SUSTENTABILIDADE e PERMACULTURA

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Como Fazer Kefir e Kombucha: Probióticos e Microbiologia para o teu Corpo

Neste artigo, vais perceber o que são próbióticos, que funções desempenham na tua saúde e bem estar, e como fazer dois fermentados diferentes – kombucha e kefir – para inocular o teu ecossistema interno com a microbiologia necessária para regenerar a tua fauna e flora interna.

 

Kefir, Kombucha, e outros fermentados e probióticos funcionam no nosso corpo como os biofertilizantes funcionam no nosso solo.

Os nossos intestinos são como o solo que pisamos: são o veículo por onde nutrientes são absorvidos pelos seres que deles necessitam.

O nosso corpo é de facto um micro ecossistema que precisa tanto da microbiologia apropriada para garantir o nosso bem estar, como o solo que pisas. Somos compostos de milhões de células, bactérias e outros microorganismos.

Não somos só um corpo… somos um super organismo composto por milhões de outros seres vivos.

 

Sem o microbioma – ou seja, a flora e fauna intestinal saudável – não conseguimos absorver os nutrientes dos alimentos que consumimos. Da mesma forma, o solo pode ter em si todos os nutrientes para a planta, mas estes podem não estar disponiveis devido a um desiquilibrio ou até falta de microbiologia no solo.

Interessante como coisas tão diferentes operam sobre os mesmos princípios, não é?

O Planeta funciona em padrões, e em permacultura aprendemos a observar e interpretar esses mesmos padrões.

Um biofertilizante para o solo é na realidade um método de inoculação de microbiologia vibrante que dará nova vida ao solo, tornando os nutrientes presentes absorvíveis pelas plantas, e fazendo com que estas cresçam mais saudáveis.

Kefir, Kombucha, chocrute e outros preparados fermentados e probióticos fazem o mesmo para o nosso ecossistema interno.

Fonte: Food & Nutrition Magazine

Fonte: Food & Nutrition Magazine

 

O QUE É UM PROBIÓTICO? E PORQUE SÃO TÃO IMPORTANTES?

Um Próbiótico é simplesmente uma substância que estimula o crescimento de microorganismos com propriedades benéficas.

Numa Era em que sofremos de uma epidemia de excesso de antibióticos (ANTI-BIOticos = anti-vida) torna-se essencial garantir o bem estar dos microorganismos que, por sua vez, garantem o nosso bem-estar.

Kombucha, kefir, e outros preparados podem estar na linha da frente das tuas defesas e agir como reguladores e inoculantes de vida benéfica no teu interior.

É recomendado que, após exposto a antibióticos que matam a microbiologia indiscriminadamente (tanto os prejudiciais  – como bactérias e virus que causam infeções, – como a microbiologia benéfica), se consumam alimentos que ajudem a repor a flora e fauna do nosso micro ecossistema para que retorne tudo ao equilíbrio.

Por isso, inspirado na pequena rubrica que temos na Rádio Gilão a convite d’a Hora das Mães, decidi compilar aqui duas receitas simples para probióticos que podes produzir em casa.

KOMBUCHA

Kombucha é um fermentado à base de chá açucarado. Originalmente da China e do Japão, kombucha é produzido à 2000 anos e muitos juram pelos benefícios deste “elixir”.

kombucha

kombucha

 

A fermentação de Kombucha consegue-se através de uma paqueca gelatinosa chamada S.C.O.B.Y (Symbiotic Community of Bacteria and Yeasts): uma colónia de microorganismos benéficos que vão transformar o chá em kombucha rico em probióticos.

É fácil adquirir esta colónia inicial – basta ir a grupos do Facebook, por exemplo, dedicados a este tipo de fermentações. Lá encontrarás imensas pessoas abertas a partilhar desta abundância

AS DIFERENTES APLICAÇÕES DO S.C.O.B.Y
S.C.O.B.Y

S.C.O.B.Y

Scoby é, como nós, um super organismo – é uma comunidade de microorganismos que co-existem simbioticamente.

E como qualquer organismo vivo, ele vai crescer e multiplicar-se. Quanto mais kombucha fizeres, mais crescerá, eventualmente terás mais panquecas gelatinosas do que alguma vez precisarás.

Aí, podes dividi-lo, partilhá-lo e até congelá-lo para utilização futura.

E o mais surpreendente é que S.C.O.B.Y tem muitas outras aplicações:

  • Podes colocar no compostor ou até no vermicompostor;
  • Podes dar como suplemento alimentar para as galinhas;
  • Podes cozinhar e comer;
  • e há até quem faça S.C.O.B.Y grandes para desidratar e utilizar como subtituto de cabedais e couros em trabalhos de marroquinaria.

“Cabedal” de S.C.O.B.Y Fonte: Futurity.org

 

FERMENTAR KOMBUCHA

Como muitas fermentações, kombucha pode conter vestígios fracos de alcoól – menos de 1% – devido à actividade das bactérias no consumo do açúcar presente no preparado, criando algum alcoól no processo.

Recomenda-se que se tome kombucha em pequenas doses (um copo de shot por dia para iniciar) para que o corpo se habitue e possa alojar os novos microorganismos.

Como kombucha é geralmente feito a partir de chá que contém cafeína – chá verde ou preto, – também é recomendado prestar atenção ao consumo de cafeína através deste preparado.

RECEITA

 

  • Um Recipiente de vidro bem esterilizado;
  • Um filtro de café de papel e um elástico;
  • S.C.O.B.Y;
  • 1L de chá preto ou verde;
  • 2 colheres de sopa de açúcar ou mel.
  1. Esteriliza bem o recipiente onde a fermentação vai ocorrer. Kombucha é muito benéfico, mas não te esqueças que as condições ideais para microorganismos benéficos também são muito atrativas para outras bactérias mais prejudiciais que podem contaminar o teu kombucha. Condições e cuidados de higiene como em qualquer outro processo de fermentação (e até no fabrico de doces) é altamente recomendado;
  2. Junta 2 colheres de sopa de açúcar por cada Litro de chá preto ou verde e deixar arrefecer (de preferência tapado, por razões de higiene);
  3. Depois de frio, juntar o S.C.O.B.Y ao chá e tapar com o filtro de café, seguro com o elástico;
  4. Deixar fermentar durante cerca de 3 dias num local escuro. (NOTA: a temperatura ambiente e até a estação do ano podem afetar o tempo de fermentação. 3 dias é uma média, e pode ser adaptado a gosto e conforme condições e necessidades).
  5. PARA PRODUÇÃO CONTÍNUA: Quando o kombucha está pronto, pode-se filtrar e passar para outro recipiente, e está pronto a ser guardado no frigorifico e consumido. Para continuar a fazer mais, basta deixar um pouco de kombucha com o S.C.O.B.Y original e juntar mais chá, voltar a tapar, e repetir o processo.
  6. FERMENTAÇÕES SECUNDÁRIAS: O kombucha acabado de fazer pode ir para o frigorifico e está pronto a consumir. No entanto, pode-se proceder a uma fermentação secundária no frigorífico. Para isso, basta juntar ingredientes que adicionem o sabor pretendido (eu recomendo gengibre) e fechar com uma tampa se quiseres gaseificar o kombucha.

Esta segunda fermentação serve maioritariamente para que possas personalizar o perfil de sabor do kombucha e para que possa acumular dióxido de carbono (porque agora o kombucha está fechado e, logo, não deixa escapar os gases), tornando esta bebida num refresco ligeiramente gaseificado.

Aqui em casa juntamos limão e gengibre na 2ª fermentação, e fechamos o recipiente no frigorifico para que ganhe um pouco de gás. Depois quando nos apetece um “refrigerante”, juntamos um copinho pequeno de kombucha a água com gás e temos um “Ginger Ale” saudável e caseiro.

Também já usámos kombucha para iniciar outras fermentações caseiras, como esta sidra de maçã que fizémos com leveduras selvagens e S.C.O.B.Y – ficou delicioso e até atingiu cerca de 4% vol (valores típicos de uma sidra).

KEFIR

Kefir e Kombucha são preparados diferentes mas baseam-se nos mesmos princípios: é um preparado liquido com alimento para uma colónia de bacterias e leveduras benéficas para o ser humano.

No caso do Kefir, o processo de fermentação ocorre através dos chamados “grãos” ou “flor de kefir”. São a semente inoculante que se vai multiplicar e vai fermentar o preparado.

Pensa-se que kefir tenha originado no Norte/Este Europeu.

TIPOS DE KEFIR E OUTRAS APLICAÇÕES

Existem 2 tipos de kefir que são feitos praticamente na mesma maneira: Kefir de água e Kefir de leite.

São praticamente a mesma coisa em termos de beneficio (se bem que o leite é algo mais nutritivo, tanto para nós como para o grão de kefir), com a diferença de, enquanto que no kefir de leite basta adicionar a flor/grão ao leite, no caso de kefir de água é preciso adicionar açúcar para alimentar a colónia de microorganismos.

Pessoalmente gostamos mais de consumir kefir de leite, fica parecido com iogurte liquido e permite fazer muitos outros subprodutos, tais como queijo de kefir e iogurte mais espesso.

Queijo de Kefir

 

Iogurte de Kefir

 

Existem grãos ou flor de kefir de água e de leite. Isto porque as colónias habituam-se ao alimento que os sustenta. Por isso, por exemplo, é preciso um periodo de adaptação se quiseres transitar kefir de água para se usar em leite e vice-versa.

Tal como o Scoby, a flor/grão de kefir é um super organismo – uma comunidade de microorganismos que co-existem simbioticamente.

E como qualquer organismo vivo, ele vai crescer e multiplicar-se. Quanto mais kefir fizeres, mais crescerá, eventualmente terás mais grão/flor do que alguma vez precisarás.

Aí, podes dividi-lo, partilhá-lo e até congelá-lo para utilização futura.

Grão ou flor de kefir

FERMENTAR KEFIR

Pode-se encontrar flor de kefir (tanto de água como de leite) em grupos de facebook dedicados a fermentações, tal como no caso do kombucha.

Se estás preocupado com intolerâncias a lactose no caso do kefir de leite, podes ficar descansado. Tal como iogurte, a lactose é digerida pelo grão/flor durante o processo de fermentação de kefir, ajudando até na digestão de elementos aos quais normalmente somos mais intolerantes.

O Kefir é um regulador intestinal, o que significa que vai regularizar tanto obstipações como diarreias.

Tal como o kombucha, começa com doses pequenas (um shot) e vê como te sentes. É normal teres alguns efeitos secundários à medida que o teu corpo se ajusta a esta nova introdução de microorganismos no teu corpo. Eventualmente o teu ecossistema interno encontrará o equilíbrio e poderás colher os frutos do teu consumo de kefir caseiro.

RECEITA

 

  • Um recipiente de vidro e tampa;
  • um Coador (nunca de metal – tecido, ou plástico são boas alternativas);
  • Grão/flor de kefir da tipologia apropriada ao liquido a ser utilizado;
  • Leite (gordo de preferência);

OU

  • Água açucarada em vez de leite.

NOTA: Kefir é altamente sensivel a metais, pelo que nunca deve entrar em contacto com colheres de metal, tampas metálicas e outros implementos de cozinha feitos de metal. Certifica-te que o equipamento que usas para fazer o teu kefir é feito de materiais mais inertes como madeira, vidro, etc.

  1. Adiciona o grão/flor de kefir ao leite ou água açucarada;
  2. Fecha o recipiente e deixa fermentar num sitio escuro durante, no mínimo, 12 horas, a temperatura ambiente;
  3. Coar para extrair  grão/flor para utilizar na próxima produção;
  4. O Kefir está pronto a consumir e pode-se guardar no frigorífico.
  5. TEMPO DE FERMENTAÇÃO: Este é mais a gosto. Quanto mais tempo deixares a fermentar (e quanto mais calor fizer) mais amargo ficará o kefir. No mínimo, deixa-se durante a noite, e na manhã seguinte tens kefir suave e pronto a consumir. No caso do kefir de leite, quanto mais tempo deixares fermentar, além de mais amargo, fica também mais espesso. E há quem faça iogurte grego desta forma.

Espero que este artigo te tenha ajudado a descobrir este mundo de soberania alimentar, sustentabilidade e fermentados caseiros que não só melhoram o nosso bem estar como o do planeta, tornando-nos mais auto-sustentáveis.

Deixa nos comentários os resultados das tuas experiências, outras receitas e até dicas! Adoramos aprender contigo.

AH!, e não te esqueças de espreitar-nos na Rádio Gilão no pequeno segmento a convite da Hora das Mães, todas as quartas-feiras às 10:30, para mais dicas de sustentabilidade a todos os níveis.

Aqui está o segmento da semana passada (começamos nos 10:00 minutos) 😉

Ervas Daninhas | Não Matem as Mensageiras

Traduzido de: “Weeds: Don’t Shoot the Messenger (not until you understand the message)” – Av Singh ( PhD, PAg, Organic and Rural Infrastructure Specialist with AgraPoint in Nova Scotia), The Canadian Organic Grower, Summer 2006 (http://www.cog.ca/)


“É com demasiada frequência que, quando agricultores começam a falar de ervas daninhas, a primeira pergunta mais comum é

“Como me livro de uma praga de…?”, quando uma pergunta mais apropriada seria

“Porque será que o meu espaço tem uma praga de… ?”.


Av Singh

A diferença subtil na questão acima requer uma mudança de paradigma surpreendentemente dramática face a como olhamos para ervas daninhas.

É necessário que as ervas daninhas deixem de ser vistas como um problema, pragas e fontes de frustração, e comecem a ser interpretadas como sintomas, contadoras de histórias e curandeiras.

Defensores das ervas daninhas consideram-nas plantas com uma missão e observam para aprender o que as ervas daninhas nos podem dizer sobre as condições do nosso solo (ex: pH, compactação, drenagem, etc.) ou as nossas práticas de gestão (ex: rotações de solo, espaçamento entrelinhas, lavoura, etc.).

"Ervas daninhas são flores também, quando te permitires conhecê-las." - Winnie the Pooh
“Ervas daninhas são flores também, quando te permitires conhecê-las.” – Winnie the Pooh

ERVAS DANINHAS, REDEFINIDAS

Nicolas Lampkin, da Organic Farming, enfatiza que é a actividade humana de agricultura que cria ervas daninhas.

Ele define uma erva daninha como “qualquer planta adaptada a habitats criados por humanos e que interfere com actividades humanas.”

Até para alguns, essa definição é um pouco severa porque se foca demasiado no negativo.

O primeiro passo na nossa propaganda das ervas daninhas é começar a entender o aparecimento de ervas daninhas como algo benéfico.

Estamos todos familiarizados com o ditado que a Natureza odeia espaços vazios.

Bem, práticas agrícolas criam um vazio onde comunidades inteiras de vida botânica e microbiológica são disturbadas e/ou destruídas.

A Natureza responde a isto com ervas daninhas.

Dentro de dias, plantas pioneiras como amaranto (Amaranthus spp.) , erva-couvinha (Chenopodium Album) e beldroega (Portulaca oleracea) crescem rapida e densamente. Elas vão ancorar o solo e criar matéria orgânica que alimenta a vida no solo.

Estas anuais de crescimento rápido também fornecem sombra, guardam humidade, e moderam a temperatura do solo que permite que outras plantas, como as bienais e perenes (como relvas), comecem a germinar.

Se deixadas por mais uma estação, esta terra terá menos anuais de crescimento rápido e favorecerá plantas das seguintes fases de sucessão.

Nos nossos campos, o solo está num estado anormal de distúrbio contínuo, e, como resultado, somos forçados a lidar com estes colonizadores pioneiros.

A maior parte destas anuais de crescimento rápido crescem sem fungos micorrízicos associados (devido, principalmente, ao facto do seu ciclo de vida ser demasiado curto para beneficiar de uma parceria simbiótica com fungos).

FUNGOS MICORRÍZICOS

Micorriza é a associação simbiótica entre fungos e as raízes de plantas. A maior parte das culturas agrícolas dependem, ou beneficiam das suas associações micorrízicas.
Em troca de carbono da planta, o fungo micorrízico torna fósforo mais solúvel e trazem nutrientes do solo (N, P, K – Azoto, Fósforo, Potássio) e água para a planta.

As Cruciferae (ex. bróculos, mostarda) e as Chenopodiaceae (ex. erva-couvinha, quinoa, espinafres, beterrabas) não criam associações com este fungos. Lavouras frequentes, fungicidas e niveís elevados de azoto ou fósforo podem inibir inoculação das raízes.

Similarmente, a prática de alqueivar (lavrar seguido de pousio – sem semear – por um ou mais anos) reduz os níveis de micorriza porque as plantas que se estabelecem após a lavoura normalmente não criam associações com tais fungos.

Previsivelmente, solos ricos com fungos micorrízicos (ex: pastagens, florestas, terrenos agrícolas ricos em matéria orgânica, especialmente via composto) têm menos ervas daninhas anuais.

