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Porquê Bosque de Alimentos?

Temos o prazer e a honra de ter autorização do Permaculture Research Institute para traduzir para PORTUGUÊS o conteúdo fantástico que eles disponibilizam no blog deles. Achamos o conteúdo deles valiosíssimo e achamos que mesmo quem não sabe Inglês MERECE ter acesso a esta informação. Espero que gostes.

Artigo original em inglês por Angelo Eliades

Image source: Permaculture a Beginner’s Guide, by Graham Burnett

Porquê Bosque de Alimentos?

 

Estamos todos familiarizados com o conceito de florestas – expansões selvagens, abundantes, viçosas e cheias de vida, uma riqueza de biodiversidade e inspiradoras de contemplar. Árvores e plantas entrelaçadas, ocupando cada espaço possível, a primavera da Vida em si!

Florestas existem bem sozinhas. Não precisam de corta-relvas, de remoção de ervas daninhas, de pulverizações ou de cavar o solo. Nada de pesticidas, fertilizantes ou químicos nocivos. De alguma forma safam-se muito bem, obrigado.
Agora, imagina se tudo nesta floresta verdejante, abundante e espetacular fosse comestível!

Se consegues imaginar como isso seria, se consegues ver isso no olho da tua mente, então não estás longe da realidade do que um bosque de alimentos pode ser.

Ao compreender como as florestas crescem e se sustêm sem intervenção humana, podemos aprender com a Natureza, e copiar os sistemas e padrões para modelar os nossos próprios bosques – bosques esses cheios de árvores e plantas que produzem a comida que nos alimenta.

Podemos desenhar e implementar os sistemas de produção alimentar mais susentáveis possivel; aperfeiçoado, refinado e cuidado pela própria Mãe Natureza.

Se este conceito traz à tona dúvidas ou cepticismo relativo a isto ser algo que funcione na vida real, deixa-me assegurar-te que bosques alimentares são um conceito comprovado. Sim, estão a funcionar em todo o mundo, e até funcionam em áreas urbanas. Eu sei, eu planeio e implemento-os!

Então, deves estar a perguntar-te como tudo isto funciona, quais são os benefícios, se será mais produtivo ou económicamente viável do que um sistema de agricultura comercial, e por aí fora.

Bem, vamos abordar todas essas questões e mais algumas à medida que exploramos o caso pelos Bosques de Alimentos neste arigo, por isso quero convidar-te a continuares a ler!

PORQUÊ FLORESTAS?

Ou é isto…

Ou isto… a diferença é óbvia!

 A diferença é – VIDA!

Florestas são vida.

  • Florestas são o lar de aproximadamente 50-90% de toda a biodiversidade terrestre – incluindo os polinizadores e as variedades bravas de muitas culturas agrícolas. (Fonte: WWF Living Planet Report 2010)
  • Só as florestas tropicais, estima-se que contenham entre 10-50 milhões de espécies – mais de 50% das espécies no planeta.
  • Florestas tropicais cobrem 2% da superfície terrestre e 6% da massa terrestre, no entanto, são o lar de mais de metade das espécies animais e vegetais do planeta.

Destes factos básicos, deve se tornar evidente que as florestas em si são sinónimas de vida, biodiversidade e fertilidade. Onde a vida converge, complexa e onde relações simbióticas entre organismos são criadas; comunidades naturais e harmoniosas se formam, e formas de vida se multiplicam e proliferam.

Se as florestas são o local onde a maior parte da vida no planeta habita, então qualquer coisa menos que uma floresta é menos adequado a sustentar vida. Vida sustenta vida, e no entanto nós esquecemo-nos que somos, de facto, parte desta teia da Vida, e que dependemos de outras vidas para sustentar a nossa.

Humanos destrem florestas para criar “campos“. A palavra (“field”em inglês) deriva da ideia tudo nessa área foi cortado (“felled” em inglês) e removido.  Nestas áreas abertas nós construimos cidades e quintas.

Quanta vida e biodiversidade vês ao teu redor no dia a dia comparada com o que existe num bosque? A resposta é evidente, e o conceito que “florestas são vida”, axiomático.

FACTOS FLORESTAIS

 

  • A Natureza anda a fazer crescer plantas à 460 milhões de anos, e árvores à 370 milhões  — O Ser Humano moderno aparece pela primeira vez num fóssil em África à cerca de 195 000 anos atrás.
  • As árvores cobriram, em tempos, quase toda a massa terrestre da Terra, hoje cobrem cerca de 3.9 Biliões de hectares, ou pouco mais que 9.6 biliões de acres, que corresponde a apenas (cerca de) 29.6% da área total no planeta.
  • Hoje, existem apenas três grandes florestas restantes na Terra: a Amazónia da América do Sul, e as florestas boreais na Rússia e Canadá.

Árvores estão presentes à muito mais tempo que a Humanidade. Todo o petróleo e carvão que estamos a queimar a velocidades frânticas foram criados dos restos morais decompostos de florestas ancestrais, de milhões de anos de idade, razão pela qual lhes chamamos combustíveis fóssil!

Relativamente falando, somos recém-chegados a este planeta, e no entanto pensamos na curta perspectiva da nossa duração de vida, e muitas vezes em frações de tempo mais curtas ainda.

Bosques e florestas têm formado um ecossistema equilibrado que alastrava a todo o comprimento e largura do planeta muito antes do aparecimento da Humanidade, mas agora as florestas estão num estado lastimável. O que nos esquecemos é que estes bosques foram responsáveis por nutrir e criar toda a vida neste planeta de uma forma ou de outra, e ainda operam como o sistema de suporte de vida do planeta.

FLORESTAS SÃO O DESIGN PERFEITO

  • Com 460 milhões de anos de experiência, e um jardim de 9.6 bilhões de acres, a Mãe Natureza tem vindo a refinar os métodos de cultivo de de jardins auto sustentáveis melhor do que ninguém. Sem arrancar ervas daninhas, sem pulverizações ou regas!!!
  • Natureza sustentou, alimentou, vestiu e acolheu a Humanidade durante 95% da nossa existência – agricultura apenas apareceu à 10 000 anos.
  • Estabelece-se que a Natureza é obviamene o melhor (e único) méodo disponível para nós imitarmos no crescimento dos nossos jardins.

Aqui é onde uma perspeciva real pode radicalmene mudar a nossa visão do mundo e o nosso sentimento de pertença nele.

No nosso dia-a-dia, quando queremos aprender a fazer algo, normalmente (esperançosamente!) tencionamos fazer o que quer que quisermos fazer, bem! Isto é, com um grau de competência, com eficiência e eficácia. Podemos até ambicionar mestria, perseguindo o objetivo elusivo da perfeição.

Parece ser este o caso, quer estejamos a aprender um desporto, começar um novo hobby, ou a começar um negócio sério. Obviamente, o melhor sitio para começar é ver se alguém já conseguiu o que nós estamos a tentar fazer, e então procuramos pelos melhores, com quem aprender. Nós buscamos pessoas através das quais nos possamos modelar – Exemplares.

Por definição, um exemplar é um modelo ou padrão para ser copiado ou imitado. Se estamos a aprender um desporto, naturalmente não queremos usar como modelo pessoas “amadorescas” ou incompetentes, Em vez disso, escolhemos imitar os campeões nessa área. Então, o que os faz campeões? A escala e qualidade dos seus sucessos, a sua experiência, e as suas credenciais.

Então e se a nossa tarefa que estevermos a empreender fosse o de cultivo de alimentos?

Pensa no melhor jardineiro que conheces, quanta competência, experiência e sucesso têm acumulado?

Que sistema de cultivo de plantas conceberam, e quão sustentáveis são estes sistemas? Serão eles energéticamente intensivos ou neutros?

Agora, vamos refletir de volta à Mãe Natureza, centenas de milhões de anos a cultivar todas as plantas em existência, a prosperar sem intervenção humana (e sem a existência humana durante a maior parte desse tempo), sem quaiquer “inputs” de energia para além daqueles fornecidos por sistemas naturais – verdadeiramente um exemplar a usar como modelo.

O que fazemos então, como pessoas? A coisa mais ilógica imaginável, claro! Tentamos re-inventar a roda.

Mas não só tentamos fazer o absurdo e equiparar-nos à Natureza, nós iludimo-nos que podemos fazer melhor que a Natureza nas nossas insignificantemente curtas vidas, na nossa insignificantemente recente sociedade industrializada, no seu insignificantemente curto período de teste onde ainda está por determinar se este caminho levado pela Humanidade é sequer um caminho viável!

Seres Huanos em sociedades modernas possuem a ideia errada que a Natureza tem que ser lutada contra, conquistada e controlada. Isso é um grito distante das sociedades mais ancestrais ou mais “primitivas”, que vêm a Terra como a sua Mãe. Um ponto interessante a refletir.

PORQUÊ BOSQUES DE ALIMENTOS?

Aperfeiçoar a Natureza??  Se isto é uma melhoria a uma floresta para sustentar vida, eu acho que estamos feitos ao bife……

Conseguimos fazer melhor?

Aqui estão algumas das consequências das nossas tentativas ineptas a “aperfeiçoar” a Natureza (fotos abaixo). Agricultura moderna cria monoculturas desequilibradas que são preservadas através de guerras químicas implacáveis. Não só estamos a fazer um péssimo trabalho, mas esamos a envenenar a Natureza e a nós mesmos no processo.

 

  • Algures entre 8500 e 7000 AC, os seres humanos do Crescente Fértil no Médio Oriente começaram uma gestão sistemática de plantas e animais – um sistema chamado Agricultura.
  • Certamente conseguimos fazer melhor do que monoculturas enfileiradas em campos nus após 10 000 anos a praticar agricultura?

A Natureza é referida como “Mãe Natureza” por uma razão, foi ela que nos amamentou; ou seja, alimentou, vestiu e abrigou-nos durante a maior parte da nossa existência relativamente curta neste planeta. Perspectiva pode ser algo ameaçador para as nossas mentes sonolentas!

Algures no caminho, perdemos a nossa reverência pela Natureza, a nossa crença na ligação entre todos os seres vivos, e o nosso sentido de harmonia com o nosso ambiente.

Descartámos essas crenças “primitivas” porque alcançãmos “progresso”. Tivémos a nossa suposta “Era do Iluminismo”, religiosamente seguimos o culto do racionalismo onde trocámos a nossa reverência pela Natureza por uma reverência mal colocada na mente humana, e enquanto nos prostramos ao altar da Razão Humana, perdemos o nosso lugar no mundo.

Lamentavelmente, desde que nos convencemos que nada existia acima da mente humana, o nosso pensamento arrogante levou-nos a acreditar que o “nosso lugar” era acima do da Natureza. Estar num pedestal tão elevado significava que nós dominávamos a Natureza, e se desobedecesse, que a espancariamos até à submissão.

Podemos nos rir da história real do Imperador Romano Calígula se ter auto-proclamado um Deus e de ter chicoteado o mar com correntes pela sua desobediência, mas quão diferente é a abordagem da Humanidade moderna face à Natureza – como algo a ser batalhado, conquistado e controlado.

As mesmas guerras implacáveis que travamos uns com os outros, com as mesmas armas letais, travamos com a Natureza.

Travamos guerras químicas e biológicas contra a Natureza e as suas criaturas, e mesmo parecendo ser a mais fúil, sem senso e destrutiva das guerras, nós persistimos até em nosso detrimento.

Tal é a nossa miopia como espécie. Com esta perspectiva antropocêntrica, onde tudo revolve em torno do ser humano, não pode resultar em nada de bom.

A Humanidade é coletivamente culpada por tentar torcer e deformar os factos acerca de como a Natureza funciona para encaixar no que são predominantemente mentes fechadas, cheias de crenças sem fundamento.

Estas crenças disorcidas são muito reais. Biotecnologia acredita firmemente que a “salvação” da Humanidade jaz na “engenharia” de culturas através de modificações genéticas para suprimir todas as nossas necessidades e salvar a Humanidade da Fome.

Esta forma de pensar messiânica é seriamente iludida, e os seus suseranos corporativos não podiam estar menos interessados, não fosse pelos lucros que estas formas de vida patenteadas podem potencialmente gerar.

Chamem-me crítico, mas estas alegações não são científicas, e como uma pessoa com qualificações em Ciência, eu francamene julgo estas alegações como ofensivas, pois são simplesmente “alegações baseadas em fé” mascarando-se de ciência, sem provas que corroborem a sua veracidade.

Entretanto, práticas de agricultura convencionais estão a destruir enormes extensões de terra através de erosão de solos, salinidade, abuso de fertilizantes químicos, destruição de ecossistemas de supore (que trazem chuva, por exemplo).

