que tornavam a construção com madeira pouco viável devido ao apodrecimento da mesma através de fungos e bactérias.

O Shou Sugi Ban, por mais incrível que pareça, também tornava a madeira resistente a fogos.

Na minha opinião pessoal, este tratamento de madeiras, além de todas as qualidades acima referidas, ainda tem a vantagem de ser estéticamente atraente.

Ao longo do tempo, a prática de chamuscar o exterior da madeira deu lugar a tratamentos químicos (que incluem componentes como Arsénico e Crómio) e para satisfazer a estética começaram a pintar a madeira com uma tinta preta que se assemelha ao aspecto original da madeira queimada.

Se me perguntares qual é a razão pelo qual existiu essa transição, não te sei responder ao certo, mas o mais provável é ter sido um decisão a nível comercial, com o objectivo de conseguirem tratar mais madeira num curto espaço de tempo para satisfazer o mercado.

O meu objectivo com este artigo é partilhar contigo uma alternativa aos vernizes e hidrosolúveis que afectam directamente a terra onde contactam, e não tem tanto resultado como o Shou Sugi Ban.

Já li que madeira tratada com esta técnica e sem manutenção alguma, consegue ficar preservada durante 80 anos.

Yakisugi Infograf

Aplicações Práticas

Aqui no Eco-Projecto Chão das Pias, deparamo-nos com esta técnica quando fomos à procura de soluções para usar madeira não-tratada que tinhamos na garragem, para construir uma casa de banho seca na rua.

Obviamente que a primeira recomendação apresentada foi para usarmos um verniz ou uma tinta selante. Na nossa cabeça, foi bastante óbvio que essa prática não era ecológica. Não foi preciso pesquisar durante muito tempo para encontrar a técnica Shou Sugi Ban, aliás, estava em todo o lado como a melhor técnica em termos de qualidade do tratamento, acabamento estético e ecologia.

Decidimos aplicá-la nos barrotes e madeira necessária para construirmos a estrutura da nossa casa de banho seca. Foi tão simples que até parecia mentira.

Nós usámos um maçarico para tornar o processo mais rápido, mas se quiseres podes fazer uma fogueira e usá-la para queimar a madeira. Após isso, usámos um esfregão de arame para raspar a camada residual de pó preto que ficou na madeira, molhamos e depois de seca passamos uma camada de óleo de linhaça em toda a superficie.

Como já podes entender, é um processo simples que qualquer um consegue fazer em casa, e é mais um passo em prol da ecologia.

Este exemplo foi o mais pertinente no Eco-Projecto Chão das Pias, mas existem infinitas aplicações para o Shou Sugi Ban. Este Natal, quando decidimos que queriamos fazer os presentes nós mesmos, fizemos presentes utilizando esta técnica, não tanto para efeitos de preservação mas sim pela estética,  como podes ver na foto abaixo.

 

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Espero que este artigo tenha sido útil para ti. Se já conhecias este conceito partilha conosco as aplicações práticas em que usaste o Shou Sugi Ban e se tiveres mais informações que não encontraste aqui, por favor partilha-as conosco e com todos os outro leitores deste blog para que possamos todos aprender mais.

Se tiveres informação extra para partilhar com a malta estamos abertos a todas as opiniões e promovemos o desenvolvimento de ideias novas – deixa o teu feedback nos comentários ou nas redes sociais!

 

Porque Os Nossos Espaços Urbanos PRECISAM de Permacultura: O Problema É a Solução!

O objetivo último da permacultura é viver em harmonia e integrados com o nosso meio ambiente natural. A paisagem urbana é o ambiente perfeito onde a Humanidade pode aprender a transformar esse sonho numa realidade. Estas são apenas algumas das muitas formas como a permacultura tem o potencial de nos auxiliar a atacar os desafios mais iminentes com que nos deparamos nas áreas urbanas em todo o mundo.