Elaine Ingham da Soil Foodweb Inc. sugere que a presença de fungos serve como um sinal que impede as ervas daninhas anuais de germinar.

Associação simbiótica entre fungos e plantas.
Associação simbiótica entre fungos e plantas.

APRENDENDO COM AS NOSSAS ERVAS DANINHAS

Agora que compreendemos melhor a razão porque ervas daninhas aparecem nas nossas quintas, quintais e jardins, podemos observar com maior profundidade como podemos usar as ervas daninhas como indicadoras das condições do nosso solo.

É importante notar que muitas ervas daninhas toleram um vasto espectro de condições e, portanto, o aparecimento de algumas ervas daninhas individuais não é necessariamente prova de uma condição de solo subjacente.


Por exemplo, tanto a serralha (Sonchus spp.) como as rumex (Rumex spp.) indicam pobre capacidade de drenagem do solo, mas as rumex preferem solos mais ácidos, enquanto a serralha favorece um pH mais elevado.

Podes, no entanto, aprender sobre as condições do solo se a população de ervas daninhas é dominada por várias espécies que preferem condições semelhantes.

Por exemplo, se tanchagem (Plantago Major), unha-de-cavalo (Tussilago farfara) e malmequeres (Leucanthemum vulgare) forem as ervas daninhas predominantes, pode indicar que o solo tem muito pouca drenagem.

Práticas agrícolas como o cultivo, fertilização e gestão de pastos podem ter um grande impacto no solo, e, consequentemente, no aparecimento de certas espécies de ervas daninhas.

Lavoura frequente vai disturbar as milhões de sementes viáveis no banco de sementes que é o solo, e, com acesso a luz solar, estas irão germinar e ocupar solo nu.

Ervas daninhas como a erva couvinha e bredos (Amaranthus retroflexus) podem produzir 75,000 to 130,000 sementes por planta (respectivamente) que podem manter-se viáveis até 40 anos.

A presença de leguminosas como as ervilhacas (Vicia spp.), luzerna-brava (Medicago lupulina) e trevo (trifolium spp), (da esq. para a dir.) pode sugerir que o solo carece de azoto.

Em contraste, ervas daninhas no mesmo solo que aparentam um tom pálido amarelado e/ou atrofiado pode também indicar niveis baixos de fertilidade.

Pastoreio excessivo das pastagens pode levar a solos compactados e, aí, a presença de gramíneas e relvas perenes (géneros Poaceae e Agrostis) pode vir a predominar.

A falta ou desiquilíbrio de cálcio pode permitir que os solos fiquem mais compactos e sem a microbiologia apropriada no solo (fungos no caso de cálcio), este nutriente mineral não ficará no solo.

ERVAS DANINHAS SÃO PLANTAS COM UMA MISSÃO.

PH DO SOLO

Além de nos ajudarem a proteger e melhorar a matéria orgânica do solo, ervas daninhas podem também indicar acidez ou alcalinidade do solo.

A maior parte das culturas agrícolas desenvolvem-se melhor em solos ligeiramente ácidos (pH 6-6.5)

Uma presença crescente de plantas como a tanchagem, azedas (Rumex Acetosa) ou dente-de-leão (Taraxacum officinale) pode indicar que o pH está a descer abaixo de um nível desejável.

Contudo, ter solos ácidos não deve ser visto como algo prejudicial.

Muito do trabalho de Albrecht enfatizava que desempenhos botânicos pobres em solos de pH baixos eram de facto uma consequência de baixa fertilidade ou um desiquilíbrio dos nutrientes disponíveis no solo, e não derivado do pH do solo em si.

Por exemplo, muitos produtores de alfafa (Medicago sativa) testemunharam uma dramática invasão de dente-de-leão após a aplicação de niveís elevados de potássio (principalmente hidróxido ou carbonato de potássio).
  • Essencialmente, o potássio havia suprimido os níveis de cálcio no solo. As raízes profundas do dente-de-leão mina o cálcio do solo mais profundo e após a morte da planta, liberta esse cálcio nas camadas mais superficiais.
  • O aparecimento de dente-de-leão pode ser uma indicação de solos ácidos quando de facto o rácio de cálcio-potássio é que tinha causado o seu aparecimento.

Um desiquilíbrio de magnésio relativamente ao cálcio pode levar a solos apertados e eventualmente condições anaeróbicas (sem oxigénio) no subsolo.

Cálcio causa partículas do solo a separar-se, permitindo arejamento do solo e capacidade de drenagem; fungos ajudam a prevenir a lixiviação do cálcio fora do solo.

Magnésio causa a aglutinação de partículas e se o solo se tornar demasiado aglomerado, limita o acesso a oxigénio, e formas de vida benéficas no solo podem desaparecer.

Em tais condições, resíduos orgânicos no solo não se decompõem devidamente, e o aumento de dióxido de carbono no solo favorece fermentação dessa matéria orgânica, resultando em subprodutos como alcoól e formaldeído.

Estas substâncias inibem penetração de raízes; e potencia a criação de condições favoráveis a doenças no solo como podridão da raíz e míldios (pythium e phytophora)

Fermentação pode também gerar gás metano que é conducente à aparição de Juta-da-China (Abutilon theophrasti), ou gás etano que ajuda a Erva-dos-bruxos (Datura stramonium) a prosperar.

Relvas, com as suas finas e numerosas raízes tentam quebrar e abrir solos compactos, enquanto a presença de muitas ervas daninhas gramíneas pode indicar solo compactado.

QUERIDO(A), MUDEI A ERVA DANINHA

Então, o que mudou desde que começaste a ler este artigo?

  • Procura pelo benefício das ervas daninhas;
  • Ervas daninhas podem ser adubo verde ou cobertura de solo;
  • Ervas daninhas servem para fazzer circular nutrientes no subsolo (ex: ervas daninhas de raízes longas e profundas como o dente-de-leão e a bardana (Arctium lappa);
  • Ervas daninhas de raízes profundas podem abrir solos compactos, regulando a circulação de água no solo;
  • Ervas daninhas contribuem para a conservação de humidade no solo;
  • Ervas daninhas podem proporcionar habitat para organismos benéficos.

“O que é uma erva daninha? Uma planta cujas virtudes não foram ainda descobertas.”

talvez fazendo referência à maior virtude destas plantas: como mensageiras do solo.

-Emerson

CONDIÇÕES DE SOLO E ERVAS DANINHAS INDICADORAS

  • Inundado, com pouca drenagem: Erva-quaresma (Ranunculus repens), tanchagem (Plantago Major), unha-de-cavalo (Tussilago farfara), malmequeres (Leucanthemum vulgare), Regalo-da-horta (Rumex crispus), musgo, azedas (Rumex acetosa), Serralha (Sonchus oleraceus)
  • Ácido ou baixo em cal:  Feto (Pteridium aquilinum), unha-de-cavalo (Tussilago farfara), malmequeres (Leucanthemum vulgare), dente-de-leão (Taraxacum officinale), Regalo-da-horta (Rumex crispus), Cavalinha (Equisetum arvense), Centauria (Centaurea spp.), Sanguinária (Polygonum aviculare), Musgo, Verbasco (Verbascum thapsus), urtigas, tanchagem (Plantago Major), azedas (Rumex acetosa), Azedinhas (Rumex acetosella)
  • Sólido e compactado: Corriola (Convolvulus arvensis), Grama-francesa (Elymus repens), matricária ou camomila brava (Matricaria discoidea), Juta-da-China (Abutilon theophrasti), Erva-dos-bruxos (Datura stramonium)
  • Solo Mexido e Lavrado: erva-quaresma (Ranunculus repens), esparguta (Stellaria media), Sanguinária (Polygonum aviculare), Erva-couvinha (Chenopodium alba), alface-brava (Lactuca serriola), mostarda, urtigas, bredos (Amaranthus retroflexus), tanchagem (plantago major)
  • Alcalino: orelha-de-boi (Silene vulgaris), mostarda branca, serralha (Sonchus spp.)
  • Solo Pesado e Argiloso: Chicória (Cichorium intybus), unha-de-cavalo (Tussilago farfara), dente-de-leão, serralha (Sonchus spp.), Cardo-das-vinhas (Cirsium arvense)
  • Solos Secos: Cavalinha
  • Sobrepastoreado: gramíneas e relvas perenes (géneros Poaceae e Agrostis)
  • Desiquilíbrio Nutritivo: feto comum (pouco fósforo e potássio), milefólio (Achillea millefolium) (pouco fósforo)
  • Solos Salinizados: Bolsa-de-pastor (Capsella bursa-pastoris), barrilha ou soda (Salsola spp.)

Adaptado de um panfleto por Stuart Hill e Jennifer Ramsey para Projetos Agrícolas Ecológicos no Campus MacDonald de McGill e publicado em “A Alma do Solo: Um Guia para Gestão Ecológico do Solo”, 2ª ed, por Grace Gerhuny e Joseph Smillie.

Traduzido para português por Rute Gabriel, liberta-te.com. Nota de tradutor: algumas espécies do documento original foram omitidas por não serem nativas ou com presença espontânea em Portugal.

6 Listas de Plantas e Bases de Dados para Permacultura e Ecologia

6 Listas de Plantas e Bases de Dados para Permacultura e Ecologia

 

Um dos maiores desafios quando começamos a abrir os olhos para a Natureza é a QUANTIDADE de espécies de plantas ao qual estamos subitamente conscientes.

Quando damos por ela, passamos horas a olhar para os nossos jardins, para as ervas daninhas das nossas hortas e para as bermas dos caminhos, mas a identificação destas plantas “novas” e, mais dificil ainda, como interpretar o que estamos a observar, por vezes parece demasiado.

Por isso deixo aqui ao dispor 6 Bases de Dados e Listas de Plantas que descobri na minha busca por recursos que

  • me ajudassem a identificar plantas que observo no meu habitat e o que significa a sua presença, além das suas funções;
  • me ajudassem a perceber que plantas preciso para desempenhar funções específicas (como uma planta fixadora de azoto);
  • perfis de plantas que se dão bem nas condições de solo e clima da minha zona, entre outras caracteristicas…

e muito mais informação super util que nos ajuda a afinar cada vez mais o nosso habitat, tornando-o cada vez mais sustentável e regenerativo.

Depois de bastante pesquisa, as melhores listas que encontrei são em Inglês, mas o Google Translator funciona muito bem a traduzir a informação retida nestes sites, e com a utilização do nome cientifico da planta numa pesquisa google facillmente se encontra mais informação em português.

Mas deixo como bónus 2 sites de listas de plantas em português que considero bastante úteis. São das mais completas em lingua portuguesa que encontrei e uso-as principalmente para perceber em que contextos e climas certas espécies aparecem no nosso país.

Decidi focar-me nestas listas de plantas porque qualquer um consegue pegar no nome de uma planta e colocá-la no google, mas dificilmente se encontram listas onde se pode cruzar informação. Por ex: encontrar uma planta que goste de sol direto, tolere solos argilosos e seja melífera. Algumas destas bases de dados contém centenas de milhares de plantas e, em algumas delas, rapidamente conseguimos destacar exatamente as plantas que queremos conhecer com pesquisas avançadas deste género.

Portanto, sem mais demoras, aqui vai:

1. PFAF | Plants for a Future

https://www.pfaf.org/user/Default.aspx

Encontrei esta lista porque em mais de 80% dos casos em que pesquisava uma planta com “nome cientifico+permaculture”, aparecia-me a ficha completa da planta que procurava neste site.

Desde então tem sido imprescindível para perceber funções de plantas.

Dá para pesquisar a sua base de dados de mais de 7000 espécies cruzando imensos factores para encontrares exatamente o que precisas.

Ou simplesmente insere o nome cientifico da planta pretendida para estudares mais sobre ela – desde funções medicinais, a história da planta, condições necessárias, caracteristicas, e muito mais.

Esta base de dados funciona à base de donativos e é completamente grátis, por isso convido-te a patrocinar esta iniciativa espetacular com o teu donativo, para que possas continuar a tirar proveito do trabalho fantástico que a Plants for a Future têm feito.

2. The Plant List | A maior lista de plantas do mundo

http://www.theplantlist.org/

Esta ENORME lista de plantas identifica 1.25 milões de nomes de plantas, das mais comuns às mais exóticas, passando por espécies essenciais à alimentação humana como trigo, arroz e milho às roseiras do teu jardim e fetos tropicais exóticos, e providencia links para publicações de pesquisa e investigação científica.

O objetivo desta lista é prevenir a identificações falaciosas e assegurar o sucesso destas espécies. Pretende esclarecer uma “salganhada” taxonómica centenária onde nomes sem standard ou estrutura promovem ignorância, rivalidade e muitas vezes confusão que prejudica a nossa percepção na saúde e número dos exemplares das espécies.

Com um plano adoptado em Nagoya, Japão, membros da Convenção pela Biodiversidade das Nações Unidas prevê que esta base de dados estará completa em 2020.

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3. Natural Capital Plant Database | Dados de Plantas em Permacultura

https://permacultureplantdata.com

Esta base de dados é um repositório de informação sobre plantas para climas temperados para design ecológico. Quer sejas um “novato” ou um designer em permacultura experiente, esta lista espera poder levar o teu conhecimento de plantas e sistemas ecológicos ao próximo nível. Citam diversas fontes para fornecer os detalhes de caracteristicas de plantas, tolerâncias e comportamentos, funções ecológicas, usos humanos, factores a ter em conta, e consorciações possiveis.

permacultureplantdata1permacultureplantdata2permacultureplantdata3

Esta base de dados tem diferentes niveis de membro, dependendo das tuas necessidades e das ferramentas que precisas. Um membro grátis tem apenas acesso à “Plant List” (que coloquei como exemplo na primeira foto deste site). Como podes ver abaixo, existem muitas outras ferramentas úteis que poderás ganhar acesso, por exemplo, fazendo-te membro “Annual Individual” por uns meros 30$ por ano. (cerca de 25€).

Explora este site fantástico e todos os recursos que têm ao dispor.permacultureplantdata4

4. Practical Plants | Enciclopédia Colaborativa

http://practicalplants.org/wiki/Practical_Plants

Practical Plants é uma enciclopédia de edição colaborativa comunitária e base de dados de informação de plantas cultivadas com propósitos práticos para o ser humano. Conta com mais de 7400 artigos botânicos que cobrem temas como funções medicinais, alimentares ou materiais, informação de cultivo e propagação, consorciação de plantas e policulturas.

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O que gosto mais acerca desta lista de plantas (para além de ser construida comunitáriamente) é que tem um motor de pequisa avançado se não souberes que plantas precisas mas conheces as caracteristicas do LOCAL onde queres plantar.

practicalplants2practicalplants3Uma desvantagem de ser editável por qualquer um – devido a ser de edição colaborativa comunitária, como a wikipédia – é que alguma informação pode não estar correta. Mas por isso é que temos outras listas onde podemos sempre cruzar informação e confirmar.

Mas em qualquer base de dados se deve cruzar informação. Não quero desvalorizar a informação reunida nesta lista, de maneira nenhuma. É um dos sites que mais uso, principalmente quando tenho aqueles espaços mais complicados e não sei que plantas seriam as mais apropriadas àquele local.

5. Permaculture Plant Index | Temperate Climate Permaculture

www.tcpermaculture.com/site/plant-index/

Em comparação com algumas listas que já partilhei, esta lista de plantas ainda é pequena e está a ser desenvolvida, mas a maior vantagem que vejo nesta lista de plantas é que está organizada por estratos da floresta. Ou seja, tens a categoria das árvores de copa alta, de coba baixa, herbáceas, raízes, fungos, arbustos, trepadeiras, cobertura de solo. O que é muito útil para um design de um bosque de alimentos, policultura perene ou agro-floresta.

tcpermaculture1tcpermaculture2Não encontrei este site pela sua lista de plantas. Encontrei-o pelo conteúdo interessante que têm acerca de policulturas e guildas para bosques de alimentos. Até fiz download de um dos PDFs deles. Muito util.

Por isso fiquei muito satisfeita quando vi que estão também a desenvolver uma lista de plantas de utilização em permacultura. Apesar de ser especifico para climas temperados, ainda trabalham com espécies comuns em Portugal.

tcpermaculture3

6. Sturtevant’s Edible Plants of the World, 1919 | Henriette´s Herbal Homepage

https://www.henriettes-herb.com/eclectic/sturtevant/index.html

Esta lista de plantas é mais um mimo. Se és como eu, adoras conhecimento ancestral. Esta lista de plantas foi compilada em 1919, pelo que deves consultar a sua informação com conta e medida e sempre cruzando com conhecimento científico botânico actual.

Mas não deixa de ser lindo podermos consultar uma lista destas, com informação que talvez se tenha perdido e/ou não esteja presente noutras listas mais modernas.

A “history buff” dentro de mim não resistiu em partilhar esta contigo… plantas, conhecimento ancestral e livros antigos? Queres uma combinação melhor que esta?

henriettesherbal1henriettesherbal2

E para além disso, se vires a barra lateral do site, encontras imensos outros recursos muito uteis, incluindo outras obras no inicio do séc.XX, homeopatia, botânica, etc.