Se removermos os “piscas ideológicos”, e observarmos fora do contexto da nossa presente Era e Sociedade, é vivamente óbvio que nos estamos a encaminhar por um beco sem saída e a fazê-lo a velocidade crescente, apressando uma conclusão sinistra.

Só para adicionar um pouco mais de perspectiva à pintura do quão perdida está a Humanidade, eu ouvi académicos a argumentar contra o “movimento verde”, adicionando o argumento absurdo que a “natureza (e logo, a vida) não tem valor algum, para além da sua utilidade para o Homem” – preciso dizer mais?

Agora, se alguém pensa que o caminho é “aperfeiçoar a Natureza”, e colocou a sua fé neste processo, eu apelo urgentemente a examinarem criticamente a sua visão do mundo. Se consegues ver que algo está errado com o status quo, mas queres tornar-te parte da solução em vez de parte do problema, então continua a ler!

HÁ UMA FORMA MELHOR!

  • Porquê reinventar a roda quando uma melhor já existe, olha para a Natureza!
  • Podemos planear e implementar ecossistemas naturais repletos de vida, que se cuidam sozinhos, tal como um bosque ou floresta – mas que contém plantas que nós escolhemos.
  • O Sistema de Design de Permacultura observa sistemas e padrões naturais, e imita-os para um design de sistemas de produção alimentar e residência humana que se integra harmoniosamente com a Natureza.

Porquê cavar assim?

 Quando os profissionais estão ao dispor….

COMO A NATUREZA CULTIVA PLANTAS

Olhamos para o sistema da Natureza, e copiamo-lo, para que a Natureza faça o trabalho por nós, tal como as minhocas cavam em vez de nós. Isso é o espírito da Permacultura. Sem necessidade de trabalho duro…

A Natureza cresce num padrão altamente optimizado, utilizando múltiplas camadas e tirando o máximo proveito tanto do espaço horizontal, como do vertical.

Um bosque de Alimentos é geralmente composta por 7 estratos ou camadas, a mais alta destas sendo o estrato da Copa. A copa é constituida por árvores altas – geralmente árvores de fruto ou de nozes de grande porte.

Entre as árvores de copa alta, existe uma camada de árvores de fruto de pequeno porte ou de copa baixa. Atenção, uma árvore de pequeno porte pode tipicamente atingir 4m de altura, por isso não penses necessariamente que são árvores muito baixas.

Aninhado entre as árvores de pequeno porte estão os arbustos – que estão bem representados pelas groselhas e bagas.

A ocupar o restante espaço está o estrato das herbáceas, estas são as plantas medicinais e culinárias, plantas consorciadas, plantas meliferas e de forragem para aves de capoeira.

Qualquer espaço restante é ocupado pela cobertura de solo, plantas rasteiras. Estas formam uma cobertura e adubo verde que protege o solo, reduz a perda de água por evaporação, e evita o aparecimento de plantas indesejadas.

Podemos ainda ir um estrato mais profundo, a rizosfera, ou a zona das raízes, o estrato subterrâneo que é ocupado por todas as culturas de raiz, como as batatas, cenouras, gengibre, yacon, etc.

Enquanto isto pode parecer muitas plantas num só espaço, ainda temos mais um espaço a preencher, o espaço vertical. Este é ocupado pelas trepadeiras, que podem subir por qualquer suporte vertical, seja árvores, vedações, etc. Esta categoria inclui uvas, feijão, muitas variedades de bagas, maracujá. kiwi, ervilhas trepadeiras, chokos e muitas outras espécies que adoram trepar.

Agora, existem muitos equívocos acerca do que é realmente um bosque de alimentos que eu gostava de esclarecer.

  • Linhas direitas de árvores não é um bosque de alimentos. Isso é o que chamamos de pomar (e até agroflorestas).
  • Linhas de árvores com algumas plantas a crescer por baixo não é um bosque de alimentos, é um pomar com sub-plantações.
  • Linhas de árvores com linhas de outras plantas alternadas entre elas não é um bosque de alimentos, é um pomar implementado com intercalação de culturas.

Um bosque de alimentos pode não ter necessariamente todas as 7 camadas, mas contém múltiplos estratos ou camadas, e ainda mais importante, é um ecossistema vivo virtualmente auto-sustentado.

Em termos de forma, o que mais diferencia um bosque de alimentos de um campo bidimensional de alfaces ou qualquer outra monocultura é que o bosque é uma estrutura tridimensional.

Em termos de função, sendo um ecossistema vivo dá-lhe propriedade e atributos que não estão presentes em sistemas agrícolas em geral nem em muitos jardins.

OS BENEFÍCIOS

Os benefícios a ter de um bosque alimentar são os seguintes:

Alta Produtividade
  • Plantação de Alta densidade assegura alta produtividade.
  • Biodiversidade assegura uma fonte de alimentos contínua ao longo do ano.
Cobertura de Solo, Composto e Fertilização Natural
  • Tal como uma floresta, o bosque de alimentos cobre o chão sozinho para reter humidade.
  • Com tamanha densidade vegetal, um enorme volume de folhagem caída acumula e decompõe-se para adicionar matéria orgânica ao solo.
  • Decompositores, a classe de insetos e organismos que decompõem a matéria orgânica, como as minhocas, térmitas e santarenas, trabalham para ajudar o processo de compostagem natural.
Controlo Natural de Pragas
  • Sem necessidade de químicos! Bosques Alimentares usam predadores naturais para se livrarem de pragas – deixando os profissionais fazer o trabalho, naturalmente.
  • Insetos predadores têm um habitat permanente (um ecossistema natural) e fontes de alimento abundantes (flores ricas em néctar) num bosque alimentar. Fornece ambas estas coisas e eles aparecerão por sua conta! Uma hortinha de vegetais é apenas lar para as espécies de insetos praga, não fornece habitat para os insetos “bons”!
  • Um Ecossistema vivo e abundante atrairá aves e outros predadores maiores, contribuindo mais para o controlo natural de pragas.
Resiliência Através da Biodiversidade – A força está nos Números
  • A Naureza não planta enormes áreas de apenas uma espécia (nem em linhas direitinhas!), a Natureza prefere biodiversidade, não monoculturas! Misturar diferentes tipos de plantas todas juntas fá-las crescer melhor, ponto final. Cria uma sinergia natural que beneficia todas as plantas envolvidas. As plantas, como resultado, são mais resistentes a pragas e doenças, e são mais produtivas (e mais bonitas!).
  • O uso de consorciação de plantas (plantas que se beneficiam mutuamente) permite-nos recriar a biodiversidade da Natureza para ganhar estes benefícios.
Regeneração de Solos Fácil – Cortar e Largar (Chop n’ Drop em Inglês)
  • Na Natureza, quando morrem plantas, elas ficam onde caíram. Não são arrancadas e deitadas fora! Não arranques pela raíz as plantas anuais que terminaram o seu ciclo, corta-as ao nivel do solo. A raízes vão apodrecer para criar milhares de intrincados canais de ar e água no subsolo. As partes aéreas das plantas cortadas criam um sistema natural de cobertura de solo vegetal em compostagem como no solo de uma floresta.
  • Preserva o teu solo, cria caminhos. Não pises nas camas, o solo está vivo!!! (De facto, é até um ecossistema mais complexo do que qualquer outro à superfície).Pisar nas tuas camas vai compacar o solo, cerrando caminho para o ar e água, dificulando a infiltração destes até às plantas, o que ira inibir o seu desenvolvimento.

RESUMINDO E CONCLUINDO….

Um Bosque de Alimentos é construido para emular uma floresta real — apenas a preenchemos com plantas alimentares e árvores que desejamos.

Florestas “reais” não necessitam de trabalho algum, elas auto-susteêm-se — nada de pesticidas, herbicidas, arrancar ervas daninhas, rotação de culturas, corta-relvas ou cavar. O bosque de alimentos também não precisa de nada disso! Menos trabalho, mais comida, tudo natural! Porquê fazer outra coisa?

Concluindo, se olharmos para além da nossa cultura modernizada, para os sistemas vegetais mais avançados e abundantes em vida da Natureza, é claramente evidente que trabalhar com a Natureza é o caminho mais sábio e mais produtivo para uma produção alimentar sustentável.

Earthship: Uma Opção Atraente de Habitação Sustentável

[vc_row][vc_column][vc_single_image image=”1507″ alignment=”center”][vc_empty_space][vc_message]Temos o prazer e a honra de ter autorização do Permaculture Research Institute para traduzir para PORTUGUÊS o conteúdo fantástico que eles disponibilizam no blog deles. Achamos o conteúdo deles valiosíssimo e achamos que mesmo quem não sabe Inglês MERECE ter acesso a esta informação. Espero que gostes.

Artigo original em inglês por Tobias Roberts[/vc_message][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]As casas em que habitamos são a epítome da pilhagem industrial do nosso planeta. Quantidades massivas de madeira de baixo custo repleto de químicos nocivos nas estruturas das nossas casas. Para aquecer e arrefecer o lar, combustíveis fósseis são bombeados para as nossas casas resultando num excesso de emissões de gases de efeito estufa.

Apesar dos confortos e luxos que a habitação moderna oferece, na sua maioria, é um dos aspetos mais insustentáveis das nossas vidas. Earthships têm vindo a ser desenvolvidas desde os anos ’70 e oferecem uma alternativa de habitação única e mais ecológicamente amigável.

O PREÇO ECOLÓGICO DA HABITAÇÃO MODERNA

O estilo de construção mais comum que tem vindo a dominar o mercado imobiliário americano é uma estrutura timber frame (estrutura de madeira) de pinho tratado e folhas de contraplacado. A fachada da casa é coberta de tapume de plástico ou imitação de tijolo e as paredes interiores são normalmente feitas de placas de gesso.

Como a maioria das novas casas construidas para o mercado no mundo industrializado são estruturas enormes, frequentemente com áreas superiores a 185 metros quadrados, muita madeira é necessária, e portanto, contribuindo para a desflorestação. A indústria imobiliária nos EUA é responsável por quase metade de toda a madeira conífera cortada a cada ano.

Mais de 4000 m2 de floresta de crescimento lento são cortados a cada 66 segundos e quase metade dessa madeira é usada na construção de casas cuja longevidade estimada é inferior a 50 anos.

A maioria das casas utilizam uma quantidade generosa de cimento nas suas fundações. Cimento é outro material de construção insustentável e é responsável por, pelo menos, 5% de todas as emissões de gases de efeito estufa. Além disso, algum cimento contém elementos radioativos na sua composição.

Quase todas as casas modernas são aquecidas e arrefedidas por aquecimento central e ar condicionado que correm a combusitíveis fósseis. É estimado que quase metade de toda a energia usada numa habitação é para a climatização da mesma.

Se cada 9 cm2 de uma habitação moderna precisa de 50 kwH para aquecer ou arrefecer, então para uma casa de 185 m2 de área,  atinge-se um total de cerca de 100.000 kwH por ano. Isto provoca uma larga quantidade de gases efeito estufa libertada para a atmosfera e leva a uma dependência perigosa aos combustíveis fóssil.

Quase nenhuma habitação construida industrialmente tem em consideração métodos de construção para eficiência energética que se fiem em fontes de energia sustentáveis. Além do mais, muitas regulamentações de construção até proíbem certos métodos naturais de climatização de uma habitação.

Outro problema com os imóveis modernos é a grande quantidade de materiais tóxicos utilizados na sua construção. Asbestos é um carcinogéneo conhecido que ainda é utilizado em muitas formas de coberturas de telhados e isolamentos. Arseniato de Cobre Cromado é utilizado em quase toda a madeira tratada à pressão, que é um cunho da madeira utilizada para a estrutura das habitações modernas.

Apesar da EPA (Agência de Proteção Ambiental, nos EUA) ter graudalmente eliminado este tipo de materiais, muitas casas mais velhas ainda terão este tipo de tratamento na madeira utilizada na construção. Dezenas de outros químicos são também incluidos na madeira utilizada na construção moderna e desconhece-se os efeitos desses químicos na saúde humana.

Temos vindo a aceitar que a indústria de construção habitacional deve ser necessariamente monopolizada por um grupo de empreiteiros especializados e que qualquer espécie de habitação que não ofereça estes confortos dos tempos modernos (independentemente do quão insustentáveis são) é o equivalente a viver numa caverna.

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O QUE É UMA EARTHSHIP?

Earthships desafiam a suposição que:

  1.  É impossível construir a tua própria casa;
  2.  Habitações não podem ser completamente sustentáveis e parte da paisagem natural

Ao mesmo tempo, Earthships provam que sustentabilidade não tem que ser o equivalente a estilos de habitação maçante, enfadonha e simplista. Em vez, muitas Earthships são habitações lindas e espaçosos, com muito dos confortos que as pessoas esperam de um lar.

