Porque Os Nossos Espaços Urbanos PRECISAM de Permacultura: O Problema É a Solução!

Temos o prazer e a honra de ter autorização do Permaculture Research Institute para traduzir para PORTUGUÊS o conteúdo fantástico que eles disponibilizam no blog deles. Achamos o conteúdo deles valiosíssimo e achamos que mesmo quem não sabe Inglês MERECE ter acesso a esta informação. Espero que gostes
Artigo original por Rebecca McCarty
 

De acordo com as Nações Unidas, estima-se que, até 2050, aproximadamente 66% da população mundial habitará em cidades. As consequências dessa estatística para a Humanidade e para o nosso meio ambiente são enormes. Como as cidade são tipicamente muito “recurso-intensivas”, exigindo vastas quantidades de energia, água, alimento, e outros recursos naturais, estas colocam um fardo muito pesado sobre o nosso planeta para as gerir. No entanto, não tem que ser assim.

Áreas urbanas providenciam um laboratório perfeito para a transformação no nosso mundo num que seja sustentável. Em vez de serem um tremendo escoamento do nosso meio ambiente e recursos naturais, as cidades podem se tornar auto-sustentáveis e satisfazer as necessidades de cada habitante. Ao implementar design em permacultura e outros princípios de vida sustentável, as cidades podem produzir a sua própria energia, reciclar recursos contínuamente, produzir os próprios alimentos, e capturar e conservar água.

Ao integrar design em permacultura no planeamento e construção urbana, e também na forma como habitamos nas cidades, podemos produzir e reciclar muito do que necessitamos, e não precisamos mais de colocar um fardo indevido nos recursos que exploramos nas nossas zonas rurais. Isto permitiria muitos ecossistemas, como florestas, recuperarem, e poderíamos mais facilmente trabalhar para restaurar paisagens degradadas por este mundo fora, que ajudaria a restaurar o solo, os terrenos, os nossos ecossistemas globais, e sustentar as necessidades básicas da Humanidade.

Apesar do Ser Humano ter, de facto, causado muitos danos no planeta, nós somos inerentemente parte da Natureza, e portanto, podemos ter um papel importantíssimo na reabilitação do nosso planeta.

Apesar de transitar em direção a este futuro sustentável requerer um vasto salto na forma como, enquanto espécie, vivemos em relação ao nosso lar aqui na Terra, para uma forma de vida que muitos talvez ainda não se sintam preparados, existem muitas formas de começarmos a pensar sobre, e a transitar para essas possibilidades hoje.

Vale a pena considerar que nenhum dos maravilhosos avanços humanos que temos hoje, como a eletricidade que estás a usar neste preciso momento para ler este artigo, apareceu por acaso. Foram desenvolvidos porque pessoas trabalharam arduamente para o fazer acontecer, e essas mesmas pessoas provavelmente até falharam algumas, ou até muitas vezes, ao longo do caminho antes do sucesso ter acontecido.

Estas são apenas algumas das muitas formas como a permacultura tem o potencial de nos auxiliar a atacar os desafios mais iminentes com que nos deparamos nas áreas urbanas em todo o mundo.

 

1.USO ENERGÉTICO

Hoje em dia, espaços urbanos em todo o mundo usam e importam enormes quantidades de recursos energéticos (frequentemente baseados em combustíveis fóssil) para conduzir electricidade, operar sistemas de aquecimento e arrefecimento de prédios, assim como operar muitos outros elementos de infra-estruturas como bombas de água e tratamento de esgotos.

Solar panel on a red roof

Permacultura oferece soluções práticas a este problemas, tais como incorporar design solar passivo, tratamento de resíduos natural, implementação de eficiência energética, apoiar recursos energéticos renováveis como solar e eólico, e a construção de prédios e habitações que não só não requerem energia exterior a elas para climatização, como também produzem a sua própria energia e alimentam a cidade com o excesso dessa produção de energia doméstica.