BÓNUS

Jardim Botânico da UTAD

https://jb.utad.pt/pesquisa

Esta lista de plantas é particularmente util por várias razões:

  • É uma lista com foco em plantas EM Portugal
  • Mostra um mapa de distribuição da planta pesquisada no país
  • Indica se a planta que pesquisaste se encontra no Jardim Botânico da UTAD
  • Tem plantas organizadas em várias categorias, incluindo “coleções”
  • Mostra o Habitat/Ecologia da planta (como podes ver nas imagens abaixo)

UTAD0UTAD1UTAD2

Flora-On | Flora de Portugal

http://flora-on.pt/

Esta lista é, na minha opinião, mais útil na pesuisa de grupos de plantas – a tabela lateral mostra familias de plantas, mas podes também pesquisar plantas específicas. Este site também mostra mais pormenores nas carateristicas dos ciclos de vida das plantas em Portugal: épocas de floração, frutificação, etc.

Também permite pesquisar por indice temático e tem uma opção de exploração bioclimático.

floraon1floraon2

Espero que estas listas te ajudem como me têm ajudado a mim a desvendar este mundo que se abre para nós quando olhamos para sustentabilidade, regeneração ecológica e permacultura: as nossas amigas plantas.

Conheces mais listas/recursos botânicos online e queres partilhar? Comenta abaixo e contribui para a partilha de conhecimento!

7 Canais Youtube: Habitações Alternativas, Ecológicas e Sustentáveis

Como já deves saber, adoramos habitações alternativas e ecológicas. Adoramos que isso nos permita conectar mais com a Natureza, dar maior valor aos nossos recursos naturais, e desprende-nos da culpa que sentimos pelo mal que causamos fazendo apenas uma coisa básica para a nossa sobrevivência: arranjar abrigo.

As Earthships resolvem essa questão e muitas outras, mas a verdade é que existem muitas outras formas de teres uma habitação mais ecológica, sustentável, e até personalizada.

A Internet é um Universo paralelo IMENSO, com tanta informação que por vezes é dificil encontrar conteúdo de qualidade, e que nos interesse neste mundo digital.

Por isso compilámos para ti esta lista de canais de Youtube que nós seguimos para nos inspirarmos, tirar ideias, aprender, e principalmente sentir que existem muitas formas de vida alternativas completamente viáveis, e que este movimento de habitações alternativas e ecológicas não são só uma moda – chegaram para ficar.

Estes canais são maioritariamente em inglês. MAS não te preocupes – mesmo que não compreendas o que está a ser dito, as imagens falam por si – continuam a ser uma fonte de inspiração. Além disso, podemos sempre propôr aos canais nos darem autorização para colocarmos legendas nos seus videos. Por isso, se quiseres legendas, por favor comenta abaixo qual o video que queres legendado e nós faremos o nosso melhor.

1. EXPLORING ALTERNATIVES

Sobre o canal (excerto do canal de Youtube):

Exploring Alternatives é um centro conteúdo de vidas alternativas que esperamos poder informar-te e inspirar-te.

Criamos videos sobre as nossas próprias experiências de estilos de vida, e sobre pessoas que vivem em mini casas, carrinhas, caravanas e barcos; e pessoas que exploram estilos de vida em viagens a longo prazo, minimalismo, “zero waste living”, e muito mais.

Este canal de origem canadiano também tem um blog, onde podes aprofundar mais sobre os temas abordados nos seus videos Youtube, e outro conteúdo exclusivo, incluindo o “Guia para a Vida de Carrinha”.

exploring alternatives Blog

2. KIRSTEN DIRKSEN E FAIRCOMPANIES

Sobre o canal (excerto do canal de Youtube):

Videos sobre a vida simples, auto-suficiência, pequenas e mini casas, quintais das traseiras (e animais), transporte alternativo, DIY, artesanato e filosofias de vida.

kirsten dirksen canal

Para além do seu próprio canal de Youtube, Kirsten é co-fundadora da faircompanies Productions, Inc., o seu negócio independente que “pretende manter a sua autonomia, respeitosamente a outros projetos ou interesses institucionais.” O site é 100% financiado por Nicolás Boullosa e Kirsten Dirksen.

faircompanies

Sobre faircompanies

faircompanies cria videos e informação (em inglês e espanhol) para auxiliar no progresso humano usando as melhores ferramentas:

  • conjectura;
  • tentativa e erro.

Falam de vida simplista, tecnologia, razão, o novo iluminismo, mercados, filosofia, justiça, bem estar. Convidam-te a participar e partilhar fórmulas para melhorar o mundo agora mesmo, que vão além do barulho da demonstração ou imposição de ideologias.

3. LIVING BIG IN A TINY HOUSE

Sobre o canal (excerto do canal de Youtube):

O meu nome é Bryce, e sou apaixonado por design de pequenos espaços. Junta-te a mim nas minhas viagens nesta jornada em busca das melhores mini casas, habitações alternativas e histórias de vida amigas do ambiente e simplistas. Mas não estou apenas a observar das bancadas! Também me meto nas minhas próprias construções de pequenos espaços.

Para além do foco em espaços pequenos, sustentáveis, mas principalmente funcionais, este canal neozelandês também tem o seu próprio site onde podes explorar o processo completo de construção de mini casas do cantor (e apresentador) Bryce, aceder a livros, e outros recursos úteis de construção de mini casas:

living big in a tiny house Blog

4. DYLAN MAGASTER

Sobre o canal (excerto do canal de Youtube):

Dylan Magaster, nascido 1994, em Kansas, E.U.A., reside presentemente onde quer que ele esteja estacionado na sua micro casa sobre rodas, uma carrinha Chevy G20 convertida. Um nómada digital e filmmaker, Dylan tem vindo a fazer documentários sobre as pessoas que se cruzam no seu caminho ao longo da sua jornada, com um foco em ambientes de vida alternativos. Tem feito filmes sobre carrinhas convertidas, mini casas, casas off-grid, e até uma casa feita a partir de um avião a jato, nos bosques de Oregon, E.U.A.

dylan magaster canal

5. THE INDIE PROJECTS

Sobre o canal (excerto do canal de Youtube):

(Previamente chamados VDubVanLife) Somos Theo e Bee, e nós começámos a documentar as nossas viagens pela Europa na nossa carrinha convertida VW T4 LWB (Belthy) em Junho de 2014. Fazemos questão de incluir muitos aspetos diferentes da nossa vidas e das nossas viagens, assim como de outras pessoas fantásticas que conhecemos pelo caminho.

Temos um blog de viagens () onde documentamos as nossas aventuras através de imagem e texto, e estamos presentemente a trabalhar num website. Viajar na nossa carrinha tem sido uma forma fantástica de ver o mundo e adoramos partilhar isso com toda a gente!

the indie project canalPS: Apesar de tantas aventuras e sitios lindos que certamente visitaram, adivinhem onde este casal decidiu comprar o seu pequeno pedacinho de paraíso…. PORTUGAL, pois claro! Podes ver tudo isso no canal deles e/ou no blog. E quem sabe, talvez um dia os encontres a passear com a sua casinha sobre rodas perto de ti 😉vdubvanlifeblog

6. TINY NEST

Sobre o canal (excerto do canal de Youtube):

Segue a construção da mini casa de Jake & Kiva, assim como tours de mini casas, entrevistas, vlogs e outros recursos!

Neste canal podes ver o passo a passo do projeto pessoal deste casal apaixonante, onde eles MOSTRAM-TE tudo o que fizeram para construirem a sua própria mini casa.tiny nest canal

Para mais recursos sobre como planear e construir a tua própria mini casa, visita o site deles, onde podes ter acesso a tours em realidade virtual de mini casas, e recursos para planear e construir mini casas, assim como recomendações do casal!

tinynest site

7. TINY HOUSE GIANT JOURNEY

Sobre o canal (excerto do canal de Youtube):

Olá, eu sou Jenna Spesard. Construi e vivo numa Mini Casa para me libertar financeiramente, de maneira a poder viajar pelo mundo! Neste canal, partilho habitações alternativas, videos de estilo de vida, tecnologia para mini casas, e as minhas aventuras ao viajar à volta do planeta. A minha história já apareceu em HGTV, Travel Channel, Huffington Post, USA Today, e muito mais!

tiny house giant journey canal

Podes também explorar o site oficial:

tiny house giant journey site

 

 

Porquê Bosque de Alimentos?

Temos o prazer e a honra de ter autorização do Permaculture Research Institute para traduzir para PORTUGUÊS o conteúdo fantástico que eles disponibilizam no blog deles. Achamos o conteúdo deles valiosíssimo e achamos que mesmo quem não sabe Inglês MERECE ter acesso a esta informação. Espero que gostes.

Artigo original em inglês por Angelo Eliades

Image source: Permaculture a Beginner’s Guide, by Graham Burnett

Porquê Bosque de Alimentos?

 

Estamos todos familiarizados com o conceito de florestas – expansões selvagens, abundantes, viçosas e cheias de vida, uma riqueza de biodiversidade e inspiradoras de contemplar. Árvores e plantas entrelaçadas, ocupando cada espaço possível, a primavera da Vida em si!

Florestas existem bem sozinhas. Não precisam de corta-relvas, de remoção de ervas daninhas, de pulverizações ou de cavar o solo. Nada de pesticidas, fertilizantes ou químicos nocivos. De alguma forma safam-se muito bem, obrigado.
Agora, imagina se tudo nesta floresta verdejante, abundante e espetacular fosse comestível!

Se consegues imaginar como isso seria, se consegues ver isso no olho da tua mente, então não estás longe da realidade do que um bosque de alimentos pode ser.

Ao compreender como as florestas crescem e se sustêm sem intervenção humana, podemos aprender com a Natureza, e copiar os sistemas e padrões para modelar os nossos próprios bosques – bosques esses cheios de árvores e plantas que produzem a comida que nos alimenta.

Podemos desenhar e implementar os sistemas de produção alimentar mais susentáveis possivel; aperfeiçoado, refinado e cuidado pela própria Mãe Natureza.

Se este conceito traz à tona dúvidas ou cepticismo relativo a isto ser algo que funcione na vida real, deixa-me assegurar-te que bosques alimentares são um conceito comprovado. Sim, estão a funcionar em todo o mundo, e até funcionam em áreas urbanas. Eu sei, eu planeio e implemento-os!

Então, deves estar a perguntar-te como tudo isto funciona, quais são os benefícios, se será mais produtivo ou económicamente viável do que um sistema de agricultura comercial, e por aí fora.

Bem, vamos abordar todas essas questões e mais algumas à medida que exploramos o caso pelos Bosques de Alimentos neste arigo, por isso quero convidar-te a continuares a ler!

PORQUÊ FLORESTAS?

Ou é isto…

Ou isto… a diferença é óbvia!

 A diferença é – VIDA!

Florestas são vida.

  • Florestas são o lar de aproximadamente 50-90% de toda a biodiversidade terrestre – incluindo os polinizadores e as variedades bravas de muitas culturas agrícolas. (Fonte: WWF Living Planet Report 2010)
  • Só as florestas tropicais, estima-se que contenham entre 10-50 milhões de espécies – mais de 50% das espécies no planeta.
  • Florestas tropicais cobrem 2% da superfície terrestre e 6% da massa terrestre, no entanto, são o lar de mais de metade das espécies animais e vegetais do planeta.

Destes factos básicos, deve se tornar evidente que as florestas em si são sinónimas de vida, biodiversidade e fertilidade. Onde a vida converge, complexa e onde relações simbióticas entre organismos são criadas; comunidades naturais e harmoniosas se formam, e formas de vida se multiplicam e proliferam.

Se as florestas são o local onde a maior parte da vida no planeta habita, então qualquer coisa menos que uma floresta é menos adequado a sustentar vida. Vida sustenta vida, e no entanto nós esquecemo-nos que somos, de facto, parte desta teia da Vida, e que dependemos de outras vidas para sustentar a nossa.

Humanos destrem florestas para criar “campos“. A palavra (“field”em inglês) deriva da ideia tudo nessa área foi cortado (“felled” em inglês) e removido.  Nestas áreas abertas nós construimos cidades e quintas.

Quanta vida e biodiversidade vês ao teu redor no dia a dia comparada com o que existe num bosque? A resposta é evidente, e o conceito que “florestas são vida”, axiomático.

FACTOS FLORESTAIS

 

  • A Natureza anda a fazer crescer plantas à 460 milhões de anos, e árvores à 370 milhões  — O Ser Humano moderno aparece pela primeira vez num fóssil em África à cerca de 195 000 anos atrás.
  • As árvores cobriram, em tempos, quase toda a massa terrestre da Terra, hoje cobrem cerca de 3.9 Biliões de hectares, ou pouco mais que 9.6 biliões de acres, que corresponde a apenas (cerca de) 29.6% da área total no planeta.
  • Hoje, existem apenas três grandes florestas restantes na Terra: a Amazónia da América do Sul, e as florestas boreais na Rússia e Canadá.

Árvores estão presentes à muito mais tempo que a Humanidade. Todo o petróleo e carvão que estamos a queimar a velocidades frânticas foram criados dos restos morais decompostos de florestas ancestrais, de milhões de anos de idade, razão pela qual lhes chamamos combustíveis fóssil!

Relativamente falando, somos recém-chegados a este planeta, e no entanto pensamos na curta perspectiva da nossa duração de vida, e muitas vezes em frações de tempo mais curtas ainda.

Bosques e florestas têm formado um ecossistema equilibrado que alastrava a todo o comprimento e largura do planeta muito antes do aparecimento da Humanidade, mas agora as florestas estão num estado lastimável. O que nos esquecemos é que estes bosques foram responsáveis por nutrir e criar toda a vida neste planeta de uma forma ou de outra, e ainda operam como o sistema de suporte de vida do planeta.

FLORESTAS SÃO O DESIGN PERFEITO

  • Com 460 milhões de anos de experiência, e um jardim de 9.6 bilhões de acres, a Mãe Natureza tem vindo a refinar os métodos de cultivo de de jardins auto sustentáveis melhor do que ninguém. Sem arrancar ervas daninhas, sem pulverizações ou regas!!!
  • Natureza sustentou, alimentou, vestiu e acolheu a Humanidade durante 95% da nossa existência – agricultura apenas apareceu à 10 000 anos.
  • Estabelece-se que a Natureza é obviamene o melhor (e único) méodo disponível para nós imitarmos no crescimento dos nossos jardins.

Aqui é onde uma perspeciva real pode radicalmene mudar a nossa visão do mundo e o nosso sentimento de pertença nele.

No nosso dia-a-dia, quando queremos aprender a fazer algo, normalmente (esperançosamente!) tencionamos fazer o que quer que quisermos fazer, bem! Isto é, com um grau de competência, com eficiência e eficácia. Podemos até ambicionar mestria, perseguindo o objetivo elusivo da perfeição.

Parece ser este o caso, quer estejamos a aprender um desporto, começar um novo hobby, ou a começar um negócio sério. Obviamente, o melhor sitio para começar é ver se alguém já conseguiu o que nós estamos a tentar fazer, e então procuramos pelos melhores, com quem aprender. Nós buscamos pessoas através das quais nos possamos modelar – Exemplares.

Por definição, um exemplar é um modelo ou padrão para ser copiado ou imitado. Se estamos a aprender um desporto, naturalmente não queremos usar como modelo pessoas “amadorescas” ou incompetentes, Em vez disso, escolhemos imitar os campeões nessa área. Então, o que os faz campeões? A escala e qualidade dos seus sucessos, a sua experiência, e as suas credenciais.

Então e se a nossa tarefa que estevermos a empreender fosse o de cultivo de alimentos?

Pensa no melhor jardineiro que conheces, quanta competência, experiência e sucesso têm acumulado?

Que sistema de cultivo de plantas conceberam, e quão sustentáveis são estes sistemas? Serão eles energéticamente intensivos ou neutros?

Agora, vamos refletir de volta à Mãe Natureza, centenas de milhões de anos a cultivar todas as plantas em existência, a prosperar sem intervenção humana (e sem a existência humana durante a maior parte desse tempo), sem quaiquer “inputs” de energia para além daqueles fornecidos por sistemas naturais – verdadeiramente um exemplar a usar como modelo.

O que fazemos então, como pessoas? A coisa mais ilógica imaginável, claro! Tentamos re-inventar a roda.

Mas não só tentamos fazer o absurdo e equiparar-nos à Natureza, nós iludimo-nos que podemos fazer melhor que a Natureza nas nossas insignificantemente curtas vidas, na nossa insignificantemente recente sociedade industrializada, no seu insignificantemente curto período de teste onde ainda está por determinar se este caminho levado pela Humanidade é sequer um caminho viável!

Seres Huanos em sociedades modernas possuem a ideia errada que a Natureza tem que ser lutada contra, conquistada e controlada. Isso é um grito distante das sociedades mais ancestrais ou mais “primitivas”, que vêm a Terra como a sua Mãe. Um ponto interessante a refletir.