[/vc_column_text][vc_single_image image=”1509″ img_size=”590×393″ add_caption=”yes” alignment=”center” onclick=”custom_link” img_link_target=”_blank” link=”http://earthship.com/”][vc_column_text]

Earthships alegam ser casas 100% sustentáveis que incorporam uma variedade de diferentes características. Um dos príncipios principais da construção de Earthships é design solar passivo. Ao posicionar a casa virada a Sul (ou a Norte, no Hemisfério Sul) e construindo grandes janelas na fachada sul da casa, Earthships são capazes de gerar muito do calor necessário nos meses de Inverno através da captura de luz e calor solar.

Adicionalmente, as paredes das Earthships são feitas de materiais que podem ser considerados fontes de massa térmica, ou material que armazena calor ao longo do tempo. Originalmente, a maioria das Earthships eram feitas de pneus reciclados cheios de terra batida, e empilhados como tijolos. Quando um pneu está cheio de terra, este atinge cerca de 136kg de peso, fazendo as paredes de uma Earthships uma fonte de massa térmica extremamente robusta. Paredes de Earthship podem também ser construidas com adobe, super adobe ou cob.

As paredes interiores são normalmente feitas de materiais reciclados como latas de aluminio unidas com algum cimento. As latas podem então ser rebocadas com um material natural à base de argila para que, no interior, seja imperceptivel que estejas rodeado por nada mais que paredes de pneus. Earthships são desenhadas para recolher toda a água necessária do ambiente circundante, principalmente através de sistemas de captura de águas pluviais conectados ao telhado. Água da chuva  é filtrada antes de ser redireccionada para uma cisterna que fornece água para as necessidades domésticas.

Toda a água utilizada numa Earthship é, ou reutilizada, ou reciclada. As águas cinzentas de chuveiros e lavatórios é redireccionada para as sanitas onde é utilizada para o autoclismo. A água é depois feita passar por células botânicas onde esta é purificada com a ajuda de bactérias benéficas e um filtro de turfa. Esta água é depois usada mais uma vez para os autoclismos.

Outro aspeto característico das Earthships é que são construidas para serem 100% independentes energéticamente e off-grid. Geram toda a energia que necessita através da instalação de sistemas eólicos e solares ecológicos. Esta energia é armazenada em baterias que são guardadas no telhado.

Enquanto a maioria do calor das Earthships é gerado através de um design solar passivo e da capacidade de armazenamento dessa energia térmica em paredes de massa térmica enormes, calor adicional pode ser fornecido através de salamandras. Novos designs de Earthships têm vindo a ser construidas num estilo de “estufa dupla”, com dois painéis de vidro virados a Sul formando toda a fachada Sul da casa. Isto captura ainda mais calor e mantém a casa quentinha durante o Inverno.

Um sistema de arrefecimento natural que se fia em convecção é também utilizada nas Earthships. Tubagem é enterrada para reunir ar fresco antes de ser trazido para o interior da casa. Uma pequena janela é deixada aberta no topo da casa para permitir que uma corrente de ar fresco constante entre pela tubagem no chão enquanto o ar quente escapa pela janela em cima.

O EXEMPLO DE NOVO MÉXICO

Reynolds começou a construir o seu design inicial de Earthship em Novo México (EUA). Devido ao clima quente e abundância de sol, o design solar passivo da Earthship e as paredes de massa térmica adaptaram-se perfeitamente à condições locais. Desde 1970’s, quando Reynolds construiu o seu primeiro modelo “proto” Earthship, dezenas de Earthships têm vindo a ser construídas por indivíduos na região.

A Earthship Biotecture é a sede mundial do movimento Earthship. Localizado em Taos, Novo México, é uma espécie de museu vivo e escola para construção de Earthships e estilo de vida sustentável. Oferecem também uma Academia Earthship onde pessoas podem receber formação prática para se prepararem para a construção da sua própria Earthship.

Adicionalmente, a “Greater World Earthship Community” é um bairro inteiramente composto por Earthships. Os 256 hectares não têm ligação à rede ou a esgotos. Uma comunidade 100% off-grid, a Greater World Earthship Community mostra como as pessoas se podem juntar para viverem mais sustentávelmente.

EARTHSHIPS PARA UM FUTURO MAIS SUSTENTÁVEL

Earthships incorporam numerosos elementos de design sustentável para oferecer às pessoas os confortos de uma casa construída convencionalmente com a dependência em materiais insustentáveis e energia fóssil. Através da reciclagem de materiais da nossa civilização consumista, e através de design ecológico, Earthships oferecem uma das habitações alternativas mais sustentáveis.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]

Ollas: Potes de Barro para Irrigação de Jardins e Hortas

[vc_row][vc_column][vc_message css_animation=”rollIn”]Temos o prazer e a honra de ter autorização do Permaculture Research Institute para traduzir para PORTUGUÊS o conteúdo fantástico que eles disponibilizam no blog deles. Achamos o conteúdo deles valiosíssimo e achamos que mesmo quem não sabe Inglês MERECE ter acesso a esta informação. Espero que gostes.

Artigo original em inglês por Kevin Bayuk[/vc_message][vc_column_text]

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Um aldeão de Sri Lanka enche a sua olla Photo copyright © Craig Mackintosh

 

Cruzei-me inicialmente com este conceito de utilizar potes de barro não vitrificados para irrigação subterrânea na série de fime “O Jardineiro Global” de Bill Mollison. Mollison comenta que esta técnica pode ser. para parafrasear, “o sistema de irrigação mais eficiente do mundo.” Mais recentemente reparei com interesse que as belas gentes do Path to Freedom  estavam a utilizar estes potes de barro nalgumas das suas camas elevadas, o que me levou a questionar como poderia experimentar com ollas como um potencial sistema de irrigação subterrâneo. Aqui está o que descobri…..

ollaOllas (pronuncia-se “oias”) são potes de barro/argila/terracota não vitrificados, de gargalo estreito, que são entrerrados no solo com o gargalo exposto acima da superfície e cheios com água para irrigação das plantas abaixo da superfície. Esta tecnologia de irrigação é um método ancestral, estimando-se que tenha originado no Norte de África, e com provas de ter sido utilizado na China durante 4000 anos, e ainda é utilizado actualmente em vários países, nomeadamente India, Irão, Brazil (Bulten, 2006; Power, 1985; Yadav, 1974; Anon, 1978 and 1983) e Burkina Faso (Laker, 2000; AE Daka, 2001).

Ollas podem ser o método de irrigação da flora local em climas áridos mais eficiente que a Humanidade conhece devido às paredes microporosas (não-vitrificadas) que “não permitem que a água flua livremente do pote, mas guia a inflitração da água na direção onde existir o desenvolvimento de sucção. Quando enterrado até ao gargalo no solo, ollarootscheio de água, e com plantas adjacentes a este, o pote de barro surte efeito de irrigação subterrânea à medida que água exsude deste, resultante da força de sucção que atrai as moléculas de água às raizes das plantas. A sucção é criada pela tensão da humidade do solo e/ou pelas raízes das plantas em si.” (AE Daka – 2001.) As raízes crescem em torno dos potes e apenas “puxam” humidade à medida que esta é necessária, nunca desperdiçando uma única gota. “Ollas virtualmente eliminam o escoamento e evaporação comuns em sistemas de irrigação modernos, permitindo a planta absorver quase 100% da água.” (Conservação de Água da Cidade de Austin, 2006.)

Para usar ollas no jardim, horta ou quinta, enterra-se a olla no solo deixando o gargalo ligeiramente acima da superfície (idealmente o gargalo da olla é vitrificado para evitar perda de água por evaporação ou pode ser razoável aplicar uma alfombra (ou mulch) que cubra o gargalo da olla sem que entre dentro do pote). A olla é cheia de água e a abertura é tapada (com uma pedra, tampo de argila ou qualquer outro material disponivel para evitar mosquitos, intrusão do solo e evaporação.)

ollaneck_buried“Dependendo de factores tais como as necessidades hídricas das plantas, tipo de solo, estação do ano, e ambiente, ollas podem necessitar de ser cheias de água semanalmente, ou diariamente. Água geralmente demora entre 24 e 72 horas para fluir através da olla.”(Bulten, 2006) Água deve ser adicionada à olla sempre que a quantidade cair abaixo dos 50% para evitar o acumular de resíduos de sais minerais ao longo da superfície da olla que pode impedir a desejada infiltração.

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Olaria e Produção de bens de cerâmica é um arte artesanal ancestral e uma indústria “low-tech” doméstica que deve ver um renascimento. Photo copyright © Craig Mackintosh

 

Quando avaliada no contexto de um movimento para independência local, as vantagens das ollas parecem surpreendentes (a seguinte lista é fornecida pela investigação por AE Daka):

  1. Visto que potes de barro são [podem ser] fabricados por mulheres [e/ou homens] de áreas rurais, estes podem criar emprego e oportunidades para indústrias domésticas em pequena escala para manufactura destes em zonas rurais. Isto poderá geral rendimento rural e ajudar a assegurar fonte de alimento doméstico.
  2. Não são caros [quando localmente produzidos em zonas rurais].  Um pote de barro de 5L custa US $0.25.
  3. Irrigação por potes de barro permite um agricultor fazer sementeira in situ em vez de as transportar de um viveiro. Potes de barro são instalados diretamente onde as mudas serão plantadas e isto permite o agricultor semear a semente perto do pote de barro onde germinará e se estabelecerá.
  4. O sistema é adequado para vegetais assim como pomares hortícolas perenes ou culturas de plantação e áreas arborizadas [( é de notar que plantas com crescimento de raízes perenes lenhosas podem e provavelmente irão quebrar as ollas, mas estas podem ser utilizadas para estabelecimento de sistemas perenes)].
  5. Poupança de água de 50-70% são conseguidas, particularmente para culturas hortículas. Perda de água devido a filtração para lá da área das raízes é reduzida, se não evitada de todo.
  6. Humidade no solo está sempre disponível na capacidade do campo dando às culturas total segurança perante stress por falta de água.
  7. O sistema inerentemente evita excesso de irrigação.
  8. As imensamente menores quantidades de água e frequência de regas necessárias reduzem tremendamente o trabalho necessário para irrigação.
  9. Muito menos trabalho é necessário na monda de ervas daninhas, visto estas não prosperarem, pois a superficie do solo permanece seca durante a estação de cultivo.
  10.  Efluentes de águas domésticas [águas cinzentas] das cozinhas podem ser facilmente recicladas e utlilzadas na irrigação por potes de barro em quintais. A água utilizada para limpar utensílios na cozinha pode ser usada para re-encher os potes num quintal, pequena horta ou jardim. Poupa-se assim em água quando esta escasseia e reduz a necessidade de utilizar água doce.
  11. Poupa na quantidade de fertilizantes a aplicar [alguns estudos sugerem uma redução de até 50%] por unidade de área de terreno se o fertilizante for aplicado nos potes de barro e é depois absorvido como solúvel via movimento da água para as plantas.
  12. O solo sob o sistema de potes de barro não compacta pelo impacto da água mas permanece solto e bem arejado.
  13. As ollas podem ser instaladas em solo ondulante e acidentado.

[/vc_column_text][vc_column_text]Algumas das desvantagens das ollas incluem a probabilidade de se quebrarem no inverno se deixadas no subsolo em áreas onde haja risco de congelamento de inverno – “a nossa pesquisa revelou danos em algumas ollas (em centenas) quando deixadas enterradas no solo durante o Inverno.” Bulten, 2006. Claro, para hortas em climas temperados, extrair as ollas do solo pode ser considerado manutenção padrão da horta. Uso prolongado provavelmente reduzirá a porosidade, alguns solos pesados (muito argilosos) podem ser inapropriados para situar ollas e a longevidade das ollas (sem geadas ou gelo) é desconhecida mas estimada num estudo de ser 5 anos ou mais. Além disso, apesar das alegadas eficiências, e o longo historial de uso e simples requerimentos de produção (mais abaixo), ollas são dificeis de encontrar localmente, e podem ser, especialmente no opulento mundo “hiper-regularizado”, proibitivamente caros de trazer. Finalmente, parece existir investigação contraditória e insuficiente no que diz respeito à melhor forma, volume e materiais para ollas.