 

2. O EFEITO DA ILHA TÉRMICA URBANA

Vastas faixas de betão, aliado à geral falta de árvores e outra vegetação em áreas urbanas, levam à retenção de calor solar e um aumento geral das temperaturas acima do que se observa nas áreas rurais circundantes. Isto leva a um risco acrescido de sobre-aquecimento de indivíduos vulneráveis, e requer também um aumento do consumo de electricidade necessário para manter os prédios frescos durante os dias quentes de Verão.

Design em permacultura pode ajudar esta questão de uma forma abismal aumentando de forma generalizada a cobertura vegetativa em espaços urbanos através da plantação de vegetação – através do estabelecimento de espaços verdes, jardins e bosques alimentares, o plantar de árvores e arbustos, a re-vegetação de espaços urbanos abandonados, e a restauração de paisagens naturais.

Ao aumentar os espaços verdes presentes nas áreas urbanas, a energia solar é capturada para utilização pelas plantas em vez de aquecer o betão, assim como o ambiente urbano circundante. Telhados Verdes instalados no topo de prédios citadinos também podem reduzir tanto o gasto energético desses prédios e habitações, como reduzem também o efeito de ilha térmica urbana.

 

3. EXIGÊNCIAS E DESPERDÍCIO DE RECURSOS NATURAIS

É absolutamente verdade, com algumas exceções, que as cidades importam vastas quantidades de recursos, enquanto exportam enormes quantidades de lixo. Nem na nossa imaginação é isto de alguma forma sustentável. Nenhum ecossistema na Natureza opera assim, senão, simplesmente deixaria de funcionar num curto espaço de tempo. É imperativo que as nossas cidades comecem a funcionar muito mais como ecossistemas, e reciclem e explorem recursos dentro delas mesmas de uma forma muito mais eficiente.

Apesar da reciclagem de materiais como garrafas, latas, e papel ser absolutamente necessário, existem ainda muitos recursos que nãosão recicláveis e ainda hoje acabam nas lixeiras. Nós temos que planear e fazer coisas que podem ser usadas repetidamente e que não poluam a nossa terra, água, ar, e os nossos próprios corpos. Os nossos restos alimentares podem ser re-utilizados como composto para criar solo saudável. Até os nossos dejetos humanos podem ser re-utilizados para paisagens e combustível, se o design e planeamento de sistemas seguros for eficaz e utilizados responsavelmente.

Cidades são locais ideais para sistemas de reciclagem e reutilização porque já existem os sistemas de infra-estruturas e transporte necessários para os suportar.

 

4. ALIMENTO E FOME

Permacultura distingue-se na demontração do quão eficiente pode ser a produção alimentar em praticamente qualquer lado, desde hortas comunitárias, a camas hugelkultur, e jardins de aromáticas em espiral em quintais, jardins de telhado/terraço, a quintas urbanas sustentáveis, plantar jardins em varandas, produzindo tanto plantas comestíveis e peixe através de aquaponia, até a plantar dentro de casa.

Tomato seedlings

Com tantas opções, há muito poucas razões porque todas as familias não podem estar a cultivar seja o que for. O que precisamos é que aqueles que têm conhecimento em permacultura e agricultura sustentável mostrem como cultivar algo, motivar outros, e empoderar outros com as ferramentas que precisam para o fazer acontecer.

 

5. ÁGUA

À medida que água se torna um recurso cada vez mais escasso por todo mundo nos dias que correm, água é um recurso natural em que absolutamente temos que nos focar nas nossas áreas urbanas e para a qual precisamos encontrar soluções sustentáveis. Simplesmente não conseguimos viver sem água potável. Nas nossas cidades, ora estamos a desperdiçá-la, ora não temos que chegue devido a secas, ora estamos a lidar com desastres naturais relacionados com ela – como inundações, ora temos comunidades a ter que lidar com águas contaminadas.

A poluição do rio Tejo devido à falta de responsabilidade ética das empresas e autarquias que o usam. Manifestação de defesa do nosso rio Tejo agendada para 4 de Março de 2017, organizado pela ProTejo.