PORQUÊ BOSQUES DE ALIMENTOS?

Aperfeiçoar a Natureza??  Se isto é uma melhoria a uma floresta para sustentar vida, eu acho que estamos feitos ao bife……

Conseguimos fazer melhor?

Aqui estão algumas das consequências das nossas tentativas ineptas a “aperfeiçoar” a Natureza (fotos abaixo). Agricultura moderna cria monoculturas desequilibradas que são preservadas através de guerras químicas implacáveis. Não só estamos a fazer um péssimo trabalho, mas esamos a envenenar a Natureza e a nós mesmos no processo.

 

  • Algures entre 8500 e 7000 AC, os seres humanos do Crescente Fértil no Médio Oriente começaram uma gestão sistemática de plantas e animais – um sistema chamado Agricultura.
  • Certamente conseguimos fazer melhor do que monoculturas enfileiradas em campos nus após 10 000 anos a praticar agricultura?

A Natureza é referida como “Mãe Natureza” por uma razão, foi ela que nos amamentou; ou seja, alimentou, vestiu e abrigou-nos durante a maior parte da nossa existência relativamente curta neste planeta. Perspectiva pode ser algo ameaçador para as nossas mentes sonolentas!

Algures no caminho, perdemos a nossa reverência pela Natureza, a nossa crença na ligação entre todos os seres vivos, e o nosso sentido de harmonia com o nosso ambiente.

Descartámos essas crenças “primitivas” porque alcançãmos “progresso”. Tivémos a nossa suposta “Era do Iluminismo”, religiosamente seguimos o culto do racionalismo onde trocámos a nossa reverência pela Natureza por uma reverência mal colocada na mente humana, e enquanto nos prostramos ao altar da Razão Humana, perdemos o nosso lugar no mundo.

Lamentavelmente, desde que nos convencemos que nada existia acima da mente humana, o nosso pensamento arrogante levou-nos a acreditar que o “nosso lugar” era acima do da Natureza. Estar num pedestal tão elevado significava que nós dominávamos a Natureza, e se desobedecesse, que a espancariamos até à submissão.

Podemos nos rir da história real do Imperador Romano Calígula se ter auto-proclamado um Deus e de ter chicoteado o mar com correntes pela sua desobediência, mas quão diferente é a abordagem da Humanidade moderna face à Natureza – como algo a ser batalhado, conquistado e controlado.

As mesmas guerras implacáveis que travamos uns com os outros, com as mesmas armas letais, travamos com a Natureza.

Travamos guerras químicas e biológicas contra a Natureza e as suas criaturas, e mesmo parecendo ser a mais fúil, sem senso e destrutiva das guerras, nós persistimos até em nosso detrimento.

Tal é a nossa miopia como espécie. Com esta perspectiva antropocêntrica, onde tudo revolve em torno do ser humano, não pode resultar em nada de bom.

A Humanidade é coletivamente culpada por tentar torcer e deformar os factos acerca de como a Natureza funciona para encaixar no que são predominantemente mentes fechadas, cheias de crenças sem fundamento.

Estas crenças disorcidas são muito reais. Biotecnologia acredita firmemente que a “salvação” da Humanidade jaz na “engenharia” de culturas através de modificações genéticas para suprimir todas as nossas necessidades e salvar a Humanidade da Fome.

Esta forma de pensar messiânica é seriamente iludida, e os seus suseranos corporativos não podiam estar menos interessados, não fosse pelos lucros que estas formas de vida patenteadas podem potencialmente gerar.

Chamem-me crítico, mas estas alegações não são científicas, e como uma pessoa com qualificações em Ciência, eu francamene julgo estas alegações como ofensivas, pois são simplesmente “alegações baseadas em fé” mascarando-se de ciência, sem provas que corroborem a sua veracidade.

Entretanto, práticas de agricultura convencionais estão a destruir enormes extensões de terra através de erosão de solos, salinidade, abuso de fertilizantes químicos, destruição de ecossistemas de supore (que trazem chuva, por exemplo).

Se removermos os “piscas ideológicos”, e observarmos fora do contexto da nossa presente Era e Sociedade, é vivamente óbvio que nos estamos a encaminhar por um beco sem saída e a fazê-lo a velocidade crescente, apressando uma conclusão sinistra.

Só para adicionar um pouco mais de perspectiva à pintura do quão perdida está a Humanidade, eu ouvi académicos a argumentar contra o “movimento verde”, adicionando o argumento absurdo que a “natureza (e logo, a vida) não tem valor algum, para além da sua utilidade para o Homem” – preciso dizer mais?

Agora, se alguém pensa que o caminho é “aperfeiçoar a Natureza”, e colocou a sua fé neste processo, eu apelo urgentemente a examinarem criticamente a sua visão do mundo. Se consegues ver que algo está errado com o status quo, mas queres tornar-te parte da solução em vez de parte do problema, então continua a ler!

HÁ UMA FORMA MELHOR!

  • Porquê reinventar a roda quando uma melhor já existe, olha para a Natureza!
  • Podemos planear e implementar ecossistemas naturais repletos de vida, que se cuidam sozinhos, tal como um bosque ou floresta – mas que contém plantas que nós escolhemos.
  • O Sistema de Design de Permacultura observa sistemas e padrões naturais, e imita-os para um design de sistemas de produção alimentar e residência humana que se integra harmoniosamente com a Natureza.

Porquê cavar assim?

 Quando os profissionais estão ao dispor….

COMO A NATUREZA CULTIVA PLANTAS

Olhamos para o sistema da Natureza, e copiamo-lo, para que a Natureza faça o trabalho por nós, tal como as minhocas cavam em vez de nós. Isso é o espírito da Permacultura. Sem necessidade de trabalho duro…

A Natureza cresce num padrão altamente optimizado, utilizando múltiplas camadas e tirando o máximo proveito tanto do espaço horizontal, como do vertical.

Um bosque de Alimentos é geralmente composta por 7 estratos ou camadas, a mais alta destas sendo o estrato da Copa. A copa é constituida por árvores altas – geralmente árvores de fruto ou de nozes de grande porte.

Entre as árvores de copa alta, existe uma camada de árvores de fruto de pequeno porte ou de copa baixa. Atenção, uma árvore de pequeno porte pode tipicamente atingir 4m de altura, por isso não penses necessariamente que são árvores muito baixas.

Aninhado entre as árvores de pequeno porte estão os arbustos – que estão bem representados pelas groselhas e bagas.

A ocupar o restante espaço está o estrato das herbáceas, estas são as plantas medicinais e culinárias, plantas consorciadas, plantas meliferas e de forragem para aves de capoeira.

Qualquer espaço restante é ocupado pela cobertura de solo, plantas rasteiras. Estas formam uma cobertura e adubo verde que protege o solo, reduz a perda de água por evaporação, e evita o aparecimento de plantas indesejadas.

Podemos ainda ir um estrato mais profundo, a rizosfera, ou a zona das raízes, o estrato subterrâneo que é ocupado por todas as culturas de raiz, como as batatas, cenouras, gengibre, yacon, etc.

Enquanto isto pode parecer muitas plantas num só espaço, ainda temos mais um espaço a preencher, o espaço vertical. Este é ocupado pelas trepadeiras, que podem subir por qualquer suporte vertical, seja árvores, vedações, etc. Esta categoria inclui uvas, feijão, muitas variedades de bagas, maracujá. kiwi, ervilhas trepadeiras, chokos e muitas outras espécies que adoram trepar.

Agora, existem muitos equívocos acerca do que é realmente um bosque de alimentos que eu gostava de esclarecer.

  • Linhas direitas de árvores não é um bosque de alimentos. Isso é o que chamamos de pomar (e até agroflorestas).
  • Linhas de árvores com algumas plantas a crescer por baixo não é um bosque de alimentos, é um pomar com sub-plantações.
  • Linhas de árvores com linhas de outras plantas alternadas entre elas não é um bosque de alimentos, é um pomar implementado com intercalação de culturas.

Um bosque de alimentos pode não ter necessariamente todas as 7 camadas, mas contém múltiplos estratos ou camadas, e ainda mais importante, é um ecossistema vivo virtualmente auto-sustentado.

Em termos de forma, o que mais diferencia um bosque de alimentos de um campo bidimensional de alfaces ou qualquer outra monocultura é que o bosque é uma estrutura tridimensional.

Em termos de função, sendo um ecossistema vivo dá-lhe propriedade e atributos que não estão presentes em sistemas agrícolas em geral nem em muitos jardins.

OS BENEFÍCIOS

Os benefícios a ter de um bosque alimentar são os seguintes:

Alta Produtividade
  • Plantação de Alta densidade assegura alta produtividade.
  • Biodiversidade assegura uma fonte de alimentos contínua ao longo do ano.
Cobertura de Solo, Composto e Fertilização Natural
  • Tal como uma floresta, o bosque de alimentos cobre o chão sozinho para reter humidade.
  • Com tamanha densidade vegetal, um enorme volume de folhagem caída acumula e decompõe-se para adicionar matéria orgânica ao solo.
  • Decompositores, a classe de insetos e organismos que decompõem a matéria orgânica, como as minhocas, térmitas e santarenas, trabalham para ajudar o processo de compostagem natural.
Controlo Natural de Pragas
  • Sem necessidade de químicos! Bosques Alimentares usam predadores naturais para se livrarem de pragas – deixando os profissionais fazer o trabalho, naturalmente.
  • Insetos predadores têm um habitat permanente (um ecossistema natural) e fontes de alimento abundantes (flores ricas em néctar) num bosque alimentar. Fornece ambas estas coisas e eles aparecerão por sua conta! Uma hortinha de vegetais é apenas lar para as espécies de insetos praga, não fornece habitat para os insetos “bons”!
  • Um Ecossistema vivo e abundante atrairá aves e outros predadores maiores, contribuindo mais para o controlo natural de pragas.
Resiliência Através da Biodiversidade – A força está nos Números
  • A Naureza não planta enormes áreas de apenas uma espécia (nem em linhas direitinhas!), a Natureza prefere biodiversidade, não monoculturas! Misturar diferentes tipos de plantas todas juntas fá-las crescer melhor, ponto final. Cria uma sinergia natural que beneficia todas as plantas envolvidas. As plantas, como resultado, são mais resistentes a pragas e doenças, e são mais produtivas (e mais bonitas!).
  • O uso de consorciação de plantas (plantas que se beneficiam mutuamente) permite-nos recriar a biodiversidade da Natureza para ganhar estes benefícios.
Regeneração de Solos Fácil – Cortar e Largar (Chop n’ Drop em Inglês)
  • Na Natureza, quando morrem plantas, elas ficam onde caíram. Não são arrancadas e deitadas fora! Não arranques pela raíz as plantas anuais que terminaram o seu ciclo, corta-as ao nivel do solo. A raízes vão apodrecer para criar milhares de intrincados canais de ar e água no subsolo. As partes aéreas das plantas cortadas criam um sistema natural de cobertura de solo vegetal em compostagem como no solo de uma floresta.
  • Preserva o teu solo, cria caminhos. Não pises nas camas, o solo está vivo!!! (De facto, é até um ecossistema mais complexo do que qualquer outro à superfície).Pisar nas tuas camas vai compacar o solo, cerrando caminho para o ar e água, dificulando a infiltração destes até às plantas, o que ira inibir o seu desenvolvimento.

RESUMINDO E CONCLUINDO….

Um Bosque de Alimentos é construido para emular uma floresta real — apenas a preenchemos com plantas alimentares e árvores que desejamos.

Florestas “reais” não necessitam de trabalho algum, elas auto-susteêm-se — nada de pesticidas, herbicidas, arrancar ervas daninhas, rotação de culturas, corta-relvas ou cavar. O bosque de alimentos também não precisa de nada disso! Menos trabalho, mais comida, tudo natural! Porquê fazer outra coisa?

Concluindo, se olharmos para além da nossa cultura modernizada, para os sistemas vegetais mais avançados e abundantes em vida da Natureza, é claramente evidente que trabalhar com a Natureza é o caminho mais sábio e mais produtivo para uma produção alimentar sustentável.

Earthship: Uma Opção Atraente de Habitação Sustentável

[vc_row][vc_column][vc_single_image image=”1507″ alignment=”center”][vc_empty_space][vc_message]Temos o prazer e a honra de ter autorização do Permaculture Research Institute para traduzir para PORTUGUÊS o conteúdo fantástico que eles disponibilizam no blog deles. Achamos o conteúdo deles valiosíssimo e achamos que mesmo quem não sabe Inglês MERECE ter acesso a esta informação. Espero que gostes.

Artigo original em inglês por Tobias Roberts[/vc_message][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]As casas em que habitamos são a epítome da pilhagem industrial do nosso planeta. Quantidades massivas de madeira de baixo custo repleto de químicos nocivos nas estruturas das nossas casas. Para aquecer e arrefecer o lar, combustíveis fósseis são bombeados para as nossas casas resultando num excesso de emissões de gases de efeito estufa.

Apesar dos confortos e luxos que a habitação moderna oferece, na sua maioria, é um dos aspetos mais insustentáveis das nossas vidas. Earthships têm vindo a ser desenvolvidas desde os anos ’70 e oferecem uma alternativa de habitação única e mais ecológicamente amigável.

O PREÇO ECOLÓGICO DA HABITAÇÃO MODERNA

O estilo de construção mais comum que tem vindo a dominar o mercado imobiliário americano é uma estrutura timber frame (estrutura de madeira) de pinho tratado e folhas de contraplacado. A fachada da casa é coberta de tapume de plástico ou imitação de tijolo e as paredes interiores são normalmente feitas de placas de gesso.

Como a maioria das novas casas construidas para o mercado no mundo industrializado são estruturas enormes, frequentemente com áreas superiores a 185 metros quadrados, muita madeira é necessária, e portanto, contribuindo para a desflorestação. A indústria imobiliária nos EUA é responsável por quase metade de toda a madeira conífera cortada a cada ano.

Mais de 4000 m2 de floresta de crescimento lento são cortados a cada 66 segundos e quase metade dessa madeira é usada na construção de casas cuja longevidade estimada é inferior a 50 anos.

A maioria das casas utilizam uma quantidade generosa de cimento nas suas fundações. Cimento é outro material de construção insustentável e é responsável por, pelo menos, 5% de todas as emissões de gases de efeito estufa. Além disso, algum cimento contém elementos radioativos na sua composição.

Quase todas as casas modernas são aquecidas e arrefedidas por aquecimento central e ar condicionado que correm a combusitíveis fósseis. É estimado que quase metade de toda a energia usada numa habitação é para a climatização da mesma.

Se cada 9 cm2 de uma habitação moderna precisa de 50 kwH para aquecer ou arrefecer, então para uma casa de 185 m2 de área,  atinge-se um total de cerca de 100.000 kwH por ano. Isto provoca uma larga quantidade de gases efeito estufa libertada para a atmosfera e leva a uma dependência perigosa aos combustíveis fóssil.

Quase nenhuma habitação construida industrialmente tem em consideração métodos de construção para eficiência energética que se fiem em fontes de energia sustentáveis. Além do mais, muitas regulamentações de construção até proíbem certos métodos naturais de climatização de uma habitação.

Outro problema com os imóveis modernos é a grande quantidade de materiais tóxicos utilizados na sua construção. Asbestos é um carcinogéneo conhecido que ainda é utilizado em muitas formas de coberturas de telhados e isolamentos. Arseniato de Cobre Cromado é utilizado em quase toda a madeira tratada à pressão, que é um cunho da madeira utilizada para a estrutura das habitações modernas.

Apesar da EPA (Agência de Proteção Ambiental, nos EUA) ter graudalmente eliminado este tipo de materiais, muitas casas mais velhas ainda terão este tipo de tratamento na madeira utilizada na construção. Dezenas de outros químicos são também incluidos na madeira utilizada na construção moderna e desconhece-se os efeitos desses químicos na saúde humana.

Temos vindo a aceitar que a indústria de construção habitacional deve ser necessariamente monopolizada por um grupo de empreiteiros especializados e que qualquer espécie de habitação que não ofereça estes confortos dos tempos modernos (independentemente do quão insustentáveis são) é o equivalente a viver numa caverna.

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O QUE É UMA EARTHSHIP?

Earthships desafiam a suposição que:

  1.  É impossível construir a tua própria casa;
  2.  Habitações não podem ser completamente sustentáveis e parte da paisagem natural

Ao mesmo tempo, Earthships provam que sustentabilidade não tem que ser o equivalente a estilos de habitação maçante, enfadonha e simplista. Em vez, muitas Earthships são habitações lindas e espaçosos, com muito dos confortos que as pessoas esperam de um lar.

[/vc_column_text][vc_single_image image=”1509″ img_size=”590×393″ add_caption=”yes” alignment=”center” onclick=”custom_link” img_link_target=”_blank” link=”http://earthship.com/”][vc_column_text]

Earthships alegam ser casas 100% sustentáveis que incorporam uma variedade de diferentes características. Um dos príncipios principais da construção de Earthships é design solar passivo. Ao posicionar a casa virada a Sul (ou a Norte, no Hemisfério Sul) e construindo grandes janelas na fachada sul da casa, Earthships são capazes de gerar muito do calor necessário nos meses de Inverno através da captura de luz e calor solar.