 

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Potes de barro, como estes em Sri Lanka, podem também ser utilizados como refrigeradores de água em climas áridos. Vê “Um Refrigerador que Funciona Sem Eletricidade” para ver como funciona. Photo copyright © Craig Mackintosh

 

ollas_shapeO consenso da investigação existente é que o tamanho e forma ideal para a olla está dependente das plantas a ser irrigadas. Não existem estudos existentes nas consequências de utilizar ollas numa policultura densa. Deve-se “corresponder a porosidade, tamanho e forma da olla às necessidades hídricas das plantas, dimensão e distribuição das raízes.” (Conservação de Água da Cidade de Austin, 2006.) “Como guia geral, ollas mais pequenas são boas para jardins de vaso. As ollas maiores são melhores para vasos grandes ou para aplicações exteriores no solo.” (Bulten, 2006.) Intuitivamente, um recipiente mais afunilado, de fundo achatado, e gargalo estreito (para reduzir evaporação e contaminação) devem ser mais eficiente devido a uma maior área de superfície e teoricamente um aumento da alastração de água, permitindo um menor número de ollas a ser utilizadas para irrigar suficientemente uma maior área. Capacidades de 5L a 12L têm sido relatados, com volumes de 10-12L a ser utilizados para irrigar culturas de videiras (tomates, cucurbitáceas, vinhas, etc.). Mais investigação empírica será benéfico para a comunidade global.

Similarmente, estudos existentes não são claros no espaçamento ideal das plantas em redor das ollas. Claramente, espaçamento será dependente na forma e dimensão das ollas, isso não surpreende. Baseado em pesquisa existente as seguintes tabelas podem ser criadas para descrever o potencial espaçamento das ollas baseado numa estimativa geral da alastração da água.

calculos ollasAdicionalmente, John Bulten proporciona as seguintes notas e diagrama:

“Semear ou plantar mudas dentro de 5 – 13 centímetros de raio baseado no tamanho da olla.”

diagrama ollasNum outro estudo, “potes de barro com capacidade de 5 litros cada e fabricados por mulheres rurais foram instalados a intervalos de 0.5 m nos terrenos de estudo enterrando-os até ao gargalo nas camas de sementeira.” (AE Daka – 2001.)

ollagardenParecem existir abordagens semelhantes, mas distintas, no fabrico de ollas, maioritariamente definidas pela disponibilidade local de matéria-prima e tecnologia. Incluí descrições palavra-a-palavra da produção de ollas com o intuito de reunir um conjunto solto de guias para informar artesãos locais a inventar uma abordagem apropriada para a área da Baía de S.Francisco (ou onde quer que a manufactura de ollas esteja a ser tentada):

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Ollas em Sri Lanka
Photo copyright © Craig Mackintosh

“Maria criou os seus muito apreciados potes negros usando o fundo de um velho prato (puki)…. começando por bater uma peça de argila numa tortilla no puki, Maria depois rola um pedaço de barro entre as palmas das suas mãos, criando uma longa corda de barro de grossura uniforme. Beliscando e apertando este rolo na tortilla enquanto vira o seu puki com a outra mão, Maria forma a base da olla. Camadas sucessivas de rolos foram adicionados até o recipiente estar completo.”(Hoxie)

“Para fazer as urnas, o ministério criou moldes de gesso a partir de abóboras e cabaças de diversos tamanhos. Trabalhadores despejam argila líquida dentro dos moldes para formar as urnas e cozem-nas no forno para solidificar o barro. As urnas são vendidas por 12$ a 15$ dependendo do tamanho.” (Conservação de Água da Cidade de Austin, 2006)

“Os potes de cerâmica são feitos de uma mistura de argila e areia na proporção de 4 para 1 e com uma porosidade efetiva entre os 10-15%. Os potes de barro são feitos por mulheres do campo usando as suas mãos para os moldar em formas diferentes, ex: cilídrico/arredondado com um fundo algo achatado. Depois de feitos, vitrificação não é efectuada para manter a sua porosidade natural – as paredes permanecem micro-porosas. Os potes são depois temperados cozendo-os numa fogueira escavada a uma temperatura indeterminada. Manufacturas de cerâmica a pequena escala usam fornos para cozer os ditos potes de cerâmica a 1200ºC. Isto é feito de forma a eliminar as propriedades de expansão e contração da argila, que poderia causar rachas nos potes. As mulheres acreditam que o tipo de argila usada para fabricar os potes é muito importante e requer uma mulher mais velha e experiente para identificar argila que não rache indevidamente durante o processo de cozedura e de facto quando instalado nas condições do campo.” (AE Daka – 2001)

ollaberries“Se potes apropriados não estiverem disponíveis, podem ser facilmente feitos à mão ou numa roda de oleiro. Dependendo da argila, areia, cascas de arroz, ou serradura pode ser adicionada numa proporção de 1:4 para aumentar a porosidade dos potes. Apesar de cozeduras a forno fechado excedendo os 450ºC é ideal, potes podem ser cozidos em fogueiras ao ar livre a temperaturas de 200-300ºC. Abertura: gargalo estreito (reduzir tamanho da abertura para reduzir evaporação e contaminação) (Barak, 2006).

Composição: Argila porosa não vitrificada – podes usar uma argila rude, que possui uma mistura de particulas de maiores dimensões e não é pura, que resultará em maiores poros durante o processo de cozedura. Ou podes misturar 20% areia com 20% argila de qualidade (a melhor opção) ou a mesma percentagem de cascas de arroz ou serradura. O processo de cozedura irá, claro, queimar o enchimento deixando poros uniformes e um pote de alta qualidade. (Barak, 2006)

Os potes que eu uso são de argila de pouca qualidade com uma temperatura de cozedura baixa, e portanto mais vulneráveis a quebrarem e/ou tendo poros que transmitem água muito rapidamente. Pelo melhor que consigo ver, eles usam argila vermelha rude com impurezas de areia e alguma palha misturada (provavelmente menos de 20%) e são cozidos provavelmente a cerca de 427ºC, que é a média da temperatura atingível em fornos de fogueira ao ar livre.” (Barak, 2006)

Este video mostra uma técnica de roda de oleiro:

Este video mostra uma técnica diferente:

Alguns Links e Referências:

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POLICULTURA POLINIZADORA – para POMARES, QUINTAS, QUINTAIS e JARDINS.

Temos o prazer e a honra de ter autorização do Permaculture Research Institute para traduzir para PORTUGUÊS o conteúdo fantástico que eles disponibilizam no blog deles. Achamos o conteúdo deles valiosíssimo e achamos que mesmo quem não sabe Inglês MERECE ter acesso a esta informação. Espero que gostes.


Artigo original em inglês por Paul Alfrey

Paul Alfrey do Projeto de Ecologia Balcã apresenta uma policultura para fornecer apoio de polinização para quintas e jardins, que rende fruta e nozes nutritivas, espaços de nidificação para abelhas nativas em risco, e exibições espetaculares de flores para alegrar depois do Inverno.

Estamos a estender o nosso Projeto de Policultura para incluir policulturas perenes experimentais. O nosso golo é desenvolver modelos que sejam de baixo custo a estabelecer e manter, possam produzir comida saudável, nutritiva, e acessível, e que aumentará a biodiversidade.

Esta Primavera vamos incluir a Policultura Primaveril Polinizadora como apresentada aqui.

Como o nome sugere, o objetivo primário da Policultura Primaveril Polinizadora é fornecer, no inicio da estação, uma fonte de pólen/néctar para uma vasta variedade de insectos polinizadores. A maioria das plantas nesta policultura florescem quando ainda existem poucas outras fontes de nectar/pólen disponíveis.

Isto encoraja os insectos polinizadores para dentro e em redor das nossas hortas e jardins para cumprirem o seu papel vital quando o cultivo (em particular as árvores de fruto) começarem a dar flor no início da Primavera.

A policultura também fornece uma fonte de produção no seu próprio direito, e com a escolha correta de espécies e cuidados, deve render grandes quantidades de fruta e nozes, assim como habitat para uma vasta gama de vida selvagem e polinizadores.

[…]

Policultura Polinizadora desenvolvido por Balkep (Projeto de Ecologia Balcã)

PERIODO DE FLORAÇÃO

Todas as espécies incluidas na policultura, com exceção do Trifolium Repens – Trevo Branco, florescem durante os meses de Janeiro-Março e fornecem forragem valiosa de néctar e pólen para abelhas e outros agentes polinizadores durante esta época.

Espécies em consorciação na Policulura Polinizadora, em Flor

 

CONSIDERAÇÕES NO DESIGN

 

1. Objetivos do Design 

 Assim como apoio na polinização, habitat selvagem e produção alimentar, os objetivos de design incluí:

Que a policultura seja funcional em lugares marginais, por ex: áreas sombrias, solos de baixa fertilidade, áreas expostas ao vento. A Policultura Primaveril Polinizadora é primáriamente uma policultura de suporte ao fornecer as culturas principais com apoio na polinização, por isso podemos não querer localizá-la na terra mais produtiva.

Que a policultura necessite de investimentos financeiros e de tempo relativamente baixos. Uma vez estabelecida, a policultura deve exigir pouca ou nenhuma necessidade de fertilização exterior e aproximadamente 5-7 horas de manutenção por ano no final do Outono (não inclui colheita). Manutenção e gestão desta policultura é discutida mais abaixo.

Que a policultura possa ser usada a uma escala pequena ou grande. O design apresentado acima represente uma unidade e pode funcionar bem sozinha em qualquer jardim. Múltiplas unidades desta policultura podem também ser usadas em pomares e quintas para fornecer uma melhor polinização das culturas. (ver opções de disposição abaixo)

 

2. Luz e Orientação 

Todas as plantas incluidas toleram alguma sombra ou utilizam luz quando outras plantas não a necessitam tanto. A policultura pode, por isso, ser posicionada em áreas marginais com níveis de luminosidade mais baixa enquanto ainda servindo um propósito. No entanto, se quiseres obter atração de polinizadores máxima e uma produção mais elevada de fruta e nozes, escolhe um local com pelo menos 6-8 horas por dia e com uma orientação Este-Oeste.

3. Água

Irrigação ideal é chave para plantas produtivas e saudáveis. Esta policultura não é adequada a terras semi-pantanosas e áreas com um lençol freático alto (ou muito superficial) e não vai prosperar em áreas muito secas sem acesso a irrigação.

Em climas secos, irrigação será essencial, mas escolher o posicionamento da policultura para maximizar a absorção de água da chuva vai ajudar consideravelmente e pode ser conseguido plantando em curva de nível na topografia do terreno e aplicando terraplanagem simples para reter a água da chuva perto das raízes das plantas.

Todas as espécies são relativamente tolerantes a seca mas as árvores de fruto não terão uma produção alta sem irrigação apropriada.

4. Acesso

Acesso dentro da policultura é necessário para podar, mondar e a colheita. Dois caminhos de 50 cm de largura a atravessar a guilda e paralelos um ao outro pode dar acesso necessário. A periferia da policultura deve também ser acessível do exterior.

5. Habitat de Polinizadores

Abelhas nativas são extremamente importantes e são uma das espécies mais ameaçadas de extinção nos nossos ecossistemas. Incluir habitat para as abelhas viverem, assim como fornecer forragem de qualidade é essencial. Apropriadamente, esta policultura inclui habitat de nidificação para abelhas, mas ter outros habitats semelhantes em redor de um local é recomendado.

6. Seleção de Espécies

A nossa seleção de variedades tem em consideração o seguinte:

  • Compatibilidade climática com o local
  • Tolerância a seca
  • Tolerância a sombra
  • Fonte temporã de nectar/pólen
  • Outros benefícios à vida selvagem e produção para humanos
  • Períodos de floração que não tenham uma sobreposição significante com as culturas no local.
  • Espécies de arbustos que respondam bem a cortes e podas regulares.
7. Proximidade com culturas

Abelhas recolectam onde existir alimento de alta qualidade e viagens mais curtas são mais seguras e mais energéticamente eficientes para todas as abelhas. Estudos mostram que abelha meleira – Apis spp. fazem viagens de recoleção muitos quilómetros de distância das suas colmeias. Zangões – Bombus spp. e outras espécies de abelha mais solitária tipicamente ficarão a distâncias mais curtas, de acordo com alguns relatórios, entre os 100-800m.

Abelhas e Polinizadores (foto de Peter Alfrey)

 

Visto que há pouco consenso dentro dos estudos feitos ao comportamento recoletor dos polinizadores, é dificil dizer a que distância das culturas e com que densidade esta policultura deve ser colocada para atingir os melhores resultados de polinização.

Como guia presumível, em áreas que carecem de habitat e alimento apropriado, estabelece um raio de 100-300m e em áreas onde já existem boas condições de alimento cedo na estação e habitação para polinizadores, estabelece um raio benéfico de 500-1000m.

Nunca se pode ter demasiado alimento para polinizadores no início da Primavera, mas é possível ter alimento a menos. Prioridades como orçamento e tempo, e as variedades das culturas a ser semeadas são outros factores que irão guiar as tomadas de decisão relativamente a quantidade e a densidade.

É de salientar que plantas competem pela atenção dos polinizadores e por esta razão o período de floração das plantas na policultura não devem sobrepor-se significativamente com a floração das culturas.