[fancy_box id=5]Temos o prazer e a honra de ter autorização do Permaculture Research Institute para traduzir para PORTUGUÊS o conteúdo fantástico que eles disponibilizam no blog deles. Achamos o conteúdo deles valiosíssimo e achamos que mesmo quem não sabe Inglês MERECE ter acesso a esta informação. Espero que gostes[/fancy_box]

Artigo original por Rebecca McCarty
 

De acordo com as Nações Unidas, estima-se que, até 2050, aproximadamente 66% da população mundial habitará em cidades. As consequências dessa estatística para a Humanidade e para o nosso meio ambiente são enormes. Como as cidade são tipicamente muito “recurso-intensivas”, exigindo vastas quantidades de energia, água, alimento, e outros recursos naturais, estas colocam um fardo muito pesado sobre o nosso planeta para as gerir. No entanto, não tem que ser assim.

Áreas urbanas providenciam um laboratório perfeito para a transformação no nosso mundo num que seja sustentável. Em vez de serem um tremendo escoamento do nosso meio ambiente e recursos naturais, as cidades podem se tornar auto-sustentáveis e satisfazer as necessidades de cada habitante. Ao implementar design em permacultura e outros princípios de vida sustentável, as cidades podem produzir a sua própria energia, reciclar recursos contínuamente, produzir os próprios alimentos, e capturar e conservar água.

Ao integrar design em permacultura no planeamento e construção urbana, e também na forma como habitamos nas cidades, podemos produzir e reciclar muito do que necessitamos, e não precisamos mais de colocar um fardo indevido nos recursos que exploramos nas nossas zonas rurais. Isto permitiria muitos ecossistemas, como florestas, recuperarem, e poderíamos mais facilmente trabalhar para restaurar paisagens degradadas por este mundo fora, que ajudaria a restaurar o solo, os terrenos, os nossos ecossistemas globais, e sustentar as necessidades básicas da Humanidade.

Apesar do Ser Humano ter, de facto, causado muitos danos no planeta, nós somos inerentemente parte da Natureza, e portanto, podemos ter um papel importantíssimo na reabilitação do nosso planeta.

Apesar de transitar em direção a este futuro sustentável requerer um vasto salto na forma como, enquanto espécie, vivemos em relação ao nosso lar aqui na Terra, para uma forma de vida que muitos talvez ainda não se sintam preparados, existem muitas formas de começarmos a pensar sobre, e a transitar para essas possibilidades hoje.

Vale a pena considerar que nenhum dos maravilhosos avanços humanos que temos hoje, como a eletricidade que estás a usar neste preciso momento para ler este artigo, apareceu por acaso. Foram desenvolvidos porque pessoas trabalharam arduamente para o fazer acontecer, e essas mesmas pessoas provavelmente até falharam algumas, ou até muitas vezes, ao longo do caminho antes do sucesso ter acontecido.

Estas são apenas algumas das muitas formas como a permacultura tem o potencial de nos auxiliar a atacar os desafios mais iminentes com que nos deparamos nas áreas urbanas em todo o mundo.

 

1.USO ENERGÉTICO

Hoje em dia, espaços urbanos em todo o mundo usam e importam enormes quantidades de recursos energéticos (frequentemente baseados em combustíveis fóssil) para conduzir electricidade, operar sistemas de aquecimento e arrefecimento de prédios, assim como operar muitos outros elementos de infra-estruturas como bombas de água e tratamento de esgotos.

Solar panel on a red roof

Permacultura oferece soluções práticas a este problemas, tais como incorporar design solar passivo, tratamento de resíduos natural, implementação de eficiência energética, apoiar recursos energéticos renováveis como solar e eólico, e a construção de prédios e habitações que não só não requerem energia exterior a elas para climatização, como também produzem a sua própria energia e alimentam a cidade com o excesso dessa produção de energia doméstica.

 

2. O EFEITO DA ILHA TÉRMICA URBANA

Vastas faixas de betão, aliado à geral falta de árvores e outra vegetação em áreas urbanas, levam à retenção de calor solar e um aumento geral das temperaturas acima do que se observa nas áreas rurais circundantes. Isto leva a um risco acrescido de sobre-aquecimento de indivíduos vulneráveis, e requer também um aumento do consumo de electricidade necessário para manter os prédios frescos durante os dias quentes de Verão.