Adicionalmente, as paredes das Earthships são feitas de materiais que podem ser considerados fontes de massa térmica, ou material que armazena calor ao longo do tempo. Originalmente, a maioria das Earthships eram feitas de pneus reciclados cheios de terra batida, e empilhados como tijolos. Quando um pneu está cheio de terra, este atinge cerca de 136kg de peso, fazendo as paredes de uma Earthships uma fonte de massa térmica extremamente robusta. Paredes de Earthship podem também ser construidas com adobe, super adobe ou cob.

As paredes interiores são normalmente feitas de materiais reciclados como latas de aluminio unidas com algum cimento. As latas podem então ser rebocadas com um material natural à base de argila para que, no interior, seja imperceptivel que estejas rodeado por nada mais que paredes de pneus. Earthships são desenhadas para recolher toda a água necessária do ambiente circundante, principalmente através de sistemas de captura de águas pluviais conectados ao telhado. Água da chuva  é filtrada antes de ser redireccionada para uma cisterna que fornece água para as necessidades domésticas.

Toda a água utilizada numa Earthship é, ou reutilizada, ou reciclada. As águas cinzentas de chuveiros e lavatórios é redireccionada para as sanitas onde é utilizada para o autoclismo. A água é depois feita passar por células botânicas onde esta é purificada com a ajuda de bactérias benéficas e um filtro de turfa. Esta água é depois usada mais uma vez para os autoclismos.

Outro aspeto característico das Earthships é que são construidas para serem 100% independentes energéticamente e off-grid. Geram toda a energia que necessita através da instalação de sistemas eólicos e solares ecológicos. Esta energia é armazenada em baterias que são guardadas no telhado.

Enquanto a maioria do calor das Earthships é gerado através de um design solar passivo e da capacidade de armazenamento dessa energia térmica em paredes de massa térmica enormes, calor adicional pode ser fornecido através de salamandras. Novos designs de Earthships têm vindo a ser construidas num estilo de “estufa dupla”, com dois painéis de vidro virados a Sul formando toda a fachada Sul da casa. Isto captura ainda mais calor e mantém a casa quentinha durante o Inverno.

Um sistema de arrefecimento natural que se fia em convecção é também utilizada nas Earthships. Tubagem é enterrada para reunir ar fresco antes de ser trazido para o interior da casa. Uma pequena janela é deixada aberta no topo da casa para permitir que uma corrente de ar fresco constante entre pela tubagem no chão enquanto o ar quente escapa pela janela em cima.

O EXEMPLO DE NOVO MÉXICO

Reynolds começou a construir o seu design inicial de Earthship em Novo México (EUA). Devido ao clima quente e abundância de sol, o design solar passivo da Earthship e as paredes de massa térmica adaptaram-se perfeitamente à condições locais. Desde 1970’s, quando Reynolds construiu o seu primeiro modelo “proto” Earthship, dezenas de Earthships têm vindo a ser construídas por indivíduos na região.

A Earthship Biotecture é a sede mundial do movimento Earthship. Localizado em Taos, Novo México, é uma espécie de museu vivo e escola para construção de Earthships e estilo de vida sustentável. Oferecem também uma Academia Earthship onde pessoas podem receber formação prática para se prepararem para a construção da sua própria Earthship.

Adicionalmente, a “Greater World Earthship Community” é um bairro inteiramente composto por Earthships. Os 256 hectares não têm ligação à rede ou a esgotos. Uma comunidade 100% off-grid, a Greater World Earthship Community mostra como as pessoas se podem juntar para viverem mais sustentávelmente.

EARTHSHIPS PARA UM FUTURO MAIS SUSTENTÁVEL

Earthships incorporam numerosos elementos de design sustentável para oferecer às pessoas os confortos de uma casa construída convencionalmente com a dependência em materiais insustentáveis e energia fóssil. Através da reciclagem de materiais da nossa civilização consumista, e através de design ecológico, Earthships oferecem uma das habitações alternativas mais sustentáveis.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]

Ollas: Potes de Barro para Irrigação de Jardins e Hortas

[vc_row][vc_column][vc_message css_animation=”rollIn”]Temos o prazer e a honra de ter autorização do Permaculture Research Institute para traduzir para PORTUGUÊS o conteúdo fantástico que eles disponibilizam no blog deles. Achamos o conteúdo deles valiosíssimo e achamos que mesmo quem não sabe Inglês MERECE ter acesso a esta informação. Espero que gostes.

Artigo original em inglês por Kevin Bayuk[/vc_message][vc_column_text]

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Um aldeão de Sri Lanka enche a sua olla Photo copyright © Craig Mackintosh

 

Cruzei-me inicialmente com este conceito de utilizar potes de barro não vitrificados para irrigação subterrânea na série de fime “O Jardineiro Global” de Bill Mollison. Mollison comenta que esta técnica pode ser. para parafrasear, “o sistema de irrigação mais eficiente do mundo.” Mais recentemente reparei com interesse que as belas gentes do Path to Freedom  estavam a utilizar estes potes de barro nalgumas das suas camas elevadas, o que me levou a questionar como poderia experimentar com ollas como um potencial sistema de irrigação subterrâneo. Aqui está o que descobri…..

ollaOllas (pronuncia-se “oias”) são potes de barro/argila/terracota não vitrificados, de gargalo estreito, que são entrerrados no solo com o gargalo exposto acima da superfície e cheios com água para irrigação das plantas abaixo da superfície. Esta tecnologia de irrigação é um método ancestral, estimando-se que tenha originado no Norte de África, e com provas de ter sido utilizado na China durante 4000 anos, e ainda é utilizado actualmente em vários países, nomeadamente India, Irão, Brazil (Bulten, 2006; Power, 1985; Yadav, 1974; Anon, 1978 and 1983) e Burkina Faso (Laker, 2000; AE Daka, 2001).

Ollas podem ser o método de irrigação da flora local em climas áridos mais eficiente que a Humanidade conhece devido às paredes microporosas (não-vitrificadas) que “não permitem que a água flua livremente do pote, mas guia a inflitração da água na direção onde existir o desenvolvimento de sucção. Quando enterrado até ao gargalo no solo, ollarootscheio de água, e com plantas adjacentes a este, o pote de barro surte efeito de irrigação subterrânea à medida que água exsude deste, resultante da força de sucção que atrai as moléculas de água às raizes das plantas. A sucção é criada pela tensão da humidade do solo e/ou pelas raízes das plantas em si.” (AE Daka – 2001.) As raízes crescem em torno dos potes e apenas “puxam” humidade à medida que esta é necessária, nunca desperdiçando uma única gota. “Ollas virtualmente eliminam o escoamento e evaporação comuns em sistemas de irrigação modernos, permitindo a planta absorver quase 100% da água.” (Conservação de Água da Cidade de Austin, 2006.)

Para usar ollas no jardim, horta ou quinta, enterra-se a olla no solo deixando o gargalo ligeiramente acima da superfície (idealmente o gargalo da olla é vitrificado para evitar perda de água por evaporação ou pode ser razoável aplicar uma alfombra (ou mulch) que cubra o gargalo da olla sem que entre dentro do pote). A olla é cheia de água e a abertura é tapada (com uma pedra, tampo de argila ou qualquer outro material disponivel para evitar mosquitos, intrusão do solo e evaporação.)

ollaneck_buried“Dependendo de factores tais como as necessidades hídricas das plantas, tipo de solo, estação do ano, e ambiente, ollas podem necessitar de ser cheias de água semanalmente, ou diariamente. Água geralmente demora entre 24 e 72 horas para fluir através da olla.”(Bulten, 2006) Água deve ser adicionada à olla sempre que a quantidade cair abaixo dos 50% para evitar o acumular de resíduos de sais minerais ao longo da superfície da olla que pode impedir a desejada infiltração.

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Olaria e Produção de bens de cerâmica é um arte artesanal ancestral e uma indústria “low-tech” doméstica que deve ver um renascimento. Photo copyright © Craig Mackintosh

 

Quando avaliada no contexto de um movimento para independência local, as vantagens das ollas parecem surpreendentes (a seguinte lista é fornecida pela investigação por AE Daka):

  1. Visto que potes de barro são [podem ser] fabricados por mulheres [e/ou homens] de áreas rurais, estes podem criar emprego e oportunidades para indústrias domésticas em pequena escala para manufactura destes em zonas rurais. Isto poderá geral rendimento rural e ajudar a assegurar fonte de alimento doméstico.
  2. Não são caros [quando localmente produzidos em zonas rurais].  Um pote de barro de 5L custa US $0.25.
  3. Irrigação por potes de barro permite um agricultor fazer sementeira in situ em vez de as transportar de um viveiro. Potes de barro são instalados diretamente onde as mudas serão plantadas e isto permite o agricultor semear a semente perto do pote de barro onde germinará e se estabelecerá.
  4. O sistema é adequado para vegetais assim como pomares hortícolas perenes ou culturas de plantação e áreas arborizadas [( é de notar que plantas com crescimento de raízes perenes lenhosas podem e provavelmente irão quebrar as ollas, mas estas podem ser utilizadas para estabelecimento de sistemas perenes)].
  5. Poupança de água de 50-70% são conseguidas, particularmente para culturas hortículas. Perda de água devido a filtração para lá da área das raízes é reduzida, se não evitada de todo.
  6. Humidade no solo está sempre disponível na capacidade do campo dando às culturas total segurança perante stress por falta de água.
  7. O sistema inerentemente evita excesso de irrigação.
  8. As imensamente menores quantidades de água e frequência de regas necessárias reduzem tremendamente o trabalho necessário para irrigação.
  9. Muito menos trabalho é necessário na monda de ervas daninhas, visto estas não prosperarem, pois a superficie do solo permanece seca durante a estação de cultivo.
  10.  Efluentes de águas domésticas [águas cinzentas] das cozinhas podem ser facilmente recicladas e utlilzadas na irrigação por potes de barro em quintais. A água utilizada para limpar utensílios na cozinha pode ser usada para re-encher os potes num quintal, pequena horta ou jardim. Poupa-se assim em água quando esta escasseia e reduz a necessidade de utilizar água doce.
  11. Poupa na quantidade de fertilizantes a aplicar [alguns estudos sugerem uma redução de até 50%] por unidade de área de terreno se o fertilizante for aplicado nos potes de barro e é depois absorvido como solúvel via movimento da água para as plantas.
  12. O solo sob o sistema de potes de barro não compacta pelo impacto da água mas permanece solto e bem arejado.
  13. As ollas podem ser instaladas em solo ondulante e acidentado.

[/vc_column_text][vc_column_text]Algumas das desvantagens das ollas incluem a probabilidade de se quebrarem no inverno se deixadas no subsolo em áreas onde haja risco de congelamento de inverno – “a nossa pesquisa revelou danos em algumas ollas (em centenas) quando deixadas enterradas no solo durante o Inverno.” Bulten, 2006. Claro, para hortas em climas temperados, extrair as ollas do solo pode ser considerado manutenção padrão da horta. Uso prolongado provavelmente reduzirá a porosidade, alguns solos pesados (muito argilosos) podem ser inapropriados para situar ollas e a longevidade das ollas (sem geadas ou gelo) é desconhecida mas estimada num estudo de ser 5 anos ou mais. Além disso, apesar das alegadas eficiências, e o longo historial de uso e simples requerimentos de produção (mais abaixo), ollas são dificeis de encontrar localmente, e podem ser, especialmente no opulento mundo “hiper-regularizado”, proibitivamente caros de trazer. Finalmente, parece existir investigação contraditória e insuficiente no que diz respeito à melhor forma, volume e materiais para ollas.

 

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Potes de barro, como estes em Sri Lanka, podem também ser utilizados como refrigeradores de água em climas áridos. Vê “Um Refrigerador que Funciona Sem Eletricidade” para ver como funciona. Photo copyright © Craig Mackintosh

 

ollas_shapeO consenso da investigação existente é que o tamanho e forma ideal para a olla está dependente das plantas a ser irrigadas. Não existem estudos existentes nas consequências de utilizar ollas numa policultura densa. Deve-se “corresponder a porosidade, tamanho e forma da olla às necessidades hídricas das plantas, dimensão e distribuição das raízes.” (Conservação de Água da Cidade de Austin, 2006.) “Como guia geral, ollas mais pequenas são boas para jardins de vaso. As ollas maiores são melhores para vasos grandes ou para aplicações exteriores no solo.” (Bulten, 2006.) Intuitivamente, um recipiente mais afunilado, de fundo achatado, e gargalo estreito (para reduzir evaporação e contaminação) devem ser mais eficiente devido a uma maior área de superfície e teoricamente um aumento da alastração de água, permitindo um menor número de ollas a ser utilizadas para irrigar suficientemente uma maior área. Capacidades de 5L a 12L têm sido relatados, com volumes de 10-12L a ser utilizados para irrigar culturas de videiras (tomates, cucurbitáceas, vinhas, etc.). Mais investigação empírica será benéfico para a comunidade global.

Similarmente, estudos existentes não são claros no espaçamento ideal das plantas em redor das ollas. Claramente, espaçamento será dependente na forma e dimensão das ollas, isso não surpreende. Baseado em pesquisa existente as seguintes tabelas podem ser criadas para descrever o potencial espaçamento das ollas baseado numa estimativa geral da alastração da água.

calculos ollasAdicionalmente, John Bulten proporciona as seguintes notas e diagrama:

“Semear ou plantar mudas dentro de 5 – 13 centímetros de raio baseado no tamanho da olla.”

diagrama ollasNum outro estudo, “potes de barro com capacidade de 5 litros cada e fabricados por mulheres rurais foram instalados a intervalos de 0.5 m nos terrenos de estudo enterrando-os até ao gargalo nas camas de sementeira.” (AE Daka – 2001.)

ollagardenParecem existir abordagens semelhantes, mas distintas, no fabrico de ollas, maioritariamente definidas pela disponibilidade local de matéria-prima e tecnologia. Incluí descrições palavra-a-palavra da produção de ollas com o intuito de reunir um conjunto solto de guias para informar artesãos locais a inventar uma abordagem apropriada para a área da Baía de S.Francisco (ou onde quer que a manufactura de ollas esteja a ser tentada):

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Ollas em Sri Lanka
Photo copyright © Craig Mackintosh

“Maria criou os seus muito apreciados potes negros usando o fundo de um velho prato (puki)…. começando por bater uma peça de argila numa tortilla no puki, Maria depois rola um pedaço de barro entre as palmas das suas mãos, criando uma longa corda de barro de grossura uniforme. Beliscando e apertando este rolo na tortilla enquanto vira o seu puki com a outra mão, Maria forma a base da olla. Camadas sucessivas de rolos foram adicionados até o recipiente estar completo.”(Hoxie)

“Para fazer as urnas, o ministério criou moldes de gesso a partir de abóboras e cabaças de diversos tamanhos. Trabalhadores despejam argila líquida dentro dos moldes para formar as urnas e cozem-nas no forno para solidificar o barro. As urnas são vendidas por 12$ a 15$ dependendo do tamanho.” (Conservação de Água da Cidade de Austin, 2006)

“Os potes de cerâmica são feitos de uma mistura de argila e areia na proporção de 4 para 1 e com uma porosidade efetiva entre os 10-15%. Os potes de barro são feitos por mulheres do campo usando as suas mãos para os moldar em formas diferentes, ex: cilídrico/arredondado com um fundo algo achatado. Depois de feitos, vitrificação não é efectuada para manter a sua porosidade natural – as paredes permanecem micro-porosas. Os potes são depois temperados cozendo-os numa fogueira escavada a uma temperatura indeterminada. Manufacturas de cerâmica a pequena escala usam fornos para cozer os ditos potes de cerâmica a 1200ºC. Isto é feito de forma a eliminar as propriedades de expansão e contração da argila, que poderia causar rachas nos potes. As mulheres acreditam que o tipo de argila usada para fabricar os potes é muito importante e requer uma mulher mais velha e experiente para identificar argila que não rache indevidamente durante o processo de cozedura e de facto quando instalado nas condições do campo.” (AE Daka – 2001)

ollaberries“Se potes apropriados não estiverem disponíveis, podem ser facilmente feitos à mão ou numa roda de oleiro. Dependendo da argila, areia, cascas de arroz, ou serradura pode ser adicionada numa proporção de 1:4 para aumentar a porosidade dos potes. Apesar de cozeduras a forno fechado excedendo os 450ºC é ideal, potes podem ser cozidos em fogueiras ao ar livre a temperaturas de 200-300ºC. Abertura: gargalo estreito (reduzir tamanho da abertura para reduzir evaporação e contaminação) (Barak, 2006).