 

LOCALIZAÇÃO/PLANO

A unidade de policultura apresentada acima funciona bem sozinha em qualquer jardim. Unidades múltiplas desta policultura podem ser usadas em pomares e quintas para providenciar melhor polinização para as culturas. Abaixo encontra-se 3 sugestões de planos de disposição para uma aplicação ampla desta policultura: em canteiros, ilhas ou corredores.

1. Disposição em Canteiros

A policultura pode ser plantada no interior de uma vedação ou ao longo de um caminho de forma a “abraçar” o pomar, quinta, etc, na sua totalidade, ou para delimitar subdivisões no terreno. Sendo composto por plantas tolerantes a sombra, a policultura irá, até certo ponto, funcionar independentemente da orientação. Cada unidade como ilustrada acima pode ser repetidada para criar uma borda ou fronteira.

Canteiro Marginal

2. Disposição em Ilha

A disposição em ilha espalham as unidades pelo terreno. Para terrenos já desenhados/estabelecidos as ilhas podem ser colocadas nos locais de acesso mais difícil como cantos, áreas de pouca luminosidade ou de valor marginal, ou na periferia de culturas que mais beneficiariam da melhoria da polinização.

Disposição em Ilhas

3.  Disposição em Corredor

A disposição em corredor implica a plantação das policulturas em sistemas de pomar linear ou corredor em intervalos entre as principais plantações e culturas. Por exemplo, um pomar de macieiras ou pereiras pode ter, a cada 10 linhas, uma composta por estas unidades de polinização precoce.

Disposição em Corredores

Vamos dar uma olhadela mais próxima às espécies envolvidas, e à manutenção e gerência necessárias para esta policultura.

[fancy_box id=6]NOTA: Ao ler alguns aspetos deste artigo, há que ter em conta que não foi escrito para Portugal. A informação aqui retida é traduzida por nós para português de autores estrangeiros que, ao escrever e desenvolver estes modelos, tiveram em conta as espécies e clima da sua própria região, pelo que te pedimos que consultes esta informação útil mas que consideres que pode ser necessário ajustar alguns componentes desta policultura à tua região.

Para facilitar a transição de conteúdo de permacultura não só em português, mas ajustada às necessidades e possibilidades de Portugal, foi feita a tradução nos nomes das espécies para os nomes comuns em português – no entanto, é sempre importante confirmar a espécie utilizando o nome científico – que mantivemos para referência.[/fancy_box]

OS COMPONENTES DA POLICULTURA

Eu dividi a policultura em 5 componentes baseados no propósito que cada componente serve.

1. Árvores e Arbustos de Fruto
2. Cobertura de Solo
3. Flores de Bolbo de Primavera
4. Plantas de fertilidade
5. Habitat para Polinizadores

 

1. ÁRVORES E ARBUSTOS DE FRUTO – OS COMPONENTES DA POLICULTURA

Esta componente de árvores e arbustos de fruto incluem Cornus mas e Corylus Avellana para a copa superior, e Chaenomeles speciosa e Mahonia japonica na camada da copa inferior/arbustos e são as principais unidades de produção na guilda. Com uma boa seleção de cultivares estas plantas podem fornecer rendimentos de excelentes frutas e nozes.

CORNUS MAS – CORNISO

Sobre a Espécie – Cornus mas é uma das minhas plantas favoritas. O zumbir das abelhas sob os Cornisos num dia de sol no final do Inverno é apenas uma das razões porque adoro esta espécie. É uma árvore de médio porte, resistente ao frio e uma excelente melífera, produzindo uma magnanimidade de flores ricas em néctar de Fev-Março. A árvore auto-poliniza-se e as flores transformam-se em lindas frutas tipo uva no final do Verão, deliciosas quando bem maduras.

Cornus Mas durante as 4 estações no projeto de Paul

Usos: Fruta excelente quando madura e muito boa para fazer xaropes e cordiais. Análise nutricional indica que os sumos de corniso são ricos em vários em vários sais minerais e pode ser considerado um valioso suplemento mineral nas dietas das pessoas. Existem alguns cultivares disponíveis com fruta maior e mais doce.

As sementes podem ser tostadas, pulverizadas e usadas como um substituto de café e uma pequena quantidade de óleo comestível pode ser extraído da semente. Uma tinta é conseguida através da casca e as folhas são uma boa fonte de taninos. A madeira é muito dura, e é muito valorizada pelo seu uso no fabrico de ferramentas, peças de maquinaria, etc. Nós usamos os galhos para alimentar coelhos e cabras todo o ano.

Biodiversidade – Uma das árvores de floração mais precoce, atraíndo um vasto leque de invertebrados polinizadores de Fevereiro-Março. […]

Para mais info sobre esta planta [em inglês] Cornelian Cherry plant profile ou aqui em português.

 

CORYLUS AVELLANA – AVELEIRA

Sobre a Espécie– Um arbusto de folha caduco e crescimento rápido, com folhas arredondadas, produzem umas flores macho amarelas no início da Primavera, seguidos de nozes deliciosas no Outono. Tipicamente atingem 3-8 metros de altura mas podem atingir 15 metros de altura.

Aveleira – Corylus Avellana

Usos: Tem uma das melhores nozes de clima temperado, comidas cruas ou tostadas. A madeira da aveleira também é frequentemente utilizada. É uma madeira macia, fácil de trabalhar mas não muito duradoura, pelo que é utilizada maioritariamente na produção em pequenas partes de mobiliário, cestaria, vimes, etc. A árvore é muito adequada ao copeamento (inglês» coppicing). Os galhos mais verdejantes podem ser usados para alimentar coelhos e cabras todo o ano. As nozes também contém 65% de um óleo que não seca que pode ser usado em tintas, cosmética, etc. As sementes moídas em farinha são usadas como ingrediente em máscaras faciais de cosmética.

[fancy_box id=6] NOTA:Copeamento pode não ser o termo técnico correto para o termo inglês de coppicing. À medida que vamos encontrando termos técnicos de permacultura com traduções obscuras em português, deixamos disponível a melhor tradução possível presentemente, que verá melhorias à medida que encontramos os termos técnicos correctos.

O que é COPPICING ou POLLARDING? Consistem em técnicas de podar árvores que permite a colheita contínua de madeira das mesmas árvores enquanto a mantemos saudáveis, durante séculos ( no Reino Unido existem florestas de aveleiras centenárias graças à aplicação destas técnicas de poda já nos tempos medievais). Estas árvores produzem uma fonte de madeira durante muitas gerações enquanto melhora o estado do habitat da vida selvagem e das espécies de plantas nativas.

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Biodiversidade – As flores macho da aveleira carregadas de pólen podem aparecer para os polinizadores tão cedo como finais de Janeiro a meados de Março. As folhas da aveleira são fonte de alimento para lagartas de muitas espécies de borboletas e traças. As avelãs servem também de alimento para os roedores antes do período de hibernação, e na primavera as folhas alimentam as lagartas que por sua vez também são alimento para os roedores. As avelãs podem também servir de alimento para pica-paus, trepadeiras, chapins, pombos-torcaz, gaios, e uma variedade de pequenos mamíferos.

Para mais sobre esta planta (em inglês) vê este Perfil da Aveleira, ou aqui para referências em português.

 

CHAENOMELES SPECIOSA – CIDÓNIA OU MARMELO JAPONÊS

Sobre a Espécie – Um arbusto espinhoso, de folha caduca ou semi-caduca nativa da Ásia Oriental, atinge uma altura de cerca de 2 metros, e é variável na sua forma. As plantas estabelecem uma coroa muito densa de ramos embrulhados que são algo espinhosos. As flores aparecem antes da folhagem e são normalmente vermelhas, mas também existem em branco e cor derosa. O fruto é fragrante e é parecido com uma pequena maçã, com algumas variedades contendo um fruto mais parecido com uma pêra. As folhas não mudam de cor no Outono.

Chaenomeles speciosa – Marmelo Japonês

 

Usos – Os frutos não são muito bons para comer, e como o marmelo, são muito rijos, mas após uma temporada de frio eu reparei que o marmelo japonês amolece o suficiente para espremer como um limão, e o seu sumo, sendo muito ácido, é um bom substituto ao sumo de limão na cozinha. Outro benefício deste fruto é que possuem um aroma delicioso e algo viciante que permanece durante dias, semelhante ao aroma a ananás, limão e baunilha. Deixamos os frutos no carro ou numa sala como um ambientador natural.

Biodiversidade – As flores são atractivas a uma variedade de invertebrados que buscam néctar e pólen entre Março e Abril, por vezes até em Fevereiro. Com podas regulares os arbustos tornam-se densos e providenciam um habitat de nidificação para aves como a carriça – Troglodytes troglodytes, a felosa-comum – Phylloscopus collybita e o pisco-de-peito-ruivo – Erithacus rubecula. As dietas destas aves incluem algumas pestes que atacam certas culturas vegetais e podem agir como um controlador de pragas.

Para mais informação sobre Chaeonomeles spp. vê este artigo (em inglês) aqui, ou aqui para referências em português.

MAHONIA AQUIFOLIUM – UVA-DE-OREGON OU MAÓNIA

Sobre a Espécie – Um pequeno arbusto fantástico, tolerante a sombra e de folha persistente que cresce a 1 metro de altura por 1.5m de largura. Lida com uma grande variedade de solos e prospera em áreas ensombradas onde outras plantas sucumbiriam. É resistente a secas de verão e tolera vento. A planta produz cachos de flores amarelas no início da Primavera, seguidas de bagas negro-azuladas. Uma vez que a planta está estabelecida é muito vigorosa e produz muitos rebentos laterais da sua base.

Mahonia aquifolium – Uva-de-Oregon

Usos – As pequenas bagas escuras podem ser utilizadas para doces, jeleias e sumos que podem ser fermentados para fazer vinho. A casca interna dos ramos e raízes maiores da Uva-de-Oregon produzem uma tinta amarela; as bagas produzem uma tinta roxa. As folhas persistentes semelhantes ao azevinho são por vezes usadas por floristas como uma linda adição aos bouquets. É um excelente arbusto de sob-copa para áreas de muita sombra.

Biodiversidade – Uma fonte precoce excelente de néctar para abelhas. O néctar e pólen podem ser aproveitados por  toutinegra ou papuxas, chapins e pardais. As bagas são comidas por melros e tordoveias. É um bom alimento para lagartas.

Para mais sobre esta planta (em inglês) vê o perfil da Mahonia ou clica aqui e aqui para referências em português.

ÁRVORES E ARBUSTOS DE FRUTO – MANUTENÇÃO DE UNIDADES

A tabela abaixo indica a quantidade de árvores e arbustos por unidade e alguma informação sobre como estabelecer e manter esta componente da policultura.

 

1. Os Componentes da Policultura – Árvores e Arbustos de Fruto

 

2. COBERTURA DE SOLO – OS COMPONENTES DA POLICULTURA

As plantas de cobertura de solo inlcuem Primula Vulgaris – prímulas ou primaveras e Bellis Perennis – margaridas, ambas herbáceas perenes com hábitos de crescimento e propagação baixos que, ao longo do tempo devem formar áreas de cobertura sob e em redor das árvores e arbustos. Uma boa cobertura de solo irá prevenir plantas indesejadas de invadirem o espaço e protege o solo da erosão.

 

PRIMULA VULGARIS – PRÍMULAS OU PRIMAVERAS

Sobre a Espécie – Uma herbácea perene, amante de clareiras e margens húmidas e frescas, e prospera no chão de bosques “copeados” onde podem formar um tapete incrivelmente atraente. Esta espécie prefere solos húmidos, com muita sombra no verão. Quanto mais quente e seco o clima, mais sombra será necessária. A seca de verão não é problemático desde que tenham acesso a bastante humidade no Outono e no ínicio do ano.

Primula vulgaris – Primaveras sob os cornisos no projeto de Ecologia Balkan

Usos: Tanto as flores como as folhas são comestíveis, com o sabor a abranger entre uma alface leve e verduras para salada mais amargas. As folhas também podem ser usadas para chá, e as flores jovens podem ser usadas para fazer vinho de primaveras.

Biodiversidade – Primaveras são uma das primeiras flores da estação primaveril. Podem ser encontradas a florescer em nichos mornos e abrigados tão cedo como meados de Janeiro, apesar da maioria florescer de Março a Maio. Por florescerem tão cedo na estação, sáo uma fonte vital de néctar numa altura quando existem poucas outras flores disponíveis para alimentar os polinizadores como a borboleta Gonepteryx rhamni que hibernam durante o Inverno e emergem nos dias invernais mais amenos.

Para mais sobre este planta (em inglês) vê o perfil da Primula Vulgaris ou clica aqui e aqui para referências em português.