 

Permacultura oferece muitas soluções para desafios de recursos hídricos em áreas urbanas. Águas que escoam de superfícies impermeáveis podem ser mitigadas e capturadas incorporando jardins de chuva, pantanais, e superfícies permeáveis dentro das nossas paisagens urbanas. Inundações podem ser mitigadas através da plantação de vegetação perene de raízes profundas e swales na paisagem, o que não só abrandará o correr das águas através da topografia, como também ajudará a recarregar aquíferos que providenciarão água quando outros recursos hídricos escasseiam.

Podemos também implementar a captura e armazenamento de água da chuva em espaços urbanos, eliminar a prática devassa de regar enormes relvados inúteis, fazendo um design paisagístico adequado ao clima local, como “xerigismo” [paisagismo seco: “xeros” grego para seco], alfombra dos nosso jardins e plantas em vez de regar desnecessariamente, implementação de tratamento de resíduos e esgotos naturais e eficazes, e eliminação do uso de químicos tóxicos nos nossos relvados e jardins que se infiltram e poluem as nossas fontes de água.

 

6. POBREZA E DESEMPREGO

Neste caso, o problema é mesmo a solução! Enquanto o atual sistema económico extrativo considera a abundância de desempregados e sub-empregados como uma “externalidade”, realmente é-nos apresentada uma oportunidade ideal para criarmos uma vida sustentável para a Humanidade restaurando o ambiente da Terra, produzindo comida, e sarando o planeta, e nós mesmos.

O problema tem sido o facto que a economia extrativa ter assumido que recursos naturais são inesgotáveis, e que as pessoas são dispensáveis.

E se desenhássemos uma nova economia sustentável onde as pessoas são de facto consideradas recursos valiosos pelos seus talentos, competências, e valores como seres humanos que encontram soluções para alguns dos maiores desafios com que nos deparamos enquanto espécie? E se o nosso ambiente fosse totalmente reconhecido na nossa economia e tratado como o recurso inestimável que realmente é e não pode ser substituído? Poderemos realmente acabar com uma economia sustentável que leva ao bem-estar e abundância para todos.

 

7. RESGATE DE POLINIZADORES

Porque a permacultura encoraja ecossistemas naturais e produção alimentar sustentável, controlo de pragas natural, encoraja plantas nativas que alentam polinizadores, e não usa químicos tóxicos que os matam, temos uma oportunidade real em áreas urbanas de apoiar populações saudáveis de polinizadores.

De facto, com o uso tão generalizado que químicos agrícolas que matam polinizadores nas áreas rurais, polinizadores nas áreas urbanas podem até ajudar a salvar a sua própria espécie. Todo o esforço conta.

 

8. TRANSPORTE

Pessoas que habitam nas áreas urbanas têm uma oportunidade real de reduzir a pegada ecológica do transporte que utilizam. Em espaços urbanos, podemos andar de bicicleta, caminhar, usar transportes públicos para nos descolarmos na cidade, e normalmente não temos que ir muito longe para adquirir os recursos que necessitamos, como roupa ou comida.couple of friends young man and woman riding bike

Se temos que conduzir para algum lado, existem agora recursos acrescidos disponiveis nas cidades, como programas de partilha de veículos como o BlaBla Car, estações de carregamento de carros híbridos e até bicicletas para arrendar, além da melhoria dos transportes públicos nos espaços urbanos e inter-urbanos.

 

9. PERDA DE HABITAT NATURAL DEVIDO A EXPANÇÃO URBANA

Graças ao aumento do açambarcamento de habitats naturais pelas nossas cidades e subúrbios, o planeta está a sofrer uma enorme fragmentação de habitat, ameaças a muitas espécies de vida selvagem, e perda de ecossistemas funcionais.

No entanto, se começarmos a planear e re-desenhar os nossos espaços urbanos usando permacultura e outros sistemas de planeamento e paisagismo sustentável, talvez consigamos reduzir esta maré cheia de destruição de habitat, reverter muito dos danos causados, e finalmente, transformar as nossas residências em algo que imite e opere muito mais com a Natureza.

O objetivo último da permacultura é viver em harmonia e integrados com o nosso meio ambiente natural. A paisagem urbana é o ambiente perfeito onde a Humanidade pode aprender a transformar esse sonho numa realidade.

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