Design em permacultura pode ajudar esta questão de uma forma abismal aumentando de forma generalizada a cobertura vegetativa em espaços urbanos através da plantação de vegetação – através do estabelecimento de espaços verdes, jardins e bosques alimentares, o plantar de árvores e arbustos, a re-vegetação de espaços urbanos abandonados, e a restauração de paisagens naturais.

Ao aumentar os espaços verdes presentes nas áreas urbanas, a energia solar é capturada para utilização pelas plantas em vez de aquecer o betão, assim como o ambiente urbano circundante. Telhados Verdes instalados no topo de prédios citadinos também podem reduzir tanto o gasto energético desses prédios e habitações, como reduzem também o efeito de ilha térmica urbana.

 

3. EXIGÊNCIAS E DESPERDÍCIO DE RECURSOS NATURAIS

É absolutamente verdade, com algumas exceções, que as cidades importam vastas quantidades de recursos, enquanto exportam enormes quantidades de lixo. Nem na nossa imaginação é isto de alguma forma sustentável. Nenhum ecossistema na Natureza opera assim, senão, simplesmente deixaria de funcionar num curto espaço de tempo. É imperativo que as nossas cidades comecem a funcionar muito mais como ecossistemas, e reciclem e explorem recursos dentro delas mesmas de uma forma muito mais eficiente.

Apesar da reciclagem de materiais como garrafas, latas, e papel ser absolutamente necessário, existem ainda muitos recursos que nãosão recicláveis e ainda hoje acabam nas lixeiras. Nós temos que planear e fazer coisas que podem ser usadas repetidamente e que não poluam a nossa terra, água, ar, e os nossos próprios corpos. Os nossos restos alimentares podem ser re-utilizados como composto para criar solo saudável. Até os nossos dejetos humanos podem ser re-utilizados para paisagens e combustível, se o design e planeamento de sistemas seguros for eficaz e utilizados responsavelmente.

Cidades são locais ideais para sistemas de reciclagem e reutilização porque já existem os sistemas de infra-estruturas e transporte necessários para os suportar.

 

4. ALIMENTO E FOME

Permacultura distingue-se na demontração do quão eficiente pode ser a produção alimentar em praticamente qualquer lado, desde hortas comunitárias, a camas hugelkultur, e jardins de aromáticas em espiral em quintais, jardins de telhado/terraço, a quintas urbanas sustentáveis, plantar jardins em varandas, produzindo tanto plantas comestíveis e peixe através de aquaponia, até a plantar dentro de casa.

Tomato seedlings

Com tantas opções, há muito poucas razões porque todas as familias não podem estar a cultivar seja o que for. O que precisamos é que aqueles que têm conhecimento em permacultura e agricultura sustentável mostrem como cultivar algo, motivar outros, e empoderar outros com as ferramentas que precisam para o fazer acontecer.

 

5. ÁGUA

À medida que água se torna um recurso cada vez mais escasso por todo mundo nos dias que correm, água é um recurso natural em que absolutamente temos que nos focar nas nossas áreas urbanas e para a qual precisamos encontrar soluções sustentáveis. Simplesmente não conseguimos viver sem água potável. Nas nossas cidades, ora estamos a desperdiçá-la, ora não temos que chegue devido a secas, ora estamos a lidar com desastres naturais relacionados com ela – como inundações, ora temos comunidades a ter que lidar com águas contaminadas.

A poluição do rio Tejo devido à falta de responsabilidade ética das empresas e autarquias que o usam. Manifestação de defesa do nosso rio Tejo agendada para 4 de Março de 2017, organizado pela ProTejo.
A poluição do rio Tejo devido à falta de responsabilidade ética das empresas e autarquias que o usam. Manifestação de defesa do nosso rio Tejo agendada para 4 de Março de 2017, organizado pela ProTejo.