BELLIS PERENNIS – MARGARIDAS

Sobre a Espécie – Uma pequena herbácea perene, abundante e rasteira com flores brancas e centros amarelos e tom rosáceo, que aparece durante a maior parte do ano, com exceção de climas de geadas e congelamento. A planta normalmente coloniza prados rasteiros, clareiras e relvados.

Bellis Perennis – Margaridas a crescer no nosso relvado

Usos: Pode ser usada como uma erva culinária e as folhas jovens podem ser ingeridas cruas em saladas ou cozinhadas, tendo em consideração que as folhas são mais adstringentes quanto mais velhas forem. Os botões e pétalas podem ser comidas cruas em sandes, sopas e saladas. Também são usadas em chás e como um suplemento vitamínico. Medicinalmente, a planta é conhecida pelas suas propriedades curativas e pode ser usada em pequenas feridas, chagas e arranhões para acelerar o processo de cura. O hábito de propagação desta planta faz dela uma boa opção para cobertura de solo.

Biodiversidade – Uma adição valiosa a pastos geridos pela sua variedade de flores silvestres e vida selvagem, chamando a atenção dos polinizadores quando poucas outras fontes de pólen e néctar se enconrtam disponíveis.

Para mais sobre esta planta (em inglês) vê o Perfil da Bellis perennis ou clica aqui para referências em português.

COBERTURA DE SOLO – MANUTENÇÃO DE UNIDADES

A tabela abaixo indica a quantidade de cobertura de solo por unidade e alguma informação sobre como estabelecer e manter estes componentes da policultura.

 

2.Componentes da Policultura – Cobertura de Solo. Esquema de plantação: intercalar as espécies entre as árvores e arbustos.

 

3. FLORES DE BOLBO (DE INÍCIO DE PRIMAVERA) – COMPONENTES DA POLICULTURA

Estas flores de bolbos precoces florescem em Janeiro – Fevereiro, tirando partido da luz que jorra através da copa nua das árvores e arbustos de folha caduca. Estas plantas oferecem recompensas de néctar e pólen aos polinizadores que se aventurem dos dias mais amenos do final do Inverno.

Os bolbos também servem para reter nutrientes na rizosfera, os primeiros 10-20cm de solo de onde a maior parte das plantas se alimenta e onde existe a maior parte da actividade microbiológica do solo. Fazem-no absorvendo nutrientes que de outra forma teriam sido levados por lixiviação do solo pelas chuvas de Inverno e o derreter das neves, e fixando esses nutrientes nas suas folhas e flores.

Quando a planta murcha e se decompõe na Primavera, mesmo quando as outras plantas estão a acordar da dormência do Inverno, o tecido é assimilado de volta para a rizosfera, para eventualmente se tornar de novo disponível para outras plantas.

Podes considerar estas plantas uma reserva de nutrientes, prevenindo minerais de serem removidos do solo e guardando-os para a posteridade, quando são necessários. Seleccionámos 3 plantas nativas regularmente encontradas nos bosques e orlas na nossa área.

[fancy_box id=5]Nota do tradutor: Apesar destas espécies serem nativas da Europa, não são necessariamente nativas de Portugal. As flores de bolbo foram um desafio particular durante a tradução, porque, com exceção da Scila Alpina, não encontrei nomes comuns em português para as restantes espécies de bolbo, pelo que presumo que não sejam comuns em Portugal.

Substituições destas espécies para flores de bolbos mais comuns ou até autóctones de Portugal como a Iris subbiflora, Iris xiphium xiphium (Maios) e Urginea marítima (Cebola-albarrã) pode ser a melhor alternativa para adaptar este modelo de policultura em Portugal. Em Portugal, os bolbos de Primavera mais populares são as Túlipas, os Narcisos, os Jacintos, os Crocus, os Alliums. Também os Amarílis e os Íris.

Aqui tens o catálogo geral das Sementes de Portugal, onde encontras uma lista de espécies de bolbo autóctones disponíveis e fáceis de adquirir.[/fancy_box]

 

SCILLA BIFOLIA – CILA ALPINA

Sobre a Espécie – Uma herbácea perene que brota de um bolbo no subsolo. Nativa da Europa e Rússia Ocidental, e daí a sul desde a Turquia à Síria. A planta é encontrada em áreas sombrias, bosques de faia ou de árvores caducas, e pradarias de montanha.

Scilla bifolia – Scila Alpina a creser por entre a manta de folhas mortas de um bosque

 

Usos: Não consegui encontrar muita informação referente a esta minúscula beleza. Cresce por todas as áreas florestadas na nossa região e herdámos pequenos aglomerados no nosso jardim, talvez cultivados das variedades silvestres pelos donos anteriores. Encontrei um relatório dizendo que a ingestão pode causar severo desconforto, portanto duvido que saibam tão bem como aparentam 🙂

Biodiversidade – Boa fonte de néctar para polinizadores quando poucas outras plantas estão em flor.

Para mais sobre esta planta (em inglês) vê o perfil da Scilla bifolia 

GALANTHUS GRACILIS

Sobre a Espécie – Bolbos que florescem no inicio da Primavera, por vezes até emergindo sobre o manto de nave no final no Inverno, fornece uma muito bem-vinda fonte de alimento para abelhas e outros polinizadores. É popular como uma flor ornamental, são frequentemente colocadas em jardins e parques, mas são também uma excelente escolha para o chão de um bosque.

Galanthus gracilis no jardim

Usos: Esta planta tem propriedades inseticidas e podem ser usadas no controlo de pragas das ordens Coleoptera (besouros), Lepidoptera (borboletas e traças) and Hemiptera (que inlcui pulgões, afídios, percevejos e cigarras). Esta espécie contém um alcalóide, galantamina, (também presente em narcisos, como podes ver na pág.23 deste documento) substância aprovada para uso de gestão de Alzheimer em vários países. A planta e o bolbo são tóxicos para humanos e não devem ser consumidos.

Biodiversidade: Galanthus Gracilis são polinizadas por abelhas durante os meses de Fevereiro e Março. As minúsculas sementes brancas produzem substâncias que atraem formigas. Estes insectos coleccionam e transportam as sementes através dos seus túneis subterrâneos.

Para mais sobre esta planta (em inglês)  Perfil de Galanthus gracilis

 

CORYDALIS BULBOSA – (CORYDALIS CAVA)

Sobre a Espécie – Uma planta de bolbo perene subtil mas incrivelmente bela, que floresce a partir de Fevereiro. Uma planta efémera primaveril com folhagem que surge na Primavera e murcha até às suas raízes tuberosas no Verão. A planta espalha-se eforma um lindo tapete branco a roxo.

Corydalis bulbosa a atravessar a manta morta da Floresta

Usos: Uma boa escolha para margens, estratos mais baixos do jardim ou um jardim silvestre. É uma planta utilizada como analgésico na Medicina Chinesa à mais de 1000 anos. A raíz é utilizada internamente como um sedativo para insónia e como estimulante e analgésico, especialmente para dores menstruais fortes ou traumatismos. Deve ser exercido cuidado quando usada esta planta para fins medicinais, pois já foi reportada como tóxica.

Biodiversidade – Uma fonte segura e precoce de alimento para abelhas. Corydalis spp. são também fontes de alimento para algumas espécies de borboleta, especialmente a Parnassius mnemosyne

Para mais sobre esta planta (em inglês): Perfil da Corydalis bulbosa ou aqui para sinonímias em português desta espécie

FLORES DE BOLBO PRIMAVERIS – MANUTENÇÃO DE UNIDADES

A tabela abaixo indica a quantidade de bolbos primaveris por unidade e alguma informação sobre como estabelecer e manter este componente da policultura.

 

 

3. Componentes da Policultura – Flores de Bolbo

 

4. PLANTAS DE FERTILIDADE – COMPONENTES DA POLICULTURA

As plantas para fertilidade incluem duas espécies fixadoras de azoto muito diferentes. A primeira é Alnus Cornata (Amieiro de Nápoles), uma árvore que pode atingir os 25m de altura mas que deve ser mantida como um pequeno arbusto dentro desta policultura. Podada a cada Outono, a biomassa pode ser deixada na base de árvores de fruto vizinhas. A segunda planta, Trifolium Repens (Trevo Branco) é uma herbácea perene rastejante que pode ser semeada nos caminhos, cortada anualmente e aplicada como alfombra na base das árvores de fruto.

Para mais sobre plantas fixadoras de azoto e como funcionam (em inglês) consulta este artigo.

ALNUS CORDATA – AMIEIRO DE NÁPOLES

Sobre a Espécie – Uma árvore de médio porte que pode atingir alturas de 25 metros. É de folha caduca, mas com uma longa época de folhagem, de Abril a Dezembro. Como outros membros do género Alnus, consegue captar azoto do ar. Prospera em solos muito mais secos que a maioria dos outros amieiros, e cresce rapidamente mesmo sob circunstâncias desfavoráveis, o que torna o Amieiro de Nápoles extremamente valioso em paisagismo em solos pobres e severamente compactados.

Usos: A árvore é por vezes utilizada para propósitos ornamentais em grandes jardins e parques pela sua aparência majestosa e crescimento rápido, ou em alamedas, devido à sua capacidade de estabelecimento rápido em condições de exposição, o facto de ser razoavelmente compacta e tolerar condições secas, assim como atmosfera poerenta. Também é geralmente plantada para agir como barreira de vento.

A sua madeira pode ser usada para construção em condições húmidas, visto que a madeira de amieiro é virtualmente resistente a decomposição debaixo de água. Fundações feitas com amieiro têm sido usadas para as casas e pontes de Veneza. Também pode ser usada para lenha. A planta cria um bonsai de médio a grande porte, que cresce rapidamente e responde bem a podas, com uma boa ramificação e uma folha cujo tamanho reduz com bastante rapidez.

Biodiversidade – Alnus spp. largam pólen de amentilhos (flores macho parecidos com pêndulos ou cachos) no final do Inverno e princípio de Primavera, de onde abelhas e outros polinizadores se alimentam.

Potencial de Fixação de Azoto – Alnus cordata não está listada na base de dados da USDA (United Stated Department of Agriculture) mas outras espécies deste género estão classificadas pela USDA como sendo uma FORTE fixadora de azoto com rendimentos estimados de +72kg/4050m² ou 0.018g /m2.

Para mais sobre esta planta (em inglês): Perfil da Alnus cordata ou aqui e aqui para referências em português.

 

TRIFOLIUM REPENS – TREVO BRANCO

Sobre a Espécie – O Trevo Branco é uma perene anã, prostrada que cobre o chão como um tapete que se espalha através de guias que livremente se enraízam ao longo do chão a partir dos nódulos. Facilmente estabelecível em solos medianos e bem drenados, com sol direto a sombra parcial. Prefere solos húmidos numa leve sombra, mas tolera sol direto e solos moderadamente secos.

Trifolium repens cobrindo o solo

Usos: O Trevo Branco tem sido descrito como a mais importante leguminosa de forragem das zonas temperadas. Além de fazer excelente forragem para animais, trevos são uma valiosa comida de sobrevivência; são ricos em proteína e, apesar de não serem facilmente digeríveis por humanos quando ingeridos crus, isso é facilmente resolvido fervendo a planta colhida durante 5-10 minutos. As flores secas e sementes podem também ser moídas para fazer uma farinha nutritiva e misturada com outros alimentos, ou podem ser utilizadas para fazer um chá ou tisana.

A capacidade desta planta de se espalhar agressivamente através das suas guias é bom para a cobertura do solo, e a sua tolerância a trânsito pedonal fazem desta espécie a minha favorita para utilizar em caminhos.

Biodiversidade – As plantas fornecem uma fonte de néctar e pólen a uma variedade de abelhas nativas, além da abelha melífera.

Potencial de Fixação de Azoto – A espécie está classificada pela USDA como sendo uma FORTE fixadora de azoto, com rendimentos estimados de +72kg/4050m² or 0.018g /m2.

Outras fontes declaram ser possível um rendimento de até 545 kg de azoto por hectar por ano.

Para mais sobre esta planta (em inglês): Perfil da Trifolium repens ou clica aqui e aqui para info sobre esta espécie em Portugal.

 

PLANTAS DE FERTILIDADE – MANUTENÇÃO DAS UNIDADES

A tabela abaixo indica a quantidade de plantas fixadoras de azoto por unidade e alguma informação sobre como estabelecer e manter este componente da policultura.

4. Componentes da Policultura: Fixadoras de Azoto. Trifolium repens semeado nos caminhos e Alnus cordata podadas ao tamanho de arbustos.

 

 

5. HABITAT DE POLINIZADORES – COMPONENTES DA POLICULTURA

Polinizadores fornecem um elo importante nos nossos ecossistemas, movendo pólen entre as flores e assegurando o crescimento de sementes e fruto. Abelhas nativas formam o grupo mais importante de polinizadores e eu tenho a certeza que ouviste dizer que estão presentemente sob ameaça de extinção devido às mudanças nas nossas paisagens, especialmente devido a perda de habitat e locais de nidificação.