Composição: Argila porosa não vitrificada – podes usar uma argila rude, que possui uma mistura de particulas de maiores dimensões e não é pura, que resultará em maiores poros durante o processo de cozedura. Ou podes misturar 20% areia com 20% argila de qualidade (a melhor opção) ou a mesma percentagem de cascas de arroz ou serradura. O processo de cozedura irá, claro, queimar o enchimento deixando poros uniformes e um pote de alta qualidade. (Barak, 2006)

Os potes que eu uso são de argila de pouca qualidade com uma temperatura de cozedura baixa, e portanto mais vulneráveis a quebrarem e/ou tendo poros que transmitem água muito rapidamente. Pelo melhor que consigo ver, eles usam argila vermelha rude com impurezas de areia e alguma palha misturada (provavelmente menos de 20%) e são cozidos provavelmente a cerca de 427ºC, que é a média da temperatura atingível em fornos de fogueira ao ar livre.” (Barak, 2006)

Este video mostra uma técnica de roda de oleiro:

Este video mostra uma técnica diferente:

Alguns Links e Referências:

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Método de Transição para um Estilo de Vida mais Sustentável

Lembo-me quando vi “Uma Verdade Inconveniente” no cinema da minha vila: estava no 8º ano, e toda a escola foi convidada a ir à sala de cinema para ver o documentário sobre o aquecimento global derivado da ação humana no planeta.

E lembro-me, no final, de achar que o problema não tinha solução.

Que havia tanto para mudar que seria impossível fazer tudo.

Se me dissessem na altura que eu tinha que produzir os meus próprios alimentos, separar os meus resíduos em 20 categorias diferentes (como faz uma certa vila no Japão que produz 0 lixo), criar a minha própria carne, boicotar todos os plásticos e a indústria do petróleo, participar em todas as manifestações socio-ambientais…. a minha cabeça explodia.

E explodiu. Durante muito tempo não fiz nada em relação ao assunto porque me senti tão afogada no meu estilo de vida – havia tanto para mudar que nem sabia por onde começar. Não tinha um sistema para transitar para o estilo de vida “romântico” que eu imaginava e com que sonhava sem que parecesse uma tarefa utópica ou extremista – nem sabia que tal coisa podia existir.

Quando há tanto para fazer que ficamos paralizados pela tarefa herculeana que é levar um estilo de vida sustentável. Não tem que ser assim.

 

Mas a verdade é que todo o nosso dia a dia é uma amálgama de hábitos. E esse conjunto de hábitos não se criou num só dia – foram-se acumulando, devagarinho, sem darmos por ela.

E se conseguissemos fazer o mesmo com os hábitos de uma vida sustentável?

 

Eu e o Pipo estamos a trabalhar activamente na nossa transição à cerca de um ano e meio. Muito pouco tempo, somos praticamente novatos. Mas a verdade é que nesse pouco tempo já mudámos muita coisa, e se tivéssemos tentado fazer tudo de uma vez, provavelmente teríamos desistido. A pouco e pouco, mas de uma forma consistente, já temos uma horta de cerca de 200m quadrados, já temos galinhas que não só nos dão ovos como nos ajudam no controlo de ervas daninhas e na fertilização do solo, já temos um vermicompostor, pelo menos mais 20 árvores novas, banco de sementes, plantas medicinais. Já reduzimos o lixo que sai da casa: reaproveitamos todo o lixo orgânico, as borras de café, os guardanapos e papéis, e breve as latas e as garrafas de vidro e plástico serão aproveitadas também.

Como é que se consegue fazer tanto sem termos dado por isso? Com um sistema. Um método de transição simples que se pode ir seguindo, que podes aplicar ao teu estilo de vida para fazeres as mudanças que tu consideras necessárias.

Permacultura é a criação desses sistemas e métodos de transição para estilos de vida sustentáveis de habitação humana. É justamente para que tenhas um método baseado em princípios e éticas próprias que guiem as tuas ações e os teus hábitos na direção da sustentabilidade sem que te sintas como a Rute do 8º ano.

E foi justamente isso que falámos no Cidade+, no Porto, quando fomos convidados a aceitar um desafio: a transição para a sustentabilidade urbana.


Deixamos aqui o texto de apoio com os métodos de transição que ensinámos na formação.

Pega num bloco de notas e aponta tudo o que considerares útil para aplicares na tua casa e nos teus hábitos do dia-a-dia.

Queres acesso à gravação de video da formação e ao PDF com toda a informação abaixo pronta para guardares? Subscreve para a nossa newsletter e recebe o link para acederes à video-formação onde são explicados mais aprofundadamente os conceitos descritos abaixo, entre muitas outras coisas: são 1h30 de conversa sobre métodos para a transição para um estilo de vida sustentável! Inscreve-te na nossa newsletter e recebe a formação em video da nossa intervenção no Cidade+ e o PDF.

 

Permacultura Aplicada na Transição

1. Modelo de Mindset

Tudo começa na nossa mente. Se ela não estiver alinhada, nada do que queremos atingir se consegue manifestar. Por isso trabalhar o MINDSET é o primeiro ponto para a transição. Começa por estudar as éticas e os princípios de permacultura para que tenhas uma guideline básica que guiem o teu método de transição para o estilo de vida sustentável que pretendes atingir.

 

Processo Comum:  DESEJO —» MEIOS —» DECISÃO

Este método é o mais comum e o responsável por 99% dos fracassos, não só em transição para a sustentabilidade, mas em qualquer área da vida. É quando a nossa decisão está dependente dos MEIOS que temos ao nosso dispor naquele momento. Este foi o método da Rute do 8º ano que tinha um desejo, viu que não tinha os meios, e não tomou uma decisão por causa disso. Pior, decidiu Não fazer nada.

 

Processo da Tribo:  DESEJO —» DECISÃO —» MEIOS

Este é o método que aprendemos na Tribo (plataforma e comunidade de e-learning de empreendedorismo social e digital), e que aplicamos no Liberta-te.com. Esta simples mudança obriga-nos a sair da nossa zona de conforto para CRIAR os meios/circunstâncias necessárias para satisfazer os nossos desejos.

Isto significa que, ao desejares levar uma vida mais sustentável, tomas essa decisão de ir por esse caminho e, por isso, vais procurar e adquirir os meios necessários para o fazer acontecer.

Não é afinal assim que vieste aqui parar, e estás a ler isto agora mesmo? 😉

Agora vamos te dar alguns meios para que possas avançar com a tua decisão de transitar para um estilo de vida mais sustentável.

 

2. Mudança de Hábitos e Comportamentos na nossa Economia

Muitíssimo simples. Nem sempre fácil, mas extremamente simples:

  1. Deixar de Investir contra as nossas éticas
  2. Investir no Socialmente Responsável

Fazer estas 2 pequenas coisas levará automáticamente numa mudança de hábitos e comportamentos. Não é algo que se faça de um dia para o outro, mas um processo que se faz um pouco todos os dias.

Por exemplo, recentemente encontrámos um moleiro (relativamente) perto de nossa casa. Se não tivéssemos estado à procura dos meios para satisfazer o nosso desejo de uma vida mais sustentável, nunca o teriamos achado. Agora, em vez de comprar farinha no supermercado, super embalada (= mais lixo), lixiviada e vinda sabe-se lá de onde, posso investir no socialmente responsável, patrocinando a economia local, e em troca recebo farinhas de todo o tipo, misturas personalizadas e farinha de alta qualidade moída na hora.

 

3. Metodologia Sistémica

Depois da tua tomada de decisão, precisas de encontrar os meios, os aliados, os recursos, e interligar todos os componentes num sistema em que nada é desperdiçado e tudo é aproveitado ao máximo. Isso é crucial para um estilo de vida sustentável.

 

Mas como?

  1. Determinar os Objetivos do Sistema
  2. Análise das estruturas Existentes
  3. Análise da organização/padrões existentes
  4. Análise dos processos envolvidos e estabelecer interações
1. Objetivos do Sistema

Neste caso, o teu sistema é a forma como tu operas, o teu habitat – o teu espaço e a forma como interages com ele. Precisas de determinar os objetivos que queres que o teu estilo de vida (sistema) consiga cumprir. Este conjunto de questões vai ajudar-te a delimitar os objetivos do teu sistema:

  • Qual a visão para o teu espaço (qual o teu estilo de vida/espaço de sonho)?
  • O que consideras necessário?
  • O que gostarias de ter no teu espaço/estilo de vida?
  • Valores e princípios que guia/rão o teu sistema/estilo de vida
  • Factores limitantes (espaço, dinheiro, tempo, competências, etc, etc, etc)
  • Recursos disponíveis (tudo conta – desde os mesmos elementos que consideraste um factor limitante – ex: dinheiro ou competências – como até algo que nunca consideraste um recurso – como borras de café para criar cogumelos, por exemplo)
  • Tempo
  • Manutenção
2. Análise das estruturas Existentes

Em permacultura, existem as estruturas visíveis – casas, contruções, infra-estruturas, terreno, espaços, ferramentas, tecnologia etc – e as estruturas Invisíveis: religião, espiritualidade, éticas, finanças, educação, cultura, economia…

Analisa os elementos existentes no teu sistema para, nos passos seguintes, conseguires recontectá-los de forma a que tudo flua mais suavemente – como as peças de um puzzle. Cada elemento é uma peça, e é preciso observar a melhor forma de todas encaixarem para que tenhas um puzzle (sistema) completo e harmonioso.

Para uma boa análise do elemento (peça do puzzle) é necessário perceber 3 coisas: quais os inputs (necessidades), os outputs (o que dá ou gera), e as características desse elemento.

Ex: um espaço social

INPUT (Precisa): 

  • Movimento
  • Pessoas
  • Espaço fisico (público ou privado)
  • Música (facultativo)
  • entretenimento
  • Conforto
  • Equipamento/mobiliário/estruturas
  • Responsabilidade Social pela
    • Manutenção e evolução do espaço
  • Ambiente convidativo (integrar em vez de segregar)
  • Convide à Interactividade
  • Uma actividade pode dar inicio a um espaço social

Características:

  • É um centro de actividade humana
  • É um ativo informativo e regenerativo
  • onde a cultura de um grupo se desenvolve
  • é acolhedor e confortável
  • Pode ser localizado num espaço físico, mas quem cria uma espaço social são um conjunto de pessoas que se reúnem com intenções/objetivos específicos
  • é uma necessidade humana

OUTPUTS (Fornece):

  • Animação/Entretenimento/Informação
  • Reforço e apoio moral
  • comunicação
  • cultura
  • bem-estar físico, emocional, mental, espiritual, económico
  • conexão c/ a comunidade que partilha do espaço
  • restauro energético
  • beleza/ estética
  • núcleo de desenvolvimento da comunidade/tomada de decisões

Agora que já conheces bem a peça do puzzle, mais facilmente a podes encaixar com as outras para um sistema sustentável.

 

3. Análise da organização/padrões existentes e 4. Análise dos processos envolvidos e estabelecer interações

Como é que as tuas peças do puzzle estão encaixadas neste momento? Tens ciclos que fluem ou tens ciclos abertos de desperdício de recursos/energia?

A forma como interages com o teu espaço é regulado por padrões – os teus próprios hábitos são padrões: de comportamento. Também existem padrões de consumo.

Por exemplo:

  • Muitas pessoas gostam de ter fruta em cestos, à vista, para que, no fluir natural de se movimentarem pela casa, se lembrem de comer fruta. Se a colocarem no frigorífico, muitas vezes só se lembram de a comer depois de já se ter estragado no fundo da prateleira, e depois lá vamos nós comprar mais fruta ao supermercado que não vamos comer. Simplesmente tendo a fruta à vista e à mão de semear já altera o padrão de alimentação da pessoa.
  • Ter os baldes da reciclagem logo ao lado do saco do lixo em vez de noutra divisão da casa pode reduzir o lixo que vai parar ao aterro sanitário.
  • Ter plantas mais sensíveis à janela da cozinha ou da casa de banho torna mais fácil a sua manutenção e rega. Basta aproveitar que JÁ lá estamos a fazer outra coisa, como lavar as mãos – para nos lembrarmos de também regar a planta. É este tipo de análise simples de padrões e organização do teu sistema que podes torná-lo mais sustentável e eficiente. Também podes, assim, fazer com que os teus recursos cheguem mais longe, reutilizando-os várias vezes antes de “sairem” do teu sistema.
  • Usar a água do banho para puxar o autoclismo poupa-te cerca de 4-8L cada vez que usas a casa de banho.

Um exemplo que eu adoro dar (porque vivo-o diariamente) é com as nossas galinhas. Elas são uma boa peça do nosso puzzle. Mas precisam de palha. Nós não temos muita palha, então criámos um padrão novo para aproveitar esse recurso ao máximo enquanto continuamos a tirar o melhor proveito possivel tanto da palha como da utilização que as galinhas lhes dão.

  • Em vez de precisas de palha para a nossa horta + a palha necessária para as galinhas;
  • A mesma palha vai primeiro para as galinhas – que depois de ser usada por elas (ou seja, fertilizada com o seu estrume), segue então para a nossa horta. Não só estamos a usar menos palha para as duas necessidades, como a palha vai em melhores condições para a horta do que no caso anterior.

Analisa os padrões existentes e muda-os criando novas interações entre as diferentes peças do teu puzzle para que encaixem melhor, deixando menos desperdício, trabalho e mais abundância e fluidez.

 

4.Processo de Design

Com todas as dicas dadas acima, o que estás a fazer é o design do teu habitat sustentável, tendo em conta as tuas necessidades, os teus valores éticos, e o bem-estar de todos os elementos envolvidos. Estás a criar um sistema bem oleado em que nada é deixado ao acaso e ao desperdício, seja esse desperdício de tempo, trabalho, dinheiro, recursos naturais, etc…

O ciclo constante que farás daqui para a frente (nunca mais ser capaz de não ver isto no teu dia-a-dia) será mais ou menos assim:

Da mesma forma que a nossa vida não é um destino, mas uma viagem, a transição para um estilo de vida mais sustentável não é um destino a que se chega – é um processo. Faz-se todos os dias, um bocadinho de cada vez.

Por isso diverte-te a criar a tua realidade sustentável com estas ferramentas – usa os principios e éticas de permacultura como uma filosofia de vida, transversal a todas as áreas e não só à agricultura biológica como muitos pensam.

Consome éticamente e vive um estilo de vida hedonisticamente frugal, consumindo menos mas apreciando tudo muito mais.

[PARTE 2: FLUIDEZ] 9 Dicas de PERMACULTURA que Podes Aplicar JÁ e Sem Experiência Prévia

Nesta série de artigos vamos te mostrar práticas que utilizamos em permacultura que não só poupam tempo, esforço, recursos e dinheiro, mas que ao mesmo tempo são parte de uma prática regenerativa, ecológica e mais sustentável que se pode e DEVE fazer em casa.

Não requer conhecimento ou experiência prévia em agricultura biológica ou permacultura, apenas vontade de ter uma rotina mais harmoniosa com os processos naturais que já ocorrem à nossa volta, aproveitar processos e recursos que já acontecem nas nossas casas e optimizar o nosso tempo e os nossos recursos.

 

Nesta PARTE 2 vamos falar sobre dicas para melhorar os resultados do que já fazemos, e como utilizar de uma forma mais optimizada os recursos que já temos ao nosso dispor para ciclos mais fluídos e harmoniosos. 

Parte 1 ALQUIMIA: LIXO EM OURO

Parte 2 FLUIDEZ: A NATUREZA GOSTA DE BEBER COM AMIGOS

1. ALFOMBRA OU MULCH – TAPA O TEU SOLO!

2. OLLAS

3. CONSORCIAÇÃO DE PLANTAS

 

Permacultura oferece não só os princípios éticos para nos guiar para uma vida mais sustentável, mas também as técnicas práticas congruentes a elas, para que possas aplicar no terreno todas as coisas lindas que dizemos sobre a Natureza: que devemos protegê-la, que o nosso estilo de vida pode ser mais sustentável, que devemos reciclar mais, produzir menos lixo e poluição, produzir (pelo menos alguns) dos nossos alimentos e ser menos consumistas, satisfazendo algumas das nossas próprias necessidades, etc

Mas COMO é que protegemos a Natureza? Falar é fácil, mas quais as AÇÕES que podemos tomar no nosso dia-a-dia, que sejam simples, que nos ponham a proteger a Natureza? A ter um estilo de vida mais sustentável?

Nós acreditamos que não são as grandes mudanças que fazemos uma vez, mas as pequenas ações que tomamos todos os dias que realmente fazem a diferença. Significa, pelo menos para nós, que o primeiro sítio onde se podem tomar pequenas ações nesse sentido é em casa.

 


 

Um dos recursos que mais temos de valorizar optimizando ao máximo é aquele ouro líquido transparente chamado H2O: Água

Nós somos apenas um reflexo de como a Natureza opera. ÁGUA é um recurso obviamente essencial, tanto para nós como para as plantas das nossas hortas – mas sabias que as plantas também precisam de amigos por perto? É sempre melhor beber com amigos, e nesta parte 2 vais ver que se juntares essas duas coisas, como a Natureza faz, vais entrar em maior fluidez com as tuas práticas na horta.