Permacultura oferece muitas soluções para desafios de recursos hídricos em áreas urbanas. Águas que escoam de superfícies impermeáveis podem ser mitigadas e capturadas incorporando jardins de chuva, pantanais, e superfícies permeáveis dentro das nossas paisagens urbanas. Inundações podem ser mitigadas através da plantação de vegetação perene de raízes profundas e swales na paisagem, o que não só abrandará o correr das águas através da topografia, como também ajudará a recarregar aquíferos que providenciarão água quando outros recursos hídricos escasseiam.

Podemos também implementar a captura e armazenamento de água da chuva em espaços urbanos, eliminar a prática devassa de regar enormes relvados inúteis, fazendo um design paisagístico adequado ao clima local, como “xerigismo” [paisagismo seco: “xeros” grego para seco], alfombra dos nosso jardins e plantas em vez de regar desnecessariamente, implementação de tratamento de resíduos e esgotos naturais e eficazes, e eliminação do uso de químicos tóxicos nos nossos relvados e jardins que se infiltram e poluem as nossas fontes de água.

 

6. POBREZA E DESEMPREGO

Neste caso, o problema é mesmo a solução! Enquanto o atual sistema económico extrativo considera a abundância de desempregados e sub-empregados como uma “externalidade”, realmente é-nos apresentada uma oportunidade ideal para criarmos uma vida sustentável para a Humanidade restaurando o ambiente da Terra, produzindo comida, e sarando o planeta, e nós mesmos.

O problema tem sido o facto que a economia extrativa ter assumido que recursos naturais são inesgotáveis, e que as pessoas são dispensáveis.

E se desenhássemos uma nova economia sustentável onde as pessoas são de facto consideradas recursos valiosos pelos seus talentos, competências, e valores como seres humanos que encontram soluções para alguns dos maiores desafios com que nos deparamos enquanto espécie? E se o nosso ambiente fosse totalmente reconhecido na nossa economia e tratado como o recurso inestimável que realmente é e não pode ser substituído? Poderemos realmente acabar com uma economia sustentável que leva ao bem-estar e abundância para todos.

 

7. RESGATE DE POLINIZADORES

Porque a permacultura encoraja ecossistemas naturais e produção alimentar sustentável, controlo de pragas natural, encoraja plantas nativas que alentam polinizadores, e não usa químicos tóxicos que os matam, temos uma oportunidade real em áreas urbanas de apoiar populações saudáveis de polinizadores.

De facto, com o uso tão generalizado que químicos agrícolas que matam polinizadores nas áreas rurais, polinizadores nas áreas urbanas podem até ajudar a salvar a sua própria espécie. Todo o esforço conta.

 

8. TRANSPORTE

Pessoas que habitam nas áreas urbanas têm uma oportunidade real de reduzir a pegada ecológica do transporte que utilizam. Em espaços urbanos, podemos andar de bicicleta, caminhar, usar transportes públicos para nos descolarmos na cidade, e normalmente não temos que ir muito longe para adquirir os recursos que necessitamos, como roupa ou comida.couple of friends young  man and woman riding bike

Se temos que conduzir para algum lado, existem agora recursos acrescidos disponiveis nas cidades, como programas de partilha de veículos como o BlaBla Car, estações de carregamento de carros híbridos e até bicicletas para arrendar, além da melhoria dos transportes públicos nos espaços urbanos e inter-urbanos.

 

9. PERDA DE HABITAT NATURAL DEVIDO A EXPANÇÃO URBANA

Graças ao aumento do açambarcamento de habitats naturais pelas nossas cidades e subúrbios, o planeta está a sofrer uma enorme fragmentação de habitat, ameaças a muitas espécies de vida selvagem, e perda de ecossistemas funcionais.

No entanto, se começarmos a planear e re-desenhar os nossos espaços urbanos usando permacultura e outros sistemas de planeamento e paisagismo sustentável, talvez consigamos reduzir esta maré cheia de destruição de habitat, reverter muito dos danos causados, e finalmente, transformar as nossas residências em algo que imite e opere muito mais com a Natureza.

O objetivo último da permacultura é viver em harmonia e integrados com o nosso meio ambiente natural. A paisagem urbana é o ambiente perfeito onde a Humanidade pode aprender a transformar esse sonho numa realidade.