O desejo geral por asseio resulta na remoção de solos nus, árvores moras, e recantos de ervas e relvas – todos esses espaços importantes para a nidificação das abelhas. O nosso design da policultura tem isto em consideração e inclui alguns habitats de nidificação importantes para as abelhas, nomeadamente troncos, espaços de solo nu e ranhuras entre rochas.

Água é também necessária aos polinizadores e incluir pequenas charcas pode ser muito benéfico, até essencial se o local não tiver uma fonte de água nas redondezas. Por esta razão incluimos uma pequena charca feita de pneu no centro da policultura.

Charco feito com um pneu e um tronco caído na nossa horta

5. Componentes de Policultura: Habitat para Polinizadores. Troncos (3), charca de pneu (2) com Orlas de pedras (2) e corredores de solo nu (1) fornecem locais de nidificação para abelhas e um habitat próspero.

Todos os componentes da Policultura Polinizadora

VARIAÇÕES NO DESIGN

As plantas e habitats desta Policultura Primaveril Polinizadora podem ser conjugadas de variadas formas. Podes considerar as plantas e habitats listadas acima como uma “palette” a partir de onde podes criar muitas formas.

Aqui estão algumas variações de design onde espaço é limitado.

O primeiro design é um círculo de 20m2 com todas as plantações cabendo sob a copa adulta do Corniso (Cornus Mas). É muito semelhante à primeira Policultura Primaveril Polinizadora que desenhei durante a implementação de um pomar em permacultura/policultura de 5ha onde estava a trabalhar à uns anos atrás.

O plano era incluir algumas espécies de forragem perenes e habitats para abelhas e outros polinizadores para apoiar as árvores de fruto e arbustos, e eu estava a ponderar sobre como integrar estas plantas. À medida que o design evoluiu observou-se que existiam espaços indefiníveis onde os corredores das árvores convergiam com as estradas de acesso e promontórios.

Os espaços não eram grandes o suficiente para árvores de fruto sem bloquear os acessos. Estavam dispersos de forma mais ou menos regular através da propriedade e eram ideiais para colocar a Policultura Primaveril Polinizadora.

Variação da Policultura Primaveril Polinizadora – 20 m2

Camada Inferior da Variação da Policultura Primaveril Polinizadora – 20 m2

As plantas podem também ser plantadas mais densamente para plantações em cerca e para subdividir a área. A disposição de plantação seguinte pode funcionar bem para cercar, com uma linha de 20cm de flores de bolbo e cobertura de solo a correr paralelo à cerca. O Corniso e as Aveleiras podem ser deixadas para crescer “ao gosto do freguês”.

Parede de Policultura Primaveril Polinizadora – Uma linha de 8 m de cerca natural

Aqui tens uma lista de outras espécies que fornecem néctar/pólen no início da Primavera para abelhas e outros polinizadores. Pessoalmente não cultivei todas as plantas desta lista mas parecem ser adequadas.

O PROJETO DE POLICULTURA

Vale a pena relembrar que este design não é de sucesso definitivo. Baseado na nossa experiência e prática estamos confiantes que a policultura irá ao encontro dos seus objetivos de design, mas apenas experimentando o sistema vivo revelará as verdadeiras forças e fraquezas e onde poderão ser feitas melhorias. Portanto, iremos plantar 3 unidades deste design de policultura no nosso estudo policultura perene em Shipka esta Primavera e anotar a performance ao longo dos próximos anos.

Mais tarde no ano iremos publicar a nossa experiência a estabelecer esta policultura com o objetivo de delimitar, passo-a-passo, como preparar o terreno, plantar, podar, irrigar e colher esta Policultura de Polinização Primaveril.

Ilustração do novo Jardim Experimental Perene em Policultura  com inicio em 2017

Paul Alfrey do Projeto Ecológico Balkan, https://www.facebook.com/Balkan-Ecology-Project-246348042094658/, introduz a policultura para fornecer apoio à polinização para quintas e jardins, rende frutas e nozes nutritivas, valiosos pontos de nidificação para abelhas em risco, e visões florais estupendas para acabar com o Inverno – http://balkanecologyproject.blogspot.bg/2017/01/the-early-polleniser-polyculture.html

Publicação Original: http://balkanecologyproject.blogspot.com.au/2017/01/the-early-polleniser-polyculture.html

Implementar um Jardim em Mandala

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PRI_NEW_LOGOTemos o prazer e a honra de ter autorização do Permaculture Research Institute para traduzir para PORTUGUÊS o conteúdo fantástico que eles disponibilizam no blog deles. Achamos o conteúdo deles valiosíssimo e achamos que mesmo quem não sabe Inglês MERECE ter acesso a esta informação. Espero que gostes[/fancy_box]

Artigo original em Inglês por Craig Mackintosh

Implementar um jardim mandala é uma forma excelente de compartmentalizar as tuas camas e canteiros numa revolução de cor viva, possibilitando acesso fácil e interesse visual. E tem um aspeto fantástico.

Enquanto filmava na Horta Comunitária Yandina com Geoff Lawton, deparámo-nos com esta simples implementação de um jardim mandala, aninhado numa parte do jardim com mais sombra. É de forma circular e tem uma série de caminhos que convidam a dar uma olhadela mais próxima da variedade de plantas exibidas.

Os caminhos permitem-nos baixar e inspecionar a horta sem nunca pisar nas camas. A ideia em permacultura é nunca pisar nas camas elevadas e arriscar compactar o solo das plantas.

Jardineiros permacultores como Geoff Lawton acreditam que ao aplicar alfombra e composto, nunca é preciso fresar (cavar) a terra e perturbar a biota do solo.

As bactérias e micro-organismos são melhores se deixados sem distúrbios. Desta forma, ganha-se um vasto leque de biodiversidade no solo que gera uma horta abundante e próspera. Geoff diz que “nunca se alimentam as plantas. Alimentam-se as criaturas do solo.”

São os micróbios e biliões de bactérias que fazem todo o trabalho duro de fomentar fertilidade no solo. O único esforço necessário é aplicar alguma alfombra e bom composto e depois dar tempo à Natureza de quebrar tudo por ti.

A vantagem dos caminhos é que podes facilmente ajoelhar-te e tocar em qualquer parte da cama elevada com o braço esticado.

É tudo muito acessível e permite uma manutenção fácil da horta.

Uma forma fácil de desenhar um Jardim Mandala é desenhar os caminhos primeiro usando uma mangueira para definir os limites. Um círculo perfeito também pode ser definido desenhando um arco com um fio atado a um poste no centro da área a ser usada.

Tijolos ou pedras podem ser colocado ao longo do perímetro do círculo desenhado. Esta mandala tem os seus limites definidos por uma linha serpenteante de tijolo de três caminhos a irradiar do centro para criar o padrão final de uma roda.

No centro do jardim mandala existe um pequeno charco onde grandes plantas de Taro (comestíveis) são o ponto focal.

De acordo com Geoff Lawton, este jardim podia facilmente alimentar duas ou três pessoas.

Vimos lá plantadas Beringelas, Borragem, Couve Chinesa, Tomates, Salsa, Alface Japonesa e várias outras plantas aromáticas a crescer com cuidados mínimos.

“Isto é que é uma loja de comida bio.” disse Geoff Lawton. “Toda a gente devia ter um destes.”

Será que chamar Permacultura de “fácil” encaminha os Novatos ao Fracasso?

[fancy_box id=5]Temos o prazer e a honra de ter autorização do Permaculture Research Institute para traduzir para PORTUGUÊS o conteúdo fantástico que eles disponibilizam no blog deles. Achamos o conteúdo deles valiosíssimo e achamos que mesmo quem não sabe Inglês MERECE ter acesso a esta informação. Espero que gostes[/fancy_box]Artigo original em Inglês por Kristan Patenaude 

Permacultura é um conceito relativamente novo para mim – e simultaneamente, não o é. A ideia de trabalhar com, em vez de contra, a Natureza de forma a criar sistemas infinitamente sustentáveis faz sentido para mim a um nível basilar, apesar de não ser uma prática actual minha. O meu passado académico e mentalidade emocional trouxeram-me diretamente no caminho de cuidar da Terra, cuidar das suas pessoas, e devolver qualquer tipo de excedente criado de volta à Terra.

Tem sido uma viagem que me abriu os olhos, mergulhar no mundo da Permacultura e aperceber-me o quão profundamente flui. Em tão poucas palavras, parece como uma forma ideal e fácil de viver.

Mas será mesmo? Se sim, como pode ser transmitido simplesmente a novatos, como eu? E se não é, como podem permacultores partilhar as suas ideias sem dissuadir os mais facilmente dissuadíveis?

Compostagem? Eu faço isso! Agro-florestas? Bem, tenho muitas ervas daninhas no quintal, portanto estou basicamente a fazer isso. Recolher água da chuva? Eu consigo absolutamente fazer isso – e parece tão simples. As pessoas estão a fazer muito da Permacultura parecer fácil e realizável, até para aqueles entre nós que são novos na aprendizagem do tema. Num mundo onde DIY estão prontamente acessíveis no Pinterest, muitas pessoas desejam saltar de pés juntos a experimentar coisas novas.

Queremos acreditar que o produto final que vemos é um que nós iremos capazes de fazer nós mesmos, e que o nosso parecerá exatamente como o que vemos no ecrã. Mas há, claro, os temidos “fails Pinterest” e uma certa quantidade de desânimo que vêm por acréscimo. A percepção que algo não é tão fácil como parece pode ser o que desliga muitos de nós a tentar aprender novas competências.

Para adquirir uma nova audiência, os permacultores precisam de explicar aos “inquilinos” destas práticas sem causar o desânimo e afastamento daqueles que podem não ter sucesso imediatamente, ou que talvez não compreendam as profundezas a que esta ciência pode chegar.

Permacultura não é sempre fácil. Requer algum nível de envolvimento, a ser decidido pelo utilizador. Como Damien Bohler explica em The Essential Practical Nature of Permaculture,

“Permacultura não é difícil e as competências necessárias para implementar design em permacultura podem ser adquiridas por qualquer um, no entanto, são competências que precisam de ser aprendidas. Reconhecer que existe uma necessidade de aprender, que há a necessidade de encontrar um ponto de partida prático, que nem toda a gente pode simplesmente largar tudo e imergir a sua vida num treino a full-time, prático e intensivo…”

green leek plants in growth at garden

Permacultura não é um projeto DIY que deva ser iniciado sem alguma pesquisa inicial, mas deve ser acessível a qualquer um, desde que estejas disposto a trabalhar em direção a um objetivo. Há livros para ler, especialistas no terreno com quem aprender, e cursos que te podem levar tão longe como um Certificado de Design de Permacultura. A um membro recentemente iniciado, a quantidade de trabalho pode parecer avassalador, especialmente quando permacultores experientes dizem que é fácil.

Quão envolvido precisa alguém de estar para ser considerado parte deste movimento? Será que esta cultura se preocupa com as pessoas rejeitarem a ideia pela sua possível complexidade?  Parece que aqueles que conseguem mergulhar com profundidade suficiente para criar complexos sistemas sustentáveis inteiros devem, claro, ser aplaudidos (e de admirar maravilhosamente boquiaberto, se fores como eu) – mas também que qualquer tipo de projeto de permacultura que seja empreendido com energia positiva devem ser homenageados e aplaudidos.

Jonathon Engels, no seu “Se Isso não é Permacultura, o que é?”, ressoa muito com esta ideia.

“Consequentemente, nem todos vão embarcar na mesma missão que o próximo, mas é o esse movimento coletivo na direção em algo verdadeiramente melhor – para nós mesmos, outros, e o planeta – que resulta nas grandes mudanças necessárias.”

Talvez as minhas árvores por podar e pequena pilha de compostas sejam significativas. São importantes porque mostra que estou a tentar estar envolvido em permacultura. Estou a trabalhar para aprender através da leitura e comunicação com os outros. É nestes pequenos feitos que vêm as representações de sucessos maiores de novos permacultores. Quer estas ações tenham sido fáceis para mim, ou incrivelmente dificeis devido a qualquer circunstância, a importância vem do esforço e intenção.

Encorajamento é uma das mensagens mais importantes a transmitir àqueles mais recentes a esta filosofia. Quando um novato tentar criar um sistema solar de bombeamento de água ou um riacho no jardim mas não tem sucesso, reassegurá-la pode fazer a diferença entre tentar de novo ou desistir completamente. Dar confiança àqueles que nós que, efetivamente não sabem o que estão a fazer, mas sabem que querem tentar, pode ajudar-nos a esforçar-nos mais e procurar métodos mais eficientes.