O Verão de 2017 vai ser QUENTE e SECO. Já começam as preparações para tentar irrigar o país, e a nuvem negra de fumo dos Incêndios florestais (se é que se possa chamar de uma monocultura de eucaliptos uma floresta) aproxima-se.

Também vêm aí as férias. Como é que podemos manter os nossos espaços irrigados quando está tudo tão quente e seco, poupando água ao máximo, e podendo ir passar uns dias fora sem arriscar voltar para uma horta morta?

 

 

 

1. ALFOMBRA OU MULCH – TAPA O TEU SOLO!

Um dos métodos pelo qual me apaixonei quando descobri a permacultura é o conceito de alfombra – ou cobertura de solo. O termo “técnico” em inglês é mulch.

Pensa comigo:

Quando, na Natureza, é que vês enormes extensões de terra expostos e sem ervas daninhas? Em areais, praias e desertos.

No mundo natural, são raros os casos em que a Natureza não cubra cada milimetro de solo com vegetação, e não é por acaso.

Não é por acaso que a Natureza cobre o solo do planeta – ela é muito poupada nos seus recursos mais preciosos – e água e vida no solo são MUITÍSSIMO preciosos.

 

A crosta terrestre é como a pele do planeta, e se estiver sempre exposta aos raios solares, principalmente no verão, seca muito mais rapidamente e queima.

Tal como a nossa pele, queremos mantê-la hidratada, e protegida dos raios solares nocivos.

No Outono, a própria Natureza encarrega-se de tapar o solo com as folhas de caem das árvores para evitar que o solo seja levado pelas enchurradas de água da chuva, e age também como manta para proteger das temperaturas mais baixas da atmosfera.

Ao livrar-nos das ervas daninhas, ao sachar entre as culturas, ao ter a terra sempre exposta ao elementos, estamos a prejudicar-nos sem sabermos:

  • Perdemos terra à erosão porque não há raizes a segurá-la;
  • Perdemos a biodiversidade na terra que nos dá a terra fértil que precisamos para as culturas porque torram todas ao sol;
  • A terra seca muito mais depressa, perdemos água à evaporação, e temos que regar muito mais e mais vezes – e muita dessa água nem chegará às plantas – o sol vai fazê-la desaparecer antes disso.

 

Ao taparmos a terra estamos a imitar os processos naturais.

Quando tapamos cada centímetro do chão da nossa horta, isto é o que acontece:

  • Poupamos até 70% a água de rega, porque a cobertura de solo está a proteger a terra da evaporação – por baixo dessa cobertura estará sempre escuro e húmido, ambiente perfeito para as nossas plantinhas e para a biodiversidade do solo.
  • Estamos a poupar a terra dos elementos, como o vento e águas forte, e evitando perda de terra por erosão e lixiviação.
  • Estamos a contruir solo e fertilidade, pois essa cobertura de solo vai se decompondo e criar matéria orgânica fantástica, aumentando a camada fértil e fofa de solo à superficie, que nos poupará trabalho no futuro, pois, com terra assim, já não é necessário lavrar.
  • Podemos mesmo evitar o aparecimento de ervas daninhas com uma camada espessa de alfombra, desde que a alfombra em si não contenha sementes.

 

O material que se usa para mulch ou alfombra é do mais variado, desde palha, às ervas daninhas que tiras da horta, casca de pinheiro, caruma, folhagem das árvores, seixos e pedras, etc. Gosto de recolher o meu mulch localmente. No Verão, isso significa palhas e ervas daninhas, e no Outono, folhas mortas.

Diferentes tipos de alfombra podem ser utilizados na horta, como mostra esta ilustração, cortesia de Mother Earth News

Para evitar que as sementes da palha que corto vão parar e crescer na horta, não a coloco diretamente na horta assim que a corto – empacoto-a bem apertada (como seria num fardo de palha) numa rede, rego-a, e deixo todas as sementes germinar – depois viro a pilha ao contrário. Vou fazendo isto até ter palha semi-decomposta, os rebentos todos terem morrido, e assim sei que as sementes que iam germinar já não tomarão conta da minha horta quando colocar essa palha a tapar o solo – além disso, todas as sementes que germinaram e morreram impregnaram a palha com hormonas de crescimento que ajudarão a minha horta!

 

Existem, que eu saiba, 3 tipos de alfombra.

  • MULCH SOLTO – a cobertura de solo composta por matéria solta – a que mencionámos acima;

 

  • ADUBO VERDE – Cultura no local de cobertura de solo verde (ou seja, viva), que também serve a função de adubo. Um exemplo excelente de adubo verde ou cobertura de solo viva é a cultura de trevo – cobre o solo de forma rasteira, servindo todas as funções esperadas de uma alfombra, mas também contribui com uma excelente dose de azoto para o solo e as plantas quando é cortado. Podes ver aqui mais pormenores como o trevo pode ser utilizado como cobertura de solo numa policultura biológica – basta procurares no artigo a secção detalhada sobre esta planta espetacular.

 

  • SHEET MULCH – cobertura em folha, ou seja, cobertura normalmente feita de cartão que se coloca diretamente no chão, como base para atrofiar ervas daninhas e impedir que tomem conta da horta que será feita por cima. Serve como base para camas elevadas, por exemplo.

Sheet mulch é mais frequentemente conhecido como aquele plástico preto que tapa o solo todo na agricultura convencional – o problema que eu vejo com esses plásticos é que

  • tens que gastar dinheiro para o ir buscar enquanto o mulch orgânico é de graça (ou quase de graça se quiseres comprar fardos de palha sem semente);
  • sendo geralmente plástico preto, este aquece imenso o solo por baixo e, enquanto servem a sua função de evitar crescimento de ervas daninhas, também obriga a uma irrigação mais intensa,

 

O Mulch de folha de cartão também evita o aparecimento de ervas daninhas enquanto se estabelece a horta, mas

  • sendo biodegradável, não estará lá para sempre – vai-se decompor e fazer parte da terra da tua horta ou cama elevada – e será, por isso, substituida pelo mulch de palha ou folhas para continuar o trabalho de controlar as ervas daninhas.
  • Não aquece demasiado o solo – pelo contrário, mantendo o mulch de folha bem húmido, ele agirá como uma esponja e ajudar-te-à a manter níveis de humidade ideais dentro do solo.
  • É de borla – faz parte do nosso processo caseiro de reciclagem – qualquer cartão mais espesso servirá para mulch de folha – desde que não tenha muitas tintas impressas e retires quaisquer bocados de plásticos e fita-cola antes de utilizar.

Camada mais funda à mais superficial da esquerda para a direita: Alfombra de folha como base para supressão da vegetação existente, contrução da horta ou canteiro em cima do cartão, e alfombra solta para proteger o novo solo e futuras culturas.

O mesmo método de construção de uma horta que na imagem anterior, transformando um relvado em canteiros produtivos. A alfombra de folha – o cartão – também cobre o que serão os caminhos da horta.

 

 

 

5. OLLAS

Este processo intrigou-nos. Tanto, de facto, que entrámos em contacto com um casal local de oleiros para nos fazerem OLLAS (pronuncia-se oias).

É um método ancestral de irrigação que utiliza potes de barro arredondados para libertar água para a terra à medida que ela é necessária. Ainda hoje em sítios como México, Irão e Afganistão usam esta técnica – e se em sítios áridos como esse ainda usam este método, é porque funciona.

O conceito é simples:  barro cozido não é vitrificado, é deixado no seu estado natural, o que significa que é poroso – enterra-se na terra deixando apenas o gargalo à superfície. Enche-se o pote com água e coloca-se a tampa. Por ser poroso, o pote vai transpirar essa água – ela vai atravessar a parede de barro para a terra circundante.

As plantas irão colocar as suas raízes em redor das paredes de barro à busca de água, e elas mesmas irão causar um efeito de sucção que irá puxar a água de dentro do pote para a raiz no exterior à medida que precisam – o que significa que quase 100% da água é de facto utilizada pela planta, quando ela precisa dela, visto que é ela mesma que a vai buscar ao pote.

Dependendo do tamanho do pote, quantos litros pode levar e as necessidades hídricas das plantas em redor, podes encher os potes com água e será irrigação suficiente durante 2-10 dias (mais uma vez, depende de quantas ollas tens, que espaçamento há entre elas, as necessidades das plantas e quantos litros cada olla pode levar). Isto significa que podes passar um fim-de-semana fora descansado que a horta terá a sede saciada enquanto estás fora.

Iremos brevemente traduzir um artigo muito interessante sobre ollas, mas para já podes consultar o original em inglês aqui.

 

 

 

6. CONSORCIAÇÃO DE PLANTAS

Já falámos do beber da preciosa água e como usar este recurso ao máximo e com o mínimo de desperdício e trabalho desnecessário.

Agora aos amigos.

Sabes quando vamos a um casamento, e toda a gente já tem os seus lugares designados pelos noivos? Eles decidiram quem se ia sentar ao pé de quem, porque se o Tio Alberto estiver num raio de 20 metros do Tio Zé, os noivos já sabem que vai haver confusão. Também sabem que se juntarem os primos Silva na mesma mesa, que vai ser uma festa do caraças.

“Ok, Janet, tu não suportas a tua irmã, por isso sentas-te aqui. Jason, tu achas a Teresa uma idiota por isso vais te sentar à minha esquerda…”

 

Com as plantas passa-se o mesmo. Algumas competem umas com as outras, ou impedem o desenvolvimento uma da outra, e outras cooperam entre si, ajudando-se a crescer.

Uma consorciação de plantas bem feita pode ajudar imenso a dinâmica de todos os seres vivos da horta para que trabalhem em sintonia.

  • Podemos evitar o aparecimento e propagação de pragas: Nós colocamos as nossas cebolas em redor das couves para evitar pragas de lagartas, por exemplo, ou cravos-túnicos debaixo dos tomateiros para evitar o aparecimento de pragas no tomate.
  • Podemos aumentar a produção das culturas ao emparelhá-las adequadamente: a camomila, emparelhada com aromáticas que produzem óleo, como oregãos, rosmaninho ou salva, aumenta a produção desses óleos. Camomila é conhecida como “a médica das plantas”.
  • Podemos atrair insetos benéficos: a combinação de pastinaca e aspargo atrai joaninhas para o teu jardim;
  • Podemos gerir melhor o espaço da horta: ao combinar plantas que ocupam espaço de forma diferente faz com que mais plantas possam viver harmoniosamente em menos espaço – como ter bróculos intercalados com alfaces: crescem melhor juntas do que separadas, o bróculo cresce mais na vertical e a alface tapa o solo mais à superfície não competindo por espaço;
  • Podemos gerir melhor os nutrientes do solo: Ao juntar, por exemplo, leguminosas (que libertam o bem querido AZOTO depois da colheita) a cereais – que sugam muitos nutrientes, podemos manter um certo equilibrio nutricional no nosso solo. Ao colocar plantas que precisam das mesmas coisas ao mesmo tempo, elas irão competir umas com as outras para adquirir esses nutrientes e teremos excesso de outros que não estão a ser utilizados por essas espécies.
  • Podemos evitar assim a exaustão do solo e fazer uma agricultura intensiva sustentável com rotação de culturas apropriada.

Aqui estão alguns guias de consorciação de plantas em Inglês – vai espreitando o blog ou subscreve à nossa newsletter semanal para receberes uma lista de consorciação traduzida para português que estamos a compilar e iremos lançar assim que estiver pronta.

Listas de Consorciação de Plantas

 

To be Continued….

 [PARTE 3] – BREVEMENTE

[PARTE 1: ALQUIMIA] 9 Dicas de PERMACULTURA que Podes Aplicar JÁ e Sem Experiência Prévia

Nesta série de artigos vamos te mostrar práticas que utilizamos em permacultura que não só poupam tempo, esforço, recursos e dinheiro, mas que ao mesmo tempo são parte de uma prática regenerativa, ecológica e mais sustentável que se pode e DEVE fazer em casa.

Não requer conhecimento ou experiência prévia em agricultura biológica ou permacultura, apenas vontade de ter uma rotina mais harmoniosa com os processos naturais que já ocorrem à nossa volta, aproveitar processos e recursos que já acontecem nas nossas casas e optimizar o nosso tempo e os nossos recursos.

 

Permacultura oferece não só os princípios éticos para nos guiar para uma vida mais sustentável, mas também as técnicas práticas congruentes a elas, para que possas aplicar no terreno todas as coisas lindas que dizemos sobre a Natureza: que devemos protegê-la, que o nosso estilo de vida pode ser mais sustentável, que devemos reciclar mais, produzir menos lixo e poluição, produzir (pelo menos alguns) dos nossos alimentos e ser menos consumistas, satisfazendo algumas das nossas próprias necessidades, etc

Mas COMO é que protegemos a Natureza? Falar é fácil, mas quais as AÇÕES que podemos tomar no nosso dia-a-dia, que sejam simples, que nos ponham a proteger a Natureza? A ter um estilo de vida mais sustentável?

Nós acreditamos que não são as grandes mudanças que fazemos uma vez, mas as pequenas ações que tomamos todos os dias que realmente fazem a diferença. Significa, pelo menos para nós, que o primeiro sítio onde se podem tomar pequenas ações nesse sentido é em casa.

Nesta PARTE 1 vamos falar sobre como temos recursos em casa que não sendo utilizados – são lixo e poluição – mas bem aproveitados, tornamo-nos em alquimistas e transformamos esse lixo em bens preciosos e úteis.

 

Poluição são apenas recursos para os quais não temos uma utilidade.

Não podendo re-inseri-lo num sistema de reciclagem (voltar a entrar no ciclo de uso), acumula e estagna - poluindo. Qualquer recurso que tenhas em casa que não estejas a utilizar ao máximo pode ser considerado poluição, e por isso queremos dar-te umas dicas de permacultura que podes aplicar já para minimzar o afluente de poluição que sai da tua casa, mas sim criar mais abundância.

 

Parte 1 ALQUIMIA: LIXO EM OURO

1. O LIXO DE UM É O TESOURO DO OUTRO

2. COMPOSTAGEM E VERMICOMPOSTAGEM

3. BIO FERTILIZANTES


RE-CICLAGEM

Não passa por apenas pegar em tudo que seja plástico, vidro ou papel e mandar para os centros de reciclagem. Se considerares o combustível necessário para os camiões de reciclagem irem buscar o nosso lixo, as emissões que lançam para atmosfera a cada viagem, a energia gasta pelos centros de triagem e reciclagem e como essa energia foi produzida, a pegada ecológica pode ser até maior do que NÃO fazeres a reciclagem. PODE. Não quer dizer que assim seja. Mas é um equilíbrio muito ténue e é só para ilustrar que a pegada ecológica da reciclagem é maior do que pensamos.

  • Podemos re-aproveitar frascos de feijão ou de molho de tomate para a nossa própria produção alimentar, como doces, conservas, pickles, etc
  • Podemos re-aproveitar cartões e cartolinas para sheet mulch (explicamos o que isso é mais abaixo)
  • Podemos reduzir nas nossas idas ao supermercado o nosso consumo de produtos excessivamente embalados e focar mais em comprar a granel, para levarmos menos plástico para casa e reduzirmos a nossa pegada ecológica por simplesmente, por ex: comprar os cogumelos “ao saco” no supermercado em vez dos pré-embalados.
  • Podemos re-aproveitar papéis mais finos para fazer acendalhas caseiras  – o que poupa na reciclagem industrial e na compra de acendalhas comerciais feitas de plástico.

Acendalhas feitas de rolos de papel higiénico e a fibras que se retiram dos filtros das máquinas de secar roupa.

Trazemos MILHARES de coisas para casa, e muitas delas podem ter utilizações futuras ANTES de irem parar ao lixo – só isso fará uma diferença ENORME na tua busca por um estilo de vida mais sustentável.

 

1. O LIXO DE UM É O TESOURO DO OUTRO

O Filme “Grinch” tem uma versão mais engraçada desta expressão: “O Lixo de Um é o PotPourri de Outro”. Mas não te estou a dizer para andares por aí a mergulhar dentro de contentores do lixo à procura de tesouro.

A ideia é pensar bem nos recursos que estão a ser mandados fora e que ainda têm utilidade antes de ser hora de os descartar. Aqui vão apenas alguns exemplos:

  • COUVETES alimentares de esferovite servem de paletes para tintas quando quero pintar, para secar as minhas flores, sementes, plantas para chás e outros projetos manuais.

 

  • BORRAS de Café: tenho um pequeno contentor separado para guardar a minhas borras de café (e aqui em casa são quantidades INDUSTRIAIS :s). Temos tantas borras que tenho mais do que suficiente para a minha horta, para a compostagem, para o vermicompostor, e para juntar num canto da horta para eventualmente criar cogumelos. Também servem para afastar as formigas da horta.

 

  • CINZAS: Ainda não existe NADA no mercado tão bom para arear tachos e panelas como esfregar cinza. Também é muito útil para fazer a nossa própria lixívia natural para roupa.

 

  • CASCAS DE OVO: Rico em cálcio. Pode ser pulverizado e dado às galinhas para que ponham ovos fortes. Também podes fazer os teus próprios suplementos de cálcio fazendo um pó com a casca e tostando no forno a baixas temperaturas.

 

  • CASCAS DE LARANJA, LIMÃO E OUTROS CITRINOS: FANTÁSTICO para fazer produtos naturais de limpeza – nunca mais gastas fortunas com produtos de limpeza, e a e tua casa vai sempre ter um aroma fresco e agradável. Existem imensos métodos e receitas diferentes online para te inspirares.

 

  • GUARDANAPOS E ROLO DE COZINHA: Esses também não vão para o lixo. Se tiverem sujos de óleos, são mais dificeis de aproveitar, mas fora essa exceção, ou vai para o compostor ou para as minhocas. Também se pode fazer papel artesanal e pasta de papel para projetos manuais aproveitando papel que iria para a reciclagem industrial – até se pode fazer um chão de sacos de papel lindíssimo com este material reciclável.

Chão com acabamento de papel que parece madeira! Tudo com papel, stencil e corantes de madeira – como utilizar café para escurecer a madeira.

  • GARRAFAS DE VIDRO, PLÁSTICO E LATAS: Se já ouviste falar das Earthship, sabes do que vou falar a seguir. O arquiteto Michael Reynolds usa latas e garrafas de vidro para fazer tijolos para eco-casas à cerca de 40 anos. Estas casas são mais sustentáveis de manter do que uma casa convencional, porque é aclimatizada passivamente (não requer energia elétrica para se manter entre os 18-25C – mesmo em locais onde as temperaturas atingem -20C a 40C), produz alguns dos seus própios alimentos, captura a própria água, etc.

Muitas dessas capacidades são possíveis devido aos materiais escolhidos para a construir. Os tijolos feitos com garrafas de vidro permitem entrar luz natural e criar vitrais espantosos embutidos nas paredes, enquanto que paredes feitas com “tijolos de lata” são também à prova de som devido à forma da própria lata.

Parede da Acedemia Earthship Biotecture em Taos, Novo Néxico, EUA

Se não estás a pensar construir uma casa, as mesmas técnicas se podem aplicar para fazer muros ou camas elevadas, por exemplo – poupando-te muito dinheiro na compra de cimento e outros materiais se começares a recolher esse material tu próprio.

Também é possível derreter garrafas de vidro para fazer bases de apresentação de comida para a tua mesa.

Com garrafas de plástico podemos até construir uma horta vertical (que iremos explorar com mais pormenor noutra publicação), se este artigo te deu vontade de ter uma mas te faltar o espaço para isso.

 

 

Esquece as Plantas. O que queres alimentar é o SOLO.

SOLO Saudável = Plantas saudáveis = Pessoas Felizes

Por isso vamos te dar duas dicas de permacultura e sustentabilidade para isso mesmo: Compostagens e Biofertilizantes.

 

2. COMPOSTAGEM E VERMICOMPOSTAGEM

Diz adeus ao “sumo de lixo” que pinga do teu saco a caminho do contentor – para sempre! 😀

Já mencionámos acima que muito do que iria parar ao saco do lixo e ao aterro sanitário pode e deve ser re-utilizado em casa – para nosso bem e para o bem do planeta. Quando “lixos” orgânicos são mandados para os aterros via sacos do lixo, a decomposição que acontece no aterro pode até tornar-se perigosa.

Os gases produzidos dentro dos sacos resultantes dessa decomposição, e enterrados sob toneladas de outro lixo, agem como uma panela de pressão, e pode mesmo causar explosões nos aterros sanitários – além de incêncios devido à produção de gases altamente inflamáveis que não têm para onde ir…

É importante fazer a separação de todo o lixo orgânico do inorgânico. Vais ver que, entre fazer isso e a reciclagem dos vidros, papéis e plásticos, não terás lixo quase nenhum a ir para o aterro. A sensação é tão agradável – principalmente quando deixarmos de ter de fazer a caminhada malcheirosa de levar o saco do lixo ao contentor.

Dentro das tuas circunstâncias – se vives no campo ou na cidade – a forma como fazes este processo muda apenas um pouco.

As borras de café, os guardanapos, os restos da cozinha, tudo isso pode ser re-aproveitado para fazer MAIS COMIDA! Nhami. Para isso basta dares ao compostor, às minhocas, ou às galinhas e patos.

 

Dar o quê a quem?

  • Restos de cozinha crus: Galinhas e/ou patos, compostor, minhocas (salvo algumas exceções que iremos falar mais abaixo)
  • Restos cozinhados: Galinhas e/ou patos. (Comida cozinhada não deve ir para o compostor nem para o minhocário)
  • Borras de café e guardanapos: compostor, minhocas, e para criar cogumelos

 

COMPOSTOR

Para uma boa compostagem, é preciso duas coisas – verdes e castanhos. Ou seja, Azoto e Carbono.

Verdes sendo as coisas “frescas”, ainda vivas, que queres decompor, e os Castanhos, o material mais seco e inorgânico, mas biodegradável – como folhas secas, papel, etc.

  • Queres manter uma proporção de 60% castanhos para 40% verdes.
  • Fazes camadas de lasanha de cada uma, começando por uma base de castanhos  – aqui entram os cartões e cartolinas, por exemplo.
  • Daí para a frente vais construindo a camada verde, e depois outra camada castanha, e por aí fora.
  • Se cheirar muito mal, é possível que tenhas demasiados verdes, por isso compensa com “castanhos” e depois continua a rotina normal.

Depois de algum tempo, dependendo do tipo de compostor que tens e que tipo de compostagem que estás a fazer (tema para outro artigo) – terás terra fantástica para alimentar as tuas plantinhas, que te darão mais comida… e cujos restos irão de novo para o compostor.

Ah… The circle of life.

Se não tens horta para utilizar este composto fantástico, podes sempre doá-lo a uma horta comunitária – ou vendê-lo. Composto pode ser um recurso muito valioso se for de boa qualidade. Seja como for, ganhas – agora o teu “lixo” está a render.

 

VERMICOMPOSTOR ou MINHOCÁRIO

O Vermicompostor (de minhocas – existem vermicompostores com outros bichos, mas isso é para outro artigo) é, na minha opinião, uma solução interessante para quem tem espaço limitado e não pode fazer compostagem – como em áreas urbanas – mas ainda querem reciclar algum do seu lixo orgânico.

Como o compostor, que não gosta de cozinhados (é estritamente crudívero), as minhocas também têm as suas particularidades.

Uma regra útil e engraçada que me ensinaram quando tirei o meu Curso de Design em Permacultura: Qualquer coisa que arda no olho, não pode ser colocado no vermicompostor.

Ou seja, laranjas, por exemplo, está fora de questão. E óleos, por sufocarem a minhoca, também não são aceites. Cozinhados também não – vêm carregados de óleos e temperos irritantes – imagina pôr sal e pimenta no teu olho! É assim que a minhoca se sentiria se colocasses essas coisas na sua casinha e todos esses elementos entrassem em contacto com a sua pele sensível.

Para fazer um vermicompostor é  muito simples – e se estás preocupado com o odor – na minha experiência, ele não existe. É uma das razões porque acho que o vermicompostor é uma boa opção para habitações urbanas – o facto de um vermicompostor poder ser de qualquer tamanho e poder ser ajustado à escala que se consegue fazer também ajuda nesse aspeto – ao contrário do compostor, que precisa de um mínimo de 1m cúbico para uma compostagem de qualidade.

Aqui está uma foto do nosso vermicompostor e como ele funciona:

  • Recolhemos 3 Caixas de esferovite de um supermercado – as caixas de peixe são ideais.
  • Caixa de cima=1; Caixa do meio=2; Caixa de Baixo=3
  • As caixas 1 e 2 têm pequenos buracos no fundo.
  • Colocam-se em torre como se vê na imagem e coloca-se alguma terra, as minhocas e os restos a compostar na caixa do meio (2).
  • Vai-se alimentando as minhocas da caixa 2 até terem convertido todos os restos em composto de minhoca.
  • Os buracos da caixa 2 deixam escoar liquidos que acumulam na caixa 3.
  • Quando a caixa 2 estiver cheia de composto de minhoca, começa-se a colocar os restos na caixa 1.
  • Os buracos da caixa1 permitem que as minhocas se desloquem sozinhas da caixa 2 (que agora está cheia) até à caixa 1.
  • Depois das minhocas terem migrado todas para a caixa de cima onde está a comida nova, podes tirar a caixa 2 e despejar o composto de minhoca, e o liquido da caixa 3.
  • Depois a caixa 1 – onde estão agora as minhocas e onde se despejam os restos – troca de lugar com a caixa 2 (já esvaziada) que passa para o topo.

Ou seja, as caixas 1 e 2 estão sempre a trocar de lugar À medida que as minhocas enchem as caixas com  composto super rico criado dos restos da cozinha e a caixa 3 recolhe os líquidos produzidos pelas minhocas durante a compostagem.

  • Deves manter o minhocário escuro e húmido.

Além de te ajudar a minimizar o lixo que terias de levar para o contentor, produz composto de minhoca que, se fores comprar aqui em Portugal até está mais ou menos em conta, mas noutros países – como no Canadá, onde vivemos uns anos – podem custar uma fortuna, dependendo da qualidade.

Também produz minhocas, que podes usar ou vender como isco de pesca quando tiveres demasiadas, ou suplementar a alimentação das tuas galinhas com uma boa dose de proteína de minhoca – elas adoram e a sua saúde agradece. Além disso tudo, também produz o chamado “sumo de minhoca” um líquido altamente rico em nutrientes que pode ser usado como bio-fertilizante.

“LIXO”+VERMICOMPOSTOR= 3 produtos biológicos com pelo menos 4 funções diferentes!

 

NA HORTA

Agora, às dicas práticas de Permacultura para a horta. Se produzes, ou queres produzir, alguns dos teus alimentos em casa, estás de parabéns.

Se queres seguir a via biológica, estás de SUPER parabéns. Na minha opinião, se vais envenenar a terra da tua casa com pesticidas e herbicidas para ter tomates e pimentos gigantes, estás melhor a ir ao supermercado – ao menos assim não estás a destruir o teu próprio habitat.

Se vives na cidade, procura uma horta comunitária por perto, ou cria a tua própria horta vertical! Podes comprar um kit, mas se estás em modo eco, podes fazer um com materiais reciclados como mencionámos acima.

Online existem imensas ideias e até planos para te guiar na construção de uma horta vertical que traga o campo para o teu cantinho na cidade – se quiseres ver por ti mesmo como isso funciona, podes vir ao Hostel Atlas em Leiria 24 de Junho onde vamos montar uma no centro da cidade num pequeno workshop organizado pela malta do eco-festival Museum Festum 😉

O nosso protótipo de uma horta vertical feita com paletes recicladas e tratadas naturalmente

3. BIO FERTILIZANTES

Ao escolher a via biológica, vamos nos deparar com alguns desafios – as plantas podem (podem – não quer dizer que assim seja) demorar mais tempo a crescer, e podem não atingir aqueles tamanhos impressionantes que as pessoas tanto gostam de gabar (incluindo eu); irão aparecer pragas (não é um “se” – vai acontecer, por isso aceita) e vai cair o pânico quando vemos as nossas favas cobertas de afídios sugadores – falo por experiência própria.

Mas todos esses problemas desaparecem quando colhemos comida com um sabor incomparável ao tomate deslavado do supermercado, ao ver as joaninhas a aparecer para um belo jantar de afídios e a salvar as tuas favas de uma morte quase certa – mais uma vez, falo por experiência própria.

A nossa nova horta mandala biológica de 200m quadrados implementada esta Primavera

 

Por isso é que quero falar aqui dos bio fertilizantes que tenho usado para ajudar a resolver esses problemas: chorume de urtigas, enraizador de salgueiro, sopa de legumes, sumo de minhocas, urina (sim, leste bem!) e óleo de neem (este último foi o único que ainda não experimentei pessoalmente). Não vou falar em muito detalhe sobre cada um, mas deixo as referências para que possam explorar cada opção por ti mesmo.

 

SUMO DE MINHOCA

É o residuo líquido que acumulará no fundo do vermicompostor – eu gosto de lhe chamar ouro liquido – é extremamente rico em nutrientes e as plantas ADORAM. Diluo um pouco na minha água de rega quando o vejo que tenho bastante no fundo do vermicompostor.

 

ENRAIZADOR DE SALGUEIRO

Não é tanto um fertilizante, mas um fortalecedor do sistema imunitário da planta e, como o nome indica, um enraizador – é fantástico para transplantes, quando queremos que a planta se estabeleça e crie raízes e para a fortalecer quando está no seu estado mais vulnerável. Podes consultar o nosso artigo sobre o assunto.

 

CHORUME DE URTIGAS

É um autêntico produto 2 em 1 – tanto serve como um fertilizante espetacular como também pode ser pulverizado para dar cabo de pragas – como os afídios que atacaram as minhas favas esta Primavera.

Para servir de fertilizante:

Coloca urtigas em água e deixar fermentar – quanto mais malcheiroso, mais as plantas adoram – depois basta diluir 20 para 1 (ex: 1l de chorume para 20 de água) e regar.

Para servir para pulverizar as pragas:

Apenas muda a preparação: colocam-se as urtigas em água mas deixam-se no MÁXIMO 2 dias. Eu nunca deixo passar as 15 horas, como não sei o impacto que um chorume muito forte terá noutros insetos benéficos como as joaninhas, prefiro uma solução mais fraca e aplicar mais vezes do que arriscar maltratar o ecossistema de seres vivos na minha horta. O produto não se dilui – pulveriza-se puro para cima dos bichinhos indesejados.

Consulta este artigo espetacular sobre Chorume de Urtigas do blog “A Senhora do Monte” .

 

URINA

Nós TAMBÉM fazemos parte da Natureza – e como tal, TAMBÉM produzimos coisas que outros elementos da Natureza precisam. Uma dessas coisas é URINA.

Urina é altamente rica em AZOTO, um elemento muito necessário ao crescimento das plantas. Se já viste isto nas etiquetas de fertilizantes – NPK – e depois uns números – 6-12-6 – fica sabendo que esses números representam a quantidade de certos elementos nesse fertilizante, e que o N em NPK significa NITROGEN – ou seja, AZOTO.

Aquelas bolinhas azuis que vemos pessoas gastar dinheiro para largar na terra e que chamam fertilizante, é AZOTO. Apenas acho triste que as pessoas estejam a gastar dinheiro nesse nutriente quando têm bexigas com uma fonte inesgotável dele, de graça e de muito melhor qualidade.

Urina é um fertilizante poderosíssimo – tanto que, se abusares, queimas as plantas. Nunca uses mais concentrado do que 1-20: 1litro de urina por 20L de água.

Se tomas medicação, principalmente antibióticos, não uses a Urina – se tem ANTI-BIÓTICOS (=anti – bio=vida) não queres por isso na terra porque vai matar a biodiversidade na tua terra. Espera um ano até o teu ecossistema interno estar bem o suficiente para produzir urina de qualidade para as tuas plantas.

Também podes utilizar urina para aumentar a actividade bacteriana da compostagem, aumentando a temperatura dentro da pilha de composto e assim acelerando o processo. Vimos isso ser utilizado para aquecer uma pilha de composto que conseguia atingir oa 100ºC para aquecer água do duche.

Urina tem sido utilizado para IMENSAS coisas, desde fixar cores em tecidos, como para fazer detergente para a roupa – a minha irmã gosta de dizer “O ingrediente secreto para tudo é sempre urina ahaha.”

 

SOPA DE LEGUMES

Para aqueles que não têm acesso ou condições para utilizar urina, para aquelas alturas em que é dificil encontrar urtigas em quantidade para fazer chorume, ou ainda não tens sumo de minhoca (ou em quantidade suficiente) do teu vermicpompostor, a sopa de legumes é uma excelente forma de suplementar a dieta das tuas plantas. Também é útil se quiseres tirar proveito dos teus restos crus de cozinha mas não tiveres um compostor, vermicompostor ou galinhas.

Receita:

  • Triturar restos de cozinha crus, juntar água e deixar fermentar aberto. No Verão, mais ou menos 3 dias – ou quando começar a borbulhar.
  • Coar. As fibras podem ir diretas para a horta.
  • O preparado pode ser usado puro ou diluido.
  • Aplicar de 15 em 15 dias durante o crescimento, floração, frutificação.

 

ÓLEO DE NEEM

Ainda não tive a oportunidade de experimentar este produto, mas veio-me altamente recomendado por ser um óleo natural de vem de uma árvore (árvore de Neem) e poder ser usado livremente contra pragas sem contra-indicação alguma para as plantas. Como também não sei se a produção deste óleo é sustentável, e ainda não fiz bem a minha pesquisa, ainda não tenho opinião própria sobre ele – se experimentares, partilha a tua experiência 😉

 

To be Continued….

 [PARTE 2] – A NATUREZA GOSTA DE BEBER COM AMIGOS