É também vital que se partilhe informação e fornecer treino de modo a envolver mais pessoas. Haverão sempre aqueles que esperam poder atalhar em quantidades significativas de estudo na esperança de encontrar um video rápido que lhes mostrará o que fazer, mas essas pessoas também merecem uma oportunidade de pertencer a este movimento. Eu penso que é por isso que é tão importante reconhecer as dificuldades que acompanham muito da permacultura, enquanto ao mesmo tempo ser uma voz de suporte para aqueles que estão apenas a começar.

Permacultores trazem um grande elemento de inspiração com eles. O seu foco e determinação, quando combinados com compreensão e apoio, podem levar a permacultura a uma nova geração de pessoas que esperam resolver problemas da forma “mais fácil” possível.

Porque Os Nossos Espaços Urbanos PRECISAM de Permacultura: O Problema É a Solução!

Temos o prazer e a honra de ter autorização do Permaculture Research Institute para traduzir para PORTUGUÊS o conteúdo fantástico que eles disponibilizam no blog deles. Achamos o conteúdo deles valiosíssimo e achamos que mesmo quem não sabe Inglês MERECE ter acesso a esta informação. Espero que gostes
Artigo original por Rebecca McCarty
 

De acordo com as Nações Unidas, estima-se que, até 2050, aproximadamente 66% da população mundial habitará em cidades. As consequências dessa estatística para a Humanidade e para o nosso meio ambiente são enormes. Como as cidade são tipicamente muito “recurso-intensivas”, exigindo vastas quantidades de energia, água, alimento, e outros recursos naturais, estas colocam um fardo muito pesado sobre o nosso planeta para as gerir. No entanto, não tem que ser assim.

Áreas urbanas providenciam um laboratório perfeito para a transformação no nosso mundo num que seja sustentável. Em vez de serem um tremendo escoamento do nosso meio ambiente e recursos naturais, as cidades podem se tornar auto-sustentáveis e satisfazer as necessidades de cada habitante. Ao implementar design em permacultura e outros princípios de vida sustentável, as cidades podem produzir a sua própria energia, reciclar recursos contínuamente, produzir os próprios alimentos, e capturar e conservar água.

Ao integrar design em permacultura no planeamento e construção urbana, e também na forma como habitamos nas cidades, podemos produzir e reciclar muito do que necessitamos, e não precisamos mais de colocar um fardo indevido nos recursos que exploramos nas nossas zonas rurais. Isto permitiria muitos ecossistemas, como florestas, recuperarem, e poderíamos mais facilmente trabalhar para restaurar paisagens degradadas por este mundo fora, que ajudaria a restaurar o solo, os terrenos, os nossos ecossistemas globais, e sustentar as necessidades básicas da Humanidade.

Apesar do Ser Humano ter, de facto, causado muitos danos no planeta, nós somos inerentemente parte da Natureza, e portanto, podemos ter um papel importantíssimo na reabilitação do nosso planeta.

Apesar de transitar em direção a este futuro sustentável requerer um vasto salto na forma como, enquanto espécie, vivemos em relação ao nosso lar aqui na Terra, para uma forma de vida que muitos talvez ainda não se sintam preparados, existem muitas formas de começarmos a pensar sobre, e a transitar para essas possibilidades hoje.

Vale a pena considerar que nenhum dos maravilhosos avanços humanos que temos hoje, como a eletricidade que estás a usar neste preciso momento para ler este artigo, apareceu por acaso. Foram desenvolvidos porque pessoas trabalharam arduamente para o fazer acontecer, e essas mesmas pessoas provavelmente até falharam algumas, ou até muitas vezes, ao longo do caminho antes do sucesso ter acontecido.

Estas são apenas algumas das muitas formas como a permacultura tem o potencial de nos auxiliar a atacar os desafios mais iminentes com que nos deparamos nas áreas urbanas em todo o mundo.

 

1.USO ENERGÉTICO

Hoje em dia, espaços urbanos em todo o mundo usam e importam enormes quantidades de recursos energéticos (frequentemente baseados em combustíveis fóssil) para conduzir electricidade, operar sistemas de aquecimento e arrefecimento de prédios, assim como operar muitos outros elementos de infra-estruturas como bombas de água e tratamento de esgotos.

Solar panel on a red roof

Permacultura oferece soluções práticas a este problemas, tais como incorporar design solar passivo, tratamento de resíduos natural, implementação de eficiência energética, apoiar recursos energéticos renováveis como solar e eólico, e a construção de prédios e habitações que não só não requerem energia exterior a elas para climatização, como também produzem a sua própria energia e alimentam a cidade com o excesso dessa produção de energia doméstica.

 

2. O EFEITO DA ILHA TÉRMICA URBANA

Vastas faixas de betão, aliado à geral falta de árvores e outra vegetação em áreas urbanas, levam à retenção de calor solar e um aumento geral das temperaturas acima do que se observa nas áreas rurais circundantes. Isto leva a um risco acrescido de sobre-aquecimento de indivíduos vulneráveis, e requer também um aumento do consumo de electricidade necessário para manter os prédios frescos durante os dias quentes de Verão.

Design em permacultura pode ajudar esta questão de uma forma abismal aumentando de forma generalizada a cobertura vegetativa em espaços urbanos através da plantação de vegetação – através do estabelecimento de espaços verdes, jardins e bosques alimentares, o plantar de árvores e arbustos, a re-vegetação de espaços urbanos abandonados, e a restauração de paisagens naturais.

Ao aumentar os espaços verdes presentes nas áreas urbanas, a energia solar é capturada para utilização pelas plantas em vez de aquecer o betão, assim como o ambiente urbano circundante. Telhados Verdes instalados no topo de prédios citadinos também podem reduzir tanto o gasto energético desses prédios e habitações, como reduzem também o efeito de ilha térmica urbana.

 

3. EXIGÊNCIAS E DESPERDÍCIO DE RECURSOS NATURAIS

É absolutamente verdade, com algumas exceções, que as cidades importam vastas quantidades de recursos, enquanto exportam enormes quantidades de lixo. Nem na nossa imaginação é isto de alguma forma sustentável. Nenhum ecossistema na Natureza opera assim, senão, simplesmente deixaria de funcionar num curto espaço de tempo. É imperativo que as nossas cidades comecem a funcionar muito mais como ecossistemas, e reciclem e explorem recursos dentro delas mesmas de uma forma muito mais eficiente.

Apesar da reciclagem de materiais como garrafas, latas, e papel ser absolutamente necessário, existem ainda muitos recursos que nãosão recicláveis e ainda hoje acabam nas lixeiras. Nós temos que planear e fazer coisas que podem ser usadas repetidamente e que não poluam a nossa terra, água, ar, e os nossos próprios corpos. Os nossos restos alimentares podem ser re-utilizados como composto para criar solo saudável. Até os nossos dejetos humanos podem ser re-utilizados para paisagens e combustível, se o design e planeamento de sistemas seguros for eficaz e utilizados responsavelmente.

Cidades são locais ideais para sistemas de reciclagem e reutilização porque já existem os sistemas de infra-estruturas e transporte necessários para os suportar.

 

4. ALIMENTO E FOME

Permacultura distingue-se na demontração do quão eficiente pode ser a produção alimentar em praticamente qualquer lado, desde hortas comunitárias, a camas hugelkultur, e jardins de aromáticas em espiral em quintais, jardins de telhado/terraço, a quintas urbanas sustentáveis, plantar jardins em varandas, produzindo tanto plantas comestíveis e peixe através de aquaponia, até a plantar dentro de casa.

Tomato seedlings

Com tantas opções, há muito poucas razões porque todas as familias não podem estar a cultivar seja o que for. O que precisamos é que aqueles que têm conhecimento em permacultura e agricultura sustentável mostrem como cultivar algo, motivar outros, e empoderar outros com as ferramentas que precisam para o fazer acontecer.

 

5. ÁGUA

À medida que água se torna um recurso cada vez mais escasso por todo mundo nos dias que correm, água é um recurso natural em que absolutamente temos que nos focar nas nossas áreas urbanas e para a qual precisamos encontrar soluções sustentáveis. Simplesmente não conseguimos viver sem água potável. Nas nossas cidades, ora estamos a desperdiçá-la, ora não temos que chegue devido a secas, ora estamos a lidar com desastres naturais relacionados com ela – como inundações, ora temos comunidades a ter que lidar com águas contaminadas.

A poluição do rio Tejo devido à falta de responsabilidade ética das empresas e autarquias que o usam. Manifestação de defesa do nosso rio Tejo agendada para 4 de Março de 2017, organizado pela ProTejo.

 

Permacultura oferece muitas soluções para desafios de recursos hídricos em áreas urbanas. Águas que escoam de superfícies impermeáveis podem ser mitigadas e capturadas incorporando jardins de chuva, pantanais, e superfícies permeáveis dentro das nossas paisagens urbanas. Inundações podem ser mitigadas através da plantação de vegetação perene de raízes profundas e swales na paisagem, o que não só abrandará o correr das águas através da topografia, como também ajudará a recarregar aquíferos que providenciarão água quando outros recursos hídricos escasseiam.

Podemos também implementar a captura e armazenamento de água da chuva em espaços urbanos, eliminar a prática devassa de regar enormes relvados inúteis, fazendo um design paisagístico adequado ao clima local, como “xerigismo” [paisagismo seco: “xeros” grego para seco], alfombra dos nosso jardins e plantas em vez de regar desnecessariamente, implementação de tratamento de resíduos e esgotos naturais e eficazes, e eliminação do uso de químicos tóxicos nos nossos relvados e jardins que se infiltram e poluem as nossas fontes de água.

 

6. POBREZA E DESEMPREGO

Neste caso, o problema é mesmo a solução! Enquanto o atual sistema económico extrativo considera a abundância de desempregados e sub-empregados como uma “externalidade”, realmente é-nos apresentada uma oportunidade ideal para criarmos uma vida sustentável para a Humanidade restaurando o ambiente da Terra, produzindo comida, e sarando o planeta, e nós mesmos.

O problema tem sido o facto que a economia extrativa ter assumido que recursos naturais são inesgotáveis, e que as pessoas são dispensáveis.

E se desenhássemos uma nova economia sustentável onde as pessoas são de facto consideradas recursos valiosos pelos seus talentos, competências, e valores como seres humanos que encontram soluções para alguns dos maiores desafios com que nos deparamos enquanto espécie? E se o nosso ambiente fosse totalmente reconhecido na nossa economia e tratado como o recurso inestimável que realmente é e não pode ser substituído? Poderemos realmente acabar com uma economia sustentável que leva ao bem-estar e abundância para todos.

 

7. RESGATE DE POLINIZADORES

Porque a permacultura encoraja ecossistemas naturais e produção alimentar sustentável, controlo de pragas natural, encoraja plantas nativas que alentam polinizadores, e não usa químicos tóxicos que os matam, temos uma oportunidade real em áreas urbanas de apoiar populações saudáveis de polinizadores.

De facto, com o uso tão generalizado que químicos agrícolas que matam polinizadores nas áreas rurais, polinizadores nas áreas urbanas podem até ajudar a salvar a sua própria espécie. Todo o esforço conta.

 

8. TRANSPORTE

Pessoas que habitam nas áreas urbanas têm uma oportunidade real de reduzir a pegada ecológica do transporte que utilizam. Em espaços urbanos, podemos andar de bicicleta, caminhar, usar transportes públicos para nos descolarmos na cidade, e normalmente não temos que ir muito longe para adquirir os recursos que necessitamos, como roupa ou comida.couple of friends young man and woman riding bike

Se temos que conduzir para algum lado, existem agora recursos acrescidos disponiveis nas cidades, como programas de partilha de veículos como o BlaBla Car, estações de carregamento de carros híbridos e até bicicletas para arrendar, além da melhoria dos transportes públicos nos espaços urbanos e inter-urbanos.

 

9. PERDA DE HABITAT NATURAL DEVIDO A EXPANÇÃO URBANA

Graças ao aumento do açambarcamento de habitats naturais pelas nossas cidades e subúrbios, o planeta está a sofrer uma enorme fragmentação de habitat, ameaças a muitas espécies de vida selvagem, e perda de ecossistemas funcionais.

No entanto, se começarmos a planear e re-desenhar os nossos espaços urbanos usando permacultura e outros sistemas de planeamento e paisagismo sustentável, talvez consigamos reduzir esta maré cheia de destruição de habitat, reverter muito dos danos causados, e finalmente, transformar as nossas residências em algo que imite e opere muito mais com a Natureza.

O objetivo último da permacultura é viver em harmonia e integrados com o nosso meio ambiente natural. A paisagem urbana é o ambiente perfeito onde a Humanidade pode aprender a transformar esse sonho numa realidade.